
ALEXANDER GRAHAM BELL
(1847-1922)
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Alexander Graham Bell nasceu na Escócia em 3 de Março de 1847. O pai inventou um sistema de escrita para surdo-mudos chamado “Fala visível” ensinando indivíduos que não tinham qualquer experiência sonora sobre a forma como os lábios e a língua deveriam ser colocados para emitir os sons. Ensinou o sistema a Alexander e quis que ele seguisse o seu exemplo, dando aulas, o que veio a acontecer. Após a morte dos seus dois irmãos com tuberculose, os pais resolveram emigrar para a América, esperando que o ambiente fosse mais saudável para o fraco Alexander. Este não tinha vontade de partir, pois tinha começado a estudar na Universidade de Londres e tinha arranjado uma namorada, mas acabou por acompanhar os pais, embarcando a 21 de Julho de 1870 para o Quebec, no Canadá. Contava então 23 anos. Instalaram-se numa casa em Brantford. Em 1871 Alexander foi leccionar para Boston, nos Estados Unidos, na Escola de Surdos de Sarah Fuller, que tinha aberto esta Escola por se ter interessado pelo método de Bell. Alexander começou a fazer uma vida social intensa, o que se adequava ao seu temperamento, para além de ser um bom pianista. Conheceu então um advogado e homem de negócios chamado Hubbard possuindo uma das maiores fortunas do país. Este tinha uma filha, Mabel e, tal como Alexandre, também os seus três irmãos haviam morrido prematuramente. Além disso, ela ficara surda com cinco anos, em consequência de uma doença. Em 1873, Bell foi nomeado Professor de Fisiologia Vocal na Universidade de Boston e foi convidado a dar aulas a Mabel, que contava então quinze anos, para melhorar a sua fala, obtendo muito bons resultados. Os resultados também foram bons no campo sentimental, pois Bell apaixonou-se por Mabel. Esta a princípio não acompanhava o seu interesse, mas acabou por aceitar a relação, ficando noivos quando ela fez dezoito anos e vieram a casar em 11 de Julho de 1877. Antes, porém, deste feliz desenlace, Bell interessara-se também pela nascente telegrafia elétrica, que permitia enviar mensagens à distância através das correntes elétricas nos fios. O telégrafo estava em pleno desenvolvimento e as companhias telegráficas, desejosas de recuperarem os investimentos feitos e necessitando de satisfazer a procura, enfrentavam um problema. As linhas telegráficas só permitiam, em cada fio, o envio de uma mensagem de cada vez e num sentido, o que limitava a capacidade das linhas e a velocidade de transmissão, pois mais mensagens tinham de aguardar a sua vez para serem enviadas. Em 1872 surgiu o chamado “telégrafo duplex”, que permitia o envio por uma linha de duas mensagens simultaneamente, uma num e outra noutro sentido, mas não permitia o envio simultâneo de duas mensagens no mesmo sentido. Baseado em conhecimentos que adquirira, Bell começou a trabalhar, em 1872, no “telégrafo harmónico” com vista a arranjar uma solução para este problema do envio simultâneo de mensagens no mesmo sentido. Em 1873 já construíra um telégrafo harmónico capaz de transmitir duas mensagens simultâneas. Soube entretanto da existência de um concorrente, chamado Elisha Gray, que estava a trabalhar num projecto semelhante. A Alexander faltavam as condições materiais para fazer frente a esta competição, mas o seu futuro sogro Hubbard apoiou-o, prometendo-lhe uma participação nos lucros do empreendimento se Bell conseguisse registar primeiro a sua patente, e propondo-se fazer o requerimento desta. Hubbard era um opositor declarado da Western Union, a empresa que dominava o negócio telegráfico na América. Também Thomas Sanders, pai de um dos seus alunos, contribuiu com algum financiamento. Alexander contratou Thomas Watson como assistente e alugou uma oficina em Boston. Trabalharam arduamente e em Fevereiro de 1875 o telégrafo harmónico podia ser registado no serviço de patentes. Ainda neste ano, em 2 de Junho, uma pequena avaria iria provocar uma mudança radical na vida de Bell. Uma palheta do aparelho receptor do telégrafo encravou e quando Watson a desencravou com um toque manual, Bell ouviu este som no seu emissor. Alexander compreendeu que era possível transmitir sons usando a corrente elétrica através dos fios. A partir daqui, Bell juntou ao telégrafo harmónico o projecto do “telégrafo falante” ou “telefone”. O sogro pressionava Bell para dar prioridade ao telégrafo, que lhe parecia mais seguro economicamente, mas Bell nunca abandonou os trabalhos que desenvolvia com Watson sobre o telefone. Bell desenvolveu o seu telefone procurando imitar o funcionamento do tímpano, em que o som é recebido no ouvido e faz vibrar uma membrana. Em 26 de Fevereiro de 1876, Bell pediu o registo da patente do telefone e passou momentos de grande tensão. O caso não era para menos. Elisha Gray apresentara no mesmo dia um pedido de registo