Leituras cotidianas – Vol. 1

 


“Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.”
(Mario Quintana)

 

 

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Leituras cotidianas nº 1, 5 de julho de 2004.
João Pedro Stedile
A quem interessa o modelo agrícola do agronegócio
A imprensa endeusa o agronegócio, sem destacar que ele proporciona apenas 500.000 empregos.

Leituras cotidianas nº 2, 6 de julho de 2004.
Michel Chossudovsky
Propaganda de guerra
A grosseira distorção da verdade e a sistemática manipulação de todas as fontes de informação constituem uma parte integral do planejamento de guerra.

Leituras cotidianas nº 3, 7 de julho de 2004.
Enciclopédia Barsa
Feudalismo
Entende-se por feudalismo o sistema social, econômico e político que se desenvolveu no território europeu, principalmente entre os séculos IX e XII. Como termo genérico, o conceito de feudalismo se aplica a todas as sociedades nas quais o poder central é reduzido e cuja economia se baseia no trabalho de camponeses submetidos a um regime de servidão.

Leituras cotidianas nº 4, 8 de julho de 2004.
Enciclopédia Barsa
Mercantilismo
Mercantilismo é a teoria e prática econômica que defendiam, do século XVI a meados do XVII, o fortalecimento do Estado por meio da posse de metais preciosos, do controle governamental da economia e da expansão comercial.

Leituras cotidianas nº 5, 9 de julho de 2004.
Antônio Martins, Cândido Grzybowski, Francisco Whitaker, João Pedro Stedile, Luis Marinho, Maria Luisa Mendonça, Oded Grajew e Sérgio Haddad
FSM: ultrapassando limites de governos
Volta a Porto Alegre, de 26 a 31 de janeiro de 2005, esse grande encontro das organizações sociais que lutam por um mundo diferente daquele que nos é imposto pela dominação neoliberal.

Leituras cotidianas nº 6, 10 de julho de 2004.
Enciclopédia Barsa
Liberalismo
Liberalismo é uma doutrina política e econômica que, em suas formulações originais, postulava a limitação do poder estatal em benefício da liberdade individual.

Leituras cotidianas nº 7, 11 de julho de 2004.
Enciclopédia Barsa
Capitalismo
Capitalismo é o sistema econômico que se caracteriza pela propriedade privada dos meios de produção – máquinas, matérias-primas, instalações. Nesse sistema, a produção e a distribuição das riquezas são regidas pelo mercado, no qual, em tese, os preços são determinados pelo livre jogo da oferta e da procura. O capitalista, proprietário dos meios de produção, compra a força de trabalho de terceiros para produzir bens que, após serem vendidos, lhe permitem recuperar o capital investido e obter um excedente denominado lucro.

Leituras cotidianas nº 8, 12 de julho de 2004.
Enciclopédia Barsa
Socialismo
Socialismo é a denominação genérica de um conjunto de teorias socioeconômicas, ideologias e práticas políticas que postulam a abolição das desigualdades entre as classes sociais. Incluem-se nessa denominação desde o socialismo utópico e a social-democracia até o comunismo e o anarquismo.

Leituras cotidianas nº 9, 13 de julho de 2004.
Enciclopédia Barsa
Comunismo
“Todos os fiéis, unidos, tinham tudo em comum; vendiam suas propriedades e seus bens e dividiam o preço entre todos, segundo as necessidades de cada um.” Essa descrição das primeiras comunidades cristãs, contida nos Atos dos Apóstolos, revela o conceito de comunismo no sentido mais amplo: um regime social no qual vigoram a propriedade comum de todos os bens e a distribuição eqüitativa da riqueza.

Leituras cotidianas nº 10, 18 de julho de 2004.
Maurício Dias
Assisto, logo existo
Sintoma William Moreira. Eis a definição do psicólogo Carlos Perktold para a dificuldade da geração pós-64 de entender o que lê.

Leituras cotidianas nº 11, 19 de julho de 2004.
Enciclopédia Barsa
Anarquismo
Como concepção vital, o anarquismo afirma que tudo o que limita a liberdade do ser humano deve ser suprimido. Como movimento político e social, pretende destruir os freios – religião, Estado, propriedade privada, lei – que, segundo suas teorias, se interpõem entre o indivíduo e sua liberdade, para assim possibilitar a construção de uma vida comunitária livre e solidária.

Leituras cotidianas nº 12, 20 de julho de 2004.
Michel Chossudovsky
Fabricando um inimigo
A verdade questiona e eclipsa a mentira. E a verdade é que a administração Bush está de fato apoiando o terrorismo internacional como pretexto para travar a guerra contra o Iraque. Uma vez que esta verdade se torne plenamente entendida, a legitimidade dos governantes entrará em colapso como um castelo de cartas. Isto é que tem de ser alcançado. Mas nós só podemos chegar a isto cancelando efetivamente a campanha de propaganda oficial.

Leituras cotidianas nº 13, 21 de julho de 2004.
José Chueca
Como não ser anarquista?
Não ser anarquista, por não saber o que é a anarquia, é ser ignorante; por ser incapaz de compreendê-la, é ser imbecil; e conhecê-la e compreendê-la, e, não obstante, defender a presente sociedade porque assim se vai vivendo, é ser canalha.

Leituras cotidianas nº 14, 22 de julho de 2004.
Fritz Utzeri
Quem cria lobos…
A grande verdade é que o mundo em que vivemos foi largamente forjado por essa “civilização” que agora se diz atacada e clama contra a barbárie. Quem cria lobos não espere viver com ovelhas. Bin Laden é made in USA, treinado e financiado pela CIA. O mesmo vale para o Talibão, milícia perversa e ginecófoba. E quem criou Saddam Hussein, hoje inimigo mortal dos americanos? Quando geraram esses lobos, durante a Guerra Fria, para lutar contra uma ideologia política, os alquimistas da inteligência (?) americana alimentaram uma ideologia religiosa e soltaram o diabo da garrafa. E agora?

Leituras cotidianas nº 15, 23 de julho de 2004.
Alexander Berkman
A questão dos “homens preguiçosos” e do “trabalho sujo” no anarquismo
Pois tal é a natureza humana: a eficiência para realizar certas tarefas significa que há uma inclinação e uma capacidade especial para desempenhá-la; disposição para o trabalho significa interesse. E é por isso que há tanta preguiça e tanta incompetência no mundo atual. Pois, na verdade, quem ocupa hoje o lugar certo? Quem trabalha naquilo que realmente desperta o seu interesse?

Leituras cotidianas nº 16, 24 de julho de 2004.
Rafael Evangelista
Os diferentes muros sociais que se erguem no mundo contemporâneo
De 1994 até hoje morreram mais de 2,2 mil pessoas tentando atravessar o “muro do Império”, que separa o México dos Estados Unidos. Em quase 30 anos de história, morreram entre 800 e 1 mil pessoas tentando atravessar o muro de Berlim. Enquanto a circulação de mercadorias, capitais, informações e fluxos financeiros fica liberada no contexto atual, a dos homens é cada vez mais restringida.

Leituras cotidianas nº 17, 25 de julho de 2004.
Marc Cooper
Entrevista com Chalmers Johnson
Por um império americano quero dizer as 725 bases militares em 138 países estrangeiros que circulam o globo, desde a Groenlândia à Ásia, do Japão à América Latina. Isto é uma espécie de base mundial – um mundo secreto, fechado, separado, onde o nosso meio milhão de soldados, empreiteiros e espiões vive bastante confortavelmente por todo o planeta. Penso que é um império. Concordo em que a unidade do imperialismo europeu era a colônia. A unidade do imperialismo americano é a base militar.

