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ferreira cardoso |
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o leque |
De dedo em dedo o calor aperta o olho cabisbaixo
certo, cedo o dedo, de dedo em dedo atrás
levanto pelo canto o olho e olho
o olho que me olhava por detrás.
Empresto um leque, que nem é meu.
Abanamos a timidez do calor
para diante e para trás.
Sabes assobiar? se assobiasses
todo o calor desapareceria, juro
e de dedo em dedo tocaria no canto
do dedo pequeno da tua mão.
Depois, lânguida, a tarde de verão
deixaria que o afago regressasse ao leque
e abanaria, não sei até quando, mas o sopro acordaria...
*a.pedro correia: dá-me a tua lua peixe prata * *
fernando pereira: poema a um parafuso que perdi * ferreira cardoso
o leque * jorge caixote :2 sonetos
* josé luís peixoto: a olaia *
leila miccolis: poemas escolhidos de ciclos já escolhidos, II *
manuel portela: rimas fodidas * marta alexandra: oralidades
*pedro águas: presença azul; cerveja e spleen
sumário caderno 6 liberatura,
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