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Banda: Iron Maiden
Estilo: Heavy Metal
País: Inglaterra
Site Oficial: www.ironmaiden.com
Pacaembu Stadium, São
Paulo (Brasil) – 17/01/2004
Por: Ricardo Pessoa
Nossa aventura começou na
manhã de sábado, com a cansativa viagem Joinville - São Paulo. Saímos por
volta das 05:30hrs da manhã, com destino ao lendário Pacaembú. Ouvindo de
tudo, de Brainstorm e Rob Halford a Dream Theater e Kreator (passando por Iron
Maiden, como não poderia deixar de ser), rumamos com grande animação e
ansiedade.... visível nos olhos de todos. A emoção de estar próximo a ver a
maior banda de Heavy Metal de todos os tempos é incomparável! Nem mesmo a
desconfortável (mas eficiente) Besta na qual viajamos pôde estragar o clima.
Algumas paradas no caminho
para recarregar as pilhas e chegamos em São Paulo aproximadamente às 13:30hrs.
Logo de cara, um outdoor do show já fazia o coração bater mais forte. Às
14:00hrs chegamos ao Pacaembú, e pelo horário... vocês podem imaginar que não
pegamos um lugar privilegiado na fila. Mesmo assim, a animação era enorme. Só
em estar a algumas horas de ver Iron Maiden ao vivo e também de estar vendo
aquela legião de headbangers gritando “Maiden Maiden” já era emocionante.
Às 16:00hrs pontualmente,
como o marcado, a fila começou a andar. Em um bom ritmo, às 16:30hrs já nos
vimos na porta do estádio, com grande receio, pois vários de nossa turma
estavam com máquinas fotográficas (o que era proibido). Mas nada que um pouco
do jeitinho brasileiro pra entrar sem os seguranças perceberem não pudesse
resolver. Lá dentro, a emoção tomou conta de todos. E eu, particularmente,
fiz questão de beijar aquele sagrado chão da pista, afinal, chegar lá era um
sonho e não tinha sido fácil.
Achamos um lugar
razoavelmente bom perto das 17:00hrs e nos acomodamos (sentados no chão,
logicamente). Com o terrível sol de São Paulo na cara, ficamos até o início
do show da banda de abertura, o Shaman. Por volta das 20:00hrs entra o Shaman no
palco. Sem dúvida nenhuma que o Shaman é uma excelente banda brasileira, mas
sinceramente o show foi quase insuportável. Não sei se era porque o Iron
Maiden viria em seguida, mas a verdade mesmo, é que em show do Iron Maiden, não
deveria existir banda de abertura. Durante todo o show do Shaman
(aproximadamente 40 minutos), a única reação do público que se ouvia era
gritando “Maiden Maiden”. Desrespeito com o Shaman? Talvez.. mas a verdade
é que o Shaman (principalmente seu líder, André Matos) fizeram feio em não
tomar uma atitude, enquanto nós todos da pista éramos esmagados, devido a
ignorância de alguns em iniciar o empurra-empurra. Com muitas mulheres no meio,
foi deprimente ver isso acontecer, pois várias saíram carregadas, enquanto
André Matos cantava um set mal feito com músicas como Fairy Tale e For
Tomorrow. Acho que o que não tornou a noite deles mais ridícula foi o cover de
No More Tears, de Ozzy Osbourne, que fez todos pularem (apesar do
empurra-empurra continuar estragando a noite).
Após o Shaman, uma pausa
para bebermos algo, enquanto a produção do Maiden dava os acertos finais no
palco (e que palco!!). Pouco antes das 22:00, com o estádio lindamente lotado
em todos os setores, começamos a ver a movimentação no escuro palco (coberto
com panos pretos). E o estádio eufórico gritando cada vez mais alto “Maiden
Maiden” quando de repente, ouve-se a música clássica usada de Intro na turnê.
Nessa hora já não pude mais segurar as lágrimas. As luzes se apagam e o estádio
quase veio abaixo com a primeira música, Wildest Dreams. Apesar do refrão
pegajoso, é um tema perfeito pra abertura e que ao vivo fica extremamente mais
pesado que no álbum.
Apesar da banda estar
detonando no palco, de o som estar perfeito, assim como a iluminação, o
empurra-empurra ainda prejudicava e muito o show e sobrava principalmente para nós,
que estávamos mais na frente. Apesar de tudo, entra a próxima música, um
grande clássico dos tempos do Paul Di’anno na banda.. Wrathchild! É incrível
como essa música não envelhece e faz todos pularem. Curta e rápida, é uma música
perfeita para início de show.
