MANIFESTO DE PRAGA

       

          (O manifesto abaixo foi emitido no quadro das realizações do 81º Congresso Mundial de Esperanto, em Praga, República Tcheca, 1996. O texto original encontra-se no número de setembro de 1996 da revista Esperanto, órgão oficial da Associação Mundial de Esperanto, sediada em Rotterdam - Holanda).

  MANIFESTO DO MOVIMENTO EM FAVOR DA LÍNGUA INTERNACIONAL ESPERANTO

        Nós, membros do movimento mundial para promoção do Esperanto, dirigimos este manifesto a todos os governos, organizações internacionais e pessoas de boa vontade. Declaramos a nossa firme intenção de continuar trabalhando para os fins aqui expressos e convidamos todas as pessoas e coletividades a aderir ao nosso esforço.

             Lançado em 1887 como projeto de língua auxiliar para comunicação internacional, e promovido rapidamente a língua viva, rica de nuances, o Esperanto funciona já há mais de um século para ligar os homens para além das barreiras lingüísticas e culturais. Entrementes, os fins dos seus falantes não perderam nem importância nem atualidade. Nem o uso em escala mundial de algumas línguas nacionais, nem os progressos nas técnicas de comunicação, nem a descoberta de novos métodos de ensino de línguas realizarão provavelmente os seguintes princípios, que consideramos essenciais para uma ordem lingüística justa e eficaz.

 

Democracia

         Um sistema de comunicação que toda a vida privilegia umas pessoas, mas exige de outras que invistam anos de sacrifícios para atingirem um maior grau de preparação, é fundamentalmente anti-democrático. Se bem que, como qualquer outra língua, não seja perfeito, o Esperanto bate qualquer rival na questão da comunicação igualitária em escala mundial.

            Temos como certo que a desigualdade lingüística tem como resultado a desigualdade na comunicação em todos os níveis, inclusive no nível internacional. Somos um movimento a favor da comunicação democrática.

 

Educação transnacional

          Cada língua étnica está ligada a uma determinada cultura e a uma nação ou grupo de nações. Por exemplo, o aluno que estuda inglês aprende sobre a cultura, geografia e política dos países anglófonos, principalmente dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. O aluno que estuda Esperanto aprende sobre um mundo sem fronteiras em que cada país se apresenta como seu lar.

            Temos como certo que a educação através de uma língua étnica, qualquer que seja,está ligada a uma determinada perspectiva sobre o mundo. Somos um movimento a favor da educação transnacional.

 

Eficácia pedagógica

          Apenas uma pequena porcentagem dos que estudam uma língua estrangeira chega a dominá-la. O domínio total do Esperanto consegue-se até mesmo pelo método autodidático. Há diversos estudos que descrevem os efeitos propedêuticos para o aprendizado de outras línguas. O Esperanto recomenda-se também como disciplina básica em cursos para tomada de consciência lingüística por parte dos alunos.

             Temos como certo que a dificuldade das línguas étnicas sempre representará um obstáculo para muitos alunos, que, contudo tirariam proveito do conhecimento de uma segunda língua. Somos um movimento a favor de um ensino eficaz das línguas.

 

Plurilingüismo

          A comunidade esperantófona é uma das poucas comunidades lingüísticas em escala mundial cujos membros são, sem exceção, falantes de duas ou mais línguas. Todos os membros dessa comunidade aceitaram a tarefa de aprender pelo menos uma língua estrangeira até o nível coloquial. Em muitos casos, isso conduz ao conhecimento de, e ao amor por, diversas línguas e de um modo geral a um horizonte pessoal mais vasto.

            Temos como certo que os falantes de todas as línguas, grandes ou pequenas, deveriam dispor de uma oportunidade para dominar uma segunda língua até um alto grau de comunicação. Somos um movimento para dar essa oportunidade.

 Direitos lingüísticos

           A desigual distribuição de forças entre as línguas constitui uma receita para uma permanente insegurança lingüística, ou para uma opressão lingüística direta, quanto a uma grande parte da população mundial. Na comunidade esperantófona, os falantes de línguas grandes e pequenas, oficiais e não-oficiais, reúnem-se em terreno neutro, graças à vontade recíproca de compromisso. Este tipo de equilíbrio entre direitos lingüísticos e responsabilidades abre um precedente para fazer desenvolver e ponderar outras soluções para a desigualdade lingüística e para os conflitos lingüísticos.

  Temos como certo que as grandes diferenças de forças entre as línguas minam as garantias expressas em tantos documentos internacionais, de tratamento das línguas por igual, sem distinção. Somos um movimento a favor dos direitos lingüísticos.

Diversidade linguística

          Os governos nacionais tendem a considerar a grande diversidade de línguas no mundo como uma barreira à comunicação e ao desenvolvimento. Para a comunidade esperantófona, por outro lado, a diversidade lingüística é uma permanente e indispensável fonte de riqueza. Conseqüentemente, todas as línguas, como todas as espécies de coisas vivas, são valiosas em si mesmas e dignas de proteção e apoio.

             Temos como certo que a política de comunicação e desenvolvimento, se não for baseada no respeito e apoio a todas as línguas, condena à morte a maioria das línguas do mundo. Somos um movimento a favor da diversidade lingüística.

 

Emancipação do Homem

          Todas as línguas libertam ou amarram os seus falantes, dando-lhes o poder de comunicar entre si ou criando obstáculos à comunicação com outros. Planejado como meio de comunicação universal, o Esperanto é um dos grandes projetos em prática para a emancipação do homem -- projeto para possibilitar a todos os homens participarem como indivíduos na comunidade humana, com firmes raízes na sua identidade cultural e lingüística, mas de modo não limitado a elas.

            Temos como certo que o uso exclusivo de línguas nacionais inevitavelmente levanta obstáculos de expressão, comunicação e associação. Somos um movimento a favor da emancipação do Homem.  Praga, 27 de Julho de 1996

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