AUTOR:
Allan M. F. - Taizen Saint Seiya.

Fonte e Créditos Gerais:
Panfleto do Filme Tenkai-Hen Overture, Livreto do The Movie Box, Jump Gold Selection Anime Comics 1, Jump Gold Selection e Rosenbach WEB.

Páginas Relacionadas:

Saint Seiya - A Ardente Batalha dos Deuses

Saint Seiya - A Lenda do Jovem Escarlate

Saint Seiya - Os Guerreiros do Armagedon

Saint Seiya - Prólogo da Saga do Céu ~ ABERTURA

 

 

CURIOSIDADES E COMENTÁRIOS


Introdução

(Capa do livreto do The Movie Box)


Tanto o mangá original de Masami Kurumada como a série animada de Saint Seiya (1986-1989) tornaram-se uma obra popular que representou a década de 80.Por isso foi apresentada ao público esta primeira produção original aproximadamente 9 meses após a primeira exibição da série...Em outras palavras, exatamente antes da "Saga das 12 Casas", justamente naquela época era o período de climax ideal. Contando com a supervisão de Kôzô Morishita, diretor da série de TV, e com o roteiro de Yoshiyuki Suga, roteirista de "Akuma-kun" (1989), "Magical Taluluto-kun" (1991), "SLAM DUNK" (1994), entre outros, que já foi encarregado de inúmeras animações para o cinema da Toei. Suga participou nesta obra como eventual substituto de Takao Koyama, responsável pela composição global da série, assumindo grande parte dos episódios da série de TV e de 3 filmes, trabalhando depois com BT'X (1996), outra obra de Kurumada.Além do mais, foram chamados Shingo Araki como diretor de animação e desenhista dos personagens (character design) e Seiji Yokoyama para a trilha sonora, reforçando a equipe principal (main staff) como fizeram em grande parte da obra da TV. Araki trabalhou até o filme 3, "A Lenda do Jovem Escarlate" (Shinkû no Shônen Densetsu), e Yokoyama trabalhou em todos os 4 filmes de "Seiya". No platô Izu (Izu Kôgen), o diretor executivo Morishita. e os membros da produção, Yoshifumi Hatano e Masayoshi Kawata, reuniram-se previamente para desenvolver o conceito dos personagens antagonistas, que não deviam acabar como meros "sacos de pancada", suas caracteristicas e golpes deveriam corresponder às dos protagonistas do lado oposto.E também, a aparição dos inimigos dependeria de seus chefes, como Éris, a deusa da discórdia que aparece na mitologia grega. A maçã dourada, utilizada por ela, existiu originalmente para causar uma disputa entre três deusas, incluindo Atena (além do mais, voltando na história, ressalta-se que Éris era a irmã gêmea do Deus da Guerra, Ares). E ainda, os efeitos especiais como a emissão de luz da maçã dourada, que se tornou a chave da história, e das cordas da lira de Orpheus, foram utilizados com sucesso. Além disso, o acompanhamento de uma orquestra completa por exemplo criou novos sons, para a composição de uma obra da "Toei Manga Matsuri" (Festival de Mangá da Toei), um orçamento extraordinario foi gasto. Então, dessa maneira, o primeiro filme foi concluído, uma enorme quantidade de fãs ficou enlouquecida, não apenas por um grau de perfeição da produção original, como pelos diversos efeitos do mangá e da série de TV. Além disso, na época do lançamento, o título do filme era apenas "Saint Seiya", porém,  junto com o atual lançamento do DVD, foi possível adicionar o subtítulo "Éris, a Deusa Maligna" (Jashin Eris) por idéia de Kurumada.

