Harry Potter e o Mistério do Véu Negro
 
 
 

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— 2º Capítulo
 
LEGILIMÊNCIA

 

H

arry, apreensivo, não sabia se atendia ou não à porta e, muito desconfiado, abriu-a com cuidado. Avistou seu tio Válter na soleira da porta, gordo, com seu ridículo bigode e com a cara de sempre.

– T-tio, Válter?

Estava parado como se esperasse um convite amistoso de Harry para entrar. O que não era do seu feitio.

– Deixe-me entrar. — Disse enquanto avançava. Harry pensou em relutar, afinal o Sr. Weasley ainda estava lá dentro, no entanto, nada pôde fazer. Tio Válter parecia nervoso, enquanto entrava e olhava a casa ao seu redor.

– Onde está sua tia? — Seu tom de voz tentava alcançar uma inútil afabilidade.

– Ela foi até a casa da Sra. Figg, não irá demorar a... — Parou por um minuto — O-onde está o Duda?

– Duda? Ah, sim, o Duda... Ele ficou com o meu irmão, mas voltará semana que vem...

Harry franziu o cenho.

– Não vejo o uniforme que prometeu comprar, Tio Válter...

– Que uniforme?

– Pensei que eu fosse estudar no mesmo colégio que o Duda...

–  Claro, claro... devo ter esquecido, vejo isso depois. Venha aqui comigo, Harry.  — Chamou-o para subir as escadas.

– Tio Válter...

Ele parou já no terceiro degrau:

– O que foi agora?

– O senhor iria permitir que eu estudasse no mesmo colégio que seu filho. — A face de Tio Válter estagnara, surpreso. — E só mais uma coisa... O Meu tio não tem irmão.

Harry sacou sua varinha:

– Petrificus Totalus! — O usuário da poção polissuco também tentou sacar sua varinha, mas Harry havia sido mais rápido.

– Vamos descobrir quem você é, de verdade. — Disse olhando para a figura petrificada.

Harry jogara um pouco de pó de Flú sobre as brasas na lareira, e no momento que entoou “A Toca”, empurrou o corpo do espião para as labaredas esverdeadas.

Fez o mesmo, em seguida.

– Senhor! — Harry avistava Dobby, que estava feliz em vê-lo.

– Dobby! Onde está todo mundo?

– Também acabei de chegar, meu senhor... —  E deixou escapar um assobio: — O que seu tio trouxa faz aqui?

– Não, Dobby, ele é algum adorador de poções polissuco sem boas intenções, devo imaginar. Por favor, encontre os Weasley, rápido! — Disse Harry ficando para tomar conta dele.

Dobby adiantou-se, tropeçando nas urtigas que enfeitavam o jardim da varanda.

Avistou Hermione vindo com os Weasley pela estrada de barro.

– Dobby? O que faz aqui? — Perguntou Ronny ainda de longe.

– Venham senhores, rápido, precisam ver uma coisa!

Eles se entreolharam, e entraram na casa.

Ao avistarem a cena perto de uma encardida lareira, ficaram todos confusos.

– Harry! Você petrificou seu tio? — Perguntou Hermione.

– Não, não. Ele não é meu tio!

– Que bom que está aqui, Harry. — Disse o Sr. Weasley descendo as escadas. — Sua tia praguejava até agora por ter se sujado com as cinzas, ela está lá em cima, com a Molly. Quem era na porta quando você foi... — E olhou a  figura petrificada. — O que houve com o seu tio, Harry?

– Ele não é o meu tio... — Disse impaciente. — Creio que seja alguém usando a poção Polissuco.

Hermione interveio:

– Teremos que esperar o efeito passar para descobrir quem é, desta forma

– Espero que seja um comensal. — Disse Harry apertando os olhos, fazendo todos se virar para ele. — Podemos arrancar informações dele. — Se explicou.

Todos já tinham ido para a sala, enquanto a Sra. Weasley servia chá. Tia Petúnia custava acreditar que aquele homem deitado no chão não era o seu marido. Dobby e Monstro discutiam bastante sobre hipóteses, incomodando os presentes.

– Calem-se! — Bradou Rony. — Ele já irá voltar ao normal daqui a pouco.

– Harry, você viu o Profeta Diário? — Indagou Hermione, sempre com novidades. — “Uma bruxa foi assassinada pelas redondezas de Hogwarts. O que acharam dela foi apenas sua cabeça — Lia. — ... o principal acusado é Draco Malfoy, ex-estudante de Hogwarts...” — Harry estava indignado com todas aqueles mortes que impunes .

– Eu não posso ficar aqui parado!

– Calma, Harry. — Disse o Sr. Weasley. — Conversamos sobre isso mais tarde.

