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| "TENHO QUE VIVER,
MAS... PARA QUÊ?" LEV TOLSTOI |
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Por: jaime nunes mendes O célebre escritor russo Lev Tolstoi, autor da obra-prima “Guerra e Paz”, manifestou sua angústia existencial, com a seguinte indagação: “TENHO QUE VIVER, MAS... PARA QUÊ? “A vida para mim é vontade de morrer”, escreveu Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas da América Latina. Para o filósofo e escritor francês, Jean Paul-Sartre, o principal proponente do existencialismo nos anos pós-guerra, “a vida é um pânico num teatro em fogo”. O romancista e crítico inglês, Edward Forster, disse que “a maior parte da vida é tão enfadonha que não há nada a dizer sobre ela”. Uma personagem de Shakespeare exprimiu-se dessa forma: “A vida é tão cansativa como uma história contada duas vezes”. No seu satírico Elogio da Loucura, Erasmo de Rotterdam, discorrendo sobre a vida, diz: “Porventura, é outra coisa senão uma peça de teatro em que cada um, sob sua máscara, vive seu personagem até que o diretor o tira da cena?” O poeta Álvares de Azevedo, imbuído de um forte pessimismo, escreveu: “A vida está na garrafa do conhaque, na fuma de um charuto, tirai isto e a vida o que resta?”. No Talmude, compilação das interpretações da lei oral judaica, consta que “a vida do homem é como a sombra de um pássaro que nos sobrevoa”. O apóstolo Tiago, tratando da fragilidade da vida, diz: “Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece". Filósofos, biólogos, físicos, químicos, teólogos e cientistas de um modo geral, divergem em seus conceitos sobre qual o verdadeiro sentido da vida. O filósofo inglês Herber Sencer, afirmou que “a vida é a adaptação contínua de relações internas e relações externas”. Para R. Beutner, “a vida não passa de uma das muitas propriedades do carbono”. Nas palavras de G.G. Simpson, “a vida é um processo ou uma série de processos associados à completa organização da matéria, ou que nela se desenvolvem”. E, para J. M. Ford, “a vida é mais do que células com ácidos nucléicos”. Segundo um estudo realizado por químicos, o homem possui em seu corpo 68% de água, 20% de carbono, 6% de oxigênio, 2% de nitrogênio e 4% de outras diferentes substâncias. Se calculado conforme o valor dessas substâncias, o ser humano valeria apenas uma bagatela. Ao contrário, num outro estudo feito por cientistas nucleares, concluiu-se que há no corpo humano milhões de KW de energia, que, caso fosse totalmente aproveitada, faria o homem custar mais de 100 milhões de dólares. Por tudo isso, analisada segundo a estreita lógica humana, a vida possui um valor insignificante: “O homem é um acidente, um ser completamente fútil. Temos que fazer parte do jogo sem qualquer razão”, foi o que afirmou o iniciador da filosofia experimental, Francis Bacon. Já na ótica do mais influente filósofo britânico do século XX, Bertrand Russel, “o homem é apenas o resultado da disposição acidental de átomos”. E, sintetizando o conceito materialista sobre o ser humano, citamos a afirmação de Jean-Paul Sarte: “Aqui estamos todos nós, comendo e bebendo a fim de preservar nossas preciosas existências, embora não haja absolutamente nenhuma razão para existirmos”. A vida - como uma severa monotonia - sempre foi uma realidade para um número incalculável de pessoas ao longo da história humana. Mesmo para àquelas que buscaram na ciência ou nos estudos uma resposta para este dilema, a incerteza e a angústia do existir prevaleceram nostalgicamente. E, mesmo para os mais abastados socialmente, para as grandes celebridades, a vida não é tão maravilhosa como é mostrada nos folhetins e na televisão. Por trás de todo o luxo e glamour quase sempre há um imenso clamor oculto, um enorme vazio sempre, que parece nunca é plenamente preenchido. Apesar de tudo, a riqueza e a satisfação dos desejos físicos não têm oferecido ao homem a resposta às suas incertezas mais íntimas. Numa determinada ocasião, um jornalista, dirigindo-se a Elvis Presley, o conhecido “rei do rock”, perguntou-lhe: - Elvis, quando você iniciou sua carreira disse que almejaria três cousas na vida: a riqueza, a fama e a felicidade. Você é feliz, Elvis? Ao que ele respondeu: - “Não. Estou tão solitário quanto o próprio inferno”. Toda pessoa nutre dentro de si uma insaciável busca pelo desconhecido, por algo que parece sempre fugir do seu próprio alcance. E por mais que tente ocupar seu tempo nos diversos prazeres que a vida oferece, e mesmo que o seu coração esteja sempre repleto de amores, ainda assim sua alma se mostrará em perene insatisfação e, ainda que inconscientemente, será escravo de seus vícios ou servo de suas virtudes. A explosão demográfica e o avanço exacerbado da ciência também têm contribuído para aumentar ainda mais a aflição existencial do homem. Hoje, as pessoas são tratadas como simples números, como mera estatística, como força de trabalho em meio às sofisticadas máquinas e modernos computadores. Este tratamento massificante, acentuado ainda mais por um desejo insaciável de consumo, transforma o homem vítima de suas próprias armadilhas. Tal qual