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— 3º
Capítulo
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O CASAMENTO NA TOCA
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epois de algum tempo comendo e falando sobre o acontecido e sobre o
casamento que iria acontecer no outro dia, todos foram para cama. Harry
demorou a dormir, refletindo sobre Belatriz e o quanto de confiança que
Voldemort deveria lhe depositar.
– Vamos, Harry! Temos que pôr os arranjos na fachada e descascar as
amoras! — Chamava Rony enquanto puxava o lençol de Harry.
– Só mais um pou... — Bocejou. — ...quinho...
– Não, Harry! Já é quase meio dia. — Falou Hermione lhe entregando os
óculos.
Harry vestiu o seu casaco verde que a Sr. Weasley tinha lhe dado no
ultimo natal.
– Vamos... Falou ele se espreguiçando.
Eles desceram as escadas, enquanto Harry tropeçava de sono.
– Hermione, o que nos queria falar ontem que a Gina não pudesse escutar?
— Indagou Harry de súbito.
– Ah, sim... Vamos até o jardim... — Sugeriu.
Lá fora, Rony olhou ao seu redor, certificando-se que nenhuma Gina
apareceria novamente:
– Então, Hermione?
– É o Rufus. Não confio nele. — Disse um tanto sem jeito.
– O Rufus!? — Exclamou Harry.
– Francamente, vocês não notaram? Ele é bem estranho... Antes de vim
para cá, vi um artigo no Profeta Diário dizendo que ele...
– Nem vem, Hermione... — Interrompeu Rony. — Rufus é obcecado pela
prisão de bruxos das trevas... ele está do nosso lado!
– Mas é melhor ficarmos de olho nele. — Insistiu Hermione.
– Harry, quando vamos atrás das Horcruxes? — Indagou Rony mudando
propositalmente de assunto. Rufus havia prometido uma promoção para o
Sr. Weasley, por isso Rony o defendia.
– Primeiro teríamos que achar o verdadeiro medalhão, onde estaria,
supostamente, a verdadeira Horcrux... — E acrescentou: — O que significa
que pode estar em qualquer parte do mundo.
– O melhor caminho é descobrimos quem é R.A.B... — Arriscou Rony.
– Existem várias pessoas no mundo que possuem estas iniciais, será como
procurar agulha no palheiro! — Alertou Hermione.
– Vamos associá-lo ao Voldemort, procurar alguma ligação... — Disse
Harry pensativo.
– Você ainda precisa saber de uma coisa... — Lembrou Rony referindo-se à
informação que lhe contaria no dia da lareira. — Harry, eu vi meu pai
conversando com o Percy — que agora passava a visitar a família com
maior freqüência —, e eles estavam conversando algo sobre o véu negro,
mas não escutei direito...
– E o que você acha que seja, Rony? — Perguntou hermione em deboche. —
Que foi descoberto um jeito de tirar as pessoas de lá de dentro?
– Não, só achei que...
– Pare de ficar dando falsas esperanças ao Harry, ele já tem problemas
demais para perder tempo com uma coisa sem nenhum fundamento. — Disse em
tom agressivo.
Harry apenas observava com os pensamentos distantes, voltar a ver o
padrinho talvez fosse a coisa que ele mais desejava durante o último
ano.
– Não foi bem o que quis dizer... O fato é que também ouvi falarem sobre
você-sabe-quem ter se aliado a mais comensais... — Disse sentindo um
frio nas espinhas.
Essa informação pareceu trazer Harry à conversa:
– São todos uns covardes...
– Isto é normal, Harry... — Amenizou Hermione. — Depois que Dumbledore
morreu, ninguém mais se sente seguro. Acham que é melhor se juntar ao
inimigo do que ter de enfrentá-lo...
– RONALD WEASLEY! — Berrou a Sra. Weasley da janela. — Deixe de conversa
e venha me ajudar! Tem muitas coisas ainda para fazer, os convidados
chegam em uma hora!
