Harry Potter e o Mistério do Véu Negro
 
 
 

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— 41º Capítulo
o novo escudo antigo

  

V

ampiros, aurores, comensais, todos, de todas as formas, de todos os jeitos estavam dispostos na arena da vila de Drope Ceaste, que parecia aumentar cada vez mais. Petrificados, estuporados, transfigurados... mortos.

As esferas ainda estavam balizadas.

– Lord... deixe-me ajudá-lo... — Dizia Rabicho olhando para Voldemort, que tentava se levantar.

– Rabicho — ele ouviu Harry chamar, e se virou. — Eu não costumo cometer o mesmo erro duas vezes...

Rabicho tremeu, ia suplicar diante da varinha estendida de Harry, mas não houve tempo.

Avada Kedavra — Ele acabara de deixar Rabicho caído em cima do cadáver de Nagine. — Isso é por Cedrico Digore...

– Potter... maldito... não pense que irá... sair daqui vivo... garoto estúpido... — Dizia Voldemort já de pé, cambaleando.

– Medalhão Slytherin, talismã Grinffindor, Diário de Riddle... — Harry encarou a cara pálida de Voldemort e sorriu. — Anel de Servolo, Taça de Ruffepuffe, Nagine...

Ele parou de cambalear. Estava incrédulo.

– Foi você... impossível... — Voldemort estava decididamente encolerizado.  — Isso não irá ficar assim... — ele ergueu a varinha. — Sectum... — Harry usou o protego.

– Está sozinho, agora. Só me resta uma Horcruxe para destruir. Você. — Completou imponente, tinha Voldemort em nas mãos.

– Quero ver como irá fazê-lo, Potter... — Voldemort ainda tinha pulso para desafiar. Todos lutavam desesperados, luz e trevas.

– Trocou de varinha achando que poderia me matar, mas acho que os papéis se inverteram — Harry olhou para a mão tremula do Bruxo, em seguida fitou seus olhos estagnados.

Voldemort buscava a melhor saída. Sua mente maquinava rapidamente. Seu corpo estava fraco, sua mente estava cansada e desconcentrada, mas seus poderes ainda continuavam devastadores.

Voldemort olhou à sua volta. Já sabia como venceria a batalha. Antes disso, precisava de um tempo para se restabelecer.

é que você pensa, imbecil... Indulgrak — ordenou com a varinha. Uma imensa redoma de energia transparente formou-se ao seu redor. Parecia inatingível. — Seus feitiços não inúteis contra esta barreira.

– Covarde... — Hermione aproximou-se de Harry, e Rony veio em seu encalço.

Os três tentaram feitiços, mas todos ricochetearam antes mesmo de chegar na barreira.

– Voldemort... você não tem a menor chance agora, tenha um pouco de orgulho e se entregue — disse Rony. Hermione e Harry fitaram-no imediatamente.

Voldemort gargalhou.

– Você sabe que iremos atrás de você se desaparatar, o que pretende?

Feitiços, socos, magias eram lançadas, mas Harry estava preocupado demais com o que Voldemort estava tramando.

– Você não poderá se esconder pelo resto da vida!

Voldemort sentiu-se forte o bastante.

Levicorpus...

– Harry! — Gina gritou. Ele olhou para trás e a viu levitar de cabeça para baixo.  Nevile e Luna desafiava alguns comensais, mas tentaram fazer Gina descer. Foi em vão.

 

– Ora... ora... ora... Sua namoradinha imatura, não Potter? — Disse Voldemort trazendo-a para dentro da redoma.

– Deixe-a Voldemort! — pediu Harry desesperado.

Gina caiu no globo translúcido, tombando ao lado de Voldemort.

Harry tentou correr para evitar, mas Rony o segurara, aturdido.

– Nevile... — Luna gritou. O garoto passara correndo pelos três, até se chocar com a redoma de Voldemort e ser lançado a muitos metros de distância.

– E então, Potter? Onde está a sua virilidade? — Voldemort envolvia o pescoço da jovem com seu braço semi-morto.

– Isso é entre mim e você, covarde! Deixe-a ir! — Hermione e Rony seguravam Harry mais uma vez para que ele também não caísse na besteira de Nevile.

– O que você pretende com isso, Voldemort? — Perguntou Hermione.

