O Homem Político
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        Nasci no ano de 1.968, época de Ato Institucional nº 05, pleno governo autoritário do militar Costa e Silva, em meio a cassações de pessoas que discordavam do sistema vigente.
        Meu pai - naquele belíssimo rincão distante do mundo - votava no MDB (Movimento Democrático Brasileiro) em protesto silencioso à ditadura.
        Quando fui para Pelotas passei a militar no movimento estudantil. Em 1.990, filiei-me ao PCdoB (Partido Comunista do Brasil), período fértil de estudos sobre marxismo-leninismo, panfletagem, reuniões... Porém, decepcionado com o centralismo - herança e alma do stalinismo - desfiliei-me, por meio de uma carta aberta endereçada à direção local, na qual critiquei tal agremiação por sofrer de uma "síndrome da clandestinidade".
        No anos em que fiquei em Pelotas até concluir o curso superior participei de atividades e campanhas eleitorais promovidas por partidos de esquerda, embora sem nenhuma vinculação formal.
        Ao retornar para Piratini, fui convidado a ingressar no P.D.T. - um dos partidos coerentes com meu pensamento socialista e que entendi, à época, estar em consonância com o momento por que passava o município, ou seja, necessitando de uma mudança de rumos administrativos.
       Em 2.000, fui candidato a vereador, tendo obtido 327 (trezentos e vinte e sete votos), alcançando a primeira suplência. Foi minha primeira "prova de fogo", passando pelo crivo das urnas, em meio a uma campanha burguesa, inflacionada por alguns pseudo-políticos que pensam ser o vereador um mercador de votos em troca de viagens de carro, remédios, telhas, tijolos, sacos de cimento...
        No fim desse ano, descontente com a possibilidade de o PDT - sem qualquer consulta às bases - fundir-se ao PTB (partido, no meu ver, fisiologista e perdido de suas raízes históricas) e observando uma verdadeira debandada de trabalhistas notáveis sem merecerem qualquer solidariedade ou tolerância das lideranças como Leonel Brizola e Alceu Collares, desfiliei-me para filiar-me, imediatamente, ao P.S.B. (Partido Socialista Brasileiro), pequeno em número de filiados mas grandioso pelas figuras de seus fundadores, a exemplo dos companheiros JÂNIO DE ÁVILA AZEVEDO e CASSINO.   
         Em 2.001, eleito o governo que apoiei - Prefeito Francisco de Assis Cardoso Luçardo e Vice-Prefeito Ariovaldo da Rocha Goularte -, assumi a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto, e com muita alegria protagonizamos um grande avanço para nosso Piratini- uma verdadeira inclusão social: o transporte escolar do ensino médio, possibilitando, assim, maior qualidade de vida aos moradores do campo e a permanência dos jovens no seio de suas famílias.
      Foram muitos desafios, muitas dificuldades, mas que com a nossa conhecida humildade e determinação, foram vencidas para o bem-estar de nossa comunidade.
       Muitas outras conquistas vieram a partir daquele histórico ano que, não por acaso, coincidiu com o início de mais um milênio: realizamos mais uma edição da Semana da Cultura comemorativa ao aniversário de Piratini (de 30 de junho a 06 de julho) que pela primeira vez homenageaou o negro como construtor da imagem de nossa terra, oportunidade em que trouxemos artistas afros como o CORAL CECUNE, grupo de dança de Daniel Amaro e outros.   
       Em 2.004, novamente sou candidato a vereador, quando obtenho a 4a maior votação dentre todos os candidatos - SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS VOTOS. É de se salientar que este resultado aconteceu sem nenhuma oferta em troca do voto, a não ser a esperança e o compromisso em se resgatar a dignidade humana em todos os seus sentidos.
      POLÍTICA COM PAZ E BOAS OBRAS é o nosso lema, afinal é possível, sim, fazer política com seriedade e transparência,  respeitando as diferentes opiniões das pessoas que também habitam o mesmo espaço geográfico e têm, como nós, iguais direitos e deveres.
      Hoje, sou vereador, com a utopia do socialismo democrático por bandeira, com a ética por norte em todas as minhas ações cotidianas, sem arrogância na relação com meus colegas de legislativo mas também convicto e forte quando necessário, provado isto pela luta que empreendi para redução do recesso parlamentar (pago pelo povo!) nos meses de janeiro, fevereiro e julho, sendo que a cada reunião extraordinária os edis têm direito a receberem mais uma verba, atualmente de mais de R$500,00 (quinhentos reais). 
     Para finalizar, cito o filósofo Platão que já naquele tempo dizia:
 
        "Os homens bons não se interessam por política e se deixam governar pelos homens maus".                         
 
     Não fique à margem da ação política, participe da vida de sua comunidade, nos seus variados setores (igreja, escola, associações...). Os maus políticos esperam a sua apatia para tomarem o seu lugar e, assim, continuarem a enganar o povo.
         A HORA É AGORA.
         A propósito, já dizia o poeta Geraldo Vandré:
 
        "Quem sabe, faz a hora,
         Não espera acontecer."
 
                VERSOS PARA BRASÍLIA
 
Graças a Deus, tive abrigo
Contra o vento da coxilha.
Quando nasci, tive braços,
Pai e mãe - tive família.
Eu não sabia das tetas
Que amamentam em Brasília...
 
Graças a Deus, tive campo
Para brincar e correr,
Bandeiras de regimento
Pra imaginar e erguer.
Eu não sabia, Brasília,
Da matilha de você...
 
No inverno, águas paradas
Criavam vidros na geada.
Eu via o sol penetrando
Na manhãzita acanhada.
Não sabia de Brasília,
Eu era ilha alienada!
 
Brasília, graças a quem
Sua brasa nos apaga?...
Graças a quem se ouve "amém"
À família que se estraga?...
E a mesa da pior pobreza
É menos mesa e mais vaga!...
 
Eu não sabia, Coxilha,
Que Brasília planejada
Não sonhou Brasil sem fome,
Mesmo dele derivada,
Não planou em nossos olhos,
Não tem povo na Esplanada!...
 
No tempo que Costa e Silva
Seu fio de espada silvava,
Eu nasci, Brasília, um dia,
E o dois de agosto ventava!
Sessenta e oito nascia,
Junto de mim, me emBALAva!
 
No vale tão silencioso,
Meu pai ligava em você:
A "Voz do Brasil" falava
No rádio marca ABC.
Brasília, minha família
Lhe escolhe sem perceber...
 
No vale (nem tão garboso...),
Meu pai, calmamente, encilha
A montaria servil
De sua égua tordilha.
Recorre os campos e volta
Governado por Brasília... 
 
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