Foi nessa hora que parei
para prestar mais atenção ao palco. Ele retrata uma fortaleza medieval, com
todos os seus detalhes: pontes, masmorras, escadas, portas, grades, etc. As
pedras da fortaleza são tingidas num tom em amarelo realmente fantástico. Nos
dois cantos do palco, dois Anjos da Morte parecem guardar a banda, com suas
foices em mãos. Incrível o posicionamento de Nicko McBrain e sua bateria, logo
abaixo da grade da masmorra. Nicko parecia ser seu guardião!
Sem mais demoras, Bruce e
Steve cantam a primeira frase da próxima música: Can I Play With Madness!
Foi o suficiente para que
todos continuassem o pula-pula, mas infelizmente o empurra-empurra também.
Essa é uma das minhas músicas
preferidas do Maiden, mas o que emociona mesmo é ver todo o estádio gritando
junto no refrão “Can I Plaaay With Madneeees”. Realmente difícil não se
emocionar novamente.
Ao
fim, o tio Bruce deu o tão esperado esporro no público, pelo empurra-empurra.
Mais de 5 minutos de esporro e muitos "stop fucking pushing!" fizeram
o público parar. Até ouvi um cara do meu lado dizendo “Se o Bruce pediu,
vamos respeitar”. E foi o que aconteceu, felizmente. Depois de tudo resolvido,
o espetáculo continua. Eddie aparece segurando a bandeira da Inglaterra
enquanto Bruce grita “The Troooopeeeeeer”. Mais uma vez o Pacaembú quase
vem abaixo! Todos com suas guitarras imaginárias reproduzindo o solo
acompanhando o riff característico em coro, enquanto Bruce
se diverte agitando as duas bandeiras da Inglaterra sobre o palco.
Breve pausa, e Bruce
anuncia a próxima música, a faixa-tema do novo álbum, Dance of Death. Incrível
o poder de fogo dessa música ao vivo. Com um início tranqüilo e feito todo
pelas palmas do público, mas com partes realmente pesadas bem no estilo Maiden
que fizeram todos cantarem. Parece que todos já decoraram as novas músicas, e
isso não é de se admirar, pois o Dance of Death já ganhou disco de ouro por
aqui!
Durante sua execução,
Bruce veste uma capa preta, estilo roupa da morte mesmo e uma máscara de Baile
de Máscaras, no estilo da capa do álbum. A platéia não sabia se pulava,
cantava, ou simplesmente observava a banda tocar, tamanha a perfeição dessa música.
Sua enorme parte instrumental deixou todos perplexos. Até que o fim da música
se aproxima e o Mestre Bruce veste o capus da morte, criando um clima de
suspense e canta o refrão enquanto todo o Pacaembu assiste sem acreditar no que
está vendo. No fim, voltando a parte lenta, todos acompanham com palmas e
isqueiros, enquanto a morte se retira do palco. Teria ela matado nós todos?
Rainmaker chega dando um
banho e mostrando que ainda estávamos vivos! Os ótimos riffs das guitarras
fizeram todos bangear, enquanto o palco era todo iluminado de azul, criando o
clima de chuva. Uma parte linda do show. Incrível como o público, nesse pouco
tempo de lançamento, já canta todas as músicas do novo álbum.. isso serve
para comprovar cada vez mais a lealdade dos fãs do Iron Maiden! Mas isso ainda
foi só o começo..
Na seqüência, mandaram
outra música que com certeza vai entrar para a lista de clássicos eternos do
Maiden.. Brave New World. Incrível
o poder que ela tem de fazer todos pularem no refrão. Confesso que a tempos atrás
realmente não gostava dessa música. Minha opinião mudou após assisti-la em vídeo
no Rock in Rio 3 e reparar o quão fantástica ela é, tanto no álbum quanto ao
vivo (mas é claro que ao vivo é sempre melhor!)
Mais incrível que as músicas
é o próprio Iron Maiden, que nos surpreende quando menos esperamos. Com as
luzes todas apagadas, de repente várias explosões começaram, junto de tiros e
enormes estrondos. Paschendale se dava início, com uma grande produção de
palco (a maior vista em muitos anos) e Adrian Smith com sua imagem no telão
fazendo a introdução com as duas mãos no braço da guitarra. O palco, se
tornou um real campo de batalha, com trincheiras, cadáveres, e tudo mais. A
guerra mesmo parecia ser entre os integrantes da banda, disputando quem tocava
mais perfeito. Acho que deu empate.. Bruce passava a maior parte do tempo perto
da trincheira, com uma roupa de soldado alemão. Ao fim, Bruce começa a atirar
na galera, nos chamando para a batalha e logo em seguida fingiu-se de morto
junto dos outros cadáveres.
A produção de palco para
Paschendale foi totalmente fenomenal, sem dúvida foi a melhor música do show,
pois a banda fez um perfeito teatro em cena e sem esquecer do principal, a música!
A batalha termina, e todos saímos vitoriosos, mas a guerra ainda não acabou.
Lord of The Flies deu uma
esfriada no público, que de longe notava-se não conhecer muito bem essa música.
