Estamos próximos do Armagedom?
“Então haverá grande tribulação, tal como nunca ocorreu
desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo.”
— Mat. 24:21.
A PALAVRA “Armagedom”
tem um tom sinistro aos ouvidos de muita gente. Alguns entendem que se refere
ao “fim do mundo”, quando toda a vida humana será destruída e a terra tornada
inabitável, talvez por meio duma guerra nuclear entre nações. É verdade que a palavra
“Armagedom” indica um acontecimento cataclísmico, uma
guerra. Mas a Bíblia diz que se trata da “guerra do grande dia de Deus, o
Todo-poderoso”, que é travada num lugar chamado “Har–Magedon”.
— Rev. 16:14, 16.
Será
que a guerra do Armagedom, de Deus, significa o fim
de toda a humanidade ou o fim deste planeta? Não, de modo algum. A própria
Palavra de Deus nos assegura: “Assim disse Jeová, o Criador dos céus, Ele, o
verdadeiro Deus, o Formador da terra e Aquele que a fez, Aquele que a
estabeleceu firmemente, que não a criou simplesmente para nada, que a formou
mesmo para ser habitada.” — Isa 45:18.
Embora o Armagedom
não signifique o fim de toda a humanidade, nem o da terra, certamente
significará o fim dum sistema de coisas (ou “mundo”) como nós o conhecemos. O Armagedom será o modo de Deus eliminar totalmente da
existência os atuais deteriorantes sistemas políticos, econômicos, sociais e
religiosos, que causaram tanto pesar. “A minha decisão judicial”, diz Jeová, “é
ajuntar nações, para que eu reúna reinos, a fim de derramar sobre elas a minha
verberação, toda a minha ira ardente”. (Sof. 3:8)
Assim, a guerra do Armagedom, de Deus, significará a
execução de seu julgamento adverso contra “reis”, “nações” e “reinos”. A Bíblia
diz que outros, que hão de sofrer seu julgamento adverso, são os apoiadores do
atual sistema iníquo de coisas, os “comandantes militares”, “homens fortes”,
“homens livres”, “escravos”, ‘pequenos e grandes’. — Rev. 16:14; 19:18.
O
fim do atual sistema preparará o caminho para uma ordem inteiramente nova da
criação de Deus, uma sociedade humana em que se fará a
vontade de Deus “como no céu, assim também na terra”. (Mat. 6:10) Nesta nova
ordem, após o Armagedom, segundo a profecia bíblica,
“há de morar a justiça”. (2 Ped. 3:13) Quão
revigoraste e emocionante isso será depois de tantos séculos de injustiça,
sofrimento, mágoa e lágrimas! Fazendo-se a vontade de
Deus em toda a terra e estabelecendo-se condições justas, começará um tempo de
felicidade sem precedentes. A Bíblia prediz: “Os próprios mansos possuirão a
terra e deveras se deleitarão na abundância de paz.” (Sal. 37:11) Não é
de admirar que Jesus chamasse isso de “Paraíso”. — Luc.
23:43.
A VINDOURA
“GRANDE TRIBULAÇÃO”
A
guerra do Armagedom, de Deus, será a parte final dum
período de tempo chamado de “grande tribulação”. Jesus falou sobre isso do
seguinte modo: “Então haverá grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o
princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo.” (Mat. 24:21)
Quando se toma em consideração as catástrofes que
ocorreram no passado, é evidente que a vindoura “grande tribulação” será um
tempo de transtorno sem igual em toda a história da família humana.
Misericordiosamente, porém, será um tempo muito breve, que Deus ‘abreviará’.
— Mat. 24:22.
Todavia, embora a “grande tribulação” seja o
pior dos tempos, ficamos consolados pelo fato de que precede imediatamente ao
melhor dos tempos — na nova ordem de Deus. Também, há a perspectiva muito
feliz de que muitos dos que agora vivem sobreviverão a este
vindouro tempo de tribulação! A Palavra de Deus promete que “uma grande
multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos,
e línguas”, sairá “da grande tribulação” como sobreviventes. Mesmo desde já
Deus tem enxugado todas as lágrimas dos olhos deles. (Rev.
7:9, 14, 17) Por este motivo, Jesus era muito otimista quanto ao
futuro, embora soubesse que a humanidade ainda enfrentaria a “grande
tribulação”. Suas palavras esperançosas eram: “Quando estas coisas principiarem
a ocorrer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso
livramento está-se aproximando.” — Luc 21:28.