Leituras cotidianas nº 18, 25 de julho de 2004.
William Rivers Pitt
Imprensa americana esconde tortura em crianças no Iraque
A verdade foi escondida dos olhos dos cidadãos americanos porque nenhuma imagem dos abusos foi exibida durante as últimas semanas. As imagens estão aí e mostram o estupro e a tortura de crianças. A mídia internacional começa a mostrar essas imagens. A Noruega, nossa aliada na coligação, prepara-se para deixar o Iraque por causa dessas crianças. Onde está a imprensa americana? Onde estão as fotografias? Quem são os responsáveis por essa ignomínia? Torturar crianças em nome da paz? É isso que nós nos tornamos?

Leituras cotidianas nº 19, 26 de julho de 2004.
Enciclopédia Barsa
Imperialismo
Imperialismo é a política de dominação econômica de uma nação sobre outras, acompanhada ou não de ocupação territorial, com maior ou menor ingerência nos assuntos de Estado das nações dominadas e com uso eventual de força militar para garantir a hegemonia.

Leituras cotidianas nº 20, 27 de julho de 2004.
Enciclopédia Barsa
Nacionalismo
Nacionalismo é o sentimento de íntima vinculação de um grupo humano ao núcleo nacional da coletividade a que pertence. É o princípio político que fundamenta a coesão dos Estados modernos e que legitima sua reivindicação de autoridade. Traduzido para a política mundial, o conceito de nacionalismo implica a identificação do Estado ou nação com o povo – ou, no mínimo, a necessidade de determinar as fronteiras do Estado segundo princípios étnicos.

Leituras cotidianas nº 21, 28 de julho de 2004.
Toni Solo
A linguagem do império e a sua tradução
Talvez a regra mais segura seja ler qualquer texto imperial como tendo o significado oposto daquilo que parece dizer. Apesar de esta regra ser bem exata na maior parte dos casos, aqueles que precisam de traduções mais rigorosas podem achar que esta cartilha elementar será útil como ferramenta prática. Para maior simplicidade, todos os exemplos foram extraídos do depoimento de Roger Noriega perante o Senado dos EUA.

Leituras cotidianas nº 22, 1º de agosto de 2004.
César Benjamin
A guerra perfeita
A guerra perfeita da potência dominante, nos últimos anos, foi travada contra o Brasil. Pois aqui, sim, ela quebrou a vontade do outro – a nossa vontade – sem ter de arcar com os custos de uma guerra real. Conseguiu tecer a ampla base política interna que legitima uma ocupação que, por isso, pode permanecer virtual.

Leituras cotidianas nº 23, 1º de agosto de 2004.
Clarín
Entrevista com o Presidente Hugo Chávez
Faltam 36 dias [15/8/2004] para que a Venezuela decida, numa consulta popular com contornos inéditos no mundo, a continuidade ou não do seu presidente. E Hugo Rafael Chávez Frías, que esta semana, em Puerto Iguazú e em Buenos Aires, fez brilhar o seu arsenal de humorismo e sedução, confia na capacidade do seu governo para garantir a seu favor a maioria dos votos.

Leituras cotidianas nº 24, 1º de agosto de 2004.
FARC-EP
“Plano Patriota” avança para o fracasso inevitável
Aos soldados e oficiais, o apelo bolivariano para que resistam a serem utilizados como instrumentos cegos da geopolítica do governo dos Estados Unidos, que lhes aponta não só para a eliminação da resistência dos povos a suas políticas de dominação como também para a utilização do solo da Colômbia como base de agressão e de assalto neocolonial ao continente.

Leituras cotidianas nº 25, 1º de agosto de 2004.
Sydney Morning Herald
Primeiro-ministro iraquiano acusado de assassinar
seis prisioneiros a sangue frio

Afirma-se que apenas uma semana antes da sua tomada de posse, em fins de junho, Allawi teria assassinado pessoalmente seis resistentes com tiros na cabeça. Depois de declarar que mereciam a morte, Allawi sacou a sua pistola contra sete dos prisioneiros. Seis teriam morrido e um sobreviveu, embora gravemente ferido.

Leituras cotidianas nº 26, 1º de agosto de 2004.
John Pilger
As emissoras de TV trapaceiam o público
ao negar-lhe documentários poderosos

Inquérito após inquérito, quando se pergunta às pessoas o que elas mais gostariam de ter na televisão, respondem: documentários. (…) Eles querem dizer aquilo que James Cameron chamou “jornalismo da narração verdadeira fixado em filme”: documentários que são a antítese de notícias, que desnudam as fachadas da “verdade oficial” e recuperam os fatos desagradáveis e o contexto histórico do buraco da memória a que o noticiário “imparcial” os remeteu.

Leituras cotidianas nº 27, 2 de agosto de 2004.
Umberto Eco
O mundo anterior a Adão e a guerra
Nestes tempos de conflitos, um tratado de teologia do século XVII ainda pode nos dar lições sobre abertura a civilizações diferentes.

Leituras cotidianas nº 28, 3 de agosto de 2004.
István Mésáros
Lembrança de Paul Sweezy
Encontramo-nos em uma crise capitalista irreversível que se aprofunda, tendo à frente não somente a perspectiva mais ou menos remota de mais uma orgia de violência e destruição, mas já sentindo sua devastação em diferentes partes do mundo.

Leituras cotidianas nº 29, 4 de agosto de 2004.
Beto Almeida
Solidariedade com o povo venezuelano
Chávez ampliou a visibilidade de suas propostas a nível internacional. Defende a formação de uma PetroSul, de um Fundo Monetário do Sul (“Por que temos que depositar nossas reservas em bancos dos EUA?”, indaga), de uma TV do Sul, para que os povos possam conhecer suas realidades, suas verdadeiras culturas e não os padrões de consumo de uma sociedade consumista e fora de seu alcance. Eis porque é tão odiado pelos mandatários dos EUA, pelas oligarquias da Venezuela e da Colômbia.

Leituras cotidianas nº 30, 5 de agosto de 2004.
Enciclopédia Barsa
Moeda
A evolução das funções desempenhadas pela moeda é uma decorrência do crescimento da produção mercantil. A moeda não é um bem de consumo, pois embora não satisfaça diretamente as necessidades humanas, compra coisas que têm esse poder; não é um bem de produção, pois se não for empregada como investimento de capital a rentabilidade de seus depósitos é nula. Seu valor reside nas funções que desempenha como meio de pagamento, ou instrumento de troca; como reserva de valor; e como medida comum de valores.

Leituras cotidianas nº 31, 5 de agosto de 2004.
Enciclopédia Barsa
Papel-moeda
Papel-moeda é um documento emitido pelas autoridades monetárias de um país e utilizado para realizar transações comerciais. Garantido pelo patrimônio nacional, tem curso legal e forçado, isto é, aceitação obrigatória. No regime de papel-moeda inconversível, a moeda que circula – real, libra, dólar ou franco – não tem ligação com o valor direto do ouro ou de outra mercadoria, o que seria desnecessário, já que seu próprio valor é assegurado por lei.

