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marta alexandra |
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oralidades |
Tudo em meias palavras meios termos Todos em casa em família à lareira
A pedir desculpas a agradecer a sorrir introspectivos Estúpidos Dos planos sobra o meu futuro a minha vida
o meu telemóvel o meu carro a minha casa o meu emprego a minha carreira Eu minha meu meu meu meu meu meu
minha mulher minha Eu E morremos Morremos Cada vez mais velhos todos Os mais novos mais velhos mais e mais e mais
e mais velhos de dia para dia de noite para noite de hora para hora mais velhos e mais estúpidos e mais
velhos que os mais novos ainda que já estão a ficar velhos e morremos todos no ano 2000 e no 2050
e 2070 para os próximos morrerem no ano 2090 e por aí fora o meu a minha eu eu eu meu minha casa
cama quente tecto estúpidos de merda se pudesse matava-vos todos para poderem morrer já nasceram
todos velhos e estúpidos e ridículos e parvos e merdas e que em casa também se morre atropelados
e doentes que debaixo dos cobertores também podem morrer assassinados e eu meu minha minha meu meu eu olha
para a lua não parece uma cara duas manchas em cima uma mais ténue vertical e uma maior em baixo
é uma cara a da lua nunca tinhas reparado que se olhares bem também está consoante quiseres
e ou estiveres triste ela está contente ela está preocupado ela está e não usa base
a lua não usa base a filha da puta da lua é feia que se farta repara bem repara nas crostas olha
fixo fixa até desaparecer a luz em volta e aí está é feia só feia pensavas que
é asquerosa não era é asquerosa feia e feia como o mar que te mata porque dizes que é
romantico e giro e agradável não é não é burro o mar é burro sempre a
descer e a subir e aqueles que mata vai-lhes ao eu ou à cona nestas descidas e subidas olha agora está
a comer a tua filha e a tua querida apaixonada e o teu par e o teu irmão e a tua mãe mas não
chores porque a seguir à tua avó és tu a ser papada pelo mar que giro pá é mesmo
giro o mar que giro a maré está vaza está a comer alguém a foder alguém a ir
ao eu ou à cona a obrigar a minha amiga a fazer-lhe um broche como ela gostava tanto do mar ó mar
ó mar és fêmea ou macho ou mulher ou homem se só te atiras contra a areia e contra as
pedras como quem está a Ter um enorme prazer a foder a minha amiga Daniela que era tão linda e formosa
olha ó mar aproveita bem porque andavam todos atrás dela não conhecia ninguém que nao
quisesse Ter 20 minutos a sós com ela até eu que sou rapariga gostava de experimentar a sua nudez
mar como sou adolescente e estúpida estúpido como gosto daquele actor principal que até me
dá um arrepio na espinha ai como é bom é um pão um marmelo tenho todos os pósteres
deles todos bons numa grande orgia matinal comigo ao seu meio e as tuas ondas brancas do esperma a espumarem-se
pelo meu corpo e eu a brotar putos a torto e a direito de pernas abertas e tu a trazeres o sémen ao meu
útero logo directo potente imponente como sou estúpida como sou adolescente e burra mas o que eu
gosto mais é das flores os rapazes lá da turma até dizem que eu sou uma flor e tratam-me como
se fosse um vegetal que giro chamarem-me grelo e passam o tempo todo a cheirar-me como a um grelo como são
estúpidos também e burros e parvos somos todos assim que giro mas damo-nos muito bem procriamos e
criamos e dizemos baboseiras a vida toda mas é giro porque quando morremos que é uma coisa que está
sempre a acontecer vamos para o céu olhar a lua de mais perto dizem que escarra para a nossa cara eu gostava
de lamber esse seu escarro que giro que era mas aqui também é tudo muito giro claro que no céu
é mais dizem que tem um gajo muito bom e que tanto gosta de mulheres como de homens mas que não deixa
as criancinhas sós também as ama muito com os preliminares e o resto como sou parva dizem que esse
gajo é muito bom como eu gostava de lhe apalpar aquele cozinho firme sou mesmo burra e estúpida os
rapazes de lá da turma também gostavam de ir para o céu conhecer esse gajo de que tanto se
fala dizem que não há diferenças que somos todos iguais somos mesmo burros mas não
faz mal a professora até gosta ela diz que prefere os burros porque os inteligentes são mais difíceis
de aturar fazem perguntas de mais e nunca estão contentes o que vale é que esses são difíceis
de encontrar diz a profe quem os tiver que os ature diz ela muito satisfeita e aliviada o que eu gosto nos profes
é que eles não são complicados estão sempre à nossa altura como é bom
eu também gostava de leccionar gente burra como eu estou tão excitada disse uma palavra diferente
leccionar que giro o que vale é que todos o podemos fazer basta tirar o curso superior que são umas
quecas uns broches / minetes e umas bebedeiras depois de 3 ou 4 ou 5 anos já me posso abrir aos problemas
dos melhores alunos os mais bons claro e os rapazes lá da turma às gajas claro o que eu mais temo
é encontrar algum inteligente como aluno mas contento-me com a ideia de ser quase impossível portanto
a vida é só rosas estúpidas não digo uma para a caixa sinto o corpo em baixa não
o corpo está bom a cabeça é que não encaixa porque este corpo sempre foi bom estas
maminhas sempre rijas sempre prontas mulheres da vida a vida está cara os preços estão mesmo
grandes que giro como eu gosto de coisas grandes e sempre a aumentarem com tanta beleza que até apetece
cantar num daqueles microfones potentes burras e burros que somos mas é giro a vida está cheia de
surpresas nunca se sabe o que nos espera se vibradores se filmes pornográficos os rapazes lá da turma
juntam-se todos em sessões de vídeo e ganham tiques com as mãos que bom que é Ter amigos
claro que alguns se enganam nos lugares das mãos mas é humano errar é humano e os humanos
erram e fazem festas enormes como é bom ser humano e Ter festas a torto e a direito fazemos festas aos sábados
aos domingos e aos feriados e nos dias de festa também nos juntamos todos quando alguém faz mais
um ano que é burro temos bolos e estragamos sempre um na cara do aniversariante que fica sempre com a cara
toda branca eu também gosto de fazer anos para ficar com a cara toda branda e melada claro que já
sei que isto acontece sempre mas eu finjo que não sei e rimo-nos todos juntos em grupo fazemos tudo em grupo
sem olhar às posições de cada um quer sejam sociais quer sejam outras posições
nós gostamos de todas elas e não descriminamos ninguém mas também gosto de outras coisas
eu sou muito versátil e burra
*a.pedro correia: dá-me a tua lua peixe prata * *
fernando pereira: poema a um parafuso que perdi * ferreira cardoso
o leque * jorge caixote :2 sonetos
* josé luís peixoto: a olaia *
leila miccolis: poemas escolhidos de ciclos já escolhidos, II *
manuel portela: rimas fodidas * marta alexandra: oralidades
*pedro águas: presença azul; cerveja e spleen
sumário caderno 6 liberatura,
capa