A determinação do conceito de documento depende do tipo de estudo a ser enfocado, que pode envolver as mais diversas áreas do conhecimento humano, como por exemplo o Direito, as Artes Plásticas, a Medicina, a História, a Criminalística e tantas outras.
Para o nosso estudo em particular interessa tão somente o enfoque técnico, sem embargo da importância do aspecto jurídico nos casos de perícias judiciais.
Sob a ótica jurídica, em linhas gerais, o documento é a coisa representativa de um fato ou idéia, que pode ser utilizada em Juízo como meio de prova.
A conceituação jurídica abrange todos os tipos de documentos, como por exemplo os desenhos artísticos, as pinturas, as esculturas, os discos, as fitas magnéticas, os disquetes e tantas outras coisas representativas de fatos ou idéias, que nem sempre são objeto de estudo da Grafoscopia, mas de outras disciplinas.
Considerando que o objetivo da Grafoscopia é unicamente o documento gráfico, entendemos que a conceituação técnica de documento deve enfocar exclusivamente os seus elementos materiais, sem entrar no mérito do seu conteúdo. Dessa forma, o conceito de documento, sob o âmbito grafoscópico, pode ser o seguinte:
Documento - é o suporte que contém um registro gráfico.
A presente conceituação será melhor entendida ao estudarmos detidamente os elementos técnicos constitutivos de um documento, que são os suportes e os registros gráficos. Até mesmo uma simples folha de papel com sulcagens decorrentes de escrita a ponta seca pode conter registros passíveis de serem examinados.
A conceituação foi desenvolvida considerando o seguinte: - suporte: no sentido de coisa; - registro: no sentido de imagens fixass; - gráficos: no sentido de idéia ou fatoo escrito.
O suporte para os registros gráficos sofreu, através dos séculos, uma grande evolução. Partindo da pedra, passou para o mármore, a argila, o papiro, o pergaminho, o couro e, finalmente o papel propriamente dito.
O papiro, usado pelos egípcios desde o ano 2.400 antes de Cristo, era feito de uma camada de uma planta aquática abundante no rio Nilo, cyperus papyrus.
A técnica usada era muito simples: a medula do talo da planta era cortada em tiras longas e finas. A seguir eram feitas camadas, em número adequado à espessura que se pretendia dar à folha. O conjunto era fortemente batido com martelos de madeira. Com isso, o suco que impregnava as tiras era libertado e, ao mesmo tempo, servia para colá-las entre si, compactando as camadas. Seca, a folha estava pronta para ser usada.
Os papiros são muito duráveis, pois já foram encontrados exemplares de até 3.000 anos antes de nossa era.
Quando surgiu a escrita no Egito, os papiros sofreram melhor preparo, com a utilização de Óleo de cedro, sendo posteriormente, polidos, para ficar perfeitamente liso e permitir a escrituração.
O papiro foi usado para a escrituração na Itália, até o século XI. O material era importado.
No Egito o papiro floresceu e foi usado como papel por três mil e quinhentos anos. Na Etiópia, ainda nos nossos dias, são fabricados barcos de papiro, o que constitui um atrativo turístico. A partir do século XI o papiro foi substituído pelo pergaminho.
Segundo Úrsula E. Katzenstein no livro A origem do livro, é de se admitir que ele tenha se originado na cidade de Pérgamo, na Ásia Menor, no século II a C., daí a sua denominação.
O pergaminho é feito de pele de animal. Existe muita confusão a respeito, pois muitos historiadores confundem o pergaminho com o couro. Mas existe uma diferença fundamental.
A pele é composta de três camadas superpostas: - epiderme; - derme; - hipoderme.
O pergaminho é feito da camada intermediária da pele, isto é, da derme.
A pele do animal é limpa e seca. Depois vem o curtimento.
Na feitura do pergaminho as peles são secas e esticadas. Outra diferença entre o pergaminho as peles são secas e esticadas.
Outra diferença entre o pergaminho e o couro consiste no esticamento da pele, o que não ocorre com aquele.
Breve resumo
Antes da invenção do papel o homem esculpia suas mensagens na pedra ou na argila.
No ano 2.400 antes de Cristo os egípcios se valiam do papiro, feito da planta aquática de igual nome muito abundante no rio Nilo.
Outro suporte muito usado era o pergaminho, feito da derme da pele de animais, com preferência da cabra.
