Harry Potter e o Mistério do Véu Negro
 
 
 

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— 42º Capítulo
hogwarts refletida

  

I

nstantaneamente, a dor, que por muitas vezes causou problemas a Harry, desvaneceu de sua cicatriz. Fuligens enegrecidas viraram neblinas aos raios de sol.  Harry estava ajoelhado no chão e de cabeça baixa, com a mão direita sobre o peito, arquejando.

O terreno havia sido totalmente convertido a pedaços, destroços e corpos. O cadáver de Belatrix encontrava-se próximo de um Snape mortificado, de cabeça arroxeada, ainda flutuando sob olhares de Kim.

– Bom trabalho, Harry — ele sentiu a mão de Minerva tocar-lhe o ombro carinhosamente.

– A Gina... foi ela quem... — Harry engasgou. — Eu... eu a perdi....

– Ela fez o que julgou ser o certo... se ela não o tivesse feito, Voldemort ainda estaria vivo, espalhando o horror, enquanto você nada poderia fazer, pois estaria morto.

Harry abraçou-a, chorando.

Hermione e Rony aproximaram-se. Todos os outros olhavam de longe, respeitosos.

– Não fique triste, Harry, ela fez por amor... — Hermione tentou consolá-lo, tentando manter-se firme. — Todo o mundo foi salvo por um ato de amor, e por sua coragem...

– Eu estou orgulhoso, cara... Sei que a Gina também está. Onde quer que esteja, ela está feliz... é o que importa.

Harry levantou-se apoiado por Rony, e juntos encaminharam-se até o corpo de Gina, ainda estendido no chão.

– Eu te amo, Gina... — Sussurrava ele agora debruçado ao peito da garota. — Vamos nos reencontrar um dia... — E beijou-lhe, transmitindo algumas de suas lágrimas.

Rufo e Minerva esperou até que Harry se sentisse bem o bastante para deixar-lhes levar Gina.

Snape despertava do encantamento, mas continuava dependurado de cabeça para baixo.

– Bela.... Belatrix... — murmurou ele tonto, com a visão embaçada.

Kim voltou a estuporá-lo.

 

 

Em Hogwarts o dia amanhecia calmo e normal, como qualquer outro — a não ser para os professores estavam andando por todo o salão aguardando alguma coruja chegar.

As gritarias no castelo estavam deixando Slughorn ainda mais ansioso e temeroso. Fora visado da batalha que se sucedia, mas ficou com alguns professores para cuidar dos alunos. Estava agora em seu escritório escuro e recatado. Havia em sua mesa vários litros de hidromel seco.

 

 

– Estão todos bem, eu sei disso, posso ver... — Falava Sibila.

– Suas previsões estão erradas, Trelawney. Foi a batalha final. Deve haver alguém ferido, morto...

– Você não sabe de nada! — Sibila falava sofregamente. Bins e Sprout permaneciam pessimistas.

– Pare de andar, vocês... assim morrerei novamente, mas desta vez de tensão! — Disse Nick-quase-sem-cabeça saindo de um quadro.

Os alunos ainda trocavam as vestes para o café da manhã, quando Dobby cutucou Simas e Dino pela décima vez.

– Não sei, Dobby, realmente não sei!

– Você não está dizendo a verdade, seu... seu... preciso falar com meu senhor... leve-me até ele!

– Ah, Dobby, vai encher outro... — Disse Simas pegando o casaco no malão.

– Você acha que já não fiz isso?

Alguns alunos como Padma e Parvati foram as primeiras a chegar no salão principal e constatar o clima dos professores.

Pouco tempo depois vários alunos já estavam sentados nas mesas das casas degustando o café da manhã, enquanto murmuravam o que poderia ter acontecido para deixar os professores com olheiras tão imensas. Slughorn acabara de se sentar ao lado do professor Bins.

Aberforth dormia confortavelmente na cama estreita da ala hospitalar, Promfery velava o seu sono com todo o cuidado.

– Chegaram! Eles chegaram... — Filch entrou pelo salão principal anunciando, mancando e arfando. — Estão nos portões principais...

Os professores levantaram-se rapidamente de seus acentos e correram para fora, acompanhados dos monitores das casas.

 

O sol brilhava nos olhos dos professores ao constatar os portões repletos de minúsculas pessoas e uma enorme figura que caminhava para floresta negra.

– Minerva! — Exclamava Slughorn com passos lentos e mancos ao encontro de Mcgonagall.

O jardim enchia-se aos poucos de alunos curiosos querendo saber o que estava acontecendo.

– Estão todos bem, professora? E... e Voldemort!? — Perguntou Flitwick.

– Ele está morto... para sempre. Mas... — Minerva suspirou profundamente, olhando para trás.

Hagrid saiu detrás de Lupin, Tonks e Minerva deixando seus braços hasteados aparecer para toda a multidão que se acumulava pouco a pouco.

– Mas...

As palavras de Sibila foram aparadas por sua visão e a de todos os alunos e professores boquiabertos.

