Natal Feliz

Gustavo Morais

 

 


 

                                                Fractal: Fernando Pessoa, © Ademir Bacca

 

 

 

A época é de reflexão. Estamos mais uma vez no final de mais um ciclo das nossas vidas. Eis porque, toda a minha atenção é dedicada à família sobretudo aos que tendo um pouco de mim e das minhas raízes, porque de mim desencarnaram, levarão consigo até ao futuro, pelo mesmo processo, pelas mesmas vias da memória viva, algo que sempre perdurará até à antiguidade. Permito-me recordar Bacon. “Na verdade, a Antiguidade é a juventude do Mundo...”

E porque estamos no Natal, não resisto à tentação de citar mais uma vez, tal como no passado, o meu querido poeta:

“Nasce um deus. Outros morrem.
A verdade,
Nem veio nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora uma outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.”

Passam os Natais e o velho Poeta cada vez mais actual. E já que o poeta me acode não resisto à tentação de o citar em pleno desacordo com ele:

“Raios partam a vida e que lá ande”

Perdido pelos caminhos do deserto, mas porque os “deuses” assim o decidem, sempre reencontro o caminho de volta. E então aqui estou eu, senão o mesmo, e ninguém o é a cada dia que passa, pelo menos serei alguém mais atento à vida e aos outros.

Recordo aqui Borges:

“Temos o direito de ser felizes. E não o cumprimos”.

Quanto a mim, “Não sei se sou feliz, nem se desejo sê-lo”. Mas aqui estou, “No castelo maldito de ter que viver”.

Natal Feliz e um Ano Novo cheio de coisas boas.

 

Fundo Musical:Liebesträume- Liszt

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