Somente as Testemunhas de Jeová, durante
muitas décadas, têm estado muito ativas no cenário internacional em dar o aviso
sobre este vindouro tempo de tribulação que culminará no Armagedom.
(Mar. 13:10) Às vezes, porém, outros sentem que se aproxima algo cataclísmico,
porque observam a piora das condições mundiais, sem qualquer esperança de
melhora genuína e duradoura. Por exemplo, em 4 de maio de 1980, o editor Jim Hampton, do jornal Herald,
de Miami, E.U.A., escreveu:
“Sente às vezes, aumentando fundo nas suas entranhas, a
mesma espécie de nó que sinto nas minhas? Aquele horrível nó, que deixa a gente
acordada toda a noite, indicando que algo está horrivelmente
errado com o seu país, com o mundo inteiro? Aquele nó que faz você às vezes
tiritar, porque lhe ocorreu que esse Armagedom não é
apenas alguma alegoria sobre a qual leu na Bíblia, mas é real? E que, pela
primeira vez na sua vida, o fósforo chegou tão perto do estopim, que o Armagedom é realmente possível?
“Eu sinto esse nó. E não me envergonho de
admiti-lo, porque perguntei a uma dúzia de meus amigos se eles o sentem também,
e não há nenhum deles que não o sinta. . . .
“Qualquer pessoa com um pouco de lógica
pode reunir os eventos cataclísmicos dos últimos poucos anos e ver que o mundo
está num limiar histórico. É um limiar tão importante como a Renascença, a
Revolução Industrial ou a Era Eletrônica. Transformará para sempre o modo de
vida dos homens.
“Mas, dessemelhante daqueles limiares, que eram
essencialmente benéficos para o progresso da civilização, este . . .
contém o potencial de malevolência tal como o mundo nunca viu.”
Embora este editor não encarasse o Armagedom inteiramente no contexto bíblico, estava certo em
dizer que a humanidade se aproxima dum tempo de tribulação “tal como o mundo
nunca viu”. Aquilo de que a humanidade realmente se aproxima é a “grande
tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem
tampouco ocorrerá de novo”, conforme Jesus predisse.
Portanto, se amarmos a vida e quisermos viver
numa nova ordem justa criada por Deus, teremos grande necessidade de aprender
sobre esta vindoura “grande tribulação” e seu clímax no Armagedom.
Precisamos de respostas peremptórias a perguntas tais como estas: Como sabemos
que realmente estamos próximos da “grande tribulação”? Que acontecimento será o
sinal seguro de que ela começou mesmo?
COMO SABEMOS QUE
ESTAMOS PRÓXIMOS
Quando Jesus falou sobre a vindoura “grande
tribulação”, ele predisse também parte da evidência que indicaria sua
proximidade. Em certa ocasião, seus discípulos perguntaram-lhe qual seria o
“sinal” da “terminação do sistema de coisas”. (Mat. 24:3) Jesus falou sobre
determinada geração de pessoas que começaria a sentir problemas em escala nunca
antes vista. Predisse para esta geração guerra internacional, doenças
epidêmicas, escassez de víveres e terremotos “num lugar após outro”. Chamou
isso de “princípio das dores de aflição”. As dificuldades seriam tão intensas,
que haveria grande “angústia de nações, não sabendo o que fazer”, muitos
ficando “desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a
terra habitada”. — Mat. 24:7, 8, 34; Luc
21:10, 11, 25, 26.
Cerca de 32 anos mais tarde, o apóstolo Paulo,
sob a inspiração do espírito santo de Deus, escreveu profeticamente sobre a
“terminação do sistema de coisas”, dizendo: “Nos últimos dias
haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si
mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores,
desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos
a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade,
traidores, teimosos, enfunados de orgulho.” A profecia diz também que “os
homens iníquos e os impostores passarão de mal a pior”, mostrando que, após o
início dos “últimos dias”, haveria uma continua degeneração dos assuntos
humanos, culminando no irrompimento da “grande
tribulação” — 2 Tim. 3:1-5, 13.