A China, segundo a maioria dos estudiosos, foi o berço do papel. No ano 105 da nossa era Ts´Ai Lun, oficial da guarda imperial, foi o seu inventor. Esta era a sua técnica:
- Colocava num tonel cheio de água folhhas e cascas de amoreira, pedaços de bambu, rami, trapos velhos, e os deixava em maceração;
- Depois de certo tempo adicionava cal para o desfibramento de todo o material. Formava-se, então, uma verdadeira pasta;
- Submergia na massa um quadrado de maddeira, chamado forma, revestido por um tecido de malhas finas(seda) que ficava coberto com a massa;
- Retirava o quadrado com a massa e deiixava escorrer a água. Retirava a polpa e a estendia sobre uma mesa; - Essa operação era repetida várias vezzes. Assim eram feitas várias camadas, formando uma folha de papel;
- A folha de papel era posta ao sol parra secar.
A grande aceitação desse suporte criou uma verdadeira indústria e, com isso, surgia uma nova profissão, a do papeleiro.
Os chineses entraram em guerra com os árabes no século VIII, ano 751, sendo derrotados por estes.
Entre os prisioneiros feitos pelos árabes, na vida civil, muitos eram papeleiros e ensinaram os árabes a fazer o papel.
As caravanas dos árabes levaram o papel para o Egito, a Síria e para o norte da África.
No século VII, os árabes invadiram a Península Ibérica, dominando a Espanha e Portugal. Introduziram lá a indústria do papel. Partindo da península Ibérica, o papel espalhou-se pelo resto da Europa.
Com a invenção da imprensa por Gutenberg por volta de 1440, o papel passou a Ter lugar de destaque em todos os meios sociais, impondo-se como um produto indispensável para a cultura dos povos.
Na América, os maias e os astecas foram os primeiros povos a usar o papel para fins culturais. Faziam papel das plantas tropicais da família Moraceae.
No Brasil, a primeira fábrica foi instalada na Bahia, em 1843. Não suportou a concorrência do papel estrangeiro e logo foi à falência.
Nova tentativa foi feita em 1851, com a Companhia Fluminense, no Rio de Janeiro, que durou apenas dez anos. Usava trapo como matéria prima.
Na mesma época, também no Rio de Janeiro, foi instalada uma fábrica de celulose, depois transferida para São Paulo - a Companhia Melhoramentos de São Paulo S.A A partir de 1920 a indústria brasileira de papel explodiu e se encontra hoje entre as melhores do mundo.
O Brasil foi o primeiro país a usar a celulose retirada dos eucaliptus. A Companhia Paulista de Estradas de Ferro, na gestão do Dr. Edmundo Navarro de Andrade, mandou para os Estados Unidos - Forest products laboratory, Madiison, Wiscosin - amostras de vários tipos de eucaliptus, a fim de verificar a possibilidade de se obter celulose. Feitos os estudos, foram apontadas duas qualidades de eucaliptus como fonte de celulose de boa qualidade. Baseada nesse resultado, surgiu a firma Gordinho Braune & Cia., em Jundiaí, São Paulo, em 1927, que passou a fabricar papéis de vários tipos, com celulose de eucaliptus. A partir dessa data, a indústria de papel e celulose se espalhou por todo o país, não mais se importando papel, a não ser para a imprensa.
Os diferentes tipos de papel Os vários tipos de papel podem ser reduzidos a duas espécies:
1 - Quanto à matéria-prima ou à sua natureza: - Papéis à base de trapos; - Papéis à base de madeiras; - Papéis à base de palhas; - Papéis à base de mistura.
2 - Quanto ao processo de fabrico: - pasta mecânica; - pasta química com bissulfito; - pasta químico com soda.
Os papéis podem, ainda, ser distribuídos em grupos segundo o seu peso ou a sua finalidade:
a) papéis finos o seu peso é inferior a 40g/m² e são papéis finos para máquina de escrever ou para cartas aéreas, com 15 a 20g/m², são fabricados de pasta química e celulose de palhas;
· papéis de bíblia, com peso de 25 a 30g/m², à base de linho e algodão ou pasta química;
· papéis de seda, com 15 a 30g/m², contendo pasta de bissulfito sem carga. Sua transparência é obtida pela imersão de óleos vegetais ou minerais.
b) papéis de escrituração - são papéis acetinados, muito encolados e fortemente carregados (15 a 20%). Contêm pasta química pura, para os de uso comum ou uma mistura de pasta química (80%) e de pasta de trapo (20%) nos papéis de luxo. O peso destes está compreendido entre 64 e 100g/m².
c) os cartões - em princípio, o seu peso oscila entre 200 a 100g/m² e espessura entre 0,3 a 1,0 mm. A pasta é feita de papéis velhos ou de palhas.