(Informações retiradas de minha tradução - com colaboração especial do Victor "Red Dragon" e do Ivan "Juni Anker" - do
livreto do The Movie Box )


Grande anúncio


Um grande anúncio do filme foi publicado em uma edição especial da revista semanal Weekly Shônen Jump, onde a série era publicada toda semana:


WSJ nº 30 - 06/07/1987 (vendida em  23/06/87)
Título do capítulo publicado:
O golpe diabólico (maken) do Mestre
Sinopse: enquanto o Mestre acompanha do seu salão os acontecimentos em Leão, Shaina desperta sob os cuidados de Cassius. O rival de Seiya conta a sua mestra tudo sobre o que aconteceu depois que Aiolia a deixou com ele e partiu para encontrar com o Mestre. Eis que ficamos sabendo pela boca de Cassius sobre o terrível golpe diabólico do Mestre aplicado em Aiolia, tornando-o um demônio sedento de sangue e um cego seguidor das ordens do Mestre. Shaina decide ir socorrer Seiya, mas Cassius a detém, partindo logo em seguida rumo a Leão. Enquanto Seiya sofre lutando contra Aiolia, Shiryu e Shun são apanhados por Cassius na escadaria que leva a Leão.
 


★ Capa

Frases de destaque:

"Saint Seiya. Combata! Templo do mal! Atravesse! Como um meteoro!!"

★ Flash de notícias do filme "Saint Seiya" (originalmente colorido).

Um anúncio especial de lançamento do filme para julho. Foram publicados esboços dos 5 novos Cavaleiros feitos pelo mestre Kurumada, além de informações sobre a história com ilustrações e fotos do elenco e staff.



Ao contrário do que muitos pensam, o filme teve uma consideravel participação do Kurumada, como bem nos mostra o anúncio da Weekly Shônen Jump nº 30 de 1987.


Da pré-estreia às reprises dos dias de hoje

Pré-estreia na Toei Manga Matsuri

O filme teve sua estreia na Toei Manga Matsuri (Festival de Mangá da Toei), um grande evento onde as produções especiais eram exibidas antes de irem aos cinemas ou outras formas de midia qualquer. Projeções desse mesmo evento: "Dragon Ball - A Princesa Adormecida do Castelo do Demônio" (Dragon Ball Majin Shiro no Nemuri Hime), "Esquadrão da Luz Maskmen" ("Hikari Sentai Maskmen"), "Metalder, O Super Homem Máquina" ("Chôjin ki Matalder").

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(Capa do panfleto da "Toei Manga Matsuri" onde o filme foi exibido, para ver todas as páginas deste panfleto, clique aqui.)

Assim como os demais filmes de Saint Seiya, este entrou em cartaz nos cinemas exclusivos da Toei, sendo exibido de julho a agosto de 1987. Em dezembro do mesmo ano, o filme saía em VHS.


Pôster oficial do filme que estreou na Toei Manga Matsuri.
Frases de destaque:
"Todos os jovens são os bravos do amanhã! Abram suas asas, agora, como um Pégaso!!"
(trata-se de referências a um trecho da música Pegasus Fantasy, tema de abertura da série de TV até aquele momento).


Enquanto isso, na série de TV e no mangá...


No mesmo dia em que a Toei Manga Matsuri exibia o primeiro filme, o episódio 38 foi ao ar:

Embate! O Cavaleiro de Ouro [18/07/1987]



Naquela mesma semana, o mangá, a WSJ publicava:

Capítulo: O ciclo dos seis mundos (Rikudô Rinne) [edição nº 33 - 27/07/1987 (vendida em  14/07/87)]

Ikki encara Shaka de Virgem e logo vem a tona suas lembranças de seu encontro na Ilha Rainha da Morte, algo que havia sido selado em suas memórias pelo próprio Shaka. Virgem decide enviar Ikki a um dos seis mundos da mentepsicose, porém, Ikki contra-ataca!


No volume 6 da Jump Comics, a compilação dos capítulos semanais da WSJ, Kurumada expressou sua satisfação ao ver o primeiro filme de Saint Seiya nos cinemas.

