Léo KarnaK é
professor por atuação, historiador por formação e
jornalista por opção...
.:: P A R C E R I A S ::.
FICA,
Vanessa! Se eu contar ninguém acredita, mas esta foi o
1° ano que eu fui ao FICA, Festival Internacional de
Cinema e Vídeo Ambiental, que acontece todos os anos na
cidade de Goiás, antiga capital de nosso estado. Todo
ano eu falava que ia, mas sempre acontecia algo que não
me deixava comparecer ao evento, nem um diazinho sequer.
E este ano quase que a profecia se cumpre mais uma vez.
Isto porque, após combinarmos, eu e minha irmã, com uma
amiga nossa de irmos no carro dela, ela desistiu e voltou
atrás umas 3 vezes, sem contar no quanto mudou o
horário de nossa saída. Depois de desistirmos na
última hora, eis que finalmente as 15h da tarde de ontem
saímos de Goiânia rumo à Goiás.
Outra coisa que tenho que confessar é que a
estrada foi uma das melhores partes da viagem, afinal
não é todo dia que temos a oportunidade de dirigir um
Peugeot 207 SW, com direção hidráulica, ar
condicionado e tudo o mais o que podemos querer em um
carro. Isto é o que faz uma viagem destas se tornar um
verdadeiro passeio. Nem me importei de estar perdendo o
jogo do Brasil, que aliás, deu um show, diga-se de
passagem. Chegamos em Goiás por volta das 17h, e nos
reunimos às centenas de pessoas que se aglomeravam na
praça do coreto, principal ponto turístico da cidade,
ao som do Bloco dos Raizêros, que tocava sua batucada
por ali.
Até a hora do show
tivemos tempo suficiente pra andarmos por lá, jantarmos,
tomarmos uma cervejinha, fazer compras, e finalmente por
volta das 21h chegamos ao local do show, com a Vanessa
já no palco cumprimentando a cidade, e o espaço
totalmente tomado. O show estava lotado, tinha gente por
tudo que era canto. Fomos entrando e passando por um e
por outro até conseguirmos ficar em um local
relativamente bom pra se ver e ouvir a cantora. E que
cantora! Linda e com sua potente voz, Vanessa colocou
todos pra dançar e cantar junto seus maiores sucessos.
Trajada com um belíssimo vestido vermelho sangue, seus
tradicionais cabelos encaracolados, enfeitados com uma
flor no alto, a cantora cantou, pulou e dançou em cima
do palco, esbanjando simpatia, e mostrou porque já pode
ser considerada uma das grandes divas deste país.
No repertório tivemos as músicas de seu
último álbum SIM, que animaram bastante a todos, como Quando um Homem
Tem uma Mangueira no Quintal, minha preferida do
álbum: Ilegais; além de Vermelho; Pirraça,
que inclusive foi tocada duas vezes; e as
belíssimas Amado e Boa Sorte/Good Luck,
música que gravou com Ben Harper e que se tornou um
sucesso absoluto no último ano, estas últimas cantadas
em uníssono por todos. A banda que a acompanha é muito
boa, abusando dos efeitos eletrônicos e fazendo ótimos
arranjos das músicas, que passeiam pelo samba, forró,
ritmos nordestinos e regionais, além da música pop e
temas românticos. Ainda fomos brindados com um cover da
música História de Uma Gata, de Chico Buarque,
em que Vanessa mostra toda a potência de sua belíssima
voz. De suas músicas antigas, não faltaram Não me
Deixe Só e Ai, Ai, Ai, que encerrou seu
show com brilhantismo.