No fabrico do papel as diferentes pastas podem ser usadas isoladamente ou misturadas entre si. A pasta é colocada, imersa em água, numa cuba chamada pilha refinadora. A massa, por movimento rotativo, é novamente misturada. Conforme a duração e a intensidade dessa operação, obtêm-se as diferentes qualidades de papel.
Da pilha refinadora a pasta é encaminhada para a cuba misturadora, onde é refinada, podendo ser misturada com outras pastas. Refinada, a pasta é diluída e então transportada para a máquina de papel. As operações que transformam a pasta em papel são realizadas numa máquina comum. A série de mecanismos em cadeia daí porque é chamada máquina contínua, e pode até ter cem metros de comprimento.
O equipamento essencial desse engenho é uma longa tela metálica, puxada, horizontalmente, entre dois cilindros. O processo de fabricação segue a seguinte ordem: a pasta, pronta para ser processada, é colocada numa caixa, no início da máquina. A pasta semilíquida vai para tela metálica, que é agitada constantemente por cilindros, e avança, deslocando o material. As fibras que ficam retidas se entrelaçam fortemente.
A seguir, por uma série de cilindros, a pasta é prensada, várias vezes, resultando uma folha uniforme e consistente.
A folha assim obtida, passa, então, por uma série de filtros e calandras que, ao mesmo tempo, a enxugam e alisam a superfície.
Vem, a seguir, a lixação a seco da folha para lhe emprestar o último brilho. E o papel está pronto para ser bobinado.
O processo mecânico da polpa de madeira foi criado por Keller, na Saxônia, em 1884.
A polpa é preparada sem uso de qualquer produto químico.
A matéria-prima é a madeira, principalmente o pinus e o abies, que são moles, para que flutuem nas correntes líquidas da fábrica, enquanto o choupo afunda.
A madeira é partida e descortiçada e, então, moída em água. A moagem é feita em ângulo agudo em relação ao comprimento das toras, para se obterem fibras mais longas.
Quando se trata de pequenas quantidades, é usado moinho de três câmaras. Trata-se de uma mó central, montada num eixo de aço, em cuja periferia existem três câmaras. Cada câmara é provida de um pistão cilíndrico hidráulico, que empurra as toras contra a mó que está em rotação. Normalmente a mó é de pedra.
A mistura da polpa e da água vinda da mó é lançada num coletor situado abaixo do moinho e passa por um crivo. O material mais grosso é lançado num poço, de onde é bombeado para as peneiras finas. Ele passa pela peneira, concentrando-se em espessadores, dando a polpa do papel. O material grosso é tratado em refinadores e voltam para as peneiras. O que sobra dos espessadores contém 15 a 20% de fibras originais e é a água de madeira, usada depois para a moagem inicial.
O processo ao sulfito foi patenteado nos Estados Unidos por Tilghman, em 1867. A quantidade de polpa feita por esse processo, embora seja de qualidade superior, tem diminuído muito em razão de provocar a poluição da água. A madeira mais usada nesse processo é o pinus. A madeira descortiçada é limpa e cortada.
Os cavacos obtidos têm cerca de 0,5 polegadas de comprimento, ou seja, 1,27 cm. São eles transportados para os silos de estocagem, localizados acima dos digestores, aguardando a operação de cozimento.
A química do processo de digestão ao sulfito é muito complicada e, por isso, não será aqui ventilada, pois o objetivo é apenas apreciar o processo físico. O método mais comum consiste na digestão da madeira numa solução aquosa contendo sulfito de cálcio e dióxido de enxofre em excesso. O processo envolve dois tipos de reações:
· sulfonação e solubilidade da lignina pelo bissulfito; · decomposição hidrolítica do complexo celulose-lignina.
Na medida em que o processo segue, é preciso adicionar água fresca, para manter baixa a temperatura e, por isso, remove-se parte da água da madeira. Antes dessa água ser lançada no esgoto, peneiras retiram as fibras remanescente. Essas fibras retornam aos espessadores.