sobre um projecto semelhante e Bell soube que existia um terceiro pedido de registo, nada mais nada menos que do famoso inventor Thomas Alva Edison. A decisão estava nas mãos dos funcionários do Serviço de Patentes, em Washington. Afinal Edison foi facilmente eliminado pois o seu projecto estava mais atrasado que os restantes. A espera durou cinco longos dias, mas a escolha recaiu sobre o telefone de Bell, no dia em que fazia vinte e nove anos. Foi assim que Bell ficou na história como inventor do telefone, embora Elisha Gray não se tenha conformado, sendo Bell acusado de ter roubado as ideias de Gray. Obtido o registo da patente, era preciso agora construir um aparelho que funcionasse e fosse fiável, tarefa a que Bell e Watson se dedicaram continuando as experiências. Como registou no seu caderno de apontamentos em 10 de Março de 1876, Bell gritou para o bocal do seu aparelho : “Sr. Watson, venha cá. Quero vê-lo”. Watson estava noutra sala junto de outro aparelho ligado por fios ao de Bell. Veio a correr junto de Bell, dizendo que tinha ouvido e compreendido a mensagem. Tinha nascido o telefone de Bell. O telefone era constituído por uma delgada placa de ferro junto a um electroíman, segura por um diafragma de borracha. A voz da pessoa fazia com que o diafragma e o ferro vibrassem. Devido a esta vibração, a corrente na bobina era modificada por indução. O receptor estava ligado por fios elétricos ao receptor. No receptor a corrente era convertida em ondas sonoras. Bell e Watson continuaram a introduzir melhoramentos no aparelho. Posteriormente, Bell despendeu muito tempo na divulgação do seu telefone. A primeira demonstração pública foi feita em 1876 na Centennial Exposition (Exposição do Século) em Filadélfia. Nesta Exposição exibiam-se novos inventos e os fabricantes mostravam os seus produtos. Foi uma ocasião excelente para Bell publicitar o seu invento. Também Elisha Gray lá tinha um pavilhão com o seu sistema e, segundo Bell, tinha muitos visitantes interessados. Dois dos visitantes ilustres da Exposição foram o Imperador Pedro II do Brasil (D. Pedro IV de Portugal) e o cientista inglês Lord Kelvin. Ao ouvir a voz de Bell no telefone, o imperador ficou espantado e disse : “Estou a ouvir, estou a ouvir !”. Este episódio foi uma excelente publicidade para Bell. 1877 foi o ano do casamento com Mabel e da sua mudança para Washington. Para que o telefone se implantasse seguramente era necessário tornar o aparelho prático e de melhor qualidade, o que a aparelho de Bell não era, nomeadamente na captação do som. Entretanto, Bell aborreceu-se do telefone, deixando a outros a tarefa de melhorar o seu invento. Um dos melhoramentos veio de Edison que separou o aparelho em dois, um para falar, o microfone e outro para ouvir. Além disso arranjou um processo para amplificar o sinal elétrico, o que permitiu aumentar as distâncias de comunicação. Outros melhoramentos se seguiram, nomeadamente nas redes telefónicas, com o aparecimento de centrais, primeiro manuais e depois automáticas, que permitiam encaminhar o tráfego entre assinantes, evitando a necessidade de cada assinante estar sempre ligado aos outros, o que fazia aumentar desmesuradamente a quantidade de linhas necessárias. Em 1879 Bell abandonou a direcção da Companhia de Telefones Bell (American Bell Telephone Company). Bell foi cumulado de honrarias, como, por exemplo, terem-no feito sócio da Legião de Honra Francesa em 1880. No mesmo ano recebeu de França o Prémio Volta, com cujo dinheiro montou o Laboratório Volta em Washington. Em 1885 já havia 70 000 assinantes de telefones no mundo. Entretanto, Bell não perdeu a veia inventiva nem o interesse pelas experiências. Em 1886 montou um laboratório de invenções em Baddech Bay, na Nova Escócia. Em 1887, melhorou o fonógrafo de Edison, inventando o “grafofone”, que utilizava cilindros de cera dura, mais duráveis que os de Edison, o que expandiu o mercado da gravação de som. Também fez experiências de gravação de som em fita. Outra ideia que desenvolveu foi o “fotofone”, um aparelho para transmitir som em feixes luminosos, um precursor da moderna comunicação por meios ópticos. Outros diversos assuntos mereceram a sua atenção. Foi sempre um espírito inventivo e irrequieto. Em 1890 financia a “Associação Americana para a Promoção do Ensino da Fala aos Surdos”. Em 1898 é nomeado presidente da National Geographic Society. Interessa-se pela aviação, pela detecção por ultra-sons e pela destilação solar. No decurso da sua vida Bell registou 18 patentes em seu nome e 12 com os seus colaboradores. Morreu em 2 de Agosto de 1922 com 75 anos. No início do funeral, as redes telefónicas do Canadá e dos Estados Unidos fizeram um minuto de silêncio. Telefone de Bell no Museu (virtual) de Eletricidade
Bibliografia Alexander Bell – Michael Pollard Edison – Cahiers de Science et Vie |