[Tankôbon] "Saint Seiya VOL 6, Lutem! Por Atena" [vendido em 15/09/1987], conteúdo (3 capítulos completos):

- As cartas dos Cavaleiros revividos
- O ataque furioso de Seiya
- Lutem! Por Atena




Palavras do autor sobre a pré-estréia do primeiro filme de Saint Seiya
No início do mês de Julho, fui à pré-estreia do filme animado de Saint Seiya. Apesar da chuva, os leitores convidados pela Weekly Shônen Jump compareceram, lotando a sala do cinema. Além da emoção por ver Seiya e seus companheiros pela primeira vez numa tela grande de cinema, fiquei cheio, sobretudo, da alegria e entusiasmo dos fãs.


A mídia vendida, anime comics, reprises dos últimos tempos...

E alguns meses depois,  em dezembro daquele mesmo ano, eram lançados o VHS e a trilha sonora do filme:

[VHS] Saint Seiya Gekijôban (Saint Seiya, o Filme)
O primeiro filme de Saint Seiya sai em vídeo pela primeira vez.
Toei Video
Código : VSTM-273
Lançado em: 11/12/1987
Preço: 6800¥


(Informações mostradas também no Calendário Geral do nosso site: clique aqui para ir ao índice do Calendário Geral )


SAINT SEIYA Original Sound Track III
Composição: Seiji Yokoyama (2/4-9/11-14)/Canção:MAKE-UP(1/17)/Performance: MAKE-UP (1/3/15/17)・Andromeda Harmonic Orchestra (2/4-14/16)/Canto (Scat) - Kazuko Kawashima  (4/5/8)
Seleção musical e fornecedora de dados:Yasuno Watanabe (não registrada nos comentários sobre as músicas)
1. Pegasus Gensô - Pegasus Fantasy (formato da TV)
2. Gekitotsu-suru Cosmo - Cosmos em choque
3. Eien Blue - Forever Blue (Instrumental)
4. Athena no Ai - Amor de Atena
5. Senshi no Kyûsoku - Descanso do Guerreiro
6. Hô Yoku Ten Shô ~ Fukashichô no Habataki - Vôo da Fênix (Ave Fênix!) ~ Bater de asas da ave imortal
7. Senrishi no Sanctuary - Santuário Aterrorizante
8. Cygnus Hyôgen no Senshi - Cisne, o guerrieros dos campos gélidos
9. Rettô no Kanata e - Ao outro lado da batalha intensa
10. Kibô no Saint - Cavaleiro da Esperança
11. Haruka-naru GorôHo - Remotos Cinco Picos Antigos
12. Tsuioku~Kanashimi - Lembranças~Tristeza
13. Arles no Kage - A sombra de Arles
14.. Totsunyû! Jaaku no Toride - Entrem! A fortaleza do mal
15.. Pegasus Gensô -Pegasus Fantasy (Instrumental)
16. Ryûseiken wo ute - Dispare o Meteoro!
17.. Forever Blue (Formato TV)
[CD] Nippon Columbia 32CC-2074 vendido em 21/12/1987.
[LP] Nippon Columbia CX-7311 vendido em 21/12/1987.
[CASSETE TAPE] Nippon Columbia CAY-846 vendido em 21/12/1987.



Muitas das músicas do OST do filme foram utilizadas em diversos momentos da série de TV, especialmente na batalha das 12 casas.

Em novembro de 1991, foram vendidos os Laser Discs dos filmes clássicos:



Capa do LD do primeiro filme.



Imagens da contra-capa do disco, do próprio disco e do post card que vem com simpáticas caricaturas de Araki e Himeno.

Em abril de 95 a Shueisha lança por meio da Homesha o Anime Comic da coleção Jump Anime Comics.

[Edição Especial da WSJ] Jump Comics Selection, Anime Comic - Saint Seiya [Publicado em 24/04/1995]
Contém 152 páginas compostas de: pôster dupla-face, ilustração de entrada especial, apresentação dos personagens do filme, o filme completo em quadrinhos no estilo mangá, lista completa do elenco e equipe técnica.
ISBN: 4-8342-1402-8



★ Capa do Anime Comics original japonês.