A única modificação química que ocorre no processo é o da hidratação, provocada pela contato com a água.
A polpa, na maioria das vezes, é usada para a confecção de papéis mais baratos, onde não é necessária sua durabilidade. A deteriorização do papel é provocada pela decomposição das partes não celulósicas da madeira.
A polpa ainda é submetida à operação de alvejamento, o que determina a qualidade de branco. É um processo caro. São usados vários tipos de drogas químicas, como o ozônio, o oxigênio, o dióxido de cloro e outras mais.
Na fabricação de papel para jornal, de papel manilha barato, de papel de parede, de papel de seda, e outros tipos de papel para embrulho, a polpa de madeira recebe parte de polpa química.
O processo ao sulfato ou Kraft se deve às experiências de Dahl e Dantzig, na Alemanha, em 1884.
A polpa Kraft - que em alemão significa forte - resulta de um processo alcalino. É o responsável pela maior parte da polpa que se fabrica atualmente. Tem a vantagem de usar qualquer tipo de madeira, mole ou dura. Entretanto, dá-se preferência à madeira das coníferas.
O método foi desenvolvido para remover as grandes quantidades de óleos e resinas dessas madeiras. Usa-se um processo ao sulfato modificado para o rayon, a partir das madeiras duras.
Obtida a polpa, vai ela para o cozimento. Cozida, é bombeada do tanque receptor para uma série de peneiras, onde os nós da madeira e os aglomerados de fibras são removidos. O filtrado das peneiras é lançado em calhas de sedimentação ou em centrifugadoras, para ser retirada a matéria estranha. A polpa é então concentrada em espessadores, que são tanques cilíndricos cobertos por uma tela de bronze. A água passa pela tela e a polpa fica retida. Esta, a seguir, vai para o alvejador. Feita esta operação, o material é lavado e depois enviado à caixa distribuidora. Da caixa distribuidora, a polpa sai em forma de folhas. São então secadas com rolos aquecidos a vapor e depois enfardadas.
A polpa ao sulfato é de alta qualidade e serve para a fabricação dos melhores tipos de papel. Pode ser usada isoladamente ou com mistura de polpa de trapos, para a feitura de papel de escrever de alta qualidade, para a impressão de livros.
Existe, ainda, outro tipo, como o de polpeamento semi-químico, surgido em 1925. O processo é parte mecânico e parte químico, daí a sua denominação.
Na obtenção de celulose, com o objetivo de fabricar papel, foram usadas as seguintes fibras:
- De frutas, como os pêlos das sementess do algodão e do epicarpo do coco da Bahia;
- De folhas, como o sisal, o abacaxi e a carnaúba;
- De caules, como a palha dos cereais, dos bambus e bagaço da cana;
- De plantas lenhosas, como a casca e aas folhas das coníferas e de arbustos;
- De plantas herbáceas, como o linho, oo rami e ajuta;
- De madeiras, como as das coníferas, aabeto, pinho, faia, castanheiro, bétula, choupo, epícea;
- Do caule do pinho do Paraná, pinos, cciprestes, eucaliptus, boleiro, grapuruvu e acácia negra.
Dentre as fibras animais, foi utilizada a lã. O asbesto e o vidro, entre as fibras minerais; o rayon, o nylon, o orlon e o dacron, como fibras artificiais. Os derivados do petróleo também podem ser utilizados, mas o seu elevado custo faz com que não sejam explorados.
Finalmente, não se pode esquecer de que o papel pode ser fabricado de trapos e do próprio papel já usado. Aliás, consta que, nos Estados Unidos, 26% do papel comercializado é desse tipo;
- madeira - a madeira é um material commposto de fibras. Estas são uma espécie de canudos, com uma cavidade central denominada lumem. As fibras se juntam e formam um agrupamento, como se fosse um cabo torcido.
A celulose é um hidrato de carbono, de fórmula [C6H10O5]n, que forma a estrutura da madeira. As fibras de celulose são ligadas entre si por uma substância chamada lignina. O papel pode ser feito com as fibras de celulose, mas sendo de qualidade inferior, não atende às necessidades do comércio.
A polpa de fibras de celulose, para dar ao papel algumas características, é adicionada de produtos químicos, seja na própria preparação, seja no seu processamento. Esses produtos são chamadas aditivos.