Sem
dúvida, o período de tempo indicado por Jesus e por escritores inspirados da
Bíblia é aquele em que vivemos agora! De fato, tem estado em progresso desde a
“reviravolta” na história moderna, o ano de 1914, que presenciou o irrompimento da Primeira Guerra Mundial. Muitos
historiadores salientam corretamente que aquele ano foi o de virada para a
humanidade, porque foi então que o mundo entrou num período de dificuldades
como nunca teve antes em tal escala global. A Primeira Guerra Mundial era evidência
disso, porque foi muitíssimo pior do que qualquer outra guerra que a precedeu,
motivo pelo qual, naquele tempo, foi chamada de “Grande Guerra”. Foi a primeira
guerra global ou mundial. Foi uma guerra total e afetou quase cada país da
terra.
Sobre a Primeira Guerra Mundial, Martin Kieffer escreve no prefácio do livro The First World War (A Primeira Guerra Mundial), originalmente
publicado na França pelo General Richard Thoumin sob
o título “La Grande Guerre”
(A Grande Guerra): “O sangue e as lágrimas da Primeira Guerra Mundial mudaram a
face da terra.” O general escreveu também:
“Em novembro de 1918, quando as armas, por
fim, foram depostas, dez milhões de homens haviam perdido a vida, e duas vezes
mais haviam sido feridos ou aleijados. Não é de admirar que o conflito fosse
chamado de ‘Grande Guerra’ . . .
“A singular ‘grandeza’ da Primeira Guerra Mundial
. . . foi em alcance e em números, em produção industrial e em
destruição material. . . . Nunca antes se confrontaram tantos
países e exércitos tão grandes em batalhas tão gigantescas; nunca foram mortas
ou aleijadas proporções tão elevadas de combatentes; nunca fora o homem à guerra
com armas tão poderosas.”
Em
1918, antes de a guerra terminar, a epidemia da gripe espanhola começou a
assolar a terra. Ela matou mais de 20 milhões de pessoas, mais do que o número
dos que haviam sido mortos na guerra. Durante e após a guerra, outros milhões
morreram de fome. Também os terremotos fizeram muitas vítimas: em 1915, quase
30.000 foram mortos na Itália; em 1920, cerca de 180.000 morreram na China; em
1923, uns 143.000 pereceram no Japão. Foi com boa razão que o repórter Frank Peters escreveu no jornal Post-Dispatch,
de St. Louis, E. U. A.: “A civilização
entrou numa doença cruel e talvez terminal em 1914.” Sim, havia guerra mundial,
doenças epidêmicas, escassez de víveres e terremotos “num lugar após outro”.
Estas coisas, certamente, eram “um princípio das dores de aflição” preditas por
Jesus. Os “últimos dias”, o “tempo do fim”, havia realmente começado!
— Mat. 24:8; 2 Tim 3:1; Dan. 12:4.
MAIS EVIDÊNCIA
Agora, em 1981, já se passaram quase 67 anos
desde a data crucial de 1914. Durante este tempo, também houve a Segunda Guerra Mundial, que matou cerca de 55 milhões de
pessoas e terminou com a destruição atômica de duas cidades, introduzindo a era
nuclear. Desde então, as condições mostram que a humanidade não é capaz de
resolver os seus problemas, e todas as partes deste sistema de coisas estão
sofrendo decadência. Tudo isso nos diz que já estamos bem avançados nos
“últimos dias” e que os acontecimentos avançam rapidamente em direção à “grande
tribulação”.
Por
exemplo, no fim de 1979, o economista Leonard Silk
escreveu: “Nesta época de feriados, a mercadoria mais escassa talvez não seja o
petróleo, mas a esperança. Pois, com a turbulenta década dos anos 1970 nos seus
últimos dias, os perigos que confrontam a economia mundial — e a paz
mundial — se intensificam.” O colunista Max Lerner
disse no começo do ano passado, 1980: “O mundo parece ter atingido um estágio
em que a inflação, as greves, a bancarrota, o fanatismo e o terrorismo chegam
perto de garantir que nada funcione e que ninguém exerça controle. Será que
alguém, em alguma parte, consegue governar?”
Quando se perguntou aos prefeitos de cidades
grandes dos Estados Unidos sobre por que tantos destes centros urbanos estavam
em condições tão deploráveis, um deles respondeu: “Os problemas são quase que
insuperáveis. Quem não se sente frustrado não está pensando.” Perguntou-se a
outro prefeito, se as cidades eram agora “ingovernáveis”, e ele comentou que os
fatos “levariam a pessoa pelo menos a pensar neste sentido”. De maneira
similar, Gus Tyler, autor
do livro Scarcity (Escassez), disse: “Assaltos
violentos, roubos, assassinato de policiais, o tráfico de drogas têm levado
muitas cidades à semi-anarquia.”