– Acho que isso também foi uma indireta para a gente, Harry... — Disse
Hermione sem jeito.
Aos poucos a decoração ia ganhando a beleza de um casamento. Todo o
jardim estava ornamentado com enfeites na cor azul petróleo, com um
marrom dourado. Um altar de pedra branca foi posto na fachada da Toca e,
em um lapso, Harry lembrou-se, vagamente, do funeral de Dumbledore.
Cerca de 200 cadeiras — ladeadas por imagens de gnomos assumindo papéis
de anjos, cada qual com seu arco e flecha — foram ordenadas no jardim,
todas com dois corações entrelaçados e com um grande W & D bordado em
alto relevo. A grama foi cuidadosamente aparada e os duendes expulsos.
Um grande tapete amarelo ouro se estendia até o fim da passagem dentre
as cadeiras. Havia uma pequena arca de madeira, revestida por um tecido
preto, aveludado, na qual a senhora Weasley fez questão de lançar um
encanto que resultasse numa suntuosa e estridente canção de núpcias
quando a caixa fosse aberta.
Os primeiros convidados a chegar, reclamando, como sempre, foram os
gêmeos Weasley.
– Mas o que é isso!? — Berrou Fred, fazendo cena. — Vocês não colocaram
os nossos castiçais encantados sobre as mesas dos convidados!
– Eles são tão lindos e tão encantadores. — Ironizava Jorge. — E vocês
os tratam assim!?
Enquanto Fred e George colocavam os tais castiçais sobre a mesa, Gina
exortava a idéia de colocar seu vestido prateado de dama de honra, com
enormes laços acobreados.
– Eu não vou vestir isso! O que o Harry pensaria de mim?
– Gina, meu amor, o Harry não vai reparar nisso, afinal você é linda de
qualquer jeito... — Argumentou a Sra. Weasley hesitante.
– Do que estão rreclamando? — Indagou Fleur indignada. — Estão querrendo
dizerr que o vestido, que eu pessoalmente desenhei e mandei fazerr, é
feio?
– Fleurr, esses vestidos estão um horrrorr... — Falou Gabriele que
também seria dama de honra e já estava vestida.
Depois de muito relutar, Gina colocou o vestido e pegou uma almofada
vermelha no formato de coração onde estava posto duas alianças de ouro,
e tratou de esperar os demais convidados chegarem.
Hermione, Harry e Rony finalmente conseguiram se reunir sozinhos
novamente — e desta vez sem interrupções.
– Olhem o que saiu hoje no Profeta diário. — Disse Hermione ansiosa,
apontando uma pequena e despercebida coluna envolta de anúncios de uma
página do Profeta que ela mesma arrancara.
Harry leu em voz alta:
– “Um dos principais bruxos aliado do falecido Dumbledore, e
ex-vice-diretor de Hogwarts, está com graves problemas de saúde. —
Correu o olho pela matéria e continuou a ler outro parágrafo: — ...hoje
ninguém sabe sobre o seu paradeiro, pois ocorreram muitas tentativas de
homicídio contra ele...”
– E o que isso significa? — Perguntou Rony.
– R.A.B. — Respondeu de imediato, como se isso fosse a coisa mais
lógica.
– Mione, sua imaginação realmente me impressiona... — Disse Rony
encarando a garota com deboche.
– Devemos levar em conta todas as possibilidades, Rony. — Alertou Harry.
— Supondo que seja mesmo ele, o que acha que devemos fazer, Mione?
– Se R.A.B. foi realmente aliado de Dumbledore, certamente a Horcrux do
medalhão já foi destruída. — Refletiu Hermione. — Seria, então, uma a
menos para nós procurarmos. Considerando isto, só nos restam destruir a
cobra, a taça e a Horcrux que precisamos descobrir em qual objeto está.
– Eu quero me certificar de que o medalhão foi realmente destruído. —
Disse Harry obstinado. — Para isso precisamos descobrir quem é R.A.B. e
onde ele está.