Dependendo do aditivo utilizado, obteremos um tipo de polpa do papel e as sua resultante qualidade. Os aditivos mais utilizados são: caulim, talco, óxido de titânio, gesso e sulfato de zinco.
A adição desses aditivos dão uma característica ao papel como:
- Brancura;
- Opacidade, para que os registros feittos numa face não sejam visualizados na outra;
- Lisura, para permitir maior facilidadde na movimentação do instrumento escrevente;
- Maior absorção da tinta para impressãão. O adicionamento de produtos minerais é chamado de carga: cola de breu, amido, caseína.
Todos esses produtos têm por finalidade manter a resistência, o brilho e a lisura do papel, melhorando o papel, como o sulfato de alumínio, para tornar o breu insolúvel na água, evitando que a cola seja eliminada. São usados, também, corantes, como anilinas, para o fabrico de papel de cor.
Para aumentar a reflexão da luz, aumentando a brancura, são usados produtos alvejantes. São os chamados alvejantes ópticos.
Finalmente, quando os papéis se destinam ao acondicionamento de frutos os aditivos são fungicidas e germicidas.
- fibras das folhosas - estas fibras são provenientes do choupo, do castanheiro, do eucaliptus e de outras madeiras tropicais.
As fibras das folhosas são de dois tipos: suporte (fibras) e transporte para a seiva. As fibras que servem de transporte para a seiva são as únicas utilizadas na identificação da pasta, quando examinadas com microscópio.
- fibras de palhas - as fibras de palhaas são procedentes de vários gramíneas, como o trigo, o arroz, o centeio, a cevada etc. Possuem elas características muito semelhantes às fibras das folhosas, mas são mais finas e estão associadas a células epidérmicas, em forma de pêlo ou de pentes, ainda que sejam as células parenquimatosas cilíndricas ou esféricas.
Estes exames, como é obvio, só poderão ser feitos por especialistas treinados, que saibam distinguir os vários tipos de fibras.
Estas técnicas foram preconizadas por J.L. Clement e B. Risi, o primeiro engenheiro doutor em Ciências da Identificação Judiciária da polícia de Paris e o segundo chefe da tipografia dos serviços técnicos da Prefeitura de Polícia de Paris, e publicadas na Revista de identificação criminal, de Lisboa, e à graduação de Rosa Maria Enes e Ellísio Barbosa, edição de dezembro de 1983.
O papel pode ser submetido a três tipos de exames distintos:
- exame métrico; - exame óptico; - exame de pasta.
Para se determinarem as características médias de uma folha de papel, é preciso tomar as seguintes medidas:
- dimensões da folha (comprimento, larggura e espessura);
- peso por metro quadrado (gramatura), ou seja, peso de um quadrado de 10x10cm multiplicado por 100;
- o toque, que dá ao tato a espessura. Um papel que tem toque parece Ter uma grande espessura em comparação com o seu peso por metro quadrado.
Podemos calcular o toque através da seguinte fórmula: toque= espessura(microns)/peso(gramas) Os valores desta fórmula são compreendidos entre 0,7 e 2,5 para uma média de 1,6.
O conteúdo de cinzas se obtém fazendo queimar num recipiente de platina, previamente pesado, um quadrado de papel de 10x10cm. O peso das cinzas obtido é depois multiplicado por 100.
São estas as únicas medidas que podemos efetuar no quadrado de uma peritagem, porque as outras, como resistência longitudinal e transversal, índice de ruptura etc. exigem grande quantidade de papel e aparelhamento técnico apropriado.
Consiste na observação do grau, da transparência e de fluorescência do papel:
- a estrutura superficial é observada ssob iluminação tangencial;
- a transparência permite avaliar a hommogeidade do papel;
- a fluorescência, mais ou menos intenssa dos papéis, sob radiação ultravioleta, permite distingui-los. Esta propriedade está ligada à incorporação, na pasta, de branqueadores ópticos, como a cumaria ou a estibina, prática usada depois de 1950.
- o amido é posto em evidência através de uma solução de iodo e iodeto de potássio, fazendo azular o papel;
- a gelatina é revelada dissolvendo a ppasta em água fervente e, com a adição de uma solução de tanino, aparecerá um precipitado nebuloso;
- a cola vegetal ou resina é posta em eevidência pela sua extração no álcool quente. Após esfriamento, olíquido é lançado na água e forma-se um anel esbranquiçado.