Leituras cotidianas nº 32, 6 de agosto de 2004.
Enciclopédia Barsa
Banco
Considerada como negócio, a atividade bancária consiste em obter dinheiro junto às pessoas físicas, às empresas, aos sistemas financeiros de outros países e, ocasionalmente, aos governos para, com esses recursos e com capital próprio, conceder empréstimos a pessoas e entidades que precisem de financiamento. Seu lucro provém da diferença entre os juros pagos sobre os empréstimos tomados e os concedidos e das comissões recebidas por serviços prestados.

Leituras cotidianas nº 33, 7 de agosto de 2004.
César Benjamin, Paulo Metri e Rômulo Tavares Ribeiro
Erro estratégico no setor do petróleo
Em pleno desenvolvimento do que chamamos de “choque estrutural do petróleo” – um choque que, como vimos, será prolongado –, o Brasil está se dispondo a entregar a empresas multinacionais a propriedade de campos situados em alto-mar, garantindo a elas a livre disposição sobre o petróleo extraído.

Leituras cotidianas nº 34, 9 de agosto de 2004.
Carlos Aznárez
O 15 de agosto na Venezuela Bolivariana:
Votar “NÃO” para que a Revolução não se detenha

Definitivamente, o NÃO do 15 de agosto, reafirmando Hugo Chávez, será a melhor resposta a estas ameaças autoritárias daqueles que tiveram todo o poder e utilizaram-no para afundar o bravo povo venezuelano na miséria e na marginalidade. Mas NÃO o conseguiram e é isso que os setores populares festejam diariamente na Caracas de Bolívar, com suas risadas, seus tambores, seus punhos erguidos, sua confiança bolivariana de continuar a forjar a pátria.

Leituras cotidianas nº 35, 10 de agosto de 2004.
www.babykiller.com
Crianças feridas, mutiladas e mortas nas guerras promovidas pelos EUA
FOTOS ESTARRECEDORAS de crianças afegãs e iraquianas feridas, mutiladas e mortas nas guerras promovidas pelos Estados Unidos da América e seus asseclas. A estupidez do governo estadunidense não tem limites! Em nome da paz, o imperialismo, o neocolonialismo, o neoliberalismo e o belicismo. Em nome da liberdade e da democracia, a opressão, a xenofobia e o genocídio. Se não nos manifestarmos contra essas atrocidades, os próximos alvos poderão ser os nossos filhos.

Leituras cotidianas nº 36, 11 de agosto de 2004.
Brasil de Fato
O povo venezuelano está com Chávez
Com a revolução bolivariana, a América Latina cria uma nova possibilidade de enfrentar o imperialismo. Mas, para isso, torna-se mais do que nunca necessária a manifestação da solidariedade para com os venezuelanos. É necessário multiplicar iniciativas, nos próximos dias, para esclarecer a opinião pública brasileira sobre o que acontece na Venezuela e o que estará em jogo no dia 15 de agosto, mantendo a vigilância durante as semanas seguintes, contra qualquer sinal de golpe.

Leituras cotidianas nº 37, 11 de agosto de 2004.
Luiz Ricardo Leitão
Nós, os bárbaros
Os “civilizados” continuam a promover o genocídio dos povos do Terceiro Mundo, mas querem fazer crer que os protestos contra Tio Sam seriam uma atitude “extremada”. Não escrevem uma única linha contra os desmandos de George W. Bush no Iraque, ou de Ariel Sharon na Palestina, mas estão prontos para redigir epístolas “indignadas” contra aqueles que denunciam as aberrações da tosca “democracia” ianque, capaz de manter em Guantánamo centenas de prisioneiros afegãos sem processo legal.

Leituras cotidianas nº 38, 11 de agosto de 2004.
Mário Augusto Jakobskind
Socialismo é a saída para a crise
A meta de alcançar o socialismo não se alterou. Mudou apenas a estratégia de como chegar lá, no momento em que o imperialismo dos Estados Unidos impõe ao mundo guerras preventivas para instituir o modelo de mercado que dá todo o poder ao capital.

Leituras cotidianas nº 39, 16 de agosto de 2004.
Verena Glass
Petroleiros, MST e Requião unidos contra exploração de petróleo por múltis
6ª Rodada de Licitação para a exploração e produção de petróleo da ANP leva a leilão áreas que podem ter reservas avaliadas em US$ 300 bi. Petroleiros, movimentos sociais e o governador Requião (PR) acusam governo de ceder o petróleo à exploração de multinacionais, e tentam barrar o processo.

Leituras cotidianas nº 40, 16 de agosto de 2004.
Opinião do jornal Brasil de Fato
As coisas boas do FMI
Até quando os brasileiros acreditarão em FMI, Bolsa de Valores, Moodys e toda essa caterva que só vê a vida pelos cifrões e que vem para cá unicamente para explorar os nossos recursos e a nossa gente?

Leituras cotidianas nº 41, 17 de agosto de 2004.
Mariana Loiola
Identidade ameaçada
Para implantar o Centro de Lançamentos de Alcântara (CLA) no município, na década de 80, as Forças Armadas expropriaram as terras de mais de 300 famílias pertencentes a cerca de 30 comunidades quilombolas. Essas famílias foram deslocadas e reassentadas nas chamadas agrovilas, onde não encontram condições mínimas de sobrevivência, vivendo, assim, um processo de grave desintegração socioeconômica e cultural. Uma das conseqüências dessa situação é um massivo êxodo rural e um inchaço na área urbana de Alcântara, além do aumento de casos de gravidez precoce, prostituição de jovens e disseminação do uso de drogas, problemas que não havia antes da instalação da base militar.

Leituras cotidianas nº 42, 17 de agosto de 2004.
Miguel Enrique Stédile  e  Pedro Benevides
“O governo Lula foi ganho pelo projeto das classes dominantes”
Um governo de esquerda teria que, primeiro, resgatar uma política que não seja voltada para a integração do Brasil subordinado num mundo globalizado. Isto não nos interessa: ser um país subordinado, incentivador do agronegócio, para vender produtos primários lá fora, deteriorados pelos transgênicos, sem que a gente tenha ciência aqui dentro, sem que tenha autonomia. Interessa para o Brasil ter agronegócio ou ter um processo de cooperativização e coletivização da nossa grande propriedade rural? Nós temos que incentivar a dimensão pública do Estado.

Leituras cotidianas nº 43, 18 de agosto de 2004.
Maurício Hashizume
Documentários expõem na tela os sintomas de uma sociedade enferma
Os documentários “Super Size Me” e “The Corporation” desnudam uma face do real que não é alvo dos holofotes na sociedade midiática do espetáculo, em que valores são confundidos com vantagens econômicas imediatas.

Leituras cotidianas nº 44, 19 de agosto de 2004.
Rui Namorado Rosa
O Próximo e Médio Oriente em guerra
O plano de expansão imperialista não pode parar. Em parte, porque o imperialismo tem de cuidar e renovar a sua imagem; em parte, porque tem de desviar as atenções dos seus sucessivos desastres e das acumuladas recriminações que a sua brutalidade suscita; em parte, ainda, porque o objetivo de controlar militarmente o Próximo e o Médio Oriente, não tendo outros argumentos e meios eficazes senão a força das armas para o alcançar, a tal o imperialismo se vê compelido para sobreviver.

Leituras cotidianas nº 45, 19 de agosto de 2004.
http://www.vietvet.org/artsofwar/newlatuff.htm
Cartuns de Carlos Latuff
Oito cartuns de Carlos Latuff.

