Meu Tempo! O Vento e o Tempo 
   O Vento é que marca o Tempo
 Em Janeiro atordoado Nas folhas secas que se arrastam no Outono,
 Sinto emoções no ar. Longas e frias noites de Inverno.
 Fevereiro inebriado No alegre afago das flores da Primavera
  Alucinadas tempestades de Verão.
 Sonho contigo ao luar. Na areia que se move sem rumo
 Chega Março, Abril, Maio e Junho, Nas praias e dunas
 Minha esperança se esvai!  E nas ondas do mar,
  Sempre marcando o Tempo,
 Passa Julho, acordo em Agosto Inconstante como a própria razão!
 Sem vento brisas ou mar!  
 
 Atordoado chego a Setembro Lembranças
 Outubro passo a chorar.  Apenas vivemos se lembrado somos
  Apenas sentimos quando amamos,
 Novembro eu adormeço, E somente sofremos verdadeiramente
 Em Dezembro estou a sonhar!  Quando perdemos a quem nos quer bem
  Através da lembrança e do encantamento!
Oração de todas as horas  
  Sem rimas
Agradeço a Deus Tem horas que a gente não consegue ser
A vida que me foi concedida. Tudo o que os outros pensam que somos...
Agradeço todas Tem horas que a gente, não consegue ser apenas
As amizades vividas. Tudo o que os outros esperam da gente...
Agradeço o dom de amar Tem horas, que a gente vai se perdendo por aí
Sem nunca ter ódio, E precisa de um carinho, uma lembrança,
Agradeço sem nunca cobrar. Apenas um gesto de Amor.
Agradeço a luz do dia  
Alvorecer das esperanças Fazendo as contas
O calor do amor Tiro média da vida:
Entardecer das nossas vidas. Adiciono os meus sonhos
Agradeço os desejos Subtraio os desencantos
Também as ilusões Multiplico as esperanças
Agradeço, agradeço... E divido o meu amor!
Primavera das ilusões  
Verão de todas as paixões, Faceira
Outono das nossas vidas Te vejo assim faceira
Agradeço. Correndo pelos cantos,
Agradeço o inverno E num encanto, meu coração se incendeia!
Que se prenuncia, Te vejo assim matreira
Agradeço sempre Num jogo de amor,
A certeza de amar. O meu desejo se alardeia!
Agradeço, agradeço. Te vejo assim tristonha
  Chorando pelos cantos,
  E todo o meu ser
Versos Compartilha a sua dor!
Ando ao Tempo como Vento  
Às vezes rápido agitando folhas Ao Tempo
Outras como brisa no afago das flores Nas minhas andanças,
Mas nunca em tempestades Semeio amizades
Destruindo amizades! Colho lembranças
Caminho ao Tempo,
Fugindo do Vento
Que espalha as cinzas,
Dos sonhos distantes...
   
Viver
Se a alma é grande na simplicidade
Exalta a felicidade em um simples pensar
Quanto mais olhar, sentir e amar,
Vê a vida sem queixas, se dá sem cobrar.
Se grande no egoísmo exacerba sua mágoa
Desespera seus desejos e deixa de amar.
Pois ainda não conseguiu olhar além de si
Não conseguiu ser tão simples para se dar.
Se a alma é pequena em viver e amar
Deixa a vida passar com medo de sofrer
Não vê a beleza das flores, do dia, noite e estrelas
Sepulta e vida os seus sonhos, e se ilude apenas com o seu ser.
Como sinto a tua presença
 
Quando criança alimentei meus sonhos
Idealizando-te nas primas meninas
Brincadeiras de roda, sentimentos infantis.
 
Despertando-me nos encantos
Eu te vi faceira e namoradeira
Seduzindo com tua graça e beleza,
E não me sentindo notado, eu fugi!
 
Procurei-te entre as morenas
Ruivas, loiras, negras e tias
(As primas seguiram o seu caminho!)
Caminhei só e quase me perdi!
 
Seguindo sempre com emoção
Joguei meus versos, semeei ilusões
Escrevi com os sentidos e sofri.
 
Não perdendo o encanto sonhei contigo
Acreditei que o Vento te traria,
Era tudo uma questão do Tempo.
 
Ah! Eu te sentia em todos os cantos:
Na areia das praias deslizando entre os meus dedos
Na brisa suave que afagava meus cabelos
Sentia até sua doce presença a me envolver num encanto.
 
E quando te conheci, quase desiludido
Fui te descobrindo aos poucos:
Imaginei sua leve presença para mim.
 
E você chegou com carinho e encanto.
Sentindo-te criança como sempre fui,
Menina nos sentimentos, entreguei-me a ti.

 

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