★ Imagem da ilustração de entrada do Anime Comic.

Em outubro de 2001 todos os filmes foram reprisados no Toei Channel, tornando a ser reprisado em julho de 2002, com o revival de Saint Seiya por meio da Saga de Hades, só que no canal Animax,  dentro do especial "Toei Anime Hero Dai Shûgô!(Grande Reunião de Heróis da Toei!)", apresentado por Toru Furuya.  Em novembro daquele mesmo ano, o Animax tornou a exibir os filmes e em fevereiro de 2004, o Toei Channel reprisou mais uma vez todos os filmes, até que, finalmente, em 06/08/2004 foi colocado à venda a caixa com os 4 filmes, com direito ao Seiya com Armadura de Ouro de Sagitário da linha Saint Cloth Series (edição limitada). Em janeiro de 2005, os filmes foram reprisados mais uma vez pelo Toei Channel.  

[DVD] Saint Seiya The Movie Box (lançado em 06/08/2004)
Contém os quatro filmes clássicos de Saint Seiya, seus respectivos trailers oficiais japoneses e, em alguns casos, a abertura e encerramento dos filmes sem créditos. Os DVDs totalizam 212 minutos, com exceção do filme Shinkû no Shõnen Densetsu (A Lenda do Jovem Escarlate), todos são DVD5  (single layer). Contém um booklet ilustrado com introdução, entrevistas e demais informações. A edição especial trazia um modelo do Seiya com Armadura de Sagitário da coleção Saint Cloth Series.
Toei Video
Formato de tela: 16:9 LB
Código: DSTD02237
Preço: 19.800¥ (20.790¥ com impostos)
Site oficial do filme: http://www.toei-video.co.jp/DVD/sp21/stseiya.html

★ Capa do The Movie Box

★ Capa do DVD do primeiro filme

(Informações sobre os DVDs aqui )

(Scanlation feito por mim de 2 páginas do livreto do The Movie Box sobre os personagens do filme - clique nela para ampliar)


Trívias

Todo o filme tem seus detalhes que chamam a atenção, seja um erro técnico ou algo colocado propositalmente, embora sem explicações expressas.

Para onde foi Jaguar?



No começo do filme, quando Éris envia os 5 Fantasmas para esperarem pelos Cavaleiros de Bronze, Jaguar é visto saindo correndo do Templo de Éris, mas no final no filme, ele está lá, no mesmo lugar. O que houve? Para onde foi Jaguar? Será que ele deu uma de Ikki e ficou espionando os outros combates? Ou será que cansado de não achar oponente para ele, resolveu voltar e ficar esperando escondido no Templo de Éris? Será que foi pura estratégia ao ver que logo alguém chegaria a Éris, já que todos os seus companheiros foram derrotados?

Para onde foi o braço de Sagitário?



Quando Seiya veste a Armadura de Ouro e aponta a flecha da justiça, por breves segundos, dá para ver essa imagem, que depois some e volta ao normal. Erro banal ou um tipo de "easter egg" para algum fã detalhista perceber mesmo?


Ghost Saints = Silver Saints?


Quem são os Cavaleiros Fantasmas e a qual classe eles pertecem? São mesmo Cavaleiros? Porque servem a outra deusa? E Orpheus, qual sua relação com Orphee da Saga de Hades?

Conforme dados oficiais, os Cavaleiros Fantasmas, chamados de Ghost Five (Cinco Fantasmas) por Éris, são antigos Cavaleiros de Atena, são heróis do passado (não determinada a época com exatidão) que foram atraídos pelo poder maligno de Éris irradiado pela chegada do cometa Repulse. Como Jaguar (Jägger/Jaga), todos tinha uma certa fama no passado em que viveram, mas acabaram morrendo e caindo no esquecimento, ficando insatisfeitos com isso, desejando uma nova vida. Não fica claro quais as classes desses Cavaleiros. Originalmente Lira e Flecha são Armaduras de Prata, então supõe-se que todos sejam de Prata, embora, nem oficialmente, exista um consenso sobre isso.

