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adolfo velho de macedo |
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Por entre as ramadas surgia agora um casarão fascinante. Fomo-nos encaminhando para a porta e entrámos. Do lado direito havia uma sala enorme, na penumbra, com mobília encerada e uma máquina de escrever sobre uma longa mesa. Perdi-me na imensidão do silêncio, na penumbra... Um tic-tic mágico despertou-me! era o Emílio Bacharel a escrever à máquina,
tic-tic tic-tic, nem parecia que estava a tripar. O meu avô, encavalitado num armário
ao fundo da sala, comia bombons, todo lambusado. Dissipei-me na observação daquele quadro
vivo, emoldurado pela penumbra... Ao acordar, pensei em mandar outra trip, eu tinha muitas não sei porquê, e como ainda era noite, fui esperar pelo nascer do dia para a janela. Ainda estava tudo silencioso e escuro quando, dum lado, surgiu uma espécie de lua cheia, subindo devagarinho no céu até estacionar um pouco acima da linha do horizonte e desaparecer. Surgiram mais luas, de ambos os lados, sempre outra mal a anterior acabava de desaparecer, até surgir uma lua escura que subindo rapidamente no céu, estaca ao alto e aí se conserva - tinha nascido o dia. Saí de casa e, cá fora, caíam uns pingos de chuva, estava uma manhã cinzenta. Enquanto procurava um sítio abrigado ia encontrando, acho que eram trabalhadores, com sachola e saúde no olhar, e de cada vez que pensava ter encontrado um bom sítio, surgiam dois, sempre dois, a virar uma curva de estradão, até que me sentei num banco em frente a uma espécie de parque infantil cheio de putos. Os putos olharam para mim de olhos muito abertos e, abandonando os baloiços e o escorregão
num movimento imperceptível, aproximaram-se, com vagar, sempre a olhar para mim de olhos muito abertos,
e silenciosos, cautelosamente sentaram-se Entretanto, passaram umas camionetas de excursão, que apitaram e todas disseram adeus aos que iam lá dentro, adeus, até as camionetas desaparecerem. Depois, continuaram outra vez a tagarelar, menos a que se tinha sentado ao meu lado, que olhava em frente, sem falar. Acabei o pica, tirei uma caixinha do bolso, e da caixinha tirei um ácido, ela perguntou-me o que era aquilo, eu disse-lhe LSD, e meti-o à boca. braga, março de 1977 |
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