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Abertura comercial
Luciano J. Q. TEIXEIRA Publicado em19/06/2004
Nunca se discutiu tanto o comercio exterior no Brasil como agora. Este ano as nossas exportações devem atingir a cifra de 83 bilhões de dólares, ou seja, 10 bilhões a mais que o ano passado. A previsão é de que até 2006 o Brasil passe a exportar 100 bilhões de dólares / ano. O saldo da balança comercial ate o mês de junho é de 12,5 bilhões de dólares. Confirmado as projeções do IPEA, as exportações brasileiras em 2004 devem auferi um saldo positivo de cerca de 27,1 bilhões de dólares. O setor do Agro-negócio tem sido o grande orgulho brasileiro, crescendo ano após ano. O Brasil exporta outros produtos de maior valor agregado, como máquinas, equipamentos, aviões, tecidos, calçados etc. As negociações entre os diferentes parceiros são acompanhadas com entusiasmos pela grande maioria. É bem verdade que estamos colecionando uma série de bons resultados, e algumas aprendizagens. Recentemente aprendemos que negociar com os Chineses não é tão simples como parecia, haja vista o grande número de devolução de soja brasileira. Outro ponto em pauta e de difícil solução é a questão dos subsídios agrícolas oferecidos pelos países desenvolvidos a seus agricultores. A questão do protecionismo destes países colocada em prática por meio das barreiras à importação de certos produtos é hoje o maior impasse nas negociações comerciais entre os países ricos e os demais. Estas barreiras expressas em taxas, cotas, leis e subsídios diretos fazem com que nossos produtos se tornem menos competitivo. Contudo, se considerarmos um resultado extremamente positivo, ou seja, imagine que os países desenvolvidos resolvam desfazer-se de todas as barreiras inerentes a importação de produtos agrícolas, isto significaria melhoria das condições de vida das populações em desenvolvimentos? Depende, digo isto porque normalmente os setores de exportação são grandes concentradores de renda, e o maior desafio dos paises emergentes é justamente: distribuir renda. A curto prazo o valor destes produtos sofreria um reajuste de preços elevando a inflação interna. Este é alias, o principal argumento daqueles que defendem as políticas protecionistas. Este parece ser um dilema de difícil solução, contudo há nele uma saída muito interessante. Temos que pleitear que a abertura comercial seja feita com tarifa zero para aqueles produtos que sejam: econômica, social e ambientalmente corretos. Desta forma nocauteamos os argumentos a favor do protecionismo, permitimos que os ganhos advindos da exportação sejam distribuídos, uma vez que exigiremos ética em toda a cadeia. Ou seja, que todos os agentes dela, tais como trabalhadores, fornecedores etc., sejam bem remunerados. A forma de se garantir a transparência em toda a cadeia é exigir que os produtos sejam certificados por órgãos idôneos e que possuam um bom sistema de rastreabilidade. Abrir o mercado sem apresentar formas de se distribuir a renda advinda da atividade de exportação, não trará benefícios concretos ao nosso país, pelo contrário contribuirá para o aumento dos preços internos dos produtos e aumento da concentração de renda.
Fonte: Jornal “on line”:APEB-França N° 0604 junho de 2004 http://www.apebfr.org/jornal/#artigo5
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Política e cidadania
Luciano J. Q. TEIXEIRA
Todos nós temos ou tivemos, em pelo menos um momento de nossa vida, um sonho comum. O sonho de transformar o nosso país em um lugar melhor, mais justo e mais próspero. Penso que todos gostariam de deixar um mundo melhor do aquele que encontrou. Então surge uma pergunta: como contribuir para que o mundo seja um lugar melhor para se viver ? Antes de tentar alçar uma resposta a esta pergunta, vamos tentar imaginar qual é a diferença entre os países ricos e pobres ? Poderíamos pensar que é a idade de cada nação, mas esse argumento é facilmente desfeito quando lembramos que há países antigos como a Índia e o Egito que são muito antigos e são subdesenvolvidos e há outros países como o Canadá e a Austrália que são novos e são desenvolvidos. Poderíamos pensar que os recursos naturais seriam decisivos, mas de fato não os são. Como exemplo, podemos citar países como a Suíça e o Japão que contam com poucos recursos naturais e estão entre os mais ricos do mundo. Vários pensadores têm dito que a principal diferença entre os países desenvolvidos e os demais, é que nos países do primeiro mundo o senso de cidadania é muito forte, a população é participativa. Ela critica, apóia, protesta, propõe e fiscaliza as ações desenvolvidas pelos setores públicos e privados. Esta linha de pensamento pode ser uma primeira resposta ao nosso problema. Parece-nos que o primeiro passo para transformar o mundo é transformar a nós mesmos, é fortalecer em nós, os princípios básicos da cidadania. Afinal nós fazemos parte do mundo. Contudo querer mudar o mundo sozinho, não é apenas inútil como também uma tarefa frustrante. Felizmente há muitas pessoas com os mesmos anseios que os nossos. Assim, saímos do conceito de auto-ajuda para o de mútua ajuda. Com sorte, hoje não mais corremos o risco de ser presos e torturados quando queremos protestar, criticar e propor ações ao poder público. Se por um lado nos livramos, a custo de muito suor e sangue dos grilhões da opressão militar, por outro lado a sociedade moderna criou seus próprios grilhões. A correria do dia a dia, o desejo incessante e exarcebante pelo consumismo, um sistema de educação e televisivo que aviltou-nos a capacidade de pensar e se organizar são alguns dos grilhões da sociedade moderna. Mas nem tudo esta perdido. O Brasil está entre os países subdesenvolvidos que mais divulga informações do poder público na internet. Através da internet podemos acessar o site da Câmera dos Deputados Federal, do Senado Federal e de várias Assembléias Legislativas Estaduais. Estes sites além de disponibilizar informações de interesse público, mantêm espaços de diálogo entre os parlamentares e a sociedade. Por mais que ansiamos por políticos, honestos e competentes o avanço da democracia e da sociedade somente será pleno quando houver pressão, quando houver organização da sociedade civil. Nesse sentido há diversas ONG cujos objetivos são o de fazer valer os anseios do cidadão. Entre as ONG que têm este pleito pode-se citar: a Transparência Brasil, a Voz do Cidadão, Politicus etc. A Transparência Brasil se concentra no combate a corrupção, e tanto a voz do cidadão como a politicus trabalham para fazer valer a vontade dos cidadãos junto ao poder público. Por meio da internet, podemos acessar todo o material que estas e outras ONGs disponibilizam, podemos ler as notícias nas páginas da câmera e do senado federal, ainda nas páginas dessas OGNs podemos dar nossa opinião assinar manifestos etc. Se quisermos deixar um mundo melhor do que aquele que encontramos, temos de participar. Apenas nos queixar não via mudar nada. E lembre-se a primeira mudança, e talvez a mais difícil, é a auto mudança, é nos tornarmos cidadãos dignos de um país melhor.
Páginas recomendadas:
Fonte: Jornal “on line”:APEB-França N° 0603 maio de 2004 http://www.apebfr.org/jornal/jornal0405.php#artigo3 |