O panfleto do filme Tenkai relaciona os Cavaleiros Fantasmas à categoria dos Cavaleiros de Prata no Santuário. Mas há um detalhe, um ponto de interrogação é colocado ao lado da palavra "revividos". Isso explica-se ao ler a página específica sobre o primeiro filme que também existe neste panfleto. Conforme a tradução desta página específica, encontra uma breve descrição sobre os Cavaleiros Fantasmas. e levanda a questão de que eles são PRESUMIDOS como de Prata apenas por existir as Armaduras de Lira e Flecha entre eles.


Nos tempos atuais de Seiya e os outros, Ptolemy e Orphee são os Cavaleiros de Prata de Flecha e Lira. Entretanto, no primeiro filme, suas Armaduras são utilizadas por Maya e Orpheus. Todos os Cavaleiros Fantasmas foram criados, sem exceção, por Masami Kurumada. Como já mencionado antes, todos os Fantasmas são Cavaleiros de Atena do passado, não se confundindo com os já existentes. É bem conhecido que alguns personagens viveram e reviveram como Cavaleiros de Atena por diferentes épocas, mas nem sempre foram os mesmos, Orpheus e Maya são exemplos de que nem sempre as Armaduras são possuídas por uma mesma alma em inúmeras encarnações. Que fique bem claro, Ptolomy é um guerreiro com a alma diferente de Maya, o mesmo para Orphee e Orpheus. Anos antes de Seiya e os outros começarem suas aventuras, Orphee já era Cavaleiro de Prata.

As Armaduras destes dois personagens e, até mesmo as dos outros, podem ser consideradas como réplicas de suas Armaduras originais, ou até mesmo versões alteradas das mesmas, tal qual ocorreu com Cavaleiros que foram revividos na Saga de Hades. É curioso, pois originalmente os Cavaleiros Fantasmas teriam Armaduras negras, tal qual as Surplices (Sobrepeliz) dadas por Hades, porém, sabemos que dentre o quadro de personagens, existe a classe dos Cavaleiros Negros (Ankoku/Black Saints). Pela banalização da cor preta, no anime até mesmo as Surplices dos Espectros e Cavaleiros revividos tiveram cores diferentes, com tons escuros e misturados com o preto. O mesmo pode ter se aplicado aos Cavaleiros Fantasmas, o preto foi trocado por cores diferentes, até mesmo para não se confundirem com a classe dos Cavaleiros Negros, mas isso o provável fato de suas Armaduras serem réplicas. 


Tapa-buraco: indagações e especulações com base em fatos da obra e fora dela

Muitos consideram os filmes como "caça-níqueis", desconsiderando o contexto de cada um e sua reséctiva relevância no mesmo, e ignoram até o empenho da produção empenhada. Afinal de contas, nada é de graça nesse mundo, até mesmo quando Kurumada criou o mangá de Saint Seiya, o fez com intuito de lucrar, criar algo interessante que revolucionasse sua carreira e vendesse, e vendesse bastante. Então aqueles que desejam continuar com a mentalidade de que "os filmes não prestam, são só caça-níqueis", ou qualquer pensamento do tipo, que abandone este texto e evite comentar justamente este tipo de crítica que, particularmente, não nos interessa, considerando que nossa proposta é olhar com outros olhos esta obra, que assim como tudo (anime, mangá e afins), merece uma análise técnica que entenda os bastidores da sua produção, como também sobre o que vai além do enredo, pois nada em Saint Seiya nos é entregue por completo e mastigado, há sempre o que se pensar além sobre determinada cena. A esmagadora maioria de Saint Seiya nos dá o que pensar, nos instiga a completar lacunas, a juntar os retalhos dessa impressionante colcha que é a história de Saint Seiya, que seja dito novamente, é o tipo de coisa que independe do anime ou mangá, nada é perfeito, cabe a cada um pensar a respeito se divertir ou não indo além do que nos é imposto ou se dando ao trabalho de juntar certas peças soltas por toda a obra.