– Eu quero que todos vocês vão embora... — mentiu Voldemort. — Ou eu mato esta garota. — Ameaçou sufocando-a.

– Primeiro liberte-a! — Gritou Harry furioso.

– Você não tem mais como se recuperar, independente de matá-la ou não, você irá ser morto, Voldemort! — Disse Hermione em prantos.

– Não diga besteiras, verme de sangue-ruim! Nunca serei morto, será que não compreendem? — Serpenteou ele.

– BOMBARDIUM! — Gritou Harry contra a redoma.

Não adiantou.

– Se insistir em me atacar, mato-a!

O duelo na arena cessava aos poucos, todos estavam exaustos. Rufo terminara de acabar com dois Dementadores quando Minerva aparatou.

– Aberforth vai ficar bem, ele está com madame... Santo Deus! Gina!

– Ele vai matá-la, professora... vai matá-la! — Disse Harry nervoso. — temos que fazer alguma coisa!

– É só abandonar o duelo... e se renderem.. — Falou Voldemort insano.

– Parem com isso, imediatamente, parem! — Gritou Minerva para os poucos que ainda restavam duelando.

Ninguém parecia ouvi-la. Fred e Jorge estavam se saindo muito bem trabalhando em equipe, e não pensavam em parar. Fleur havia emparelhado ao lado de Sirius, enquanto Lupin e Gui, ajudados pelos animagos, davam uma surra nos lobisomens. Hagrid acompanhava seu meio-irmão em diversas emparedadas.

Voldemort terminava de recobrar sua força. A destruição da penúltima parte de sua alma tinha, de fato, lhe afetado assustadoramente. Sentindo-se seguro de si mesmo, baixou sua redoma, enquanto apontava sua varinha para o pescoço de Gina.

– Crucios. — Gina retorceu-se terrivelmente, e Voldemort gargalhou, interrompendo a maldição.

– Maldito! — Rosnou Harry, sem ter o que fazer.

– Minha intenção não é se esconder. — Disse ele firme. — Ainda continuo sendo o maior bruxo e com um imenso desejo de liquidar você, Harry Potter.

Gina chorava abruptamente de dor e medo.

– Deixe-a em paz, se é a mim que você quer... eu troco de lugar com ela!

– O mesmo altruísta de sempre, que tolice. — Era exatamente isso o que Voldemort pretendia. — Afaste-se de sua varinha...

Harry jogou-a para longe, obstinado.

Voldemort empurrou Gina para o chão.
Um dilúvio de feitiços e azarações saiu das varinhas de Minerva, Rony, Hermione e Harry. Voldemort ricocheteou todos.

– Perdi parte de minha existência, e perdi minha imortalidade. Mas meus poderes continuam os mesmos. — Voldemort disse com desdém. Ele hasteou a varinha na direção de Harry. — KOLEÓPTERUS!

Uma poção de besouros escuros foram conjurados da ponta da varinha de Voldemort, em seguida, envolveram todo o corpo de Harry, transformando-se numa dura carapaça, erguendo-o no ar.

Harry tentou lutar, mas não conseguiu evitar o ataque. Seu corpo estava coberto por aqueles insetos, que dilacerava toda a sua pele.

– Suguem todo o seu sangue e matem-no. — Voldemort disse secamente, estendendo novamente a varinha: — KOLEÓPTERUS!

Dessa vez os insetos envolveu os cadáveres dos comensais mortos e de todos os seus aliados.

– Absorvam suas matérias e convertam em energia. Não preciso de imortalidade quando posso ser indestrutível.

A mesma névoa enegrecida que fora emanada do corpo de Voldemort agora retornava em forma de energia, vinda dos insetos.

– Isto é magia das trevas, a pior que já vi, em toda a minha vida... — Disse Minerva pondo a mão no peito.

– Temos que ajudar o Harry! — Disse Gina levantando-se desesperada.

– Eu não conheço nenhum feitiço que possa anular isto... — Disse Rufo se aproximando.

Podiam ouvir os gritos de Harry vindos lá de cima.

– Qualquer ataque que fizermos pode afetar o Harry... temos que pensar em algo rápido... — Disse Minerva pálida.

