PENA DE MORTE
Por: jaime nunes mendes

Antes de qualquer menção a questões bíblicas ou espirituais, faz-se necessário mostrar uma pesquisa realizada, em 1993, pelo Jornal Folha de São Paulo. Segundo o periódico, não existe relação direta entre a existência ou não da pena de morte e os índices de homicídios em dez Estados norte-americanos e em cinco países (Argentina, Canadá, França, Japão e Austrália), relevadas as diferenças culturais e sócio-econômicas entre eles. O jornal cita, especificamente, Texas, o Estado norte-americano que mais executou condenados desde a volta da pena de morte em 1976. Exatamente nele foi constatado um dos maiores índices de violência. O que significa que a pena de morte não diminuiu, como se supunha, o índice de violência. Já a França, que aboliu a pena de morte em 1981, embora os seus índices de violência subiu um pouco com esta medida, esse valor é similar à taxa média anual no Japão, onde vigora a pena de morte e existe prosperidade econômica. Portanto, se levarmos em conta apenas esta estatística, já seria suficiente para não crermos que a pena de morte é a grande solução para a violência.
Agora, já entrando na questão, digamos, religiosa, especialmente levando em conta os ensinamentos bíblicos, pode-se chegar a duas conclusões, com prevalência apenas de uma delas. Se tomarmos como exemplo o Antigo Testamento, onde vigorava a “lei de talião”: olho por olho, dente por dente, concluiremos, e isto sem muita dificuldade, que a Bíblia é favorável sim à pena de morte: “Quando também alguém desfigurar o seu próximo, como ele fez, assim lhe será feito: Quebradura por quebradura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará” (Lv. 24:19, 20). Todavia, tomando como base o Novo Testamento, a Nova Aliança de Cristo, não será possível, e isto mesmo com fortes argumentos, justificar a pena de morte: “Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes” (Mt. 5:38-42).
Se alguém tem justificativas reais para a pena de morte, até pode compartilhar isto com alguns teólogos, no entanto, não encontrará na Bíblia nada que a justifique.


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