Matéria produzida por:
Michael Serra - Taizen Saint Seiya. 

Fontes:

Olga Gallery - www.abcgallery.com

Japanese Buddhist Statuary - www.onmarkproductions.com

Twilit Grotto Esoteric Archives - www.esotericarchives.com

Sacred Hoop - www.sacredhoop.org

Ancient-Greece - www.ancient-greece.org

Dayton - diegocasanovan@hotmail.com

Lily - Os Espectros.

Agradecimentos:

Thiago (Thargow) por auxílio com scans e screens.

FábioW - fquixada@yahoo.com.br

Mairon (Shiryu - Fórum SSD) pela imagem da máscara xamânica.

 
 

"REALIDADES" DE SAINT SEIYA

 

Outras inspirações reais encontradas na trama da série serão apresentadas aqui, todavia, as localidades reais, por serem em grande número, ganharam artigo próprio e você pode as ver aqui: Locais Reais. Obviamente existem inúmeras outras alusões reais, conquanto aqui somente serão apresentadas as dignas de nota sob a forma de hipóteses, se bem que alguns são ditos abertamente na trama da série - como a Máscara do Minotauro. 

Ou seja, um lobo é real, contudo somente pode ser entendido como uma fonte de inspiração à armadura do Loki, por exemplo, caso, porventura, se encontre uma estátua ou imagem (pintura clássica, etc) totalmente idêntica a esta armadura, e ainda, de certa maneira, seja coerente com todo o contexto do personagem. E assim vai...

 

Flor Niobe

Fonte: Lily. A flor dada pela menina Europa a Aldebaran, curiosamente, se chama Niobe (Clematis niobe), o nome do próprio algoz do dourado. A idéia, apesar de ter sido somente desenvolvida na animação da série, parece ter sido presente desde o mangá, pois o próprio Espectro apresenta técnicas com referência a odores e fragrâncias - e não, não acredito que seja uma flor mal-cheirosa, visto que fora dada de presente. O fato de ser então utilizada também como símbolo do Espectro provavelmente alude à alguma tradição oriental (que desconheço) desta flor com a morte, ou cemitérios, etc... (Da mesma forma que a borboleta assim também é entendida).

Máscara Xamânica

Fonte da Imagem: Mairon. A figura central trata-se de uma máscara de rito xamânico para cura de doenças diversas. Todavia existem outras de aspecto semelhante para diferentes finalidades em muitos tipos de culturas, como o xamanismo do Himalaia, da Polinésia, dos Altais e das Américas. Como somente me foi apresentada a imagem (e mesmo a custo de muita pesquisa nada de muito relevante encontrei) não é possível maior explanação. Em Saint Seiya, como diz o Hipermito, a máscara é um selo que impede que os Cavaleiros Negros deixem a Ilha da Rainha da Morte - somente destruindo-a é que o selo é rompido.

Máscara do Minotauro

Esta máscara que aparece no volume quinto do Episódio G se encontra, como é dito no mangá, Museu Arqueológico de Heraclion (Iraklion). Foi encontrada no Palácio de Knossos e data mais ou menos dos séculos 17-15 antes de cristo, sendo feito de madeira, rocha cristal e jaspe. Recentemente restaurada. No mangá ela é o receptáculo ou selo que prende o Minotauro mítico. Somente quando fora partida ele se libertou e entrou em confronto com Aiolia.

Rosário Aksamala

Este rosário é o símbolo do eterno ciclo. Na tradição Hindu era consagrado a Brahma, Shiva, Ganesh e Sarawasti. Na concepção Budista era símbolo de Prajanparmita, Chunda e Vasundhara. Seu número de contas, 108, representava a junção do número divino, 36, com o número terreno, 72 (mais detalhes sobre numerologia presente consulte nossa matéria específica).