Leituras cotidianas nº 46, 20 de agosto de 2004.
Débora Motta  e  Mário Augusto Jakobskind
A globalização capitalista é nefasta
O mundo tem como enfrentar o “crescimento canceroso” da globalização, fenômeno que provoca o aumento das desigualdades e só favorece ao grande capital. A afirmação é do filósofo húngaro István Mészáros, que participou da Conferência Internacional Dilemas da Humanidade, realizada em julho no Rio de Janeiro. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, ele ironizou a possibilidade de mudança na política dos Estados Unidos com a eleição de John Kerry para presidente do país: “Quanto mais se muda, mais as coisas permanecem as mesmas”.

Leituras cotidianas nº 47, 21 de agosto de 2004.
Marco Aurélio Weissheimer
A tentação dos fazendeiros
Parece óbvio que, em um país com as gritantes desigualdades sociais do Brasil, movimentos reivindicatórios de direitos, ao esbarrarem com estruturas arcaicas e autoritárias de poder político, acabem radicalizando suas ações e transitando na fronteira do direito, o que, historicamente, é um atributo exclusivo do andar de cima.

Leituras cotidianas nº 48, 22 de agosto de 2004.
Jorge Camil
Medo
O medo é o tema que dominará a campanha presidencial dos Estados Unidos. Medo ao terrorismo, instilado na mente dos eleitores pela administração de George W. Bush para assegurar a reeleição: foi ele que salvou o mundo ocidental do perigo de Saddam Hussein! Medo da reeleição da parelha Bush-Cheney, alentado pelo Partido Democrata, para que os votantes compreendam que mais quatro anos dos mesmos poderiam acabar com o povo palestino, tornar inimigos para sempre os aliados tradicionais e destruir o pouco prestígio dos Estados Unidos no mundo.

Leituras cotidianas nº 49, 23 de agosto de 2004.
Uri Avnery
Os oligarcas
Oligarquia e democracia são incompatíveis. Como disse um comentador russo na série de TV sobre a nova democracia russa: “Eles transformaram uma virgem numa prostituta.”

Leituras cotidianas nº 50, 24 de agosto de 2004.
Albert Einstein
Por que o socialismo?
Estou convencido que só há uma forma de eliminar estes sérios males, nomeadamente através da constituição de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educativo orientado para objetivos sociais. Nesta economia, os meios de produção são detidos pela própria sociedade e são utilizados de forma planejada. Uma economia planejada, que adaptasse a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre aqueles que podem trabalhar e garantiria o sustento a todos os homens, mulheres e crianças. A educação do indivíduo, além de promover as suas próprias capacidades inatas, tentaria desenvolver nele um sentido de responsabilidade pelo seu semelhante em vez da glorificação do poder e do sucesso na nossa atual sociedade.

Leituras cotidianas nº 51, 29 de agosto de 2004.
F. William Engdahl
O Iraque e o problema do pico petrolífero
Hoje, a maior parte do mundo está convencida de que a administração Bush não travou a guerra contra o Iraque e Saddam Hussein devido à ameaça de armas de destruição em massa, nem tampouco a perigos terroristas. Mantém-se uma dúvida, entretanto: saber por que Washington arriscaria tanto, nas relações com os seus aliados e o mundo inteiro, para ocupar o Iraque. Há provas convincentes de que petróleo e geopolítica estão no cerne das razões ainda escondidas para a ação militar no Iraque.

Leituras cotidianas nº 52, 30 de agosto de 2004.
F. Jay Schempf
Simmons deseja estar errado
O principal analista de energia acredita que a oferta de petróleo bruto da Arábia Saudita está próxima do pico e apela a maior transparência nas reservas globais para prevenir “cataclismo”.

Leituras cotidianas nº 53, 31 de agosto de 2004.
Rui Namorado Rosa
A guerra ao Iraque e a resistência
A agressão ao Iraque foi “oferecida” pelo poder imperial do capital transnacional às indústrias petrolífera, da guerra e da reconstrução. Numa evolução de progressiva privatização de todos os recursos e serviços do Estado passíveis de gerarem lucros e alimentarem o capital financeiro, a guerra oferece novas oportunidades de negócio como são a indústria de reconstrução e os serviços de segurança, mas inúmeras outras também.

Leituras cotidianas nº 54, 1º de setembro de 2004.
Schafik Jorge Hándal
O debate da esquerda na América Latina
As eleições podem ser o caminho da esquerda para o poder se esta se “moderar”, se se “modernizar”, se for “realista” e se se converter num projeto “viável”, tolerável pelo império, para o grande capital oligárquico e para os militares reacionários; e se, além disso, for capaz de entusiasmar a maioria dos cidadãos para colher os seus votos.

Leituras cotidianas nº 55, 2 de setembro de 2004.
Opinião do jornal Brasil de Fato
O petróleo é, decididamente, nosso
No Irã, em 19 de agosto de 1953, os serviços secretos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha patrocinaram um golpe que depôs o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, justamente por ter nacionalizado as reservas de petróleo em seu país, dois anos antes. No seu lugar, foi empossado o sangrento ditador Reza Pahlevi, deposto por Khomeini, em 1979. No Brasil, quase exatamente um ano após o golpe contra Mossadegh, o suicídio de Vargas denunciava as pressões do mesmo imperialismo golpista.

Leituras cotidianas nº 56, 3 de setembro de 2004.
David Harvey
Neoliberalismo e restauração do poder de classe
O fosso entre a promessa do neoliberalismo (o benefício de todos) e a sua realização (o benefício de uma pequena classe dominante) aumenta. (…) A idéia de que o mercado se faz com base na competição é negada pelos fatos da monopolização, centralização e internacionalização do poder corporativo e financeiro. A idéia de que o neoliberalismo é baseado na justiça é brutalmente anulada pelos extensos despojamentos. A idéia de que o neoliberalismo é sobre liberdades individuais choca com o aumento de autoritarismo neoliberal e agora neoconservador dos aparelhos de Estado.

Leituras cotidianas nº 57, 4 de setembro de 2004.
Ricardo Antunes
A devassa do neoliberalismo
Foi gratificante ver recentemente o corajoso e sensível filme-documento de Fernando Pino Solanas, “Memória do Saque”, uma verdadeira vingança do povo argentino. Pino Solanas realiza uma verdadeira devassa do neoliberalismo em seu país, mostrando, de modo límpido e corajoso, o genocídio neoliberal que se abateu sobre a América Latina, através da fotografia de seu exemplo mais devastador: o caso argentino.

Leituras cotidianas nº 58, 5 de setembro de 2004.
Robert Kurz
O combustível da máquina mundial
Desvalorização do ser humano e valorização do petróleo, eis uma fórmula sucinta para descrever o dilema crescente do modo dominante de produção e de vida.

Leituras cotidianas nº 59, 6 de setembro de 2004.
Mário Maestri
Farroupilha: Movimento das elites pastoris sulinas
Boa parte dos trabalhos rurais e urbanos sulinos apoiava-se nas costas dos negros escravizados. A produção charqueadora escravista permitiu a expansão da atividade pastoril, base da economia sulina. A exploração do negro escravizado era a argamassa que consolidava a unidade das elites sul-rio-grandenses. Jamais os farroupilhas pretenderam a abolição ou a reforma da escravatura.

