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GUIA "UM BAIANO EM CAMPINAS"
Arranjar emprego não está fácil. Mesmo nós,
novos jornalistas criativos e talentosos, estamos relegados a algum emprego
sacal ou nem mesmo isso. Quem mandou não fazer Medicina, Engenharia, estas
atividades tradicionais e que garantem emprego mesmo antes do cara sair da
faculdade? Fazer um curso que tem as mais belas estudantes tem seu preço.
Elas estarão trabalhando na TV, num jornalão ou numa revista feminina
enquanto nós, marmanjos, estaremos em frente ao computador, com a barba por
fazer e a tarde toda no MSN. Mandaremos scraps perguntando como
estão, onde estão trabalhando, e elas responderão (com suas fotos
sorridentes ao lado de seus namorados engenheiros) com nomes de grandes
empresas. Conformado com o futuro desgraçado, mas preocupado com a nossa
dignidade perante pais e tias, este blog fornece algumas opções,
enriquecedoras ou não, para aqueles que não estarão no mercado de trabalho
formal no ano que vem. Se serve de consolo, cito a frase de um professor:
"Vocês estão prontos para o mercado... Não sei se o mercado está pronto para
vocês". Enquanto o mercado se prepara, a gente faz uma coisa dessas: Passar um tempo nos Estados Unidos, Canadá ou Austrália - Num país norte-americano você seria um chapeiro do McDonalds ou cortaria a grama daquelas casas de subúrbio com cerca branca. Nesse segundo caso, todo dia iria trabalhar dirigindo um Honda Civic (o carro mais ralé nos USA) e todos te chamariam de chicano. Na Austrália, poderia ser auxiliar de biólogos que estudam os crocodilos de água salgada, aqueles que atacam os desavisados que passam a noite na praia. Lógico que o "desavisado" cobaia seria você. Morar na Jamaica ou na Guiana - Nesses países também se fala inglês e são mais perto do Brasil. Não há mais informações sobre a vida nestes lugares, já que nunca são citados na TV porque lá não compram nada da Televisa. Ir para algum país europeu como Holanda, Espanha ou Suíça - Inevitavelmente você usaria alguma(s) droga(s) legalizada(s) em festas de gente usando moicano verde e saia. Iria trabalhar num antiquário e andar com uma galerinha esquisita, em que sua namorada seria uma pós-gótica-pré-apocalíptica que pinta o cabelo de vermelho e tem um piercing na língua. Namorar um brasileiro seria a experiência mais exótica da vida dela, mais até do que ter usado uma substância à base de glândulas supra-renais numa rave em Amsterdã.
Ser voluntário na África - Esta é uma
opção que, além de te tirar do Brasil, ainda dá créditos para seu Banco de
Boas Ações. Depois de passar um ano ajudando africanos famintos e doentes,
você poderá ficar uns dois sem precisar ceder seu lugar no ônibus para
idosos, vai poder estacionar na vaga de deficientes e ainda falar todos os
termos politicamente incorretos que não cito aqui porque ainda não fui
voluntário na África.
Criar um fanzine eletrônico - A
Internet é o melhor lugar para abrigar as mais diversas porcarias. Não falta
gente nessa mídia que acha que desenha bem, que escreve bem (vide este blog
que você lê) e se diz injustiçada. Em compensação, se algo é bom, a web vai
levá-lo para o mundo inteiro. Existem até "celebridades" da Internet, gente
cujo nome não se lê no jornal nem se ouve na TV, mas é admirado por um grupo
considerável de internautas. Claro que não seria o seu caso. Você
continuaria no mais obscuro anonimato, mas manteria o orgulho de ver o nome
na tela até o dia em que o servidor apagasse todos os arquivos. Aí você
diria que está trabalhando em um novo projeto.
Mudar-se para Porto Seguro e tornar-se
dançarino de axé, capeteiro ou tatuador - Se você tem um certo
rebolado e não tem barriga, pode tentar uma carreira de dançarino de axé. É
importante frisar que a "carreira" desses rapazes não dura muito e que não
há seguro para flacidez abdominal. É fundamental também que o aspirante a
esse posto não tenha senso de ridículo. Já para ser capeteiro é preciso ser
persuasivo sem ser chato, simpático sem ser xavequeiro. Além, é claro, de
saber misturar os ingredientes que fazem um bom Capeta, bebida típica
(tradicional, não) daquela cidade litorânea. Quanto à persuasão, o mesmo
vale para quem pretende se tornar um tatuador de henna. Este tem,
ainda, que saber copiar minimamente bem os desenhos dos álbuns de tatuagem
que qualquer tatuador da cidade que desenhe com tinta de cabelo tem.
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Publicado no dia 12 de julho de 2006 |