|
pedro águas |
| Neste orificio onde arde tinta - falo da boca mora a presença azul de uma cor com sonhos dentro. Essa cor é o mistério amaldiçoado pelos ventos da miséria repetindo a folhagem também azul dessa história histérica por onde bebem as memórias. Lê-me. És essa parte de mim colhendo outros lugares outros odores ocultados pelo silêncio. Um silêncio igual a este onde a tua boca é como esta um curto receptáculo de beijos parindo aproximação. Escuta-me as palavras e o seu azul gemido. O céu é tantas vezes um animal revolto que o seu sangue atravessa o encantado voo dos homens e das mulheres das crianças e dos poetas: com o sabor oculto das asas se mostra que quando a fúria dos sonhos traz ao colo do planeta a razão alucinada dos homens a razão maldita das mulheres e a razão sempre infinitada das crianças o voo é pleno, o poema existe Com todos os ferros pelos quais morres de tédio milenar, estorvo escarlate da alma sempre a barrar o caminho do sangue... A avestruz do verbo vagueando como quem sem barbatanas pelo profundo rio da imensidão cósmica nada muito e as horas passam-te e gritam-te e por todos esses buracos-anos entornas-te deixando porventura na solidez branca uma alma celulósica onde a luz é arco. Todas as construções ardem ao sabor da voz ácida e azul azul de fogo das marcas ténues que te ficam no corpo sairão lagartixas em pleno Verão num mês em que os sonhos ávidos adormecem na ternura do corpo. Olho sátiro. Olho em gestação na iluminada terra toda que se alojou nas profundezas obscuras da tua boca. Arde e pára ouvindo-me: flaps e flaps entre os arbustos vendendo cólera e corolas. |
||
A constelação ascendente silenciando desde o copo de cerveja a TV ao fundo ou de como os teus cabelos dão vontade de acariciar. É o inicio da tarde no alentejo onde bebo, só bebo no alentejo, único lugar do tédio. A réstia lírica dos meus versos o pequeno espaço onde a tinta se dilui o pequeno espaço que retenho das imensidões. Não percebo, não consigo perceber porque vivem tão sós as pessoas nestas paragens, tantas andanças por cumprir, tantos caminhos vazios. Os teus cabelos partem contigo e eu fico para mais uma cerveja, o copo vazio cumprido como missão única e possível. Se há mistérios ou não são dados a estes olhos ou são só a falta de magia, o spleen o imenso spleen do Alentejo. Neste orificioonde arde tinta - falo da boca mora a presença azul de uma cor com sonhos dentro. Essa cor é o mistério amaldiçoado pelos ventos da miséria repetindo a folhagem também azul dessa história histérica por onde bebem as memórias. Lê-me. És essa parte de mim colhendo outros lugares outros odores ocultados pelo silêncio. Um silêncio igual a este onde a tua boca é como esta um curto receptáculo de beijos parindo aproximação. Escuta-me as palavras e o seu azul gemido. O céu é tantas vezes um animal revolto que o seu sangue atravessa o encantado voo dos homens e das mulheres das crianças e dos poetas: com o sabor oculto das asas se mostra que quando a fúria dos sonhos traz ao colo do planeta a razão alucinada dos homens a razão maldita das mulheres e a razão sempre infinitada das crianças o voo é pleno, o poema existe Com todos os ferros pelos quais morres de tédio milenar, estorvo escarlate da alma sempre a barrar o caminho do sangue... A avestruz do verbo vagueando como quem sem barbatanas pelo profundo rio da imensidão cósmica nada muito e as horas passam-te e gritam-te e por todos esses buracos-anos entornas-te deixando porventura na solidez branca uma alma celulósica onde a luz é arco. Todas as construções ardem ao sabor da voz ácida e azul azul de fogo das marcas ténues que te ficam no corpo sairão lagartixas em pleno Verão num mês em que os sonhos ávidos adormecem na ternura do corpo. Olho sátiro. Olho em gestação na iluminada terra toda que se alojou nas profundezas obscuras da tua boca. Arde e pára ouvindo-me: flaps e flaps entre os arbustos vendendo cólera e corolas. |
cerveja e spleen | |
|
|