Leituras cotidianas nº 60, 8 de setembro de 2004.
André Azevedo da Fonseca
Raízes do latifúndio
João Pedro Stedile, um dos coordenadores no MST, explica a história da concentração de terra no Brasil e o sentido da luta dos movimentos sociais.

Leituras cotidianas nº 61, 13 de setembro de 2004.
Rui Namorado Rosa
A idade do petróleo
O crescimento econômico, sustentado há milênios no crescimento da intensidade de uso de recursos naturais, proporcionando a apropriação progressiva da natureza na ignorância ou na negligência dos limites dos seus reservatórios e dos seus fluxos naturais, vem questionando a organização e funcionamento das sociedades e colocando na ordem do dia a reelaboração da sua doutrina econômica em termos de “sustentabilidade” do metabolismo social no seio do mais amplo metabolismo planetário.

Leituras cotidianas nº 62, 14 de setembro de 2004.
Miguel Urbano Rodrigues
Sobre o editorial
Sendo de execução individual, o editorial aparece-me como resultante de uma idéia coletiva, de uma atmosfera, de uma síntese harmoniosa de estilos e pessoas diferenciadas sem os quais não existiria aquele corpo vivo autônomo, vocacionado para falar com o leitor e inspirar-lhe confiança.

Leituras cotidianas nº 63, 15 de setembro de 2004.
John Pilger
Os guerreiros da América
A maior parte das guerras americanas recentes foi lançada por presidentes democratas. Por que esperar melhor de Kerry? O debate entre liberais e conservadores americanos é uma falsificação; Bush pode ser o mal menor.

Leituras cotidianas nº 64, 16 de setembro de 2004.
Tribunal Mundial sobre o Iraque
A propósito dos recentes ataques conduzidos pelos EUA contra cidades iraquianas e, particularmente, contra Najaf
Palavras de dor face às atrocidades que estão sendo cometidas contra o povo o iraquiano falham enquanto não forem unidas a uma plataforma explícita contra a ocupação em curso.

Leituras cotidianas nº 65, 17 de setembro de 2004.
Oil Depletion Analysis Centre (ODAC)
Mais de um milhão de barris de petróleo por dia perdidos para o esgotamento
As análises mostram que a produção de 18 países com produção de petróleo significativa, representando quase 29% do total da produção mundial, declinou em 1,14 milhão de barris por dia (mb/d) em 2003. A taxa anual de declínio também parece estar se acelerando, ao contrário da visão amplamente generalizada de que o esgotamento avança lentamente.

Leituras cotidianas nº 66, 20 de setembro de 2004.
James Petras
O imperialismo cultural no finado século XX
O neoliberalismo continua e prospera não porque ele resolva problemas, mas porque ele serve aos interesses dos ricos e poderosos e vibra entre alguns setores dos empobrecidos empregados por conta própria que pululam nas ruas do Terceiro Mundo. A norte-americanização das culturas do Terceiro Mundo tem lugar com a bênção e o apoio das classes dominantes nacionais porque ela contribui para estabilizar o seu domínio. (…) Se bem que um renascimento da política revolucionária de massa seja possível, ela deve começar com a guerra não só às condições de exploração como também à cultura que sujeita suas vítimas.

Leituras cotidianas nº 67, 21 de setembro de 2004.
Keilla Mara de Freitas
A responsabilidade de ser comunista
Formar é ensinar a pensar; é um trabalho lento e constante. Um militante formado segue as linhas partidárias não porque lhe disseram que tem de seguir e sim porque concorda com elas.

Leituras cotidianas nº 68, 22 de setembro de 2004.
Rubem Alves
Quarto de badulaques (LVI)
As lâmpadas valem pelas cenas que iluminam. As inteligências valem pelas cenas que iluminam. Há inteligências de QI 200 que só iluminam esgotos e cemitérios. E como ficam bem iluminados os esgotos e os cemitérios! E há inteligências modestas, como se fossem nada mais que a chama de uma vela – que iluminam o rosto de crianças e jardins!

Leituras cotidianas nº 69, 22 de setembro de 2004.
Henrique Cortez
Revitalizar o Chico antes de transpor
Se a transposição é um tema polêmico e sujeito a intermináveis discussões, a revitalização é consenso. E é consenso exatamente porque sua necessidade e urgência são amplamente conhecidas e reconhecidas. É inacreditável que ainda não se tenha percebido a importância do reflorestamento e recuperação ciliar para o desenvolvimento econômico e social, principalmente diante do potencial diante da geração de 2 milhões de empregos diretos, na região que mais precisa desta gigantesca frente de trabalho.

Leituras cotidianas nº 70, 27 de setembro de 2004.
Andrew McKillop
Não há respostas do lado da oferta para a crise petrolífera que se aproxima
Com uma determinação férrea de negar e combater a realidade, as lideranças dos principais países que seguem o modelo de crescimento intensivo em energia americano-europeu-japonês estão a cada dia conduzindo o mundo para mais perto do extremo oposto de qualquer coisa “sustentável”, exceto o conflito internacional infindável e o choque de civilizações.

Leituras cotidianas nº 71, 28 de setembro de 2004.
Guaicaipuro Cautémoc
A verdadeira dívida externa
Consta no arquivo das Índias Ocidentais que, entre os anos de 1503 e 1660, chegaram à Europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos da minha terra! (…) Vamos considerar que esse ouro e essa prata foram o primeiro de muitos empréstimos amigáveis que fizemos à Europa. (…) Meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, sinto-me obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. E os juros.

Leituras cotidianas nº 72, 28 de setembro de 2004.
Giulio Sanmartino
Rescaldos da tragédia de Beslan
A Guerra da Chechênia é um complexo de múltiplas tensões que atravessam todo o Cáucaso e que neste país encontram convergência. Seria muito simples estabelecer como motivo o espírito separatista. Existe a disputa entre grupos armados, a crescente influência dos fundamentalistas islâmicos, a importância estratégica do Cáucaso para a Rússia e, mais do que tudo, o interesse econômico ligado ao trânsito de petróleo pela região. Os oleodutos que passam pelo país transportam petróleo do mar Cáspio para o Mediterrâneo, responsáveis por 23% das exportações russas e 12% de seu Produto Interno Bruto. A tudo isso, pode-se acrescentar o medo que a separação da Chechênia sirva de exemplo para outras repúblicas.

Leituras cotidianas nº 73, 29 de setembro de 2004.
José Luís Fiori
O discurso e a História
Como não se tratava de uma análise histórica, o presidente Lula não precisou, em seu discurso na ONU, referir-se ao parentesco direto existente entre o antigo colonialismo e as novas formas de controle financeiro e submissão real da periferia do sistema capitalista. Mas vale a pena retomar essa história.

Leituras cotidianas nº 74, 30 de setembro de 2004.
Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa
O império do medo
Boi da cara preta. As potências inflam e distorcem a ameaça do terror para fazer dela um instrumento de poder. E a mídia dispõe-se a ajudá-las a infantilizar e submeter as massas.

Leituras cotidianas nº 75, 1º de outubro de 2004.
Samuel Pinheiro Guimarães
Vulnerabilidade ideológica e hegemonia
A vulnerabilidade ideológica está estreitamente relacionada com a ampla e crescente hegemonia cultural americana na sociedade brasileira, que se exerce em especial pelo produto audiovisual, veiculado pela televisão e pelo cinema, articulado com a imprensa, o disco e o rádio.

