Crônicas de Martinho Carlos Rost

 


Martinho Carlos Rost

 

 

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15 de dezembro de 2004.
Faróis a guiar os navegantes
Se agora a balança pende para o lado daqueles que produzem a apatia, impõe-se a necessidade de produzir estímulos que nos façam retornar à condição de seres vivos e que nos devolvam a dignidade de seres humanos.

 

29 de dezembro de 2004.
O latifúndio midiático
Ao latifúndio televisivo cabe a tarefa de manter a “senzala” sob controle e de estigmatizar e criminalizar toda e qualquer iniciativa que reivindique a “alforria”, postergando o reconhecimento e a concessão dos mais elementares direitos a um futuro que jamais se materializa.

 

5 de agosto de 2005.
O que é Filosofia?
Filosofia é a capacidade de manter sempre em vista uma utopia que – como um horizonte – jamais será alcançada; mas que nos faz caminhar, ao invés de parar e ficar pastando feito cordeirinhos mansos à espera do abate.

 

10 de agosto de 2005.
Natureza amotinada
Você vendeu a terra (seu corpo), feito prostituta. Agora você está velho e feio; e os rufiões – como bando de gafanhotos – vão procurar em outros lugares a juventude, a beleza e as perversões sadomasoquistas que você não tem mais a oferecer.

 

13 de janeiro de 2006.
O iluminado
Relatos são relatos, nada mais do que relatos – e, como se sabe, o papel aceita tudo. Seja em papiro ou pergaminho, sempre há escritores e escribas – e, convenhamos, escritores e escribas sempre a serviço de classes que jamais abdicaram de seus privilégios. O que se oferece às massas, na verdade, é o “profano” travestido de “sagrado”: interesses políticos (seguidos pelos habituais séqüitos de aberrações), embalados para presente, feitos cavalos de Tróia, ingenuamente recebidos por todos aqueles que pautam sua vida pelo verbo de repouso “esperar”.

 

“O primeiro dever do homem em sociedade é de ser útil aos membros dela; e cada um deve, segundo as suas forças físicas ou morais, administrar, em benefício da mesma, os conhecimentos, ou talentos, que a natureza, a arte ou a educação lhe prestou. O indivíduo, que abrange o bem geral duma sociedade, vem a ser o membro mais distinto dela; as luzes, que ele espalha, tiram das trevas, ou da ilusão, aqueles, que a ignorância precipitou no labirinto da apatia, da inépcia e do engano.”
(Hipólito José da Costa)

 

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