Rony e Hermione entreolharam-se.
– Quem sabe ele não tem informações sobre as outras Horcruxes? —
Reforçou Harry.
Suas expressões mudaram, agora pareciam concordar.
A conversa foi interrompida pela aparatação de uma legião de convidados.
Quim, Lupin, Tonks haviam chegado com uma série de pessoas das quais
Harry lembrava-se de ter visto no Ministério da Magia, no dia em que foi
julgado.
– Todas essas pessoas são...?
– Bruxas, sim. — Respondeu Harry à uma pergunta indignada de Tia
Petúnia.
As roupas trouxas de Petúnia destacavam-se claramente dos trajes a rigor
dos bruxos.
– Há também alguns lobisomens, vampiros e outros monstros. — Completou
Harry propositalmente.
Petúnia olhou para Harry com grande arrependimento sobre sua pergunta.
O som de uma sineta foi ouvido.
– Pessoas, um momento, por favor! — Pronunciou-se a Sra. Weasley. —
Quero que se acomodem nas cadeiras enquanto os convidados terminam de
chegar.
Harry estava indo sentar-se quando alguém murmurou em seu ouvido:
– Eu e Tonks precisamos falar com você após o casamento.
A pessoa se afastou e Harry pôde perceber que se tratava de Lupin.
A professora McGonagal também estava presente. Ela estava mais pálida
que de costume, usava seu chapéu pontiagudo e um vestido num tom
alaranjado. Talvez, seu principal motivo de estar ali não fosse prestar
homenagem aos casados, mas sim, com a permissão do Sr. Weasley, fazer
tal pronunciamento:
– Estamos todos reunidos hoje para partilhar e gerar um pouco de alegria
em nossos corações nesses tempos difíceis... — O barulho diminuía
rapidamente. — Como aqui há muitos convidados, não vejo lugar melhor
para dar esta notícia. Desta forma, gostaria de comunicar a todos vocês
que, com o apoio de nosso Ministro, Aurores, Professores, Alunos e Pais
— o vozerio cessou completamente —, Hogwarts estará novamente de braços
abertos para os bruxos discentes...
Foi interrompida por gritinhos de vibração, mas quando os comentários
sobre o fato iniciaram, foi a vez de McGonagal interromper:
– Contudo, a segurança terá de ser dobrada na região da escola e algumas
normas terão que ser mudadas. — Agora seria impossível ter a atenção
recuperada. — Isso não é assunto para hoje, hoje é dia de festa...
Rufus também quis falar alguma coisa, mas a agitação não permitiu.
Harry não desejava regressar à escola, tinha preocupações mais
importantes que estudar herbologia ou o trato de criaturas mágicas.
– Mione, temos que treinar você para o teste de quadr... — Disse Rony
sem ver que Harry estava às suas costas.
– Quadrúpedes. -Interrompeu Hermione, avistando Harry.
– Vai estudar criaturas esse ano? — Perguntou Harry intrigado, deixando
Rony pálido com o susto. — Não esqueça dos NIME’s, Hermione. — Disse
Harry preocupado demais para perceber o alívio de Rony.
– Tem razão, Harry. Talvez seja melhor dispensar esta matéria. — Disse
Hermione fingindo compreensão. — Mas vamos ouvir o Rufus...
Ninguém ouvia o que o Ministro falava, talvez, nem ele mesmo.
Gina estava radiante. Apesar do vestido, sentia-se bela e aproveitava
disso para, vez em quando, passar por Harry fazendo charme.
Subitamente, um pequeno velho aparatou ao lado de Scringeour. Tratava-se
do “duende-padre” e chegara para celebrar a missa. Sob os olhos de
Harry, ele era um pouco parecido com os duendes de Gringotes, mais alto,
talvez. Ajudado pela batina preta, seu semblante era inegavelmente
triste.
