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CULTURA GRECO-ROMANA

3. RELIGIÃO E COTIDIANO

3.1. A CULTURA GREGA

       Um dos principais expoentes da cultura grega é a filosofia, a palavra filosofia vem do grego filos, que significa amor, e Sofia, que quer dizer sabedoria. Por amor à sabedoria os gregos buscaram explicações racionais para a realidade do mundo, diferente daquelas apresentadas nas lendas, nos mitos ou nas crenças religiosas.
       Foi assim que nasceu entre os gregos a filosofia, isto é, o uso sistemático da razão humana para compreender o desconhecido.Entre os grandes nomes da filosofia grega podemos citar Sócrates (469-399 a.C.), Platão (427-347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C).
       A partir do conhecimento filosófico foram surgindo todas as demais ciências, como a Física, a Química, a Biologia, a Matemática, a Astronomia, a Medicina etc.
       Um dos maiores representantes da medicina foi o grego Hipócrates (séc. V a.C), conhecido como o pai da Medicina. Ele formulou as primeiras regras a serem seguidas pelos médicos; primeiro, descobrir os sintomas, depois, fazer a diagnose, e por ultimo dar a terapia. São da Grécia os grandes matemáticos que prestaram notáveis contribuições a essa ciência. Podemos citar, por exemplo, Tales de Mileto e Pitágoras.
       Entre os grandes históriadores gregos destaca-se Heródoto (484-425 a.C), conhecido como o pai da história. Ele afirmava que os exemplos deviam ser mostrados as novas gerações, para que os erros do passado não voltassem a ser cometidos no futuro. Alem de Heródoto, podemos citar entre os históriadores gregos Tucídides, Xenofonte, Plutarco e Políbio.
       A arte grega clássica caracteriza-se pela busca de equilíbrio, racionalidade e perfeição.
       Um dos elementos fundamentais da arquitetura grega era a coluna, que conheceu três estilos básicos: dórico (simples e despojado), jônico (leve e flexível) e coríntio (complexo e rebuscado). Das construções gregas, destacam-se os templos que tinham a forma retangular.
       Entre os principais arquitetos gregos, podemos citar Ictino e Calícrates, construtores do Pártenon.
       A escultura geralmente tinha como finalidade decorar ou complementar as obras arquitetônicas. As estatuas gregas, representando figuras masculinas ou femininas, destinguiam-se pelo seu aspecto leve e, ao mesmo tempo, vigoroso. As figuras gregas são modelos idealizados de perfeição física.
       Entre os principais escultores gregos destacam-se Mírom, Fídias e Praxíteles.
       Os gregos foram os criadores de dois gêneros básicos do teatro: a tragédia e a comédia. O teatro grego originou-se das festas em homenagem a Dionísio, era ao ar livre, geralmente construído na ladeira de uma colina para o aproveitamento máximo da acústica natural. Os atores usavam uma máscara, chamada persona (palavra da qual se originam os termos personagem e personalidade).
       Os principais dramaturgos gregos foram: Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e Aristófanes.

3.1.1. CULTURA HELENÍSTICA

       Como vimos, uma das maiores obras de Alexandre foi a difusão da cultura grega pelos territórios conquistados.
       Educado por Aristóteles, Alexandre Magno. Ao expandir militarmente seu império, levou a cultura grega para os povos do Oriente. Por outro lado, a cultura dos povos conquistados também passou a exercer influência sobre a cultura grega. Dessa interação cultural surgiu a cultura helenística.
       As atividades culturais desse período concentraram-se em grandes cidades, como Antioquia, Pérgamo e Alexandria. Esta ultima merece especial destaque como verdadeiro centro cultural, pois possuía uma biblioteca com cerca de 60 mil obras.
       No campo da Filosofia dominava um clima de incertezas, descrenças e materialismo. Seus principais nomes foram Zenão e Epicuro.
       Com o intercambio de conhecimentos entre os sábios gregos e orientais, setor cientifico recebeu grande impulso. A Geometria desenvolveu-se com Euclides, a Astronomia e a Geografia, com Hiparco e Eratóstenes, e a Física, com Arquimedes.
       No setor artístico ocorreu uma mudança de estilos. O equilíbrio e a racionalidade do clássico grego adquiriram um caráter mais dramático e emotivo. Como exemplos celebres da arte helenística podemos citar a Vênus de Milo, o Laocoonte, escultura dramática, o Farol de Alexandria e o Colosso de Rodes, obra arquitetônica marcada pelo estilo gigantesco trazido do Oriente.

