Um poema de morte,
gravado na pedra e no aço,
abandonado à própria sorte,
esquecido, sem lembrança, sem traço...
Um poema presente em todas as folhas mortas
de cada árvore viva neste doente mundo,
poema de rima perfeita e linhas tortas,
um poema simples e profundo.
Um poema que é a névoa que esconde a montanha,
que é o brilho prateado da lua cheia,
que é o âmago, o dentro, a entranha,
que é o orvalho sobre a flor mais feia.
Um poema que também é escuridão,
que é a negra lua nova,
um poema que é a tristeza, a solidão,
um poema morto e enterrado numa cova.
Um poema de versos complexos e fortes,
um poema confuso, indeclamável,
um poema puro, absoluto...sem cortes...
esse poema...é minha vida miserável...