Ano
I * Edição nº 034 * 15/07/2005 * Santa Rosa/FE
SACRO
IMPÉRIO DE REUNIÃO
A última semana mostrou que apenas crescem as nações que
apresentam um mínimo de estrutura organizada.
O Sacro Império de Reunião foi invadido por um leva de novos
súditos, muitos já com grande vontade e desejo de trabalhar e provar do doce
gosto do verdadeiramente micronacionalismo, prática
levada a última instância por Cláudio I.
De fato não é fácil erguer uma micronação nova, quem dirá mantê-la a níveis
regulares de atividade. Mas não são esses níveis que determinam o que é ou não
uma micronação, mas sim o real funcionamento de suas
instituições.
Reunião tem hoje seus quatro poderes em plena
atividade e isso demonstra a qualidade de seus súditos.
Alguns pseudo-micronacionalistas acham
simplesmente que para se criar uma micronação é
extremamente necessário ter um site na internet e partindo deste princípio montam um, o que até
parece ser bem simples, para quem conhece o mínimo possível de HTML, ASP, JAVA
e outros "bichos" desses.
O pior é que se contentam com isso. Uma semana em algumas listas
destas é possível perceber que são apenas listas de amigos com algum tipo
de afinidade, nada mais. E muitas listas então, nem isso
podemos dizer.
É chegada a hora de separar o joio do trigo
Por Filipe Oliveira
Era
Glacial
Nos últimos meses, tornou-se comum a
notícia de micronações que fecharam suas listas
nacionais a estrangeiros, com o argumento de que precisavam de privacidade para
tentar “arrumar a casa”.
Também se tornou comum a notícia de
governantes “jogando a toalha” e declarando o país extinto ou em hibernação. De
um ano para cá, isso aconteceu com mais freqüência do que seria razoável
esperar.
Há
mesmo uma crise crescente nas entranhas da Lusofonia,
então? Difícil dizer o contrário. Sob diversos aspectos, a situação atual se
parece pior do que de alguns anos atrás, em quase todos os países.
Não
se trata de fato recente, pois essa ameaça de caos completo ou de total
inatividade vem sendo prevista por diversos micronacionalistas,
apontando como causas, principalmente, a falta de renovação de cidadãos e a
fragmentação da lusofonia.
Primeiramente,
vamos tentar analisar o grau de extensão dessa tão falada crise geral. O
argumento mais óbvio de checar o número de mensagens nas diversas listas
nacionais lusófonas, mas em alguns casos esbarraríamos no problema da tese mensagista, de que quantidade de mensagens é tradução
literal de atividade.
Então,
em vista disso, fizemos uma análise da lista de distribuição Jornaleiro
(http://br.groups.yahoo.com/group/jornaleiro), especializada em periódicos e
que recusa a publicação de mensagens oficiais ou de debates entre integrantes.
No
primeiro semestre deste ano a lista Jornaleiro recebeu
466 mensagens. Um número bem abaixo da média histórica da lista, que sempre foi
de mais de 700 mensagens:
|
1º SEM/01 |
1º SEM/02 |
1º SEM/03 |
1º SEM/04 |
1º SEM/05 |
|
751 mensagens |
725 mensagens |
729 mensagens |
751 mensagens |
466 mensagens |
Uma
vez que o número de publicações em websites e blogs continua muito pequeno, a grande redução (38%) entre
o primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período em 2004 seria uma
prova cabal da menor atividade de toda a lusofonia.
Mas
até que ponto as causas normalmente apontadas são mesmo as responsáveis pela
menor atividade verificada este ano nas micronações?
A
falta de renovação de cidadãos seria causada pela saída natural de cidadãos
antigos, em razão de falta de tempo decorrente de mudanças na sua vida pessoal
e profissional macro e também por desânimo ou decepção com problemas micronacionais.
Não
se pode incluir nessa conta os cidadãos que nunca foram verdadeiramente ativos,
sendo mais espectadores que participantes. A falta de renovação se daria em
relação aos chamados “hiperativos”, àqueles que
sempre fizeram a diferença nos países por onde passam: atuam na política,
escrevem em jornais, participam de debates de toda natureza, incentivam outros
a serem ativos.