3.2 A CULTURA ROMANA

       Roma foi uma das maiores cidades do mundo antigo. No século II, ela contava com cerca de 1 200 000 habitantes. Era uma população formada por pessoas de origens variadas: gregos, egípcios, gauleses e etc.
       Para manter sob controle essa massa populacional, constituída por muitos desocupados que viviam pelas ruas, as autoridades romanas distribuíam alimentos periodicamente (pão) e promoviam diversos espetáculos públicos (circo). Assim, "pão e circo" era a formula utilizada para controlar o povo. Eram tantas as festas e espetáculos que o calendário romano chegou ater 175 feriados por ano.
       Entre os espetáculos mais populares estavam as lutas contra animais ferozes e os combates entre gladiadores.
       Os gladiadores eram, normalmente, escravos ou prisioneiros de guerra treinados em escolas especiais de luta (ludus gladiatorius).
       Nos espetáculos, eles se confrontavam, em geral, com armas diferentes. Os gladiadores gauleses, por exemplo, usavam capacetes, escudos e espadas. Já os samnitas lutavam quase nus, munindo-se se uma espada curta, um elmo e um escudo comprido.
       Os gladiadores eram obrigados a lutar ferozmente até que o adversário caísse morto ou ferido. No chão, o gladiador ferido implorava pela vida, erguendo a mão na direção do camarote oficial. A autoridade costumava ouvir a multidão delirante para decidir se o ferido merecia ou não continuar a vivendo. Se apontasse o polegar para cima, o gladiador permaneceria vivo. Se apontasse para baixo, significava morte do vencido.
       No final de cada luta do espetáculo vários escravos limpavam a arena, recolhendo cadáveres com um gancho.
       Um dos anfiteatros mais utilizados nesses espetáculos violentos foi o Coliseu, que tinha capacidade para abrigar quase 90 mil espectadores.
       Alem das lutas de gladiadores, os romanos adoravam os espetáculos de circo e de teatro.
       Nos circos, os romanos assistiam a acrobacias realizadas por ginastas e equilibristas. Havia também corridas de cavalos atrelados a carruagens.
       No Circo Máximo de Roma, aproximadamente 50 mil pessoas podiam assistir a essas corridas e fazer apostas.
       Nos teatros, os romanos assistiam a peças dos mais variados gêneros: sátiras, tragédias, pantomimas. Entre os grandes autores do teatro romano destacam-se: Plauto Terêncio, Lívio Andrônico etc.
       Quase toda grande cidade romana possuía um estabelecimento de banhos conhecido como termas. No século IV, havia em Roma cerca de mil termas.
       Instaladas em construções amplas e, as vezes, luxuosas, eram ricamente decoradas com estatuas e mosaicos. Cada terma compunha-se, geralmente, das seguintes seções: Sudarium, um local com água muito quente, onde os clientes suavam bastante; Caldarium, local onde se tomava um banho menos quente para eliminar o suor; Tepidarium, piscinas de água morna e o Frigidarium, piscinas de água fria.
       Alem dessas seções de banho, as tremas possuíam salas de massagem, ginástica e quadras para a pratica esportiva. Havia lugares reservados para atividades intelectuais, como biblioteca, salas de conversação e concertos musicais. Durante o império, as termas tornaram-se os locais favoritos para encontros comerciais e reuniões políticas dos cidadãos romanos.
       A cultura romana sofreu grande influencia de outros povos, como os etruscos e, principalmente, os gregos. Os romanos retrabalharam os elementos recebido de fora, acrescentando-lhes características próprias do povo romano. Entre essas características destacam-se a organização social e o senso prático.
       A organização social reflete-se no Direito romano. O senso prático reflete-se nas obras arquitetônicas (estradas, aquedutos, edifícios etc.).
       A maior herança cultural de Roma à civilização ocidental foi no setor do Direito. A Lei das Doze Tábuas, elaborada pelos romanos, foi um dos primeiros códigos escritos da história. Muitas outras legislações foram criadas pelos romanos para regrar o comportamento social do vasto império em expansão. Assim, formou-se um conjunto de leis que denominamos Direito romano.
       Roma produziu uma arquitetura grandiosa e imponente. Ela combinava beleza e utilidade na construção dos mais variados edifícios: teatros, basílicas, termas, aquedutos, circos, templos e palácios. Nessas construções, destacavam-se os arcos, as abóbadas e as cúpulas, por seu aspecto monumental.
       Os romanos tornaram-se famosos também pela construção de belas e eficientes estradas e pontes. As estradas e pontes foram fundamentais para garantir a unidade do império, permitindo a rápida locomoção do exército e o fácil intercâmbio comercial entre as diversas cidades.
       A escultura romana caracterizou-se pela produção de retratos (cabeça e busto) e estátuas eqüestres. Os escultores romanos preocupavam-se em reproduzir a realidade da maneira mais fiel possível. Diferiam, portanto, dos gregos, que idealizavam seus modelos.
       Nota-se no estilo literário dos escritores e pensadores romanos a busca permanente da beleza e da elegância.
       Destacam-se na literatura romana escritores e poetas como Virgílio, Horácio, Ovídio, Cícero, Catulo e o históriador Tito Lívio.
       A língua latina constitui uma das mais importantes heranças culturais de Roma ao mundo ocidental. Foi da língua latina que se originaram o idioma italiano, português, espanhol, francês e romeno.