– Menina Weasley?! — Exclamou Horace aproximando-se. Harry estava ao lado de Hagrid, cabisbaixo.

As feições dos recém chegados eram as piores que podiam existir. Harry nunca se sentira tão mal, talvez nem na morte de Alvo ou Sirius. Ele perdera o amor de Gina para o mundo, para Voldemort.

Após tomarem conhecimento do que realmente havia acontecido, os alunos que rodeavam o jardim ficaram pesarosos.

– Vou levá-la para a Ala Hospitalar — avisou Hagrid. — Devem prepará-la para... para... — ele engoliu em seco. —Até que seus pais venham lhe buscar...

– Tudo bem, Hagrid, faça isso — e o gigante se foi com Gina, sem dizer mais nada. Minerva virou-se para Harry: — Você precisa descansar... está exausto.

– Entrem, entrem... — Mandou Slughorn e todos o obedeceram.

Harry caminhou segurando a mão de Hermione que apoiava sua cabeça no ombro de Rony. Caminharam lentamente, subindo as escadas e passando corredores até chegar ao quadro da mulher gorda, onde já estava aberto, a passagem dos garotos deixaram várias fotos enquadradas murmurando quadro a quadro.

 

Naquela manhã as aulas foram suspensas. Harry tinha um sono agitado. Seu peito ainda doía muito, e decidiu levantar-se. Rony estava no dormitório quando Harry tirou a parte de cima do pijama. Algumas artérias haviam se dilatado. A pele estava escurecida.

– Você deveria ir ver a madame Promfery, cara...

– Não, irá passar... Não sou mais um bebê. Não ficarão cicatrizes.

Eles saíram para o salão comunal.

“A guerra deste, e do próximo século”

Era a manchete do Profeta Diário.

Era muito difícil encontrar um aluno que não estivesse com o jornal entre os braços ou preso aos olhos.

“...Aquele-que-não-deve-ser-nomeado armou uma armadilha para toda a equipe do Ministério da Magia e alguns professores do colégio de Magia e Bruxaria de Hogwarts causando várias mortes e destruições. A vila de Drope Ceaste foi totalmente destruída pela batalha. Agora há pouco uma equipe de Bruxos autopsistas recolheu todos os cadáveres, incluindo o da Comensal Belatrix Lestrang e o do vampiro Lobo Greyback que escapara de Azkaban. Ex-professor de Hogwarts e regenerado como Comensal da Morte, Severo Snape foi abatido a passar o resto da vida preso na cadeia de Azkaban, agora vigiada por aurores exaustivamente treinados em Defesa Contra a Magia das Trevas...”

Dessa vez o profeta não inventara nem omitira nada, a matéria relatava o que realmente havia ocorrido.

“...Harry Potter, ‘o escolhido’, conseguiu libertar-se da maldição dos Koleópterus, e reverter a situação da guerra. [...] A família Weasley teve uma pequena perda, Gina Weasley,  morreu pela maldição imperdoável para salvar seu namorado, Harry Potter.”

– Pequena perda... — resmungou Harry indignado, sentado ao lado de Rony e Hermione na mesa do salão principal na reunião que Minerva convocara.

Nenhum dos amigos comentou nada.

– Atenção, atenção todos, por favor... — pediu Mcgonagall.

O salão estava "decorado" com cortinas pretas e o símbolo da Grifinória ao lado do de Hogwarts, com tochas douradas flamejantes que refletiam no rosto de todos, marejados em lágrimas, assim como no dia da morte de Cedrico.

– Como já é de conhecimento de todos, hoje pela madrugada... — começou Minerva pesarosa. — Nós tivemos uma enorme perda. A senhorita Gina Weasley ofereceu sua vida, corajosamente, para salvar a vida da pessoa que ela tanto amava. Um ato bravo e que não se pode ver em todas as pessoas. Ela faleceu com honra e coragem, a lembrança de seu ato será guardada para sempre em toda a história do mundo bruxo. Devemos esclarecer também, que foi pelo ato da srta. Weasley que hoje poderemos dormir em paz. Aquele-que-não-deve-ser... — Minerva suspirou, fechando os olhos, e logo retificou: — ...o Lord Voldemort... foi derrotado. — Seus olhos enchiam-se de lágrimas a cada palavra.

Vários murmúrios percorreram o salão.

– Por isso... desejo que todos vocês sempre lembrem que seja qual for o nosso sangue, escola ou casa, estaremos sempre unidos e tocados pela gratidão que sempre teremos pelos nossos heróis da noite anterior.

Aplausos tristes, porém intensos, percorreram o salão.

– Hermione... onde esta o Sirius? — Perguntou Harry sentado numa poltrona escura e opaca do salão comunal poucos minutos depois.

– Não sei, Harry, hoje pela manha ele não veio conosco, ele deve ter ido para a Sede... — Hermione falava em tom arrastado.

– E o Rony? Onde está?

– O Sr. e a Sra Weasley vieram buscá-la agora há pouco... e Rony foi com eles.