– Não há nada que vocês possam fazer... — Disse Voldemort convicto. — A vitória é minha. Destruindo o garoto que sobreviveu, eu recupero a minha honra. Não haverá mais paz neste mundo, e eu iniciarei o meu império. — Elucidou Voldemort com um incrível ar de imponência.

Os centauros atiravam flechas na carapaça, e estas ricocheteavam sem surtir efeito algum.

Todos ao chão notaram vários casulos flutuando ao redor de Voldemort. Gina afastava-se correndo, Voldemort ignorou-a.

– Gina! — Gritou Sr. Weasley com algumas feridas sanguinolentas no rosto.

Não tinham mais com quem duelar, todos os seus oponentes agora estavam envoltos em carapaças. Pouquíssimos comensais foram livrados, e não tinham mais como duelar em minoria. Renderam-se.

Snape acabara de sentir seu corpo balançar no alto, de cabeça para baixo, mas foi logo controlado por outro Petrificus vindo de Kim.

Tonks e Fleur olhavam medrosamente Harry imóvel naquele casulo negro e aterrorizante, sem poder fazer nada.

– Vamos... vamos, Moody, deve haver algum contra-feitiço para isso! — Pedia Sirius desesperado, vendo seu afilhado naquela situação.

– Não conheço nenhum... não faço a mínima idéia... acho que nem o Dumbledore saberia...

– Isso... claro... Dumbledore! — Sem mais palavras, Sirius desaparatava deixando Moody ainda mais perturbado.

– Força vital... sejam bem vindas — As gargalhadas de Voldemort espantavam até os próprios aliados. — Lílian não morreu em vão... pois eu também possuo a sua proteção... que ironia...

– Não ouse tocar no nome da mãe do Harry, seu monstro... — Gritou Rony firme.

Voldemort sorriu desdenhosamente.

Hermione elevou sua mente para o casulo de Harry.

Finite Incantatem... — Gritou a garota em sua mente.

A carapaça rodopiou e se manteve no mesmo lugar, híspida.

– Façam alguma coisa... Hermione... por favor! — Disse Rony atônito.

– Vejam só aquilo! — Apontou Jorge espantado.

Um risco dourado cortava o céu.

“Não agüento mais... a Profecia estava certa... não posso suportar... Dumbledore, me perdoe... mãe... pai...”, pensou Harry prestes a desmaiar. Havia perdido muito sangue.

“Esqueça a Profecia, Harry... e não deixe que a morte de seus pais tenha sido em vã.”, Harry percebeu uma voz bastante conhecida em sua mente.

“Dumbledore...”, pensou sem acreditar. Notou que um canto revigorecedor inundava-lhe o corpo. A voz de Dumbledore havia sido despertada em Harry em função do canto da Fênix e das profundas lembranças que guardava do diretor.

Mesmo sem alguém conseguir enxergar através daquela carapaça, havia um sorriso na face de Harry.

“Não posso deixar que Voldemort vença... ”.

– É Fawkes! — Disse Minerva encantada.

O pássaro planava em volta do casulo, o seu canto enfraquecia a união dos besouros.

Bombardium. — Ouviram Harry gritar.

A carapaça que envolvia Harry adquiriu uma tonalidade dourada. Após isso raios de ouro foram emanados para fora e, enfim, explodiu.

O corpo de Harry foi arremessado para o ar. Antes que caísse, sentiu as garras da Fênix envolver seus ombros.

Fawkes planou até que Harry pudesse tocar no chão. Derramou uma gota de lágrima sobre a cabeça dele e o soltou levantando vôo para bem alto.

– Esta praga! — Cobrejou Voldemort atordoado. — Isto é impossível...

– Ele conseguiu, o Harry conseguiu! — Disse Gina deixando escapar alguns soluços.

Todos estavam exaustos e repletos de azarações por todo o corpo. O dia já estava preste a amanhecer e os lobisomens perdiam suas forças. Os casulos se desfaziam, deixando os corpos inconscientes dos comensais e vampiros no chão.

– Harry, você está bem? — Perguntou Minerva e Hermione quase em uníssono.

Rony correu para o amigo.

– Não precisa, eu estou bem, Rony — disse para o amigo. — Por favor, deixem isto entre mim e Voldemort. — Pediu olhando diretamente nos olhos de seu inimigo.