No fim da festa ainda tivemos um espetáculo
de queima de fogos, que durou aproximadamente uns 10
min., iluminando a noite no céu de Goiás. Só nos
restou então pegar a estrada de volta para Goiânia,
trazendo as belas lembranças deste evento. Para mim, foi
uma ótima estréia, e espero poder voltar nos próximos
anos cobrindo mais e mais ótimos shows como este.
publicado em 22/06/09
ao som de The Zutons
- Not a lot to Do Deixe um comentário:
A Igreja é
Falha... Dan Brown adora provocar a igreja. E seguindo o
sucesso de seu primeiro best seller, O Código Da Vinci,
ele resolveu fazer sua continuação seguindo a mesma
fórmula que o consagrou no primeiro. E, claro, deu
certo. Embora a história de Anjos &
Demônios seja inferior ao seu antecessor,
como filme ele ganha em ação e suspense. Isto porque
este novo filme é muito mais dinâmico e tem mais ação
do que o primeiro. Me lembrou muito aos filmes da Lenda
do Tesouro Perdido, pelo estilo de investigação e
mistérios utilizados.
O grande mérito deste filme no entanto
está em como o autor consegue jogar com os antagonismos
de seus dois personagens principais. Um deles é velho
conhecido nosso. Protagonista do primeiro filme, o
professor Robert Langdon, interpretado por Tom Hanks, é
o simbologista que vive em busca de desvendar os maiores
mistérios por trás da história da Igreja Católica.
Aqui ele retorna em grande estilo, e a atuação de Tom
Hanks ficou bem melhor do que no primeiro filme, achei
ele mais dinâmico e mais bem encaixado no papel. E o
nosso segundo personagem é o que faz do filme ser tudo o
que ele é. Trata-se da própria Igreja, o grande
personagem deste filme!
E o antagonismo estre estes dois
personagens, assim como no primeiro filme, aqui é
explorado, mas de forma muito mais próxima e
constante. A Igreja está sob ataque, e Lagdon aqui é
convidado pela própria Igreja a desvendar os símbolos
deixados por aqueles que a ameaçam. Lagdon passa então
a penetrar nos mais profundos segredos desta poderosa
instituição, e à medida que faz isto acaba entrando em
um jogo de perseguições e intrigas onde nunca se sabe
em quem confiar. Lagdon é levado então a confrontar
suas crenças e visões sobre Deus e sobre a própria
Igreja. Sua relação com esta que considerava
adversária até então, se torna uma ambígua relação
de rejeição e ao mesmo tempo dependência. Da mesma
forma que ele a vê de forma crítica e até mesmo
cética, depende dela pois ela é sua fonte e objeto de
pesquisa. Lagdon vive uma relação de amor e ódio com a
Igreja, relação esta que vai ficando mais clara à
medida que o tempo passa.
De tanto tentar desmascará-la, e para isto
ele é obrigado a adentrar cada vez mais seu mundo, a estudar sua história, seus
pormenores, tanto que ele chega a saber mais sobre ela do
que os próprios que estão lá dentro, de tanto adentrar
em seu universo com o objetivo de criticá-la, negá-la,
mostrar seus podres, Langdon acaba vivendo um estranho
fascínio por esta mesma igreja, acaba vendo-a como ela
realmente é: falha, assim como o ser humano, ao
contrário do próprio discurso de perfeição que a
mesma sempre adotou. Sua fraqueza provém da própria
fraqueza humana, e isto ao invés de a diminuir, mostra
apenas que ela é um produto da própria humanidade, e
não está acima nem abaixo de nós. Assim, ao invés de
servir como uma crítica à instituição católica,
Anjos e Demônios é muito mais um elogio à sua
existência. Através dele, Dan Brown consegue fazer com
que a Igreja reconheça seus erros do passado, consegue
mostrar que ela é falha, que ela tem defeitos assim como
todos nós temos, e que, mais do que isto, que a Igreja
pode ser progressista, pode reconhecer estas suas falhas,
e até mesmo andar lado a lado com a ciência, a qual ela
julgou de forma errônea durante tanto tempo.
O embate com a ciência toma proporções
maiores neste filme. Os erros do passado levam esta
Igreja a tentar rever seus conceitos e idéias sobre a
mesma, e ao contrário da Igreja da Vida real, cada vez
mais retrógrada neste assunto, Dan Brown leva sua Igreja
a pensar que Fé e Razão podem sim andar juntas, em uma
redescoberta de idéias renascentistas e iluministas. A
Igreja de Dan Brown neste filme assume um caráter
extremamente progressista, e o autor aproveita então
para dar um alerta para esta insituição: ou ela
acompanha os novos tempos, ou estará fadada a ser
superada, considerada obsoleta, ou seja, estará
cometendo os mesmos erros do passado. Mas agora
dificilmente conseguirão organizar uma nova Inquisição
para se reerguer. Nos últimos anos a Igreja tem
avançado bastante em questões como o diálogo com
outras religiões e revisões sobre a interpretação de
seus textos sagrados, e isto a ajudou a ser vista com
mais simpatia pela sociedade mundial.