Leituras cotidianas nº 76, 4 de outubro de 2004.
Cristóvão Feil
A Disneylândia de bombachas
A identidade que o senso comum registra do gaúcho é uma das tantas tradições inventadas, pelo mundo afora. O mito gaúcho é uma narrativa fixa de três combinações histórico-culturais: o republicanismo farroupilha, um comtismo crioulo, e um rústico positivismo estancieiro. A vulgarização fetichizada disso é o que chamamos de “Disneylândia de bombachas”.

Leituras cotidianas nº 77, 5 de outubro de 2004.
Marcos Domich
O engano do referendo na Bolívia
Aquilo que deveria ser uma Lei dos Hidrocarbonetos é hoje uma “lei curta” de interpretação do referendo ao gosto e ao sabor do governo e com enormes vazios a serem preenchidos com decretos e regulamentos já preparados pelos escriturários das transnacionais petroleiras.

Leituras cotidianas nº 78, 6 de outubro de 2004.
Wole Soyinka  e  Leneide Duarte-Plon
A ilha de Polifemo  &  Viagem sob fogo cruzado
Dois textos: No primeiro, “A ilha de Polifemo”, O prêmio Nobel Wole Soyinka relata sua visita à cidade palestina de Ramallah. No segundo, “Viagem sob fogo cruzado”, Leneide Duarte-Plon relata a visita de uma espécie de ONU da literatura aos dois lados do conflito entre palestinos e israelenses.

Leituras cotidianas nº 79, 6 de outubro de 2004.
Rui Namorado Rosa
O complexo agroindustrial e a alienação da relação do homem com a terra
Sob o imperialismo, a agricultura é cada vez menos uma instituição fundamental das sociedades organizadas para ser cada vez mais parte da estratégia de aprovisionamento de recursos para as corporações, incorporando globalmente regiões em relações quer de produção quer de consumo, mediante fluxos sobre distâncias médias da ordem de milhares de quilômetros desde a produção primária até ao consumo final, com custos energéticos insensatos.

Leituras cotidianas nº 80, 7 de outubro de 2004.
Sueli Carneiro
Agualusa e o dilema brasileiro
Talvez essa interpretação da obra de Cruz e Sousa seja a síntese mais perfeita do dilema brasileiro, que ganha dramaticidade na existência e permanência entre nós de uma Europa e uma África que não conseguem conviver harmonicamente nem se separar.

Leituras cotidianas nº 81, 11 de outubro de 2004.
Miguel Urbano Rodrigues
Guerrilheiras das FARC
Hoje, quando leio ou escuto calúnias sobre as FARC, o meu pensamento viaja para as selvas e montanhas da Colômbia. No turbilhão de imagens que então me envolve, não é sem comovida admiração que revejo as guerrilheiras que ali conheci. Aquelas mulheres aparecem-me como símbolo da confiança na transformação revolucionária da vida.

Leituras cotidianas nº 82, 13 de outubro de 2004.
Neil Clark
Espólios de uma outra guerra
“Guerras, conflitos – é tudo business”, suspira Monsieur Verdoux no filme de mesmo nome dirigido por Charlie Chaplin, em 1947. Poucos são os que precisariam ser convencidos dos vínculos entre as corporações norte-americanas que se fartam dos bens de Estado do Iraque e a máquina militar que forçou a abertura do país ao mercado global. Bem menos conhecida, porém, é a existência de um processo bastante similar acontecendo em outra parte do mundo. Um lugar onde, até bem pouco tempo atrás, bombas caiam de B-52s envolvidos numa outra missão de “libertação”.

Leituras cotidianas nº 83, 18 de outubro de 2004.
Leuren Moret
Urânio empobrecido: Bombas sujas, mísseis sujos e balas sujas
Não é de admirar que os nossos soldados, as suas famílias e o povo do Oriente Médio, da Iugoslávia e da Ásia Central estejam doentes. Mas, como disse Henry Kissinger após o Vietnam quando os nossos soldados voltaram para casa com doenças do Agente Laranja, “Os militares são apenas estúpidos animais mudos a serem utilizados na política externa”.

Leituras cotidianas nº 84, 20 de outubro de 2004.
Atilio Boron
A crise do neoliberalismo e os perigos do possibilismo
As palavras de Weber [“Neste mundo não se consegue nunca o possível se não se tenta o impossível uma ou outra vez”] são ainda mais importantes em um continente como o nosso, onde os ensinamentos da história demonstram de modo inapelável que foi preciso tentar o impossível para obter avanços modestos; que são necessárias verdadeiras revoluções para instituir algumas reformas nas estruturas sociais da região mais injusta do planeta; e que sem uma utopia política audaciosa os impulsos reformistas se extinguem, os governantes capitulam e seus governos terminam assumindo como tarefa fundamental a decepcionante administração das rotinas cotidianas.

Leituras cotidianas nº 85, 25 de outubro de 2004.
Jorge Beinstein
A vida depois da morte: A viabilidade do pós-capitalismo
Podemos lançar a hipótese de que nos encontramos nos inícios de um ponto de inflexão do processo de decadência, de ruptura, muito mais forte e mais vasto que o vivido quando da Primeira Guerra Mundial, entre outras razões porque a hegemonia capitalista sofreu deteriorações civilizacionais decisivas, o que em parte explica a radicalidade cultural das rebeliões que começam a assomar.

Leituras cotidianas nº 86, 26 de outubro de 2004.
Marco Antonio V. dos Santos
Aprofunda-se a dominação imperialista no Brasil
A essência mesma do imperialismo, a superexploração, o desemprego estrutural – resultado da política neoliberal –, a violenta desigualdade social de classe, tudo que é verdadeiro e real tenta-se nublar com um palavrório vazio e ilusório.

Leituras cotidianas nº 87, 27 de outubro de 2004.
Pierre Bourdieu  e  Löic Wacquant
O imperialismo da razão neoliberal
Planetarizados, globalizados, no sentido estritamente geográfico, e ao mesmo tempo desparticularizados, esses lugares-comuns, ao serem ruminados pelos meios de comunicação, transformam-se num senso comum universal, fazendo esquecer que, na maioria das vezes, eles apenas exprimem – de forma truncada e irreconhecível, até por aqueles que os propagam – realidades complexas e contestadas de uma sociedade histórica particular, tacitamente constituída em modelo e na medida de todas as coisas: a sociedade norte-americana da era pós-fordista e pós-keynesiana.

Leituras cotidianas nº 88, 28 de outubro de 2004.
Amália Safatle
Principais focos da luta ambiental
As mais importantes batalhas travadas entre o governo Lula e representantes da causa ambiental.

Leituras cotidianas nº 89, 1º de novembro de 2004.
John Pilger
Índia: Não resplandecente, mas se afundando
Na década de 1990, quando a Índia se abriu ao capital global, seus governantes disseram que a pobreza seria erradicada. Agora está ficando claro que milhões foram displicentemente traídos pelos poucos privilegiados que os mataram. Reportagem especial de Mumbai.

Leituras cotidianas nº 90, 2 de novembro de 2004.
Luísa Gockel  e  Marcelo Medeiros
Aqüífero Guarani: Reserva de preocupação
Menos de 1% da água doce disponível no mundo provém de fontes renováveis. Uma parte considerável dessa porcentagem está sob os pés de brasileiros, argentinos, uruguaios e paraguaios. Na região que engloba o centro-sul do Brasil, o nordeste argentino, o Uruguai e o Paraguai localiza-se o Aqüífero Guarani, um gigantesco manancial de bilhões de litros de águas subterrâneas ainda pouco aproveitado.