Realmente
não é fácil ser um cidadão assim. É preciso, antes de tudo, um tempo livre
diário de duas ou três horas (enquanto que um micronacionalista
“normal” precisa apenas de um tempo livre semanal de igual tamanho).
Fora
isso, deve ter uma formação cultural mínima que lhe permita navegar entre áreas
diferentes que envolvem a organização de uma micronação:
direito, administração, sociologia, informática.
Deve,
ainda, ter interesse em pesquisar e estudar os fundamentos do micronacionalismo, adquirindo conhecimentos sobre os nove
anos pretéritos de lusofonia na internet mas também sobre as outras “fonias” e sobre o micronacionalismo pré-web.
Micronacionalistas assim não nascem de um dia para o outro. É preciso atuar e
participar de um país por meses ou anos para atingir um estágio próximo do
ideal.
Aí
entra a questão do modismo: ao contrário de “febres” da internet
como blogs/fotoblogs, orkut,
IRC, o micronacionalismo não é totalmente aprendido e
apreendido nos seus primeiros dias. Um potencial cidadão de “primeiro nível” pode
simplesmente cansar de um hobby tão exigente e sair de nosso convívio.
Se
aceitarmos a tese de que tal renovação não vem ocorrendo ou vem sendo feita em
um ritmo mais lento do que o necessário, chegamos ao segundo grande motivo da
crise: a fragmentação.
Segundo
a definição da Revista Avant-Garde
(http://geocities.yahoo.com.br/bcrasnek/avant/gl.htm#fragmentacao), a
fragmentação seria a dispersão de esforços e de cidadãos, causando o
enfraquecimento geral da Lusofonia.
Em
resumo, seria constatar que temos países demais para pessoas de menos.
De
fato, quando vemos que existem mais de vinte lusófonas e que grande parte delas
se sustenta em 10 ou 15 cidadãos ativos e semi-ativos, podemos dizer que o
número de micronações é exagerado.
Será
que existem tantas formas diferentes de interpretar e aplicar o micronacionalismo que justifique termos tantos países tão
semelhantes? Não se recrimina o direito de um grupo de pessoas criar uma nova micronação, para pôr em prática idéias e
conceitos diferentes.
Mas,
em uma análise sincera e desprovida de paixão, quantos países
realmente são inovadores e originais e quantos são apenas veículo para
um grupo de pessoas ter o poder?
Difícil
não concluir que uma lusofonia com menos países seria
mais forte e teria uma concentração maior de bons cidadãos. Mas na prática não
tem sido tão simples ver isso ocorrer, pois a convivência de tantos “caciques”
dentro da mesma “tribo” acaba gerando crises e secessões, nem sempre pacíficas.
Independentemente
disso, há diversos outros pontos de vista sobre a crise da lusofonia
– até mesmo a tese de que não há crise e que estamos apenas passando por um
ciclo normal de menor atividade.
Pode-se
citar a recusa na fomentação de atividade interna sem finalidade (“provocar
brigar” para provocar atividade), a falta de maior integração entre os países e
mesmo a inexistência de um objetivo maior ao micronacionalismo,
além de ser um fim em si mesmo.
Filipe Oliveira, Lorde Protetor do Sacro
Império de Reunião
FOLHETIM DE ESPORTE * EDIÇÃO Nº 25
CONFIRA
O RESULTADO DA SEGUNDA RODADA DA GRANDE LIGA ENVOLVENDO OS TIMES REUNIÃOS.
EC São Paulo 1
x 4 Real Fournaise
AD
Saint Benoit 0 x 2 Botafogo Marajoara
Físicos Atômicos
- x - Real Izabeella FC*
Cannibal FC 0
x 5 Cruzeiro Marajó
I Cavalieri da Norcia 0 x 3 Saint
Pierre
EC Futebol de Boteco -
x - Mathematik*
SC Capitaux
1 x 0 Super Fournaise
* Partidas
ainda não haviam sido realizados
Editor-Responsável:
Alexandre Carvalho
Correspondente
em Pasárgada: Rafael Figueira
Correspondente
em Sofia: Leonardo Reis
Circula
na areuniana, jornaleiro, uniãoperiódicos, voxpress e imprensalivre.
A
Labareda é uma publicação do Grupo IIRDE
Fundado em 06/08/2004
Contato: alexandre @ reuniao.org
Visite o Memorial de Reunião