Determinação da natureza do tratamento da pasta O exame com finalidade de determinar a natureza do tratamento da pasta pode ser realizado com os seguintes reagentes:
Reagente de Herzberg: (Cloreto de zinco 20g; Iodo 0,1g; Iodeto de potássio 15g);
Reagente de Lofton: (Rosanilina 0,22g; Ácido clorídrico concentrado 1ml; Verde de malaquita 0,22g; Água 50ml);
Deposita-se uma gota de reagente sobre o papel e observa-se a mudança de cor.
O exame é procedido da seguinte maneira: um fragmento de papel medindo cerca de 1mm² é colocado sobre uma lâmina que contém carbonato de soda ou lixívia de soda numa solução a 1%, o que vai provocar sua coloração com o emprego do reagente de Herzberg. A seguir a lâmina é estudada no campo do microscópio.
As fibras usualmente usadas no fabrico do papel são as seguintes:
- fibras têxteis: as fibras têxteis sãoo muito longas e apresentam um canal central estreito, chamado ímem. São provenientes sobretudo, do linho, do cânhamo ou do algodão.
- Fibras de madeira: são provenientes dda coníferas, como o pinho, o pinho-de-flandes. Todas elas são de tipo único, servindo, às vezes, de proteção transporte da seiva. São mais curtas que as fibras têxteis - 0,22 a 3mm;
- e a sua largura atinge 40 mícrons (milésimos de milímetros). São providas de um largo canal e contêm orifícios circulares, largos, e cercados de um friso (pontuações aureladas).
Os registros gráficos são as imagens fixas de idéias ou fatos representados por sinais, símbolos ou caracteres. Essas imagens são formadas através de materiais submetidos a processos físicos ou químicos.
As possibilidades de combinações de materiais e processos são inúmeras, podendo-se relacionar as seguintes:
- registro a tinta (atrito + tinta) - registro a lápis (atrito + grafite) - registro a giz (atrito + giz) - tipografia (pressão + tinta) - xerox (calor + pressão + "toner") - fotografia (reação química) - vídeo (magnetismo + células fotoelétrricas).
No entanto, ordinariamente, os registros gráficos são constituídos de tintas e grafites fixados em papel. Essa particularidade tem levado alguns estudiosos da Grafoscopia a se aprofundarem nos conhecimentos da Química, visando a determinação da composição e propriedades das tintas.
A tinta é um componente gráfico universal, cuja origem remonta à própria criação da escrita, podendo ser classificada em dois grupos:
1) Líquida - constituída de solventes voláteis, compostos orgânicos, pigmentos e água desmineralizada.
2) Pastosa - constituída de óleos minerais ou vegetais, compostos orgânicos e pigmentos.
A diferença básica entre os dois tipos de tintas refere-se ao processo de fixação no suporte. As tintas líquidas penetram nas fibras do papel, o que não acontece com as tintas pastosas, que são fixadas por pressão (ancoragem).
As características das tintas podem ser analisadas através de suas propriedades, que são as seguintes:
a) viscosidade - capacidade de fluidez e escoamento;
b) rigidez - é a medida de força necessária para movimentar a tinta sobre um suporte;
c) "tack" - é a adesividade ou pegajosidade da tinta;
d) intensidade - é o seu poder tintorial;
e) brilho - é a capacidade de refletir a luz;
f) cor - é a propriedade que pode ser medida através de colorímetros e espectrômetros;
g) resistências - são as medidas obtidas nos ensaios de esforços mecânicos e variações de temperatura (calor, frio e umidade).
Esses conhecimentos, entretanto, não se revelam muito proveitosos, pois é inviável a retirada de amostras das tintas já fixadas nos suportes, para a realização dos ensaios. Outra dificuldade é que os ensaios procedidos no próprio suporte costumam prejudicar as características originais das peças de exame, sendo, portanto, condenáveis. Acrescente-se, ainda, que os raros ensaios desenvolvidos nas tintas fixadas nos suportes não apresentaram resultados confiáveis.
Assim sendo, o que merece ser destacado quanto aos exames das tintas é que estes podem indicar os tipos de instrumentos escreventes utilizados nos documentos.
Os exames confiáveis limitam-se às inspeções oculares através de microscópios e àqueles resultantes das medições de cores, apuradas através de colorímetros ou espectrômetros.