Escrita

Durante quase quatro mil anos, os hieróglifos reinaram soberanos a sombra dos faraós. Os escribas, intelectuais do Antigo Egito que conheciam seus segredos, eram respeitados: não pagavam impostos e exerciam autoridade equiparável á de ministro. Mas a glória um dia acabou. No século IV, varridos pelo poder do cristianismo que se expandia por toda parte, os escribas desapareceram com o que ainda restava da velha cultura egípcia, levando consigo as chaves que decifravam a escritura sagrada. Estas só foram encontradas 1500 anos depois, por um humilde professor francês Jean-François Chapollion (1790-1832).

Houve quem acreditasse que os hieróglifos eram uma esfinge que numca seria decifrada. Por volta de 1600, o jesuíta alemão Athanasius Kircher tentou, mas desistiu. Os hieróglifos, parecidos com fotogramas de desenho animado do século XX, eram mais complexos do que se podia imaginar. Durante milhares de anos, cada sinal representava um objeto: havia partes do corpo humano, plantas, animais, edifícios, barcos, utensílios de trabalho, profissões, armas. Com o tempo, esses desenhos foram substituídos por figuras mais simplificadas ou por símbolos gráficos.

Para representar sentimentos, como ódio ou amor, ou ações como amar e sofrer, os egípcios desenhavam objetos cujas palavras que os designavam tinham sons semelhantes aos das palavras que os hieroglifos se referiam a algo concreto, havia um sinal vertical ao lado de cada figura. Se referentes a algo abstrato, havia o desenho de um rolo de papiro. Se correspondessem a determinada pessoa, os hieroglífos traziam sempre a imagem de uma figura feminina ou masculina, mostravam um pequeno sol. Para completar a confusão, os hieroglífos podiam ser escritos da direita para a esquerda ou vice-versa a ordem certa, em cada caso, dependia da direção dos olhos das figuras humanas ou dos pássaros representados.

Entender sinais são complicados só não era mais difícil do que descobrir o mistério das pirâmides. Por isso, Champollion teve que contar com uma pequena ajuda. Em 1779, os exércitos de Napoleão trouxeram do Egito a pedra da Roseta um pedaço de basalto negro onde estava gravado um texto em grego, hieroglifos e demótico. Está última forma era uma escrita egípcia mais simplificada, empregada nos papiros administrativos e literários. Na versão grega, o texto era um decreto baixado por Ptolomeu V em 196 a.C. Os dois outros poderiam ser traduções. Em 1807, Champollion aceitou o desafio. A partir dos nomes próprios do texto grego, ele comparou os outros dois textos até descobrir certas semelhanças.

Nome de Ptolomeu

Quatorze anos depois, o professor dispunha de algumas chaves para entender o enigma: enfim, a pedra da Roseta e as inscrições de outros monumentos egípcios já não continuam mais em segredo.

Escribas

Não existe no Egito profissão mais bem sucedida e sem esforço do que a do escriba. Eles sendo altos funcionários a serviço do faraó, tinham como dever, anotar o que acontecia nos campos, contar os grãos, registrar as cheias do Nilo, calcular os impostos que os camponeses deveriam pagar, escrever contratos, atas judiciais, cartas, além de registrar os outros produtos que entravam no armazém. Mas não para por aí. Alguns sacerdotes também sabiam escrever e receitar fórmulas mágicas.

O principal material utilizado pelos escribas era o papiro, acompanhado de pincéis, paletas, tinteiros e um pilão. Quando eles iam escrever esmagavam os pigmentos no pilão e depois transferiam a tinta para o tinteiro, que tinha duas cavidades: Uma para tinta vermelha e outra para a tinta preta. Os pincéis eram umidecidos com água que ficava numa bolsa de couro. Algumas paletas tinham caráter espiritual para os escribas, sendo guardadas em seus túmulos.

A técnica da escrita era passada de pai para filho, mas está podia ser ensinada para qualquer um até no Antigo Império. A partir do Médio Império apareceram as Casas da Vida, que funcionavam como escolas. Logo cedo se ingressava nessas escolas. Era muito fácil encontrar crianças de 3 e 4 anos copiando frases. O estudo se prolongava até os 12 anos de idade. Os materiais usados por eles nessas escolas eram geralmente pedaços de calcário ou cerâmica (óstracas) e madeira coberta por gesso. O papiro era muito caro, sendo usado somente por escribas profissionais. Além da escrita, eles tinham que conhecer as leis, saber calcular impostos e ter noções de aritmética.

Os escribas possuíam um pictograma próprio, representado pela paleta. Lê-se sech (escrever), e faz parte das palavras relacionadas com arquivos, impostos e tributos.

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