





Sempre a educação escolar esteve longe de mim. A escolinha Machado de Assis, a cerca de dois quilômetros de minha casa, percorridos a pé, passou a ensinar até a 4a série. Fiquei dois anos sem estudar. Em 1.983, por uma determinação da Secretaria Municipal de Educação, retornou o ensino da 5º série, quando eu voltei, revigorado, a estudar.
A partir daí, com muita dificuldade, mudei-me para a cidade de Piratini, onde concluí o ensino fundamental.
Embora desejasse cursar o 2º grau de magistério, não tive condições econômicas para tal e o C.A.V.G. em Pelotas - por ser uma escola com internato e alimentação gratuitos - foi o único caminho que se apresentou para que eu não interrompesse mais uma vez minha formação escolar.
Em 1.989, concluí o curso de Técnico em Agropecuária, com estágio profissional realizado na própria escola que possui uma área de terras onde se desenvolvem atividades agrícolas e pecuárias.
Em 1.990, sem perspectivas boas para minha profissão de técnico agrícola e motivado pelos meus colegas, prestei vestibular para medicina veterinária na Universidade Federal de Pelotas, tendo sido aprovado.
Sem condições de alugar sequer um quarto para moradia, busquei abrigo na Casa do Estudante da mesma universidade, um verdadeiro abrigo para estudantes carente.
Antes do processo de seleção que se realiza para escolha dos moradores, tive a solidariedade do conterrâneo Luciano Dutra, então aluno do curso de Medicina e hoje um grande médico em ascensão que estava saindo do quarto nº 510 para mudar-se para outro e cedeu-me provisoriamente e com o consentimento dos outros moradores aquele espaço tão importante.
Mas eu não me identifiquei com o curso escolhido e no fim daquele mesmo ano, prestei vestibular para Direito. Aprovado, no outro ano iniciei a nova estrada, tendo me formado em 1.996.
Paralelo a isso, em 1.994 passei a dar aulas na Escola Antenor Elias de Mattos, no 3º Distrito, lugar denominado "Passo da Porteira". Professor contratado pelo município, no primeiro ano ministrei aulas de Ciências e nos outros três Língua Portuguesa.
Em 1.997, comecei a advogar na cidade de Piratini e nas comarcas vizinhas, mister que desempenho até hoje e será - se assim Deus o quiser - até o fim de minhas forças a missão que procurarei cumprir com respeito e ética.
Também em 1.997, alcancei um sonho de infância: o de trabalhar em rádio, como locutor. A Rádio Nativa FM de Piratini abriu as portas para que eu apresentasse o "Prosa de Campo" - um programa semanal (hoje extinto), divulgando a cultura gaúcha por meio de contos, causos, lendas, poesia, história, música.
Durante 8 anos produzi e apresentei, de 2a à 6a feira, das 06h às 08h, o programa "Raízes da Terra", na mesma emissora, com o mesmo formato do outro espaço radiofônico referido.
Hoje, em outra emissora, continuo este trabalho, por meio do PROGRAMA CANTO DOS LIVRES, das 09h às 11h e das 18h às 20h. Acessando o link a seguir: - www.radiotertulia.com - o mundo inteiro poderá conhecer e apreciar a música produzida no Rio Grande do Sul, num gosto musical que vai de Gildo de Freitas a Vítor Ramil, cruzando por cantores como Roberto Luçardo e Cristiano Quevedo.
São duas horas de telurismo, com roncos de mate, sons de bichos, folclore, dialeto, vocabulário, adágios do nosso pago sulino.
Eu - advogado e radialista - sinto-me feliz e realizado nesta existência terrena por poder unir espíritos aos bons valores morais e estéticos que devem permear nossa personalidade e fazer de cada ser humano um agente ativo para o bem-estar do mundo que o cerca.
Com a Prece do Gaúcho
Rezada de coração,
Vou rasgando a escuridão,
Para saudar outro dia.
E enquanto a chaleira chia,
Já cevei o chimarrão!
Me abanco feito um cacique
Num cepo de guajuvira,
O meu coração se estira
Pra janela aberta ao sol,
Fico bombeando o arrebol
E escutando uma corruíra.
E penso que noutros ranchos,
Noutros pagos como eu,
Também viram que nasceu
Nova esperança na aurora.
É mensagem a quem chora
Por alguém que já morreu.
A ti, meu irmão de mate
Que estás de rádio ligado,
Olha o campo ensolarado
Que se estende aos olhos teus
E a ternura do bom Deus
Nos olhos mansos do gado!
E mesmo que tu residas
No entreveiro da cidade,
Não despreza a humildade
De quem planta e cria bichos,
Ouve da terra os cochichos
E é rico de liberdade!
Aprendo mais com os mais velhos
Pois eles têm a experiência
De quem tem maior vivência
Neste mundo que é uma escola,
Onde o mais novo se enrola
Quando lhe falta paciência.
Outra lição que aprendi
E, por isso, não me engano,
É que muito campechano,
Mesmo um rude domador,
Sabe mais do que um doutor,
Se vai pealar um sobreano!
....................
O mate já está lavado,
Vou encerrar esta trela.
Escancarou-se a cancela
Pras luzes de mais um dia.
Vamos com música e poesia
Que a vida fica mais bela!