Fawkes lançava uma suntuosa canção sobre todos.
Minerva olhou-o com um breve sorriso. Estava orgulhosa.

– Por que me olha assim, Harry Potter? Os olhos de sua mãe em nada me amedrontam.

– Não fale de minha mãe com sua maldita boca!

– A sua mãe era uma vadia, que se casou com seu pai por puro interesse...

– Cale essa boca imunda, você não sabe de nada! — As têmporas de Harry ameaçavam estourar.

– Menininha mimada, sua mãe, Harry... queria algo mais, Tiago Potter um homem idiota, herdeiro do Gringotes, para quê melhor? — Voldemort deturpava o psicológico de Harry.

Harry olhou pelo canto dos olhos, em busca de sua varinha.

– Ela sim era muito esperta, teria um filho com ele e seria a mulher do bruxo mais rico de Hogwarts... você é fruto de interesses financeiros, Potter!

– Abafliatus... — O feitiço de Hermione foi impedido por um contra-feitiço de Aleto, um dos comensais poupados por Voldemort. Ele aproximava-se do Lord.

– Não dê importância a ele, Harry, é exatamente o que ele pretende, fazê-lo perder a noção. — Disse Minerva encarando Voldemort. Gostaria de interferir, mas tinha a Profecia em mente. — Sua mãe era impetuosa, e casou-se por amor.

Harry avistou-a.

– Mas não se preocupe, você terá a chance de se entender com ela — Voldemort ameaçou incisivamente.

Se não o fizesse naquele momento, poderia não estar mais vivo no próximo segundo. Harry correu em direção à sua varinha.

Avada Kedavra! — Gritou Voldemort vorazmente.

Harry se jogou arrebatando sua varinha. Virou-se a fim de deter a maldição. Não precisou. Alguém o fizera por ele.

Não! — Gritou centenas de vozes em sintonia.

Os cabelos leves e ruivos balançavam-se pelo vento, as costas de Gina era o que Harry e os demais poderiam ver naquele instante em meio a jorros de luz verde.

Os primeiros raios de sol se insinuaram sobre o corpo que caia vagarosamente no chão.

Voldemort não estava decepcionado, pelo contrário.

Ninguém pôde acreditar quando Gina tombou morta no chão. As esferas brancas se dissolveram, deixando o sol tomar conta do ambiente.

Rony e Hermione ficaram estagnados. Arthur e Harry correram para o corpo de Gina estendido no chão, sem se importar com o que Voldemort pudesse fazer.

Arthur estava desnorteado. Ao constatar a morte da filha, não se conteve:

– Harry... não deixe que ela tenha morrido em vão... por favor... — Assim como Minerva, Arthur sabia que naquele estágio a briga deveria findar apenas entre Harry e Voldemort. Portanto, ele pediu chorando sobre o corpo da filha: — Vingue-se deste miserável...

Havia lágrimas no rosto de Harry. Ele prometeu para si mesmo que acabaria com tudo naquele momento. Ergueu-se do chão e caminhou lentamente para Voldemort.

Os dois encararam-se.

Harry acenou para aqueles que iam em seu encalço. Era particular.

Os aurores capturaram os três comensais restantes.

– Isso tem que acabar aqui. Hoje. Agora. — Disse Harry obstinado.

Voldemort sorriu, apontando a varinha:

– E irá.

Após alguns segundos de silêncio, onde todos assistiam, atônitos e extasiados, Harry foi o primeiro a gritar utilizando-se de todo o seu interior:

Avada Kedavra!

Voldemort retrucou com a mesma maldição, com os olhos demasiado abertos.

Por um segundo ninguém pôde ver o que acontecera. Os dois jorros de luz verde chocaram-se como a três anos atrás. Desta vez, aquele que partira da varinha de Voldemort levou a melhor. Uniu-se ao jorro de Harry e devolveu-o ainda maior, mais poderoso.

Harry sabia o que aconteceria dali em diante. Jogou a varinha para longe e deu um passo a frente, com os braços estendidos. A maldição chocou-se com a sua caixa torácica, lançando Harry para trás, e repelida logo em seguida.

O corpo de Gina morto ao chão, Snape flutuando petrificado e os casulos dos já mortos, foram os últimos espectros que os olhos negros e assombrosos de Voldemort puderam enxergar.



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