Mas muito ainda se tem que avançar, e os
diálogos com a ciência, especialmente na questão das células-troncos e do uso de
preservativos, abordados de forma indireta no filme
(através de um grupo de manifestantes mostrados em
algumas cenas), são questões chaves sobre as quais a
Igreja deveria repensar suas idéias, e demonstrar assim
que a ciência não está acima de Deus, mas pelo
contrário, se os cientistas conseguiram progredir e
chegar ao nível de conhecimento que estão agora, é
porque Deus o permitiu. A visão da Igreja sobre o embate
entre Deus e a Ciência diminui seu Deus, o coloca como
um concorrente dos homens, quando na verdade ele deveria
estar acima destes, controlando-os e permitindo que eles
alcancem o conhecimento. Portanto, sob este ponto de
vista, a Igreja não deveria se preocupar tanto com o
avanço da ciência, pois se ela avança é porque seu
Deus o permite.
Todas estas críticas filosóficas são
colocadas em tela em um filme com muita ação e
suspense, em suma, um filme eletrizante do início ao
fim, e com um final apoteótico. Assim Anjos e Demônios
consegue superar seu antecessor enquanto filme, embora a
história elaborada para o primeiro filme seja mais
interessante e mais inteligente, mas aqui o modo como o
filme é feito acaba tornando-o mais cativante e nos
prende na cadeira do cinema como há muito eu não via um
filme fazer. Pra quem gosta de ação, suspense,
questões filosófico-existenciais, e claro, debates
religiosos, é um prato cheio.
publicado em 13/06/09
ao som de Iron Maiden
- Black Bart Blues Comentários:
Santo de
Casa Após alguns anos de ostracismo em sua própria
terra natal, eis que nós goianos tivemos hoje o prazer
de receber em nossa cidade um filho ilustre que retorna.
Trata-se de Léo Jaime, cantor
que fez bastante sucesso na década de 80, e que
recentemente voltou à mídia ao lado de seu companheiro
Leoni, lançando trabalhos novos, fazendo shows e até
mesmo participando de reportagens na globo, reconhecido
como um dos grandes nomes da nova onda da internet, o
Twitter.
O fato é que o
cantor, cuja carreira atravessa várias gerações, é um
dos poucos em nosso país que pode dizer que tem o
privilégio de ter fãs de todas as idades. E isto ficou
bem claro em seu show realizado hoje na cidade, no
projeto Flamboyant in Concert. Crianças, garotos e
garotas, adolescentes, adultos e gente mais velha, todos
se reuniram no saguão do shopping para conferir este
show. E não sairam decepcionados. Extremamente
simpático, o cantor soube conquistar a platéia desde o
início do show. Fazendo brincadeiras, contando
histórias, e, claro, interpretando seus grandes
sucessos, o cara soube agradar a todos.
Entre o repertório
não faltaram as músicas novas, como Fotografia, uma
belíssima canção que está em seu seu mais recente
trabalho, e foi gravada também no CD ao vivo do Leoni;
algumas mais raras, covers e parcerias com amigos, como
Herbert Viana, Cazuza e Frejat, Leoni, entre outros, como
as músicas Fórmula do Amor e Maior Abandonado; e claro
os grandes clássicos do passado, como Solange, Bambolê
e Pobre, que foram bastante animadas. Um dos destaques do
show são os músicos que o acompanham, o guitarrista do
Barão Vermelho, Fernando Magalhães, e o
multi-instrumentista Rodrigo Sha, que além do violão
também tocou sax e flauta, dando um show a parte,
inclusive tocando uma música de sua autoria, que aliás
achei muito boa!
