UM POEMA...MINHA VIDA

Por Joel Luiz Carbonera

Um poema derradeiro...
escrito nas águas calmas do lago cristalino...
meu poema...o primeiro,
escrito com minhas lágrimas jovens...de sabor alcalino.

Um poema de morte,
gravado na pedra e no aço,
abandonado à própria sorte,
esquecido, sem lembrança, sem traço...

Um poema presente em todas as folhas mortas
de cada árvore viva neste doente mundo,
poema de rima perfeita e linhas tortas,
um poema simples e profundo.

Um poema que é a névoa que esconde a montanha,
que é o brilho prateado da lua cheia,
que é o âmago, o dentro, a entranha,
que é o orvalho sobre a flor mais feia.

Um poema que também é escuridão,
que é a negra lua nova,
um poema que é a tristeza, a solidão,
um poema morto e enterrado numa cova.

Um poema de versos complexos e fortes,
um poema confuso, indeclamável,
um poema puro, absoluto...sem cortes...
esse poema...é minha vida miserável...


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