3.3 A RELIGIÃO E O COTIDIANO

       As vidas cotidianas grega e romana eram diferentes, suas épocas eram diferentes, mas sua religião era igual. Festivais, competições, orações e o dia-a-dia das cidades greco-romanas são os tópicos abordados a seguir.

3.3.1 RELIGIÃO NA VIDA DOS GREGOS

       Foi o aparecimento dos chamados poemas homéricos, durante sua primeira expansão espontânea pelas ilhas agéias e Ásia Menor, que inicialmente tornou os gregos cônscios de uma nação. Através desses poemas e da sua punjante culminância na Ilíada e na Odisséia - culminância que tocava a religião e se esforçava por isolar o elemento comum nas idéias religiosas de toda a Hélade - os gregos alcançaram uma concepção nítida da sua unidade nacional e compreenderam as peculiaridades raciais de sua vida e religião. Esses poemas situaram as imagens dos principais deuses diante de seus olhos, deram a cada um deles uma forma distinta, forçaram os homens a acreditar na sua afinidade com a humanidade e revestiram-nos com os atributos que os gregos reconheciam em si próprios.
       Homero uniu os deuses numa grande família, e ao mesmo tempo alem do alcance humano, no cimo do monte Olimpo, iluminando-os com a luz da beleza inefável. Homero tornou-se a bíblia dos gregos, a fonte de onde hauriam suas concepções de divindade e que fixou para sempre as imagens divinas, tão familiares até mesmo para nós.
       Entretanto, entre esses deuses havia um em especial que se tornou particularmente chegado e querido de todos os gregos e com que ligavam suas concepções de divindade e seu papel na vida humana. Era Apolo. Originalmente o deus da luz em particular, mas também deus da agricultura e criação de gado, ele gradativamente se revestiu de novos atributos. Como Hércules, um defensor da humanidade contra as forças sombrias da natureza, ele surge como protetor e salvador. Venceu com suas flechas o formidável Píton, a serpente, que personificava as forças perigosas e tenebrosas do inferno, e os homens, agradecidos por essa proeza, construíram-lhe seu resplandecente templo em Delfos, onde toda a natureza proclamava o poder da luz de conquistar as trevas. Juntamente com Hércules, ele foi o fundador de cidades e seu protetor, e o patrono da civilização grega, especialmente da musica. Cantou sua primeira peã ou canto da vitória sobre o corpo do Píton morto. Seu oráculo orientava os homens no caminho da verdade e da justiça e aconselhava-os em seus assuntos públicos e privados.
       Mais importante ainda é o fato de que, com a figura de Apolo a moralidade surge pela primeira vez como parte da religião. O próprio deus sofre um castigo humilhante pelo assassinato de Píton e apascenta os rebanhos de Admeto. Do seu santuário em Delfos ele estende sua mão generosa aos que se mancharam com sangue; pelo arrependimento e purificação, eles se reconciliam com sua própria consciência e com a sociedade; o deus os absolve de seus pecados, só não havendo perdão para o matricida. A religião de Apolo teve grande influencia na Grécia. O templo de Júpiter, em Olímpia, não era o único santuário onde todos os gregos prestavam cultos. Apolo tinha dois templos assim, um em Delfos, o centro de uma aliança entre varias comunidades, uma das mais antigas da Grécia, e outro em Delos, onde se concentrava a vida religiosa de todos os Jônios. Na Ásia Menor, o lugar de Delos era ocupado pelo templo de Apolo em Didima, próximo de Mileto, santuário familiar de todos os gregos.
       A adoração a Deméter em seu templo em Eleusis, originaria do segundo milênio, tornou-se universal entre os gregos. Deméter, a Grande-Mãe, fora uma deusa pré-grega, mas os gregos elevaram esse culto a um alto nível de simbolismo poético e o moralizavam. Enquanto Apolo era o deus de toda a Grécia, reverenciado em todas as cidades, como o "deus de nossos pais", em todas as famílias, Deméter era mais exclusiva. Ela só admitia em seus mistérios o grupo escolhido de crentes, somente os que eram puros no sentido ritual e moral. Contudo, não havia distinção de sexo ou posição: mesmo os escravos eram incluídos, mas não se admitia nenhum estrangeiro. Para o iniciado ela prometia a regeneração completa, ou melhor, um novo nascimento nesta vida e bem-aventurança na vida futura. Na cerimônia solene de iniciação, seu adorador era purgado das impurezas terrenas.