Logo o silêncio reinou novamente, pois a Sra. Weasley abriu a arca
encantada no momento que os noivos entravam, sob pétalas de rosas, pela
passagem entre as cadeiras. Era como se todos estivessem apaixonados,
inclusive Hermione que, sem perceber, pousava a sua mão na de Rony.
Assustado e sem jeito, ele virou a cara.
A cena dos noivos e as damas de honra entrando causou um breve momento
de paz e harmonia entre todos — as rosas só pararam de cair quando o
Duende começou a falar:
– Bem, bem... um matrimônio sempre é bem-vindo, mas é bom lembrar que
não é só de alegria que vive o casamento, ainda existem muitas coisas
que...
As palavras entravam e saíam pela cabeça de Harry. Pensava em Gina agora
com mais freqüência e, mesmo sabendo que não poderia continuar seu
relacionamento, seu coração não conseguia mais suportar a ausência dos
beijos da pequena Weasley.
Harry avistou Umbriges cochichando com Scringeour e percebeu que esta
seria uma ótima oportunidade para os comensais atacarem, afinal, estavam
quase todos da Ordem e muitos voluntários para acabar com Voldemort,
todos reunidos e com toda a atenção voltada para o casamento. Ao menos,
foi o que Harry pensou, pois, logo em seguida fitou um Lupin receoso e
atento a qualquer movimento. Harry olhou à sua volta e percebeu que, por
trás das árvores, ao longo da Toca, havia mais três aurores de
prontidão.
Ele se deu conta do que se passava no casamento quando os noivos se
beijaram, seguidos de um estrondoso aplauso.
Havia alguns fotógrafos do Profeta Diário e uma desocupada Rita Skeeter
que conseguiu se aproximar de Harry:
– Olá, querido, como vai!? É verdade o que dizem por aí? — Sua pena de
repetição rápida aguardava pelo menor suspiro de Harry.
– E o que é que dizem por aí? — Indagou Harry sem paciência.
– Oras, não se faça de bobo. — Disse-lhe piscando um olho. — Todos já
sabem que você irá trabalhar no ministério ao lado de Scringeour...
– Eu nunca iria... — Harry ficou vermelho, mas não teve tempo de
responder porque Gina, percebendo a situação, arrastou Harry para tirar
algumas fotos ao seu lado.
– Harry,venha aqui tirar uma foto com os noivos! — Chamou Molly
empolgada.
Harry odiava tirar fotos.
O dia se seguiu alegre e festivo, sem muitos problemas..
Os membros da Ordem ainda estavam atentos a qualquer movimento suspeito.
Outro dia amanheceu e todos demoraram a levantar de suas camas, exaustos
pelo dia anterior.
Já não tinha como não se contagiar com a imensa alegria que abençoava,
naquele momento, a Toca, Harry acordou sentindo-se bem melhor.
Quando todos estavam na mesa para tomar o café, não havia outro assunto
senão sobre a reabertura de Hogwarts.
– Temos de ir ao beco diagonal comprar os materiais escolares. — Dizia a
Sra. Weasley enquanto fritava ovos com bacon. — Quando será que enviam a
lista de tudo?
– Não estou preocupado com os materiais, mas sim com quem será o novo
professor de Defesa contra as Artes das Trevas... — Disse Rony
pensativo.
– A Minerva já deve ter dado um jeito nisso. — Falou o Sr. Weasley. —
Então, meninos, estão animado com a volta as aulas?
Ninguém respondeu. Harry demonstrou impaciência.
– O que houve, Harry? — Perguntou o Sr. Weasley.
– Ele não tem certeza se quer voltar para Hogwarts... para falar a
verdade, eu também não sei se...
– Como assim? — Perguntou Molly interrompendo Hermione.
Harry gaguejou antes de responder, e Hermione ajudou-o:
– Ele sente muita falta do professor Dumbledore e não suportaria voltar
lá este ano... E eu também...
– Claro... eu... não suportaria...
Molly e Artur entreolharam-se. Em seguida fitaram Rony que,
simplesmente, calou-se, afinal tinha a mesma coisa em mente.
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