Dos tempos de Blaze Bayley nos vocais, até que é uma boa música.. mas poderia
ser substituída por outra que o público tivesse mais intimidade, como Aces
High ou The Evil That Men Do.
E mais uma do novo álbum
para nós.. Desta vez é No More Lies, que até que fica muito bem ao vivo,
principalmente no refrão, que tem participação intensa do público.. mas na
minha opinião teria sido mais interessante também substituir No More Lies por
Age of Innocence.
Agora para iniciar a
melhor parte do show, o Maiden nos manda para o julgamento sobre nossos pecados
com Hallowed Be Thy Name.. música simplesmente fenomenal e que mesmo com o
passar dos anos, permanece como obrigatória no set list. Incrível ver o
Pacaembu simplesmente tremendo com os pulos de milhares de pessoas. Sem esquecer
também dos muitos “Scream for me Brazil” característicos do Bruce, que
fizeram muitos (inclusive eu) saírem sem garganta.
Mas ainda tinha mais. Fear
of The Dark veio em seguida querendo nos causar uma overdose de boa música. Com
milhares de isqueiros acessos e todos batendo palmas no início, foi com certeza
o momento mais lindo do espetáculo. Sorte de quem estava na arquibancada e teve
uma visão perfeita disso. Mas nada que faça me arrepender de ficar na pista,
pulando e bangeando o show inteiro.
Iron Maiden foi a prova
disso. Com seu riff matador de introdução, todos já pulavam, gritavam,
cantavam, choravam, o que fosse, nesse clássico, que é simplesmente perfeito
ao vivo. Após a famosa paradinha no meio da música, apareceu quem ainda estava
faltando.. nosso mascote Eddie! E não era só mais um Eddie, e sim o melhor
Eddie de todos os tempos de Maiden. Vestido de morte e com uma foice em mãos, o
gigantesco monstro surgiu de baixo do palco e logo começou a apontar para nós
todos, enquanto a música dizia que ele iria nos pegar! Pode vir Eddie, estamos
preparados para o que for!
Breve pausa e a banda
retorna para o bis. Janick Gers, Dave Murray e Adrian Smith voltam com seus violões
acústicos e Steve Harris com seu baixo acústico, enquanto Bruce faz um breve
discurso para os fãs, pedindo para fazermos melhor que o público do Rio de
Janeiro, na noite anterior. Bruce sabe mesmo como agitar um público. Foi nessa
hora também que Bruce disse que jamais cancelaria uma turnê no Brasil, numa
clara referência aos vendidos do Metallica. A reação do público foi
imediata: “Hei, Metallica, vai tomar no ..” gritava o estádio todo. Foi um
momento muito engraçado, principalmente porque perto de mim havia um sujeito
com camiseta do Metallica. Não pude conter as gargalhadas nessa hora. E o tio
Bruce anuncia a próxima música, pra delírio de todos: Journeyman
Primeira música
totalmente acústica da história da banda, admito que tinha uma excitação
pessoal em ouvi-la ao vivo e saber como ficaria. Acho que as lágrimas em meus
olhos me deram a resposta. Ver a maior banda de heavy metal do mundo de perto e
tocando uma balada acústica tão perfeita realmente é de emocionar. Incrível
novamente o estádio todo cantando o refrão, com isqueiros acessos e lágrimas
nos olhos. A noite já estava totalmente ganha!
Mas ainda tinha mais. A
famosa voz sinistra de locução da intro de The Number of The Beast se inicia,
e todos declamam a locução juntos. Decorar as músicas tudo bem, agora decorar
as locuções de intro? Os fãs de Iron Maiden deviam realmente ser estudados,
tamanho o fanatismo e lealdade. E é isso que há de melhor em nós!
Durante o solo, finalmente
Eddie aparece novamente no show, mas dessa vez no palco, obviamente. Vestido de
morte e se movimentando muito, com Janick
e Bruce (!!!) brincando com ele no palco, realmente achei que dessa o estádio não
passaria, mas até que ele foi resistente.
Pra
encerrar, Run To The Hills. Apesar de já estarmos quase sem fôlego,
mais uma vez o estádio todo vibra e canta, e cantaria quantas mais fossem, até
a banda sair do palco, provando que os brasileiros são mesmo o melhor público
do mundo.
Após um breve descanso
fora do estádio, pegamos nossa Besta e retornamos para Joinville. Cansados (ou
exaustos), mas com a certeza de ter visto o melhor show da face da terra. Até
quem tentamos ainda ouvir mais um pouco de Maiden na Besta.. mas já não tinha
mais condições, o cansaço de duas noites sem dormir venceu a todos. Melhor
dormir mesmo.. dormir e sonhar com o maravilhoso show que havíamos visto horas
antes e com uma certeza em mente: eles ainda voltarão, e nós também!
Up
The Irons!
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