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desenvolvimento teórico 

clínica

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As Neurociências e as Ciências Cognitivas vêm suscitando um interesse crescente no mundo científico e fora dele. Para uma sociedade presa na eficácia, uma sociedade que funda suas tecnologias sobre as ciências, nada parece impossível. O homem acredita dominar cada vez mais a natureza. Mas, será ele também mestre de si mesmo? 

Ultimamente, o ser humano tem estado muito engajado em conhecer melhor como ele funciona. O empreendimento não é novo, uma vez que define, por exemplo, toda a Psicologia. Mas, o desenvolvimento da Neurociência e das Ciências Cognitivas que testemunhamos atualmente lhe dá um novo élan. Tal desenvolvimento foi marcado, em parte, por um tom um pouco messiânico acompanhado pela rejeição desdenhosa de considerações tidas como “não científicas” e que concernem ao afeto, à pulsão, às fantasias, enfim, a tudo o que faz a vida dos homens e das mulheres de carne e osso. É um questão puramente de funcionamento biológico, nos dizem. O inconsciente foi rejeitado como teorização não aceitável: ele seria nada mais do que uma ignorância provisória, não havendo nada como processos ativos de rejeição de uma grande parte da vida psíquica sob o efeito do recalque, como pretendem os psicanalistas. Também a paixão foi rejeitada como pitoresca, esta mesma paixão que marca de modo caricatural alguns destes discursos cujo estilo desmente o objeto. É curioso ver alguns científicos sustentarem, com tanta paixão, que a paixão não tem importância científica. Assistimos também, nas versões extremas destas correntes de pensamento, a um espantoso ressurgimento, em trajes modernos, de filosofias que acreditávamos em desuso. É o triunfo do homem-máquina!

Mas, não completamente. Em quais condições, com quais ilusões, por quanto tempo? São questões postas de dentro do próprio campo destas ciências novas, por autores como Gerald Edelman ou Francisco Varela, numa perspectiva séria de abertura, sem indulgência, mas também sem sectarismo. O exame de tais questões supõe que, face às ingenuidades filosóficas dos cantadores do homem-máquina, evitemos nos restringir:a ciência não se reduz ao cientificismo.

Parece urgente uma pesquisa que, com criatividade e abertura crítica e séria, possa investigar tanto o novo campo formado, quanto os efeitos deste movimento internamente à Psicanálise. Nem a Psicanálise pode mais manter sua belle indifference relativamente ao Cognitivismo e à Neurociência, nem estes últimos podem seguir afirmando que a Psicanálise deve ser descartada por ser uma teoria ficcional, fruto da imaginação fértil de um positivista excêntrico que abandonou a via tradicional da experimentação confiável cientificamente.

 

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Departamento de Psicologia ·PUC-Rio

Pós-graduação em Psicologia Clínica

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