Foi uma ótima oportunidade de ouvir
novamente antigos sucessos e poder rever o cantor, com
todo o seu carisma e simpatia, e pra quem não conhecia o
seu som, foi uma boa chance de conhecer mais deste
excelente artista, que infelizmente não goza de tanto
prestígio em terras goianas. Só espero poder revê-lo
mais vezes por aqui. E quem quiser entrar em contato,
basta adicioná-lo no Twitter: http://twitter.com/leojaime
publicado em 09/06/09
ao som de Judas Priest
- Peace Comentários:
Todas as
Tribos Rock Fest Neste final de semana chegamos à 5ª edição
de um dos festivais mais tradicionais de nossa cidade.
Trata-se do Tattoo Rock Fest,
festival que reune pessoas de todas as tribos em uma
verdadeira celebração da diversidade. Metaleiros,
punks, skatistas, emos, hippies, motoqueiros, e amantes
das tattoos em geral se reuniram este final de semana na
Estação Goiânia, no centro de nossa capital para
prestigiarem os trabalhos dos maiores e melhores
tatuadores do Brasil, tudo isto claro ao som de muito
Rock'N Roll, em todas as suas vertentes.
Infelizmente só
pude comparecer no segundo dia, que foi ontem, sábado, e
só pude ir depois das 22h. Assim sendo, cheguei no local
ao som de Born to be Wild, interpretado pela banda Devon,
que já estava encerrando seu show. Tempo então para
conferir o que rolava nos stands, tanto de tatuadores,
body piercings e lojinhas em geral, vendendo desde
óculos, botas e artigos estilizados até camisetas,
botons e alargadores em geral. Minha impressão deste ano
é que tínhamos menos stands de tattoos do que nos
outros anos, mas não sei se procede. O local se mostrou
bem legal para a realização do evento, sendo amplo, e
com uma boa estrutura, arejado, bem iluminado (apesar das
luzes atrapalharem a iluminação dos shows, que ficavam
muito claros), e com estacionamento, seguranças. Enfim,
tudo bem legal.
No final da feira o
palco dava lugar a grandes nomes do Rock de Goiás e
outras regiões do país. Cheguei com o início do show
da banda U-Ganga, direto de Uberaba-MG. A banda mandou
seu grindcore com uma pegada bem thrasher. O som dos
caras é pesado e bem trabalhado, com um vocal potente e
letras ácidas, cantadas em português. Algumas faixas
lembram muito o som do Korzus, o que é uma ótima
referência. Além disto a banda conta com a pressença
de um DJ, ou Rapper, que cuida dos samplers, fazendo uma
mistura bem interessante. Logo depois tivemos um
espetáculo de malabaris com fogo e pirofagia, e um
maluco que apelidei de "açougueiro": um
gordinho com a cara pintada, num balcão em cima do
palco. Primeiro o cara jogou carne crua pra platéia.
Depois começou a se espetar, e se furar com agulhas,
seringas, até uma furadeira o cara usou, atravessando
com a broca a parte inferior dos lábios, e enfiando
espetos na boca e na garganta. Pra fechar, o cara colocou
dois ganchos na barriga e se pendurou por eles. Coisa
mais bizarra que já vi. A próxima foi uma garota, que
enfiou dois ganchos nas costas e ficou brincando de
balanço lá em cima do palco.
Depois do show de
horrores, a banda Pato com Laranja
veio com seu pop rock engraçadinho. A banda conta com
integrantes do extinto Rollin Chamas, e conta com a mesma
veia cômica da antiga banda, mas perdeu um pouco em
pegada. As músicas estão mais pop, mais lights, digamos
assim, aparentemente mais voltados para o pop rock. Não
deixou de ser legal o som da banda, inclusive tocando
algumas do Rollin' Chamas, como a música Comprimido, mas
é impossível não tecer comparações com a antiga
banda, e acho que esta era bem mais divertida do que a
atual. Mas tudo bem, mesmo assim os caras mandaram seu
som e divertiram a quem os assistia, e isto é o que
importa.