       Um terceiro culto, que se difundiu gradativamente por todo o mundo grego, foi o de Baco. Ele provavelmente chegou a Grécia pela Trácia e depressa se difundiu pela Grécia, Ásia Menor e Itália. Trácios e gregos concebiam Baco como um deus sofredor: ele personificava a vegetação que morre no inverno. Em juventude foi despedaçado pelos Titãs, mas renasceu de si mesmo, tão jovem e belo como antes. Em sua homenagem, os adoradores, especialmente as mulheres, faziam festejos noturnos, a luz de tochas, nos cimos das montanhas. Dançando em êxtase ao som de pratos e tambores, despedaçavam um animal sacrificado, cujo sangue bebiam com vinho e assim participavam do ser e da vida eterna de seu deus.
       Todos os gregos recorriam a esses santuários, a maioria dos quais era também sede de oráculos e servia como símbolo da unidade nacional. Já mencionei o templo de Júpiter em Olímpia, e os de Apolo em Delos, Delfos e Didima. Outros santuários oraculares eram os de Netuno, próximo de Corinto, e o de Júpiter em Dodona, Epiro. Os templos de Asclépio, o deus da medicina, também eram nacionais. Os doentes e sofredores acorriam para eles, vindos de toda a Grécia, e escolas de medicina foram neles criadas pelos médicos, os alunos do divino curador.
       Em conexão com alguns desses lugares sagrados, instituíam-se, em homenagem aos deuses, competições, jogos atléticos, música e poesia, os quais estavam abertos a todos os gregos. Desde tempos imemoriais, os deuses têm sido adorados, não apenas na Grécia, com dança, canto e competições de vários tipos. Nessas competições os jovens da Grécia cantavam hinos de louvor ao deus, ou reproduziam cenas de sua vida em danças rítmicas e corais, acompanhadas por musica e canto, ou competiam entre si em corrida, salto, luta, lançamento de disco e do dardo e compareciam com aurigas de carros tirados pelos mais velozes cavalos.
       Nesses jogos, e na própria natureza dos santuários pan-helênicos, soa evidentes as duas características do gênio e da vida dos gregos. O deus era glorificado por todos os gregos: durante os jogos, milhares de gregos da própria Grécia e das colônias se reuniam em Olímpia ou Corinto, encontravam-se, conversavam, discutiam interesses de uma região ou de todos eles e se reuniam em rituais e oferendas conjuntas.
Mas a religião não estava satisfeita em se expressar na forma de poesia, música e dança: os gregos queriam ver e tocar seus deuses e dar-lhe morada dignas da sua majestade. Júpiter, Apolo e Demeter, Vênus, Baco e Netuno realmente tocaram seus corações pela primeira vez quando pintores e escultores, após longas experiências, começaram a descobrir formas artísticas adequadas para os divinos habitantes do Olimpo.
       Os templos e edifícios da acrópole (cidade alta) e na ágora (praça espaçosa das antigas cidades) eram de mármore claro polido. Mas as casa nas ruas, sujas e tortuosas, eram principalmente construídas de adobes (tijolo feito de argila) secados ao sol.
       Não havia residências suntuosas. Mesmo um grande general, como Temístocles, vivia numa casa simples, igual à de seus vizinhos.
       Homens ricos não eram respeitados pelo dinheiro que gastavam consigo próprios, mas pelo que dava aos deuses e à cidade para custear os festivais públicos. Só as casas grandes tinham pavimento de pedra. Em outras as paredes eram construídas a partir da terra batida. As paredes de adobe eram tão frágeis que os ladrões eram chamados de "arrombadores de parede". Eles simplesmente escavavam as passagens para entrar. Os arqueólogos encontraram ferramentas nos assoalhos das salas junto às ruas. Talvez se possa deduzir daí que os artesãos utilizavam as salas que davam para a rua como oficina.
       Os outros cômodos davam para um pátio central, e poucas janelas, para a rua. Isso era devido ao fato de que nas cidades maiores havia um esgoto aberto no meio das ruas. A latrina do banheiro estava ligada a esse esgoto. Nas cidades menores não havia esgotos. E todo o lixo era jogado nas ruas para ser apanhado pelos cães.