Harry queria que Malfoy aparecesse em sua frente naquele instante, mas respirou fundo e enfim relaxou. Após algum tempo, todos tiveram certeza absoluta de que aquele não era o Tio Válter. Ainda sob o encanto de paralisação, o efeito da poção terminou.

– Belatriz! — Exclamou Arthur espantado.

– Maldita! — Exclamou Harry com ódio. — O que fez ao meu tio?

– Quem é Belatriz? — Perguntou tia Petúnia, se esquivando das teias de aranha atrás do sofá rasgado.

– Ela é seguidora de você-sabe-quem. Foi quem matou o padrinho de Harry, o Sirius Black. — Rony murmurou para petúnia.

Harry havia escutado, e por isso olhou para Rony, como se ele tivesse dito algo hediondo.

– Não foi o que eu quis dizer, Harry... — Apressou-se Rony

– Minha senh... Black! — Exclamou Monstro feliz.

– O quê? Seu Senhor é o Potter! — Gritou Dobby.

Harry sentia uma vontade tentadora de sacar a varinha e lançar uma maldição em Belatriz. O Sr. Weasley notou enquanto ele lentamente tentava sacar sua varinha:

– Não, Harry! Ela pode ser muito importante agora. — Adiantou-se o Sr. Weasley.

– Ah, Harry, se quiser, eu o ajudo a estrangulá-la! — Ameaçou Rony, vendo a situação de Belatriz.

Neste mesmo instante, ouviram a porta da cozinha da Sr. Weasley ranger.

– Olá, mamãe!

– Carlinhos! Que bom que você chegou! Aqui você estará mais seguro, meu filho...

– Mas o que houve aqui?

– Há muitos comensais conspirando por toda a parte. Essa aqui estava na casa do Harry. — Disse Sra. Weasley ao ver a cara de espanto de Carlinhos.

Após algumas horas, Belatriz recuperara sua total lucidez, estando ainda presa, agora num canto da sala com cinco aurores a postos, entre eles, Tonks e Lupin.

Petúnia olhava estranhamente para Belatriz, imaginando como sua irmã teria sido afugentada por alguns comensais e posteriormente morta pelo líder deles. Sentiu uma vaga vontade de abraçar Harry, mas sua vontade, felizmente, foi afastada ao ver Fleur e Gui saindo da lareira, um atrás do outro.

– Que reunião é essa? — perguntou Fleur com uma cara de espanto. — Gui, amorr, nosso casamento não serr só amanhã?

– Papai, o que está havendo? — Os olhos de Gui se demoraram bastante em tia Petúnia. Olá, Harry.

– Oi... Esta é minha tia. — Explicou.

Uma terceira pessoa saiu da lareira, assustando a todos, com a exceção de Gui e Fleur. Levantou-se limpando suas vestes e, com voz afável, disse:

– Olá, Arry! Como vai, Rony?

– Gabrriele, suba. Prrecisa de banho. Depois você fala com o Arry. — Exigiu Fleur.

A hora do almoço se aproximava e a Sra. Weasley nem se deu conta. Mas também, ninguém poderia sentir fome numa situação como aquela.

– O que estamos esperando, Arthur? — Perguntou a Sra. Weasley.

– Rufus. Mandei uma coruja para o ministério. Ele já deve estar vindo para levá-la. Deverão interrogá-la e fazer o que é necessário... — Mal acabou de falar e a porta bateu novamente. — Que bom que o senhor chegou!

– Tem que levar esta mulher daqui o mais rápido que for possível, Ministro! — Disse Molly.

– Claro, claro... vamos levá-la logo, tenho que voltar depressa ao ministério.

– Por que tão rápido? — Perguntou um dos aurores.

– Esta história de ser o ajudante do Ministro dos trouxas está me deixando louco! Tenho que perder tempo dando inúmeras entrevistas aos noticiários dos trouxas...

Rufus deixou seu olho fitar Belatrix por uns instantes:

– Seu destino não é dos melhores, filha...

Mesmo sem poder abrir a boca, os olhos de Belatrix indicavam que, se pudesse, faria o corpo do Ministro voar em meios a lampejos verdes.

Rufus atou nos pulsos de Belatrix uma corda prateada, cintilante, para amenizar qualquer tentativa de fuga.

– Tirem-na daqui logo! Quantos menos de vocês estiverem aqui, melhor! — Petúnia falou com uma certa rispidez.

– Tia, por favor, não se meta no que...

– Não me diga o que fazer, mocinho! — Disse Petúnia indelicadamente.

– Que tal trancar sua tia no porão? — Sugeriu Rony.

– Até que não seria má idéia.... — Retrucou Harry, e Petúnia calou-se.