Pra encerrar minha
noite, uma das bandas mais legais que já tive a
oportunidade de ver. De volta à Goiânia, diretamente da
capital federal, a banda Galinha Preta
veio com seu tradicional e divertidíssimo show. O
vocalista, que atende pela alcunha de Frango, mais uma
vez deu um show a parte, contando histórias sobre as
músicas, e até mesmo andando de bicicleta em cima do
palco, o cara é muito louco. Musicalmente, o som do
Galinha é um grindcore rasgado e bem encorpado, mas
totalmente descompromissado. As músicas tem letras
escrachadas e simples, com versos como "A, e, i, o,
u", ou "Vai trabalhá vagabundo",
repetidas exaustivamente durante as músicas, que aliás
não tem mais do que 1 minuto de duração. Desta vez
tocaram algumas músicas novas, que estão bem legais
também, e mostram que a banda vai continuar no mesmo
caminho que tem feito até o momento. Depois de uma meia
hora de pura diversão, em que devem ter tocado umas 30
músicas (hehehe), foi hora de me render ao cansaço e ir
embora pra casa. Peço desculpas às demais bandas que
não vi o show, mas vida de operário é difícil, e não
pude comparecer em todos os shows. Mas fica aí os
parabéns para todos que ajudaram na organização deste
evento, que foi um sucesso de público, tanto na parte
das tatuagens, quanto nos shows. Espero que nos próximos
anos este evento continue crescendo cada vez mais.
publicado em 08/06/09
ao som de Skank
- Notícias do Subúrbio Comentários:
Os Sons da
Vida A música e seu impacto em nossos sentidos
sempre me intrigou. Como pode uma sequência ritmada de
sons e barulhos produzir tal avalanche de sentimentos em
nós? A música é a maior prova da existência de Deus,
já diria o filósofo. Ela nos faz despertar os mais
sinceros sentimentos, e está em todo lugar, em todas as
civilizações, mesmo naquelas mais antigas, a música
sempre esteve presente. Assim como em tudo na vida, é de
se notar também que existem pessoas com um maior dom ou
vocação para a música. Pessoas que conseguem tirar
notas só de ouvir, conseguem aprender um instrumento
apenas de tocar uma única vez.
É sobre tudo isto que trata o filme O
Som do Coração, lançado em 2007 nos cinemas brasileiros. O filme conta
a história do garoto Evan Taylor, que vive em um
orfanato próximo a Nova York, sem nunca ter conhecido
seus pais. Mas Evan não é um jovem comum. Ele tem um
estranho dom para a música. Mas não se trata apenas de
ter facilidade para tocar instrumentos ou coisa do tipo.
Seu dom vai além: ele sente a música que vem do mundo,
os barulhos e sons vibram em seu interior fazendo com que
ele se comunique com o mundo a sua volta de uma maneira
única. E Evan acredita que tal dom vem de seus pais, e
que a música que ele ouve de alguma forma o conecta a
eles. E ele não esta errado. Fruto de um amor repentino
entre dois músicos, Evan herdou dos pais a habilidade
musical, e a usará para conseguir reencontrá-los.
Com esta premissa, O Som do
Coração nos brinda com um roteiro formidável, cheio de
nuances interpretativas e detalhes que emocionam e
enriquecem a história do jovem garoto, que abandona seu
orfanato e parte para a cidade grande em busca de seus
pais. Ao chegar lá, Evan se encontra em meio a um
universo totalmente novo, recheado de sons, barulhos,
cores, cheiros, e claro, muita música. Logo ele conhece
o jovem Arthur, um garoto que canta na praça e o leva
até Wizard (Robbin Willians), uma espécie de cafetão
dos garotos, que os coloca pra tocarem nas praças em
troca de moradia e proteção. Logo Evan começa a
desenvolver seus talentos musicais, e por onde passa
impressiona a todos por sua versatilidade, inteligência
e criatividade.
