A época é de reflexão. Estamos mais uma vez no
final de mais um ciclo das nossas vidas. Eis porque, toda a minha atenção é
dedicada à família sobretudo aos que tendo um pouco de mim e das minhas raízes,
porque de mim desencarnaram, levarão consigo até ao futuro, pelo mesmo processo,
pelas mesmas vias da memória viva, algo que sempre perdurará até à antiguidade.
Permito-me recordar Bacon. “Na verdade, a Antiguidade é a juventude do Mundo...”
E porque estamos no Natal, não resisto à tentação de citar mais uma vez, tal
como no passado, o meu querido poeta:
“Nasce um deus. Outros morrem.
A verdade,
Nem veio nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.”
Passam os Natais e o velho Poeta cada vez mais actual. E já que o poeta me acode
não resisto à tentação de o citar em pleno desacordo com ele:
“Raios partam a vida e que lá ande”
Perdido pelos caminhos do deserto, mas porque os “deuses” assim o decidem,
sempre reencontro o caminho de volta. E então aqui estou eu, senão o mesmo, e
ninguém o é a cada dia que passa, pelo menos serei alguém mais atento à vida e
aos outros.
Recordo aqui Borges:
“Temos o direito de ser felizes. E não o cumprimos”.
Quanto a mim, “Não sei se sou feliz, nem se desejo sê-lo”. Mas aqui estou, “No
castelo maldito de ter que viver”.
Natal Feliz e um Ano Novo cheio de coisas boas.