MARIA - MARIA
Uma crônica urbana

09:30 h da manhã, céu claro na Capital Federal, dia  08 de abril de 2003. Eu indo de casa para o trabalho no balão pós-Ponte JK, vejo um carro com placa oficial vindo do palácio da Alvorada.
Apesar de não ver uma comitiva, pensei: - Será que é o Lulali?!
Diminuí a velocidade e o carro me ultrapassou, era o Ministro Palocci. Continuei o meu caminho pela Esplanada e ao chegar na Catedral de Brasília, ouvi um som no último: "Maria-Maria"! Não sei se por Ivan Lins ou Milton Nascimento....Me deu uma angústia, uma tristeza, como podem ainda fazer protesto ou reivindicações com essa uma música tão antiga que nos remete ao regime militar?!
Pensei: - Ah, esses petistas....
Só morando em Brasília para entender um pouco de política. Como respiramos política, mesmo quem não gosta, acaba entendendo por "osmose".
Mas voltemos ao Maria-Maria. Que mulher não é um pouco Maria?
Quero dizer aquela mulher que é sinônimo de resignação: mãe. A minha é Maria, e para completar "dos Anjos", e eu sempre megalomaniacamente entendi que esses anjos fossemos nós, os filhos. Muita pretensão, não?

Tenho também muitas amigas Marias. Todas elas mulheres de verdade, com aquela força, inteligência e  aquela doçura que o nome lhes dá.
A Maria é amiga, é terna, sabe escutar....Ela sabe brigar também, principalmente se for por causa alheia. Pela sua causa nem tanto...Com um nome desses tem a fé que se encarrega de eliminar os obstáculos da vida.


Receita da
D. Maria dos Anjos
E por falar em Maria, a minha, a "dos Anjos" é uma exímia cozinheira, como era de se esperar....
Há umas duas semanas eu fico em casa rondando a geladeira atrás de um doce, que ela é quem sabe fazer.....


Fica meio impossível há 1.000 km de distância, então ontem depois de duas semanas com água na boca, passei num verdurão-da-vida e encontrei um abacaxi! Pronto, não tinha mais nenhuma desculpa. Como Maomé não vai à montanha, a montanha vem a Maomé. Malhei bravamente, fui correndo para casa e liguei para minha mamily...
Doce-Doce-Doce !!!
de Abacaxi com Açúcar
Eu: - Oi mãe, tudo bem?
Ela: - Tudo.
Eu: - Mãe, como é aquela receita do doce de abacaxi?
Ela: - Qual?
Eu: - Aquele com creme...
Ela: - Ah! Aquele? vc tem que ter creme de leite, leite condensado, 2 gemas
Eu: - Eu tenho isso aqui mãe.
Ela: - Então, vc tem batedeira?
Eu: - Tenho.
Ela: - Vc bate o leite condensado, as 2 gemas e um pouco de açúcar.
Eu: - Um pouco quanto?
Ela: - Ah! Eu não sei, eu faço de olho!!
Eu na minha impaciência taurina: - Tá, tá, tá bom. Bato na batedeira?
Ela: - Não, no liquidificador!!!
Eu: - Mãe, me diz antes quais são os ingredientes que vou precisar...
Ela: - Para o creme, vc põe numa panela (???? - meu pensamento) o leite...
Eu: - Qual leite mãe?
Ela: - Ah, eu não te falei, vai um litro de leite ainda!! O leite, a maizena. E tome cuidado quando for engrossar, para não ficar empelotado. Mais o açúcar.
Eu: - Mais açúcar de novo?
Ela: - Naquele que vai o leite condensado mais as gemas não precisa, senão vai ficar muito doce, credo!
Eu: - OK. E na batedeira?
Ela: - Vc coloca as claras e bate com açúcar até ficar um suspiro, sabe. Daí vc coloca o creme de leite sem soro, mas este vc vai ter que bater a mão, viu? Não pode bater na batedeira.
Ela: - Iiiiiiiiih, vc ferventou o abacaxi?
Eu, com um nó na cabeça: - Ferventar o abacaxi? Na água??? (Eu imaginei os abacaxis boiando numa panela de pressão, cheia d"água)
Ela: - É, com açúcar...Vc coloca ele numa panela e um pouco de açúcar, quando começar a caramelizar, vc coloca a água.
Eu: - Ah, tá!
Ela: - Quem vai descascar o abacaxi?
Eu: - Vou pedir para o Ernani.
Ela: - E vc tem panela para tudo isso? Vou te dar uma receita mais simples: Strogonoffe de abacaxi! Vc pega o abacaxi, um pacotinho de gelatina sem sabor e como-é-que-é-aquele-outro-negócio?
Eu: - Maria-mole?
Ela: - Não, esqueci!

Mamilys!!!!
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