Por que levar em conta um dos filmes clássicos?

Pelo mesmo motivo que se leva em conta no mangá algo como a side story do Hyoga, "Natasha(ou Natassia) do País do Gelo", a historia dos Blue Warriors que foi escrita pelo proprio Kurumada para o mangá, mas não há encaixe evidente dentro da história do mangá. Pela ordem de publicação, essa história aconteceu entre a batalha do Santuário e a de Poseidon, porém entre as duas fases não se abre brecha para essa história. Querendo ou não, ela está lá, e sempre foi bastante considerada, mesmo sendo difícil de encaixar com o resto do mangá.

Kurumada participou desse filme?

Sim, como já mostrado no anúncio da WSJ daquela época, Kurumada trabalhou nesse filme, não tão intensamente porque ele estava ocupado com o mangá de Saint Seiya, que estava na batalha das 12 casas ainda. Os desenhos dos Cavaleiros Fantasmas (Ghost Saint), por exemplo, foram feitos pelo próprio Kurumada, claro, retocado por Araki, da mesma forma que ele também contribuiu com o enredo. Conforme expresso no booklet do The Movie Box, Kurumada sugeriu que o título do filme fosse alterado para "Jashin Eris" (Éris, a Deusa Maligna).


Quando foi feito? O que trouxe de especial?

O primeiro filme começou a ser produzido pouco antes do começo da batalha das 12 casas do anime. Sua estréia ocorreu exatamente no dia 18 de Julho de 1987, em um evento importante da Toei chamado "Toei Manga Matsuri" (Festival de Mangá), cujo nome mudou ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, ia ao ar nas televisões japonesas o episodio 38, onde Seiya enfrentava Aiolia no anime. No mangá, acabava de ser publicada a Weekly Shônen Jump. Enfim, tudo isso foi mencionado no começo desta página de curiosidades.

O filme foi feito pensando muito além da série, após todos os acontecimentos das 12 casas que se desenvolviam no mangá, mais precisamente nas páginas da Weekly Shônen Jump. Afinal, naquela época era dificil saber o que aconteceria depois, apesar de ser certo que os Cavaleiros de Bronze conseguiriam salvar Atena, não se passava ainda pela cabeça de Kurumada que os Cavaleiros teriam novas versões de suas Sagradas Armaduras de Bronze.

Kurumada ainda não havia desenvolvido os conceitos das novas Armaduras de Bronze, muito menos a idéia de que os Cavaleiros de Ouro doariam sangue para revivê-las. Por essa razão, os Cavaleiros de Bronze ainda usavam as primeiras Armaduras no primeiro e no segundo filme também, que foi produzido pouco tempo depois.



Curiosamente, esse filme foi importante porque foi um dos primeiros momentos em que Seiya usava a Armadura de Ouro de Sagitário, e ainda mais usava a flecha de ouro como arma. Também é nesse filme que, pela primeira vez, os Cavaleiros incentivam Seiya com seus cosmos para que ele seguisse em frente no último grande combate, algo que se tornaria costume na série e no mangá. Daí nota-se a importância deste filme no contexto das bases de Saint Seiya.


História esquecida? Nem tanto...