3.3.2. A VIDA COTIDIANA ROMANA

       No séc. VIII a.C. um agrupamento de cabanas junto à margem do rio Tibre gradualmente desenvolveu-se numa cidade, Roma, que se tornou centro de um grande império. Não há muito em que se basear para saber como era a vida em Roma no auge do império, durante o primeiro século da era Cristã; mas em Óstia, o porto que servia Roma antiga, existe até hoje muita evidencia.
       A população vivia em prédios de apartamentos sólidos, construídos com tijolos, tinham 4 ou 5 andares em volta de pátios internos. O acesso aos apartamentos era feito pelo pátio interno ou pela rua, por escadas entre as lojas e o andar térreo.
       Um apartamento consistia em 5 ou 6 cômodos, com um corredor de acesso que dava para a rua e terminava em um cômodo maior do que os outros. Paredes e tetos eram, em geral, elaboradamente decorados.
       Para os romanos, um bom fornecimento de água fresca era essencial e construíram aquedutos para esse fim. Os nove aquedutos principais de Roma tinham o comprimento total de aproximadamente 425 Km, com uma capacidade de 350 milhões de litros a cada 24 horas. O primeiro aqueduto foi construído no séc. IV a.C.
       O aqueduto levava água para um reservatório com caixas d'água e um sistema de comportas e torneiras para controlar a distribuição para as três saídas principais: fontes públicas (onde os cidadãos comuns obtinham sua água), banhos públicos e lares dos cidadãos ricos que pagavam por este privilégio.
       Óstia, naquela época, tinha 18 banhos públicos, todos construídos segundo uma planta específica. Alguns pertenciam a clubes privados, outros eram públicos. Mas, quer públicos ou privados, eram os pontos de encontro mais importantes da cidade, tanto para negocio como para reuniões sociais. Juntamente com teatros e circos, os banhos eram parte das amenidades civis que todos os cidadãos livres consideravam suas de direito.
       Lavatórios públicos eram geralmente encontrados nos mesmos prédios que os banhos ou ainda próximos de fontes e outras construções com fornecimento constante de água. O lixo era recolhido por escravos municipais, sob a direção do magistrado responsável pela conservação e manutenção das ruas.
       Armazéns para guardar alimentos e outras mercadorias faziam também parte dos serviços municipais. Em Óstia, Roma e outros centros comerciais do Império, muitos eram propriedades do Estado. Outros, no entanto, podiam pertencer a comerciantes ou autoridades da cidade.
       Ao norte de Óstia ficavam as docas. Pequenos barcos subiam o rio Tibre para descarregar em Roma, mas os navios mercantes maiores não podiam fazer isso. Ancoravam ao longo da costa e eram carregados ou descarregados por barcos menores que funcionavam como carregadores.
       Em 43 d.C., sob ordens do imperador Cláudio, iniciou-se a construção de um imenso ancoradouro imperial. Este foi, por sua vez, substituído por um porto mais compacto e abrigado, construído em 112 d.C., no governo do imperador Trajano.
       Mercadores e comerciantes estabeleceram-se em Óstia, aumentando a prosperidade da cidade. Construíram casas luxuosas e seus empregados e ajudantes ocupavam os prédios de apartamento, formando assim uma extensa classe média. Lojistas, estalajadeiros, artesãos e pequenos comerciantes completavam a população de Óstia.
       As lojas geralmente consistiam em uma sala retangular com um banco perto da porta. A mercadoria era arrumada em prateleiras nas paredes. Próximo à loja havia um depósito. No fundo da loja, uma escada conduzia o lojista ao mezanino onde vivia.