uma folha murcha é levado pelo vento de um lado par outro, sem que nada possa fazer para mudar de direção. Tudo que encontra para preencher este vazio evapora-se como a neblina, no constante desvanecer das esperanças. E o mais drástico: esta vertiginosa agonia atinge o seu auge quando ele toma consciência de que a vida, como afirma a Bíblia, “dura uns 70 anos, e o que passa disso é enfado e canseira”. A possibilidade da morte é, portanto, o mais duro golpe para o homem. Ele, que conquistou dinheiro, fama e prestígio, ou que sequer conseguiu realizar-se nas suas mais simples aspirações, haverá de abandonar o seu tudo ou partir sem o seu nada, contra sua própria vontade: “Porque toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva: secou-se a erva, e caiu a sua flor” (1 Pe. 1:24). O poeta Manuel Bandeira, no poema A Morte Absoluta, externou, de maneira fria e crua, a perplexidade humana ante a possibilidade daquela a qual ele mesmo chamou “indesejada das gentes”, ou seja, a morte: Morrer. Morrer de corpo e de alma. Completamente. Morrer sem deixar o triste despojo da carne, A exangue máscara de cera, Cercada de flores, Que apodrecerão – felizes! – num dia, Banhadas de lágrimas Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte. Morrer sem deixar porventura uma alma errante... A caminho do céu? Mas que céu poderá satisfazer teu sonho de céu? Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra, A lembrança de uma sombra Em nenhum coração, em nenhum pensamento, Em nenhuma epiderme. Morrer tão completamente Que um dia ao lerem o teu nome num papel Perguntem ”Quem foi?...” Morrer mais completamente ainda - Sem deixar sequer esse nome. Da mesma maneira, o suposto poeta Gregório de Matos também manifestou o seu pessimismo quanto à fugacidade dos projetos humanos: Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria. E outro poeta, Carlos Drummond de Andrade, no seu famoso poema José, sintetiza a aflição humana ante o cenário de uma vida passageira. Este “José” é uma espécie de alegoria do homem natural, do homem que acredita que por si mesmo é capaz de construir a sua própria felicidade: E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua inocência, seu ódio – e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar; mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora? Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse, você é duro, José! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se esconder, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde? Em meio a esta angústia do existir, muitos procuram nas religiões, a resposta para este dilema. Não é à toa que diariamente surgem novas idéias, e a proliferação da “verdade” estendem-se num elo interminável pelo planeta. Contudo, mesmo para estes que buscam no transcendente o refúgio seguro para sua alma, ainda assim “o clamor oculto” o perseguirá tal qual uma caça faminta ante a presa distraída. Há também os que tentam uma saída por meio da completa negação do sobrenatural; e alguns até se tornam valentes militantes do não-Deus. Todavia, como afirmou Vítor Hugo: “Há quem negue o infinito. Alguns negam o sol: são os cegos”. Diante desta realidade, que alternativa pode haver? Bem. Embora tenha, tal qual o leitor, minhas próprias idéias acerca da vida e de tudo o que a ela se relaciona, exponho, sem a mínima pretensão de ser o mais simples paradigma, o “como” de eu ter resolvido esse meu-teu problema. Sei que experiências exóticas e espetaculares aconteceram e acontecem rotineiramente pelo mundo afora. No entanto, para afastar de mim o terrível clamor oculto, não precisei fazer duras penitências ou sacrilégios intermináveis; não tive de seguir os “principais passos para se atingir a verdade”; não contei com o auxílio de um líder grandemente iluminado; não precisei passar por um descarrego; não fiz despacho nas encruzilhadas; em nenhum momento tive uma súbita visão; tampouco fui visitado por um anjo de branco ou um outro ser resplandecente; não consultei adivinhos, astrólogos, tarólogos, teólogos, psicólogos, pastor, bispo, missionário, padre ou vidente; não peregrinei por de templos ou santuários sagrados; não procurei ser minucioso na filosofia nem atento à teologia; não fiz uso de rezas, simpatias, penitências ou ladainhas sem fim; não apelei para algum “santo” nem busquei qualquer sociedade secreta; não precisei dar dízimos, ofertas ou cousa do gênero; não tive de fazer uso de água benta, água do Rio Jordão, sal ungido ou qualquer outro “produto abençoado”; não preenchi nenhum envelope nem mandei “uma carta para Deus”. Não! Nada disso foi necessário. Apenas e tão somente fui à fonte, ao manancial da vida, o qual, com inquestionável autoridade, disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt. 11:28-30). Sim, o Cristo Vivo mudou o meu viver, deu cabo ao meu vazio existencial, transformou-me com seu amor insuperável. Duvidem! Subestimem! Descreiam! Argumentem! Critiquem! Vá lá, não se pode sentir o sabor de uma fruta se dela não se experimenta. “Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co. 5:17). ...VOLTAR |
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