Assim sua história se torna uma
verdadeira epopéia, um conto de fadas moderno onde Evan,
que logo adota o nome de August Rush, passa por
diferentes caminhos e conhece as mais diversas pessoas
até conseguir atingir seu objetivo. E a música perpassa
tudo isto, tornando o filme uma verdadeira ópera, um
musical onde a trilha sonora é a própria vida que nos
cerca. O cuidado musical do filme está perfeito, criando
uma trilha sonora como há muito não se via, que passeia
por diferentes estilos, do Rock ao Jazz, do Clássico ao
Pop. Um dos grandes destaques do filme é a utilização
de sons do cotidiano para fazer as músicas, como o
barulho do trânsito e os sons de uma bola quicando
durante um jogo de basquete; e também a forma como os
compositores cruzam as músicas interpretadas pela mãe e
pelo pai, em dois lugares diferentes, como se a música
os conectasse antes mesmo de se conhecerem. As cenas que
narram a forma como os pais de Evan se conhecem por
exemplo é uma das mais belas do filme todo.
Por tudo isto, O Som do Coração é um
filme que emociona, e nos brinda com uma verdadeira
lição de vida. Sublime, leve e poético, o filme nos
faz parar pra pensar se estamos prestando atenção ao
que está a nossa volta. Muitas vezes ouvimos os sons do
mundo, mas não estamos realmente prestando atenção no
que eles querem nos dizer. Nos limitamos a passar pelo
mundo, tão distraídos e preocupados com coisas
pequenas, que nos esquecemos de viver. O Som do Coração
é uma metáfora da vida moderna, de como certos valores
são mais importantes do que o nosso carro, nosso emprego
ou o que fazemos da vida. Em tempos tão conturbados,
este filme é um prato cheio para nos desligarmos um
pouco da correria do dia-a-dia. Aproveite!
"A Música é um pequeno lembrete
de Deus de que há algo além de nós nesse mundo; uma
ligação harmônica entre todos os seres vivos, em todos
os lugares, até nas estrelas" (Wizard - O Som
do Coração)
publicado em 03/06/09
ao som de Carlinhos Brown
- Tour Comentários:
Sagrado e
Profano Ontem tiveram início, na cidade de
Pirenópolis-GO, interior do estado de Goiás, a Festa do
Divino Espírito Santo. O grande destaque da festa por
aqui, no entanto, são as tradicionais Cavalhadas,
ritual que acontece todos os anos no início do mês de
junho, e recria a batalha pela retomada da cidade de
Granada, na Espanha, quando os Mouros são expulsos da
península Ibérica, após quase 800 anos de dominação
moura. Para assistir a este espetáculo, saí com uma
turma de alunos da cidade de Itapuranga as 5 horas da
manhã do domingo rumo a Pirenópolis. Após 4 longas
horas de viagem finalmente pudemos chegar à antiga
cidade de Meia-Ponte.
Só havia ido à
cidade uma vez, e andar pelas ruas históricas de
Pirenópolis nos traz uma sensação de volta ao passado,
ainda mais pra um historiador como eu. É interessante
notar como cidades como Piri e Goiás acabaram se
voltando totalmente para o turismo, e hoje se mantém
graças ao imenso círculo de turistas que frequentam
suas ruas, se divertindo e claro, consumindo os produtos
que são vendidos nas inúmeras lojinhas de artesanato
espalhadas pela cidade, a maioria pertencentes à
própria prefeitura, que colocam a venda peças e
produtos de artesão e artistas locais. Como não podia
deixar de ser, também pudemos andar bastante pela
cidade, conhecendo a Igreja Matriz, dedicada a Nossa
Senhora do Rosário, igreja aliás que foi totalmente
reconstruída após um incêndio ocorrido há alguns anos
atrás.
A medida que o horário da festa se
aproxima, já podemos ver os mascarados andando pelas
ruas, conversando,
fazendo suas peripécias e, claro, pedindo dinheiro,
cerveja e cigarros aos turistas que os observam entre
assustados e admirados. Sâo máscaras de todos os tipos
e todas as idades, desde crianças que andam a pé até
adultos a cavalo. Máscaras de monstros, super-heróis,
caveiras, touros, e vários outros desfilam pelas ruas da
cidade, dando um colorido todo diferente à festa. Os
cavalos também são enfeitados com panos, ramos de
árvores, retalhos e vários outros materiais. A
criatividade aqui é grande, e hoje já vemos fantasias
de todos os tipos, desde as mais tradicionais, como
máscaras de touros feitas de papel machê, até as
modernas máscaras de monstros e super-heróis de
plástico vendidas em lojas de fantasias. O que vale é a
diversão. Segundo a tradição, "não se sabe a origem destes
personagem, que são encontrados em todas as cavalhadas
do Brasil com diversas diferenças entre as cidades.
