UMA QUESTÃO DE ENTENDIMENTO
Marcial Salaverry
Teoricamente é muito fácil chegar-se a um entendimento.
Contudo, não é tão fácil assim.
Quando duas ou mais pessoas tem opiniões divergentes,
o mais comum é abrir-se um debate, primeiro passo
para uma discussão, pois cada qual “é quem tem a opinião correta”.
Seja qual for o assunto em pauta, sempre todos é que estão certos.
Já por isso, costuma-se dizer que em questões de política,
religião e esportes, não se deve discutir, pois cada um
tem sua opinião, sua crença, e dificilmente deixar-se-á
convencer do contrário.
Pode-se acrescentar à lista, também preferências sexuais.
Nessas questões não há que se discutir, pois são opiniões
já formadas.
Penso que nesses casos, deve existir o famoso limite dos espaços e direitos.
Todos devem respeitar e ser respeitados.
Apenas em caso de dúvidas ou consultas,
será lícito externar-se uma opinião.
Cada qual tem sua verdade.
Respeitemo-las, para que as nossas também o sejam.
Acontece que no geral também há pessoas assim,
que pensam ser os donos da verdade,
e as coisas que decidem são aquelas e pronto.
Quem não está de acordo é burro.
É sua opinião que sempre deve prevalecer,
mas não é bem assim.
Cada verdade é uma verdade.
O que é certo para um, pode não ser para outro.
É uma questão de ponto de vista.
Acho muito interessante quando existe
divergência de opiniões, pois isso possibilita
uma troca de idéias.
Claro quando as duas partes se dispõem
a um encontro pacífico de opiniões.
Quando existe mais do que um ponto de vista
sobre determinado assunto, é porque há alguma controvérsia,
a qual só poderá ser esclarecida com uma discussão amigável,
desde que ambos estejam propensos a esse entendimento.
O que não deve haver nesses casos é a intransigência.
Vejam o que diz a respeito nosso amigo D. Helder Câmara:
Se você diverge de mim, não é meu inimigo, me completa.
Claro que isso não quer dizer uma divergência total,
completa e sistemática.
Creio que o que ele quis dizer, é que se você tiver alguma opinião
diferente da minha, não deve calar-se, deve manifestá-la,
pois é conhecendo opiniões divergentes,
que poderei fazer uma análise, e assim, saber
se realmente a minha opinião é coerente.
Portanto por mais amigos que sejamos de uma pessoa,
sempre que não estivermos de acordo com seus atos,
devemos, de uma maneira educada, procurar mostrar
o erro em que ela está incorrendo.
Assim agindo, estaremos colaborando para a sua melhoria,
pois sempre que surgem opiniões confrontantes,
obriga-se uma análise, um melhor estudo.
Assim sendo, da mesma maneira que é sinal de boa amizade
fazer uma crítica construtiva, também devemos saber receber
uma crítica que nos é feita.
Nunca se deve ser totalmente refratário a uma opinião discordante.
Aceitemo-la e analisemo-la para que possamos saber
qual está mais correta, ou mesmo chegar a um consenso.
Muitas vezes ambos, ou nenhum estão certos.
O correto será tirar-se uma média.
Para isso chama-se diálogo, entendimento.
Essa maneira de pensar e agir, também é aplicável na vida conjugal.
Muitas vezes um dos conjugues passa a vida inteira
achando que o parceiro está errado em alguma coisa,
mas se cala, apenas para não contrariá-lo.
Assim agindo estará dificultando a vida conjugal,
pois o outro lado nunca vai saber que não vem agradando
com algumas de suas atitudes.
E um dia, os ressentimentos acumulados durante anos
vem à tona, e as coisas se complicam.
Esse é um dos motivos que levam muitos casais
a se separar depois de muitos anos juntos.
A causa? Simplesmente a falta da vontade,
da coragem, para expor sua opinião,
e as mágoas ficaram depositadas.
E um dia, o depósito encheu...
Bem... se alguém não estiver de acordo...
favor se manifestar.
Tenho certeza de que com uma coisa todos estarão de acordo.
É com meu desejo de que todos tenham
UM LINDO DIA
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