A INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL
Por: jaime nunes mendes

Por se tratar de um assunto do qual a Bíblia não trata diretamente, a inseminação artificial, ou seja, a intervenção humana em prol da concepção de uma vida, é um assunto de caráter polêmico para as religiões em geral. No que diz respeito aos evangélicos, o tabu sobre a questão é uma triste realidade, pois não se pode fugir de algo que está escancarado aos nossos olhos. Ignorar a cicatriz não significa que ela não existe. Absolutamente. Portanto, devemos tratar de questões deste tipo sem nenhuma hesitação. E isto deve ser feito sem a suposta cobertura do  “manto da verdade”. É óbvio, o cristão jamais deveria ser favorável à inseminação feita com esperma de outro homem senão do próprio marido. Isto, no conceito cristão, seria uma espécie de “adultério artificial”. De igual modo, nunca podemos ser favorável à chamada “barriga de aluguel”, que, em termos espirituais, continua sendo um adultério. Todavia, o uso do sêmen do marido que, por qualquer motivo não pode gerar naturalmente um filho, não parece nenhuma aberração aos valores cristãos. Se por um lado a idéia de que não devemos intervir na natureza, é difundida por muitos que não concordam com esta prática (muitos que obviamente já têm filhos), por outro lado, a noção de que o homem é um parceiro de Deus na criação, e que Deus deu-lhe inteligência para progredir no bem, é igualmente usada freqüentemente como justificativa por àqueles que apoiam tal prática. Qual deve ser, portanto, nossa posição.
Bem. A “nossa” eu não sei, porém, particularmente, e isto escrevo como um mero opinante, acredito que, no caso específico da inseminação em que o doador é o próprio marido, tal prática não fere absolutamente em nada aos conceitos cristãos. No entanto, como opinião é uma cousa relativa, não duvido de que a maioria oponha-se à minha. Como disse o poeta: “Quem nunca foi ferido, zomba das cicatrizes”.



...VOLTAR
1