Estátua de Kwannon Bodhisattva (Kannon Bosatsu)

Fonte da Imagem: Dayton. Esta é uma estátua da deusa da misericórdia Kannon, datada do século XVII e que se encontra na Mongólia sob o nome chinês Kuan-yin. Na verdade trata-se de um santo budista (Avalokitesvara) que fora sincretizado pelas tradições sino-nipônicas. O nome já aguça a possível ligação que pode haver entre esta divindade e o nome de Canon, que veste o traje de Gêmeos na Saga de Hades.

Todo modo preciso deixar claro que o nome original de Canon em katakana (Kanon/カノン - que significa canônico, cânon, etc) nada possui em comum com o nome da deusa em japonês, em kanji (観音). Mera confusão fonética, não passando assim de simples trocadilho, sim proposital - visto toda trajetória do personagem no anime, alvo de misericórdia de Atena. Contudo, obviamente, a representação desta deusa no contexto do personagem Saga ganha relevância no aspecto das três faces (divina, demoníaca e humana; o bem, o mal, e o homem - ao centro).

Arlequim & Gôndola

Fonte: Lily. Este carismático ser parece ter sido inspirado no popular Arlequim (Arlecchino), bem conhecido de nossos antigos carnavais, e principalmente, dos carnavais e teatros de rua italianos do século XVI ao XVIII (Commedia dell'arte), aparecendo ao lado da Columbina e do Pierrot (Pierino), dentre outros. Simbolizava a fanfarronice, malevolência e esperteza, e, enquanto enamorado da Columbina, representava o amor carnal - ao passo que Pierrot, o amor verdadeiro. 

A relação da Barca de Caronte com um tipo específico de embarcação, a gôndola, se encontra também nesta alusão à Comédia italiana e ao Carnaval, pois Caronte nascera em Nápoles, cidade a qual esta festa faz parte de sua cultura, assim como Veneza, exemplo maior do Carnaval daquela península - E não há maior estandarte de Veneza que a própria gôndola.

O Limbo

A cúpula do Castelo Heinstein ilustra o Limbo de Saint Seiya (visto que Kurumada excluiu um círculo do inferno de Dante em sua obra - justamente o primeiro, o Limbo). A idéia parece ter sido inspirada em outro retrato famoso do Limbo. O Limbo de Eugene Delacroix, de meados do século XIX, retratado na cúpula da Capela Senat, nos Jardins de Luxemburgo.

Torre de Babel

No mangá nacional nº 2, logo nas primeiras páginas, surge discretamente a Torre de Babel conforme concepção desenvolvida na pintura renascentista de 1563 do artista Pieter Bruegel, o Velho. Esta pintura a óleo se encontra no Kunsthistorisches Museum de Vienna, Áustria. 

Acrópole de Atenas

Esta pintura aparentemente inspirou a arquitetura retratada em Saint Seiya do Templo de Hades no Elíseos. Curiosamente, a única diferença encontrada se trata da Coluna de Hades no local de onde estaria a Estátua de Atena. Vamos aos dados da pintura: Die Akropolis von Athen, 1846; de Ludwig von Klenze (1784-1864). Se encontra atualmente na Neue Pinakothek, em Munique. 

Disco Solar Horbehutet

Fonte da Imagem: Dayton. Horbehutet é um símbolo dos antigos egípcios em forma de disco alado. Ilustra a divindade solar de mesmo nome que acompanha o deus Rá em sua diária travessia sobre o Egito. Guardião, o símbolo era encontrado em portões e entradas de templos a fim de protegê-los de malignas influências.

Também é representado com dois uraeus, um em cada lado do disco. Por vezes foi caracterizado com as coroas do Alto e do Baixo Egito, assim referindo-se as divindades do norte e do sul, Uazit e Nekhebt. Como deus, Horbehutet era consagrado e honrado em Edfu.

No anime e mangá, o disco solar aparece estampado no Muro das Lamentações, divisa entre o o mundo dos mortos do Hades e Campos Elíseos, aludindo à uma proteção divina contra a destruição. (aviso aos desavisados, o texto é igual ao que se encontra na wikipédia em português justamente porque fui eu que o fiz hehe).