Leituras cotidianas nº 91, 4 de novembro de 2004.
Jacques Attali
A ONU e a sociedade civil
As ONG já demonstraram a sua capacidade para ter impacto no mundo. E agora o mundo precisa delas mais do que nunca. Vamos dar um passo em frente e formalizar o seu papel na governança global. Chegou o momento de o fazer porque o tempo está se esgotando. O nosso futuro é demasiado importante para deixar os governos e as grandes empresas sozinhos.

Leituras cotidianas nº 92, 8 de novembro de 2004.
Nelson Breve
Herança da privatização:
Esqueleto de R$ 25 bilhões nas costas do BNDES

Desde 1993, governo se endivida para capitalizar o setor elétrico. Apesar de ter se desfeito de seu patrimônio, o poder público continua tendo de bancar os investimentos. Carteira de créditos do BNDES na área chega a R$ 25 bilhões. Pendência trabalhista da Centrais Elétricas do Pará expõe detalhes da desastrada privatização do setor.

Leituras cotidianas nº 93, 10 de novembro de 2004.
Maurício Stycer
A baixaria em xeque
Lei aprovada na Câmara, ações do Ministério Público e campanha pública reforçam a pressão sobre programas apelativos.

Leituras cotidianas nº 94, 11 de novembro de 2004.
Rafael Evangelista
Dois mundos, duas licenças
As limitações impostas pelas licenças proprietárias não existem por acaso, assim como as liberdades do software livre. Elas resumem modelos de negócio diferentes. No modelo proprietário, uma empresa desenvolve um produto, com um certo gasto, e consegue multiplicar ao infinito seus lucros, pois vende cópias de algo que pode ser reproduzido, o código. O modelo de negócio livre é outro, intrinsecamente mais justo. Afinal, algo que foi produzido cooperativamente, por uma comunidade, deve permanecer livre para todos e pode ser copiado sem custos para ninguém. Ganham todos e não apenas o monopólio.

Leituras cotidianas nº 95, 12 de novembro de 2004.
César Benjamin
Caminhos da transformação
A necessidade de encontrar outra forma de organização social não decorre primordialmente de os trabalhadores serem mais ou menos explorados – este não é o aspecto essencial da questão. Decorre do fato de que a humanidade, para sobreviver, precisa finalmente assumir o comando de sua própria história. Esse passo pressupõe que o princípio organizador da vida social deixe de ser a acumulação de capital e a forma-mercadoria. É este o desafio que está posto para nós neste século. Ainda não sabemos como resolvê-lo.

Leituras cotidianas nº 96, 15 de novembro de 2004.
John Pilger
Blair reflete Mussolini
O terrorismo de grupos e de indivíduos, ainda que horrível, é diminuto em comparação com o de Estados. Mas a mídia não tem palavras para descrever o terrorismo de Estado.

Leituras cotidianas nº 97, 16 de novembro de 2004.
Diana Andringa
O impacto social da mídia
Na verdade, se faz parte da obrigação do jornalista o compromisso com a verdade e a busca da impossível objetividade, nenhum de nós pode ignorar que os acontecimentos tal como os narramos não existem por si próprios, antes resultam da convergência do ocorrido com a forma como os percebemos – ou seja, que os jornalistas detêm um poder decorrente da linguagem utilizada, bem como na seleção de ângulos e fontes de notícia, participando assim na produção e reprodução de relações de poder.

Leituras cotidianas nº 98, 17 de novembro de 2004.
Mário Maestri
A segunda morte de Júlio de Castilhos
A campanha contra o castilhismo-borgismo constitui elogio indireto das políticas neoliberais de achincalhamento do Estado e da privatização e internacionalização da economia e da sociedade que nos últimos anos rapinaram e destruíram bens e serviços públicos construídos e organizados quando da primeira gestão republicana do Rio Grande.

Leituras cotidianas nº 99, 22 de novembro de 2004.
Eduardo Galeano
Águas de outubro
Nós, os latino-americanos, fomos educados, há séculos, para a impotência. Uma pedagogia que vem desde os tempos coloniais, ensinada por militares violentos, doutores pusilânimes e frades fatalistas, enfiou-nos na alma a certeza de que a realidade é intocável e não temos outro remédio senão tragar no silêncio os sapos nossos de cada dia.

Leituras cotidianas nº 100, 22 de novembro de 2004.
Carlos Lessa
Agradecimento ao apoio popular
Nossas elites querem desfrutar do padrão de vida de Nova York ou de Miami e ter mão-de-obra doméstica ultrabarata. Querem colocar no exterior uma boa parte da riqueza que aqui construíram. Querem continuar a ganhar o máximo possível aqui e ter sempre aberta a possibilidade de se converterem em seres internacionais, sem nenhuma responsabilidade pelo que acontece no Brasil.

Leituras cotidianas nº 101, 23 de novembro de 2004.
Gianni Carta
Apertem os cintos
Legitimado pelo voto, George W. Bush ganha aval para prosseguir em sua política messiânica.

Leituras cotidianas nº 102, 23 de novembro de 2004.
Agência Carta Maior
Celso Furtado
Economistas e tecnocratas costumam fazer uma grande confusão entre crescimento e desenvolvimento. A diferença entre os dois conceitos é que o crescimento da economia de um país é medido essencialmente pelos indicadores econômicos, enquanto o desenvolvimento pressupõe o avanço dos indicadores sociais.

Leituras cotidianas nº 103, 24 de novembro de 2004.
Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa
Políticas da paixão
Quatro eleições assinalam o papel da emoção na política e inclinam o continente um pouco mais à esquerda.

Leituras cotidianas nº 104, 25 de novembro de 2004.
Manifesto dos Economistas
A política econômica atual é coerente com a manutenção dos privilégios da camada mais rica da população, dos setores financeiros e daqueles voltados para a exportação. A nossa proposta de política econômica é diferente. Ela se insere em um Projeto Nacional de Desenvolvimento voltado para a garantia dos interesses dos que dependem do seu trabalho, da imensa maioria do povo brasileiro.

Leituras cotidianas nº 105, 25 de novembro de 2004.
CartaCapital
Yasser Arafat
Símbolo da luta palestina, Arafat morre antes de ver o nascimento de um Estado e sem a liderança de outrora.

Leituras cotidianas nº 106, 26 de novembro de 2004.
Temístocles Marcelos Neto  e  Adilson Vieira
Sobre a proposta de concessão de Floresta na Amazônia
O grande dilema que se coloca é a necessidade de um projeto global para a Amazônia, por meio de políticas que rompam com a concepção positivista de progresso que estabelece uma antinomia entre desenvolvimento econômico, de um lado, e justiça social e sustentabilidade ambiental, de outro.

Leituras cotidianas nº 107, 30 de novembro de 2004.
Mário Maestri
Guerra Farroupilha: História e mito
Estressadas pelas contradições da sociedade capitalista, em forma inconsciente, os segmentos sociais populares e médios, sem forças e canais para concretizarem suas expectativas no presente, voltam-se para o passado, recriando uma imaginária idade de ouro, solidária e fraterna, onde o trabalho alienado era aventura lúdica e criativa. Manipuladas pelas elites, as mitificações do passado assumem sentido social negativo ao escamotear a história real das classes trabalhadoras e a verdadeira essência da formação social sulina, apresentando-as como mundos em que o lobo apascentava o cordeiro, em que o explorador fraternizava com o explorado.