       A expansão de Óstia, como a de outras cidades romanas, dependia muito do grande numero de escravos utilizados como mão-de-obra não especializada. Os grande aquedutos não teriam sido construídos sem eles, nem as cidades romanas teriam seu excelente fornecimento de água e sistemas de escoamento, se não fosse o trabalho escravo.
       O pai era definitivamente o chefe de família nos tempos romanos. Exercia considerável autoridade, inclusive a decisão de vida ou morte sobre todos os membros de sua família ou escravos.
       A sala de jantar era o ponto focal da família no lar. Homens e mulheres comiam juntos, reclinados em almofadas sobre divãs. A mobília romana variava desde a mais simples e funcional até a mais elegante e sofisticada. Cadeiras e camas eram geralmente de madeira, embora algumas de metal tenham sido descobertas.
       Estatuas eram comuns nos lares de cidadãos mais abastados, assim como em prédios públicos e jardins. Os murais eram , na sua maioria, copias de pinturas gregas dos sécs. V e IV a.C.
       Em Roma não era muito diferente, escravos, ricos e pobres viviam como em Óstia, mas haviam diferenças, principalmente por dois motivos: a cidade era bem mais populosa, o que fez com que fosse proibida a circulação de carroças durante o dia para não atropelar os pedestres, e o fato de ser a capital do país, sendo assim Roma tinha grandes prédios públicos como o Fórum por exemplo.
       Roma estava situada sobre sete colinas, mas entre elas havia uma planície pantanosa destinada a tornar-se o centro da cidade. Ali os primeiros habitantes reuniam-se para negociar seus produtos e resolver disputas. Com o tempo, o local foi drenado e pavimentado e construíram-se prédios públicos em torno de uma praça espaçosa. Esse Fórum constituía um palco da vida real, com diversos atores, de cidadãos honrados a refinados canalhas. Aqui, reformadores arriscavam suas vidas falando em Rostro, assim como perjuros ofereciam seus serviços na porta dos tribunais.
       No templo de Vesta, virgens de branco cuidavam da flama sagrada da cidade, enquanto na praça prostitutas com roupas coloridas procuravam clientes. Marco Antonio fez a oração fúnebre a Julio César no Fórum. O imperador Calígula subiu no teto da basílica Julia e de lá jogou uma chuva de moedas sobre a multidão, causando um tumulto cujas baixas foram registradas com profecia romana: 32 homens, 247 mulheres e um eunuco.
       Ao contrario dos antigos espartanos, que instilavam um espírito belicoso em seus filhos desde tenra idade, os romanos achavam que as crianças deviam se instruir moralmente e se divertir antes de enfrentar preocupações serias. Elas dispunham de soldados de brinquedo para brincar de guerra, mas também podiam alimentar passarinhos ou ajustar membros de bonecos de terracota. Não havia separação rígida entre os sexos. Meninas e meninos jogavam bola ou malha com o mesmo entusiasmo.
       Mas a infância terminava cedo. Aos 13 anos, as meninas eram consideradas aptas a casar, embora seus futuros maridos pudessem ser bem mais velhos. Os adolescentes de classe de classe alta eram treinados em gramática e retórica por alguns anos, preparando-se para a vida publica; os outros ficavam à solta, em gangues, até que suas brincadeiras se tornassem violentas demais; então, talvez fossem mandados para o exercito.

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