Disco Solar Zodiacal

Ainda pesquisando mais detalhes sobre esta ilustração (Perdi a fonte em algum lugar obscuro do meu computador).

Balança de Maat

Fonte da Imagem: Dayton. A Balança de Maat, conforme ilustrada em Saint Seiya, remonta ao Livro dos Mortos do Antigo Egito, mais precisamente aos Papiros de Hunefer e aos Papiros de Ani. 

O primeiro fora encontrado em Tebas e comprado pelo Museu Britânico em 1852. Mede 5,5 metros por 30 cm, sendo considerado o menor texto do Livro dos Mortos, datando de 1.400 a.C, no período do Faraó Seti I. E a cena em si de Maat se encontra na quarta 'prancha' deste rolo. 

O segundo também foi descoberto em Tebas e comprado pelo Museu Britânico em 1888. Possui 23,8 m de comprimento e 38 cm de largura, sendo este sim o maior papiro tebano conhecido. Ani (como Hunefer) era um escriba real, contudo este papiro parece datar de um período anterior a sua vida, talvez 1.500 a.C. A cena em si aparece neste rolo na quinta 'prancha' (Existem diferenças nas ilustrações de Saint Seiya justamente por seguirem dois 'textos' diferentes).

Arcanjo Miguel

A cena da queda de Lúcifer como retratada no quarto filme de Saint Seiya foi concebida a partir da ilustração renascentista "São Miguel e Satã", datada de 1518 e de autoria de Raphael Santi. Atualmente esta pintura se encontra no Museo del Padro, em Madrid.

Estátua do Cão-Leão

Kara-Shishi, ou Koma-inu, são os nomes desta criatura mítica sino-coreana que guarda os portões de templos xintoístas e budistas consagrados aos Nio (protetores do Japão) Agyo e Ungyo (inclusive, Agyo é o mesmo que aparece atrás de Ikki em algumas cenas, confira nossa matéria sobre). E como seus 'donos', também são dois. Um de boca aberta, representa a vida, outro de boca fechada, representa a morte. Em sânscrito seus nomes (Ah e Un) formam a palavra máxima do hinduismo, AUM, ou mais conhecido como OM, a completude. Enfim, acho que é algo demais para um mero Cavaleiro de Bronze, ainda mais, tão mal aproveitado.

Cabeça de Hipnos

 Peça de Bronze, de 23 centrímetros, datada do quarto século, atualmente em Londres (Museum of Classical Archaeology), mas proveniente de Perugia, na Itália, e feita por Scopas, escultor Grego. O fato de haverem dois desenhos semelhantes a este no Muro das Lamentações ilustra bem o que vem a seguir, não?

Buda Ajanta

Esta estátua de três mestros se encontra, junta de diversas outras menores, em um complexo de templos esculpidos em cavernas, especificamente duas, na região de Ajanta, em Maharashta - Índia. São aproximadamente do segundo século depois de Cristo. Ela representa o toque do Nirvana, o ápice e seu encontro. Em outras palavras, a morte de Buda, por isto sua relação com as Twin Sal e a cena de Saint Seiya da morte de Shaka. 

Buda Kamakura

A grande estátua de bronze do Buda Amida está localizada nos jardins do Templo Kotokuin, medindo 13, 35 metros de altura, sendo a segunda maior estátua de Buda no Japão (a maior fica em Nara, no templo Todaiji) e foi erguida em 1252. Em Saint Seiya ela ilustra os Espectros na palma de sua mão. Na realidade faz alusão ao mito do Rei Macaco. Sim, a lenda de Goku, que mesmo orgulhoso de seus poderes, caiu nas mãos do iluminado.