A partir daí, o filme ficou estigmatizado com o status de "gaiden", uma história extra, geralmente considerada a parte de alguma cronologia, mas também considerada como algo que ocorreu sem se fazer notar, algo exatamente no estilo da história lateral do mangá de Hyoga contra os Blue Warriors e até como o primeiro encontro de Ikki e Shaka na Ilha Rainha da Morte (história inserida na compilação do mangá, embora tenha sido publicada posteriormente na versão original semanal). Isso aconteceu porque os roteiristas de Asgard Tv não mencionaram as batalhas dos dois filmes anteriores, embora as implicações do anime sejam bem diferentes após o fim da batalha das 12 Casas: no mangá, os Cavaleiros de Bronze entram em coma por meses e ddespertam quando Poseidon começa a agir, enquanto, no anime, os Cavaleiros não são mostrados no coma, isso sequer é mencionado, a produção do anime não descartou a possibilidade dos Cavaleiros terem vivido aventuras nesse período nebuloso entre a batalha no Santuário e a batalha contra Poseidon. Da mesma forma que os Cavaleiros não ficam relembrando todas batalhas que tiveram, especialmente as do começo da série ou do mangá, outras histórias menores vividas por eles podem não ser referidas, ficando como histórias secretas, esse também pode ser o sentido de ser um "gaiden".

O filme nunca foi ignorado de fato. Além de vários materiais oficiais que os citam junto a  série de TV e os outros filmes, houveram detalhes curiosos que mostram que o filme sempre esteve presente dentro da série, embora não referido diretamente:



No episódio 48 (logo após o combate de Hyoga na Casa de Libra), a imagem de Ikki enfrentando Orpheus é mostrada rapidamente em um resumo dos capítulos anteriores do anime, embora não tenha intuito cronológico, a imagem foi usada para ilustrar o ataque de Ikki, mostrado de forma peculiar e em um traço de Araki e Himeno, já que até então Araki e Himeno não tiveram a chance de desenhar Ikki em ação na série de TV (isso só aconteceria no episódio da Casa de Virgem).



Quando a Saga de Hades foi produzida em 2002-2003, o primeiro DVD dos 13 OVAs de Hades Santuário contou com um breve resumo de toda a série. A introdução deste grande resumo (conhecido como OVA 00 ou Episódio Zero aqui) contou com trechos da introdução do primeiro filme de Saint Seiya.



Em especial, no último filme clássico de Saint Seiya (Os Guerreiros do Armagedon), houve a uma tentativa oficial de unir as pontas soltas entre filmes e série de TV. O filme de Lúcifer se propunha a encerrar a série de TV, que havia sido cancelada naquela época quando o mangá de Hades ainda estava em seu início. No filme, Éris é mostrada como um dos deuses que enviaram seu cosmo para reviver Lúcifer que estava selado no Mundo dos Demônios (Makai).


Mime, possuído por Orpheus?



Outro fato curioso trazido pelo booklet do Cygnus Box (a caixa com os dvds da série de TV relativa a fase Asgard), revela que havia planos de fazer Mime de Benetnash, a Estrela Eta, ser um guerreiro possuído pelo espírito vingativo de Orpheus. Embora a idéia tenha sido abandonada, isso explica porque Mime tem todas as características de Orpheus.


O Sétimo Sentido.



Outro detalhe considerado um problema por aqueles que desejam excluir os filmes da cronologia é o fato de que em nenhum momemento do filme é mencionada a expressão "Sétimo Sentido". No entanto, percebe-se que é um detalhe banal considerando-se dois pontos:  primeiro,  o lado técnico, pois um filme, mesmo que levando em consideração os fatos do mangá, não poderia abordar explicitamente algo que seria cuidadosamente explicado na série de TV, é o tipo de coisa que ocorreu com vários elementos ao longo de Saint Seiya e seus filmes (Seiya que superou por instantes o cosmo divino de Abel e por conseguinte superou o Sétimo Sentido ou o fato das Armaduras de Bronze terem regredido a terceira versão delas no filme Tenkai, etc); em segundo lugar, quando Seiya veste a Armadura de Ouro, ele diz claramente que seu Cosmo havia superado todos os 5 sentidos, ou seja, obviamente tocou o Sétimo Sentido, coisa que é óbvia em todo o Saint Seiya, por muitas vezes o Sétimo Sentido é tocado e até superado sem qualquer menção expressa ao longo da obra, especialmente quando se trata do Seiya vestir a Armadura de Ouro em um dos filmes.