Enquanto o Ministro dava suas últimas palavras com Artur, falando dos transtornos que teria de enfrentar com o assédio da imprensa após a captura de um comensal, Hermione murmurou para os garotos:

– Venham aqui fora, preciso lhes falar uma coisa...

Enquanto caminhavam para fora, Harry perguntou algo que só agora pareceu lembrar:

– Onde está Gina?

– Ahh... Depois que o papai trouxe do trabalho um estojo de maquiagem dos trouxas, ela agora vive trancada no banheiro. — Rony dizia com nojo forçado na voz.

Harry riu.

– O que foi, Hermione? — Perguntou Harry quando, enfim, encontraram um lugar seguro, longe dos ouvidos de qualquer um.

Hermione hesitou.

– Vamos, diga! — Ordenou Rony curioso.

– Bom... eu...

– Que coisa feia, Harry... chegou e ainda não falou comigo...

Harry se virou, Gina estava atrás deles.

– Ah... desculpe, é que eu...

– Bom, não faz diferença... vocês estavam falando algo antes que eu chegasse. Estou atrapalhando?

– Não foi nada... A Mione nos contava uma história. — Falou Harry pesando se Gina poderia saber.

– É, é...

Hermione não conseguia ter idéia sobre o que dizer na presença de Gina, então, para seu alivio, Rufus e o Sr. Weasley estavam trazendo Belatriz com os outros Aurores.

– Vocês querem ajuda? — Perguntou Hermione para se livrar de falar na frente de Gina.

– Não, Hermione. — Falou Tonks, segurando um dos braços da comensal. — Está tudo sob controle.

Harry percebeu, então, que o assunto que Hermione trataria era provido de bastante importância.

A Sra.Weasley servia a mesa com um ensopado de abóbora. Felizmente, ou não, tinha a ajuda, um tanto atrapalhada, de alguém que adorava serviços domésticos, a Sra.Dursley. Gina sentou-se ao lado de Harry à mesa. Estava toda maquiada.

– Não sei para quê ela se pinta tanto... — Disse Rony à Harry.

Gina fez cara de constrangimento.

– Bom, eu tenho que me arrumar, não é? O Harry é...

Hermione riu e completou:

– Ah, eu sei, muito cobiçado!

– Ela está assim desde que a gente foi com a mamãe ao beco diagonal comprar pó de flú e encontramos a Cho Chang.

– A Cho? — Perguntou Harry.

– É, ela perguntou sobre você. Disse que está com saudades e que torce por você, e outras coisas... Estava com aquela amiga, a Violeta.

Mione deu um muxoxo ao ouvir o nome da amiga de Cho. No quinto ano em Hogwarts, ela sofrera um feitiço que Hermione planejara.

– Não estou insegura, Rony, mas é que a Cho... bem, ela é tão bonita e... você gostava dela, não é verdade?

Harry não se sentia à vontade em discutir suas relações amorosas na mesa de café. Petúnia olhava atentamente as conversas.

– Eu não acho seguro que o Rufus deixe Belatrix no ministério. — Disse Artur para Molly. — Ela é muito esperta, pode escapar a qualquer momento.

– Verdade... Ela deveria ir direto para Azkaban. É bastante esperta, pode acabar enganando os aurores...

– Oi, gente! Senti o cheirro! Eu amoo ensorpado. — O inglês de Fleur mostrava resquícios de melhora.

Logo após sentaram-se à mesa Gabrielle, Carlinhos e Gui.

– Que é isso, Hermione? Dando comida na boca de um elfo? — Disse Carlinhos olhando para garota.

– De um não, de dois! — Falou ironicamente Rony.

– Ah, eles foram injustiçados a vida inteira... O mínimo que podemos fazer por eles nesse momento é tentar agradá-los, não é? — Perguntou a menina, meio ríspida.

Harry olhou para amiga, um pouco suja de ensopado porque Monstro havia se recusado a aceitar a primeira colherada.

– Ah, agradá-los! Por que você não me agrada, hein?

– Quer que a Hermione te dê comidinha na boca, é? — Riu Carlinhos.

Rony teve sua face avermelhada, assim como Hermione, mas não respondeu.

Harry não conseguiu comer muito. Não conseguia parar de pensar em Belatrix. — O que ela queria na casa dos Dursley?

Mais uma vez, se sentiu afundar na cadeira. Pensou na oportunidade que perdeu de interrogá-la, afinal, havia  possibilidade dela saber sobre o paradeiro de alguma Horcrux.

 Qual seria o próximo passo? Se ao menos tivesse a quem pedir conselhos... E mais uma vez apertou em seu coração a dor da morte de Dumbledore.

Aquela tarde se passou sob uma indisfarçável tensão.


 

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