Buda Lahore

Ou o Buda Fatigado. Esta estátua, um tanto quanto fora dos padrões de uma imagem de Buda, se encontra no Museu de Lahore, no Paquistão. Data do primeiro ao terceiro século depois de Cristo, ou seja, época da Civilização de Gandhara. Representa o ascetismo de Siddharta, que treinou a mente por seis anos, em austera concentração, até que, aos 35 anos, enfim alcançara a luz e tornara-se um Buda. O que pode representar esta estátua em Saint Seiya, na cena em que Shiryu derrota Krishna, eu ainda não sei. Poderia conjeturar que, enfim derrotado, o marina percebera a verdade, ou encontrara a luz com a morte. 

Budas Bamyan

Os Budas de Bamyan eram, atenção ao verbo, eram duas monumentais estátuas esculpidas nos penhascos de Bamyan, no centro do Afeganistão. Datavam aproximadamente do quinto ou sexto século e foram construídas no estilo greco-budista, com respectivamente, 53 e 38 metros de altura. *Lembro-vos que a Bactria, território conquistado por Alexandre, o Grande, hoje são terras do Afeganistão. Pois bem, em 2001 o Taliban as destruiu. Desde então a UNESCO, o Japão e a Suíça vem tentando reformá-las. 

Sarcófago de Tuthankhamon

 Não sei o que ela faz em Saint Seiya, mas enfim, vamos lá: Muitas lendas percorrem este jovem Faraó (ahn, é, morreu cedo), até mesmo que teria sido filho de Moisés (Laurence Gardner, em Linhagem do Santo Graal). Seu sarcófago foi descoberto em 1922 e ainda permanece, sob olhar constante dos visitantes, no Vale dos Reis, no Egito. Vale dizer que seu primeiro nome era Tuthankhaton (imagem viva de Aton, deus único, ao passo que Amon, é o antigo deus soberano do sol, confundido e mesclado com Rá, Amon-Rá).

Estátua de Atena

Este relevo originalmente se encontrava no Pártenon e hoje figura no Museu da Acrópole. Data de 470 a.C. e foi esculpida em mármore. É conhecida como "A Atena Melancólica", pois retrata a deusa lendo o nome dos atenienses mortos na guerra contra os persas. Em Saint Seiya o alto relevo aparece na Sala do Grande Mestre (no mangá) quando da decisão de Shaka sobre o arayashiki (anime e mangá).

Estátua de Atena

A Estátua de Atena criselefantina (chryselephantine, ou seja, de ouro e marfim) original, também conhecida como Paládio, fora construída por Fídias em 483 a.C., medindo aproximadamente de 9 a 11 metros de altura, contudo não 'sobreviveu' até nossos dias. O que nos prova sua existência passada, além dos relatos, são as inúmeras cópias de mármore em miniatura do monumento, estas sim expostas até hoje em nossos museus, tal como a da ilustração central que se encontra no Museu Nacional de Atenas. Este fato talvez tenha também inspirado Kurumada a transformar a grande estátua em uma pequena armadura portátil.

Na mão direita leva a deusa da vitória Nice em oferta aos atenienses. À esquerda o Escudo Égide, fincado sobre uma serpente, para a proteção daquele povo. Atrás, junto a suas costas e seu ombro esquerdo, trazia sua lança. O peitoral é adornado com serpentes e a cabeça da medusa. Seu elmo apresenta dois pégasos de cada lado (que coisa!) além de uma esfinge ao centro. Por fim, trajava um típico 'peplos' da Ática.

Se encontrava um pouco ao sul da Cella, no Altar de Atena (ver mapas míticos do site) e era cercada por um corredor de colunas em estilo dórico. Sobre todo o chão da Cella mantinham um espelho d'água ou óleo, uma espécie de piscina rasa, de modo que a estátua refletisse ainda mais o brilho do sol.

Não sei como não constava como uma das sete maravilhas do mundo antigo (talvez por que a Estátua de Zeus, do mesmo calibre, já ocupava o quinhão grego desta distribuição).

 

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