Shiryu não está cego.



Uma grande prova de que o filme foi feito para se encaixar após a Batalha das 12 Casas é o fato de Shiryu já estar enxergando, fato mostrado no mangá bem antes da estréia do filme.


O maior problema cronológico do filme: as Armaduras de Bronze.

Superando o fato de que as aventuras dos filmes de Seiya e seus amigos não são mencionadas posteriormente dentro da história  da série de TV, que tinha seu próprio ritmo de produção (os filmes eram produzidos ao mesmo tempo que a série, tentativas de referências à eles existiram, mas não foram colocadas em prática), basta levar-se em conta, novamente, que o filme tem tanta relevância quanto as histórias laterais existentes dentro do mangá clássico da obra.

Como já mencionado, não havia sequer idéia sobre as criação de segundas Armaduras de Bronze para Seiya e seus amigos, então, naturalmente, após a batalha das 12 casas, as Armaduras de Bronze ainda não tinham recebido o sangue dos dourados. E como elas aparecem inteiras depois da batalha das 12 casas?

Ora, da mesma maneira que após a Saga de Poseidon (mangá) as armaduras voltam inteiras (mas aparentemente danificadas) para a Saga de Hades. Relembrando o que foi dito por Mu na Casa de Áries, sabemos que as armaduras podem muito bem se restaurar por si mesmas (e foi o que aconteceu no mangá de Poseidon para Hades), mas a restauração natural (em repouso dentro das caixas de Pandora, aqueles cofres que eles carregam nas costas) sofre variações. Se o dano foi muito grave, a Armadura Sagrada não se restaura sozinha com perfeição, ela fica bastante frágil, pois há rachaduras imperceptíveis a olho nú. Então, pode-se considerar que tenha sido isso que aconteceu, em tese. Pode-se até duvidar, mas no mangá, as Armaduras de Bronze foram muito mais destruídas e em Hades estavam restauradas naturalmente, mas com rachaduras mais expostas, o que remete ao fato do tempo disponível para que a Armadura se recuperasse. No mangá, o tempo entre Hades e Poseidon foi supostamente de apenas 1 dia, mas entre a Batalha das 12 Casas e o começo de Poseidon, um tempo muito maior decorreu (no mangá, por exemplo, passaram meses nesse mesmo ponto da história).

Há de se considerar que a Armadura de Fênix, por si só, pode se restaurar com mais velocidade, embora também não esteja livre das imperceptíveis rachaduras. Isso sem mencionar que, ao longo da Batalha das 12 Casas do anime, os danos a certas Armaduras não foram tantos assim, mas para justificar a mudança necessária para a segunda versão de Bronze, danos aparentes foram forçados, como é o caso de Seiya e Hyoga que perderam suas Armaduras, mas de fato não receberam dano capaz de destruí-las, foi mais como uma forma de "tirar a Armadura", vale lembrar também, que Shun foi capaz de restaurar sua Armadura no anime por diversos momentos, apenas utilizando a força de seu cosmo, o que pode nos indicar que, após passar por um processo de revitalização com sangue, a Armadura pode muito bem seguir o exemplo de Fênix e se regenerar sozinha, de forma mais rápida que uma regeneração comum dentro das urnas (as Caixas de Pandora), mudando até de forma se for o caso. Uma grande prova dessa peculiriadidade do fator de cura e auto-regeneração das Armaduras são as Armaduras Divinas, que surgem do nada no corpo de Seiya e seus amigos, mas, ao que tudo indica ainda retornam ao estágio anterior de evolução (como mostra o filme Tenkai). Em outras palavras, o detalhe das Armaduras nos filmes não chega a ser realmente relevante.

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INTRODUÇÃO

STAFF E CAST

RESUMO

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