O
ex-chanceler da República Federal da Alemanha, Willy Brandt, chefiou um grupo que investigou as condições
mundiais durante dois anos e meio. Recentemente, sua conclusão foi esta:
“No começo da década dos anos 1980, a comunidade mundial
confronta-se com perigos muito maiores do que em qualquer tempo desde a Segunda
Guerra Mundial. É evidente que a economia mundial opera agora de maneira tão
ruim, que prejudica tanto os interesses a curto como a longo
prazo, de todas as nações. . . .
“Os problemas da pobreza e da fome estão
ficando mais sérios; já há 800 milhões de totalmente pobres, e seu número está
aumentando; a escassez de cereais e de outros gêneros alimentícios está
aumentando a perspectiva da fome e da inanição. . . .
“Entre 20 a 25 milhões de crianças com
menos de cinco anos morrem cada ano em países em desenvolvimento
. . .
“Diversos países pobres estão ameaçados pela destruição
irreversível de seus sistemas ecológicos, ao passo que muitos outros se
confrontam com déficit de alimentos e a possível fome em massa. Na economia
internacional existe a possibilidade de . . . um colapso do crédito,
com a insolvência dos principais devedores ou a falência de bancos
. . . [e] uma luta intensificada pela influência ou pelo controle
sobre os recursos que leva a conflitos militares.”
Acrescente a isso a bem-documentada
desintegração da vida familiar e do matrimônio, nos últimos anos, o
vasto aumento dos crimes e da violência de toda espécie, o enorme aumento do
vício das drogas e do alcoolismo, e o surto da delinqüência juvenil. Não é
evidente que a própria fibra da sociedade humana está em colapso, conforme
Jesus disse que se daria pouco antes da “grande tribulação”? (Mat. 24:12) Além
disso, considere o seguinte desenvolvimento, conforme observado pelo periódico World Press Review:
“O mundo dos anos oitenta é de muitas maneiras amedrontador, não só por causa
da pobreza e da injustiça que tantos sofrem . . . mas por causa do
mecanismo de destruição global com que os homens brincam.” Classificou este
mecanismo de destruição como “aterrorizante”, e não é de admirar, porque o
periódico New Scientist, da Grã
Bretanha, noticiou: “Há cerca de 60.000 ogivas nucleares nos arsenais de hoje,
com uma potência explosiva igual a mais de 16 bilhões de toneladas de TNT
(iguais a 1.250.000 bombas de Hiroxima).” Algumas destas armas são tão
mortíferas, que uma só bomba pode eliminar um país pequeno ou todo um setor dum
país grande. Sim, pela primeira vez na história, o homem é capaz de aniquilar a
maior parte da vida na terra.
Devemos pensar, porém, que os líderes
mundiais, de algum modo, por talvez serem sinceros, inteligentes, bem
informados e poderosos, solucionarão esses problemas? Note o que disse o
ex-Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Michael Blumenthal:
“Ninguém entende plenamente a atual situação. Isto inclui todas as autoridades
governamentais que preparam a orientação a seguir. Sentem-se tão intrigados
como você se sente quando abre o jornal, de manhã. O fato é que ninguém
. . . realmente pôde predizer com algum grau de precisão os problemas
em que nos metemos.” Mas a Bíblia os predisse, e acrescentou o seguinte
conselho sábio: “Não confieis nos nobres, nem no filho do homem terreno, a quem
não pertence a salvação.” Antes, “feliz aquele
. . . cuja esperança é em Jeová, seu Deus, . . .
Aquele que mantém a veracidade por tempo indefinido.” — Sal. 146:3-6.
Certamente, existem agora todas as condições
preditas pela profecia bíblica. Já avançamos realmente muito nos “últimos
dias” deste sistema de coisas e nos aproximamos de sua parte final, a “grande
tribulação”, com seu fim no Armagedom. E o que assinalará
o irrompimento desta “grande tribulação”? Um acontecimento
que já está bem avançado no seu desenvolvimento. Qual é este acontecimento?
O estudo disso segue no próximo artigo.
REFERÊNCIAS
WATCH TOWER
BIBLE AND TRACT SOCIETY OF