Representam o papel do povo e daqueles que não tem
acesso a pompa dos cavaleiros, que representam
socialmente a elite e o poder. São irônicos e
debochados, fazendo críticas aos poderosos e ao sistema.
E, ao contrário da rigidez dos Cavaleiros, entre os
Mascarados não há regras, tudo é permitido, menos
mostrar sua identidade."*
Os outros
personagens da festa são os Cavaleiros, aqueles que
encenam a batalha entre mouros e cristãos. Para que a
festa pudesse ser encenada até um local próprio
construíram, uma grande arena, intitulada Cavalhódromo. O lugar
parece um estádio de futebol, um gramado no centro e
arquibancadas ao redor. Infelizmente o lugar é pequeno,
e devia ter uma estrutura maior para abrigar o número de
foliões que comparecem na festa. De um lado do gramado
temos a construção de uma réplica de uma mesquita
muçulmana, enquanto do outro lado uma igreja cristã. Os
cavaleiros mouros, vestidos de vermelho e os cristãos,
de azul, saem de seus respectivos lados e tem início a
batalha, que dura três dias. Neste primeiro dia que
fomos é encenada apenas o início da batalha, com a
chamada "morte da onça", que representa os
espiãos mouros, e logo após tem início as
conversasões entre os reis de ambos os lados. Como não
chegam a um acordo, logo vem a batalha, com a
utilização de armas de fogo, que disparam tiros de
festim no chão e o uso de espadas.
A encenação dura três dias, e na
segunda-feira tem-se a rendição dos mouros, e na terça
o encerramento da festa, com o batismo e a conversão dos
mouros. O Cavalhódromo ficou completamente tomado pela
multidão para assistirem ao espetáculo. Infelizmente o
espaço reservado para os comuns era pequeno diante do
número de pessoas que para ali foram, fazendo com que
houvesse bastante tumulto na entrada e saída de pessoas,
que se fazia pelo mesmo lado. Só quem ficou bem foi quem
havia comprado entradas para os camarotes, que aliás
ocupavam mais da metade do local. Em certo momento a
estrutura do local mostrou sua total falta de preparo,
quando uma grande quantidade de pessoas tentava deixar o
local, ao mesmo tempo em que muitos tentavam entrar.
Quase houve um tumulto, e a polícia local demorou muito
para intervir e organizar o fluxo de pessoas, e mesmo
assim não conseguiram organizar de forma satisfatória.
Outro ponto negativo era o equipamento de som ruim, o que
fazia com que quase não entendêssemos o que falavam os
cavaleiros durante a encenação.
Mas mesmo
pelos incovenientes a festa valeu a pena, e pudemos
conferir uma das festas mais tradicionais de nosso estado
de Goiás, e que se inscrevem nas tradições de nosso
povo. Uma dúvida que fica é porque em pleno cerrado
goiano se encena uma batalha entre mouros e cristãos
acontecida há mais de 500 anos na Europa? Recorremos
então ao site do evento para sanar esta dúvida, e
descobrimos que as cavalhadas foram "introduzidas
em Pirenópolis em 1826, pelo Padre Manuel Amâncio da
Luz, como um espetáculo chamado de "O Batalhão de
Carlos Magno". Pirenópolis manteve forte esta
tradição, uma porque os primeiros colonizadores desta
antiga cidade mineradora eram, em sua maioria,
portugueses oriundos do norte de Portugal, local onde
mais se resistiu à invasão moura, outra porque o
caráter centralizador da população dominante viu com
bons olhos o efeito separatista entre as classes sociais.
Porém o que mais motiva a população a manter viva a
infindável rixa entre mulçumanos e cristão é a beleza
do espetáculo e o prazer pela montaria."*