Leituras cotidianas nº 108, 1º de dezembro de 2004.
Marco Aurélio Weissheimer
Mídia explora mortes de sem-terra
e ataca Reforma Agrária do governo federal

Declarações do presidente do Incra servem de pretexto para ataques ao MST e à política de Reforma Agrária. Análise de editoriais de Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo mostra o preço a ser pago por quem critica o agronegócio.

Leituras cotidianas nº 109, 6 de dezembro de 2004.
Maurício Hashizume
Lavoura para exportação tem de ser secundária, exige militante do campo
Documento final da I Conferência Nacional de Terra e Água, que reúne 10 mil militantes camponeses em Brasília, coloca mudança na política macroeconômica como condição para transformar realidade social.

Leituras cotidianas nº 110, 6 de dezembro de 2004.
César Benjamin
Antes que seja tarde demais
Há uma tragédia em curso no Brasil, e ela, por enquanto, nos confunde e nos paralisa. Pois a política – o nosso instrumento da mudança – foi despolitizada, reduzida a doses cavalares de marketing e a um conjunto de pequenos arranjos, muitos dos quais bastante suspeitos, tudo a serviço da conquista e da preservação de posições de poder. Nada mais há de libertário nela. Nenhum impulso de superação do que existe.

Leituras cotidianas nº 111, 8 de dezembro de 2004.
Mário Maestri
Brasil: As raízes do mundo do trabalho
No Brasil, a construção do futuro parece exigir depuração do mundo do trabalho das impregnações políticas, ideológicas, sociais, etc. estranhas a ele. (…) Processo que exige, na luta pela consecução de seus objetivos estratégicos, a incessante mobilização das classes trabalhadoras e populares pela obtenção dos direitos básicos elementares ao salário, à educação, ao lazer, etc., num aqui e agora da vida social quotidiana que rompa radicalmente com o tradicional e permanente reconhecimento retórico desses direitos e a postergação de sua concessão para um futuro que jamais se materializa.

Leituras cotidianas nº 112, 9 de dezembro de 2004.
Agência Carta Maior
Projeto de transposição do rio São Francisco
A despeito da disputa ferrenha com base em diferentes estudos sobre os impactos socioambientais, não resta dúvida de que o empreendimento se dará com base na infra-estrutura hídrica já existente e não prevê, de fato, a democratização do acesso à água no semi-árido nordestino.

Leituras cotidianas nº 113, 10 de dezembro de 2004.
Patrizia Caraveo  e  Marco Roncadelli
O enigma da matéria escura
Matéria que compõe 90% da massa das galáxias é desconhecida e de difícil detecção.

Leituras cotidianas nº 114, 13 de dezembro de 2004.
Luis Fernando Novoa Garzón
O Império que não cabe em si e o mundo que cabe na Doutrina Bush
Depois de todas as tradições engolidas e recicladas como lixo cultural viramos um plácido vomitório à espera do próximo esguicho.

Leituras cotidianas nº 115, 20 de dezembro de 2004.
Rubens Born, Mark Lutes  e  Délcio Rodrigues
A importância de política pública e de iniciativas do Brasil
para o fortalecimento da Convenção da ONU sobre Mudança de Clima

Sabemos que a sociedade brasileira desconhece suas vulnerabilidades frente às mudanças climáticas futuras, que, queiramos ou não, devem acontecer. Pois bem, uma política nacional de mudanças climáticas precisa contemplar a ampliação do conhecimento e informação sobre as vulnerabilidades das populações e da economia, além de também instrumentos que propiciem a criação de programas de adaptação das populações e da produção ao novo regime climático. Para isso será necessário o apoio técnico e financeiro para a realização, por entidades acadêmicas, órgãos de governo ou organizações da sociedade civil, de estudos relativos à vulnerabilidade e adaptação do país às mudanças de clima, com foco nas populações e regiões mais vulneráveis.

Leituras cotidianas nº 116, 22 de dezembro de 2004.
Mário Maestri
As sete mulheres e as negras sem rosto
A rica narrativa ficcional pampiana, especialmente argentina e uruguaia, sobre o mundo pastoril, em geral, e sobre o gaúcho, em especial, foi comumente obra de latifundiários ou de seus intelectuais orgânicos, estranhos portanto nos hábitos e opostos nos fatos aos protagonistas das narrativas.

Leituras cotidianas nº 117, 25 de dezembro de 2004.
Marco Aurélio Weissheimer
Quem tem medo da memória?
A polêmica em torno da abertura dos arquivos da ditadura militar resgata a atualidade de uma velha lição de Freud: a recordação das coisas passadas pode ser explosiva e abrir espaço para novos olhares sobre o presente e o futuro.

Leituras cotidianas nº 118, 27 de dezembro de 2004.
Miguel Urbano Rodrigues
Novos desafios da revolução bolivariana
A complexidade do desafio lançado por Chávez no encontro de Caracas transparece de algumas das “sugestões” por ele formuladas. Ao defender a criação de um Banco Central Latino-Americano e de um Fundo Monetário Latino-Americano e insistir pela fundação da Petrosul – uma empresa que agruparia a PDVSA venezuelana, a PEMEX mexicana, a Petrobras brasileira e a empresa petrolífera estatal Argentina – Chávez não se limita a reafirmar a sua recusa da dominação imperial sobre o país. Vai muito mais longe porque as suas propostas deixam transparecer a decisão de internacionalizar a Revolução Bolivariana.

Leituras cotidianas nº 119, 28 de dezembro de 2004.
José Luís Fiori
A razão do Império
Os Estados Unidos vão continuar a defender e exercer o poder sem concessões às demandas das outras potências.

Leituras cotidianas nº 120, 29 de dezembro de 2004.
João Brant
Cris Brasil: A sociedade civil na luta pelo direito à comunicação
Por vezes parece natural que TVs e rádios tenham donos e que esses meios sejam usados por eles da maneira como bem entendem, para fins comerciais. Isso é justamente o que não deveria ser normal. Assim como não deveria ser normal a idéia de emissoras públicas que estão, na verdade, na mão dos governos estaduais, que as colocam a seu serviço. O Brasil, que passou tanto tempo sob censura estatal, encontra-se hoje sob uma censura privada.

 

“Há algo de espiritualidade na teimosa presença da utopia gestadora de tantos sonhos apresentados no Fórum Social Mundial. Apesar do pessimismo de José Saramago, a utopia está tatuada na sede de transformar o mundo, na busca de um novo tempo. As utopias são como os sonhos, nunca envelhecem. O escritor uruguaio Eduardo Galeano captou com maior sensibilidade a força desta utopia viva, ao lembrar os versos do cineasta argentino, Fernando Birri: ‘O que eu posso dizer é que, para mim, a utopia está no horizonte. Eu sei perfeitamente que nunca a alcançarei. Se eu caminho dois passos, ela se afasta dois passos. Se eu dou dez passos, ela fica dez passos mais distante. Para que ela serve então? Para caminhar.’ O que se viu em Porto Alegre, talvez um dos traços mais marcantes do evento, foi a presença partilhada deste sentimento quase-certeza de que o mundo pode ganhar no amanhã uma fisionomia diferente.”
(Faustino Teixeira, no texto "Espiritualidades e reencantamento do mundo”.)

 

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