– Então devemos ir para lá...

– Nós vamos, Harry, mas temos que deixar um pouco a família a sós.

Os dois ficaram em silêncio.

– Foi muito corajoso, Harry. Você sabe... em enfrentar a maldição...

– Depois que a Gina me protegeu eu já sabia que um novo escudo havia se formado, pude sentir... só precisava arriscar.

– Mas... e se você morresse?

– Eu estaria com a Gina agora — Harry pois a mão na testa encontrando a cicatriz. Hermione não respondeu. — Você acha, Mione, que dessa vez o Voldemort morreu mesmo?

– Ele não tem mais Horcruxes, esteja certo disso. Mas o corpo dele... onde foi parar?

– Evaporou em cinzas pelo ar... você viu... ele não tinha mais um corpo. Nem mesmo depois da poção que o Rabicho fez ele adquiriu um corpo real.

Neste momento um garoto do primeiro ano entrou com dois colegas segurando uma barulhenta caixa de festas, os garotos passaram correndo pelo dormitório olhando os detalhes da caixa.

– Mal-educados... — disse Harry segurando as lágrimas.

– Harry... nós estamos muito tristes, mas é natural que os outros comemorem o fim de Voldemort.

Aqueles três garotos do primeiro ano foram as únicas pessoas que passaram pelo salão comunal naquela noite antes de Harry e Hermione irem repousar pensando em como seria o enterro de Gina na Toca.

 

Escuro era o céu de domingo aos redores de Hogwarts quando Harry acordou.

– Meu senhor... meu senhor está bem? — Perguntou a miniatura feia e repleta de casacos pelo pescoço.

– Estou sim, Dobby. — Bocejou Harry esquecendo do que encararia no dia por alguns segundos.

– Meu senhor... foi verdade que a menina... a menina Gina foi morta pelo... pelo... — Dobby estremeceu.

– Sim, Dobby... — Harry respondeu de má vontade.

– Dobby gostava dela, Dobby gostava do casal, senhor...

Harry suspirou. Ainda de pijama, recolheu seus óculos indo ao alcance da visão escura após a janela, onde Edwiges deixava suas órbitas descansarem em um profundo sono.

– Desculpe, senhor... não foi a intenção de Dobby... lembrar... — Dobby recolheu um jarro no qual segurava uma orquídea roxa e socava na própria cabeça. — Dobby intrometido, Dobby muito abelhudo...

Harry não deu atenção ao elfo, seu olhar estava distante. Percebendo isso, Dobby cruzou os braços por detrás das costas curvadas e abaixou a cabeça mostrado alguns fios brancos de cabelo.

– Dobby só quer ser útil... senhor...

– Eu vou embora, Dobby. Não precisará se preocupar mais comigo.

– Mas o Dobby vai com o senhor! Vou arrumar o seu malão!

Dobby rodopiou os olhos e caiu sobre as roupas, livros e objetos que rodeavam a cama de Harry e seu malão.

– Mas para onde o senhor vai?

– Largo Grimalld, após o velório...

– E seus tios, senhor?

– Isso é outro favor que vou lhe pedir, e espero que diga não se não concordar...

– O que desejar, eu farei, senhor...

– Dobby... você agüentaria morar com meus tios em Londres? — Dobby arregalou ainda mais as enormes bolas do olho.

– Se assim quer meu senhor, eu aceito... — disse hesitante. — Sim... Dobby toma conta dos tios de Potter, meu Senhor... Dobby toma...

– Obrigado, Dobby, irei visitá-los sempre.

Essas palavras fizeram a boca do elfo chegar às orelhas.

– Agora vou me encontrar com a Mione, vamos tomar café e seguiremos com a Minerva até a Toca... — Disse Harry começando a se trocar. Seu peito estava bem melhor.

– Sim, senhor.... seu malão estará pronto, não se preocupe.

Ao fechar a porta, Harry viu Dobby estalar os dedos e o livro do príncipe penetrar o fundo do malão.

 

Vários alunos corriam com malões por toda sala comunal, as aulas haviam sido enceradas mais cedo e o Trem para estação Kim Cross sairia nesta manhã.

– Harry! — Exclamou Luna e Nevile no meio da multidão.

Hermione apareceu, também. Estavam com expressões melhores que o dia anterior.

– Acho que vão todos os professores... — Disse Hermione com um vestido rodado extremante preto, parecido com o de Luna em sua cor.

Harry estava sério.

Todos desciam as escadas que levavam ao salão principal, onde as últimas palavras do ano letivo seriam dadas por Mcgonagall.

– Bom dia, caros alunos e alunas de Hogwarts. — O chapéu pontudo de Minerva estava mais rústico que o normal, e um longo e fosco vestido roxo cobria-lhe até o pescoço. — Devido aos acontecimentos recentes, eu e toda a comissão de professores decidimos concluir o ano letivo um pouco mais cedo, para retomar as aulas após o verão. — Ninguém fez qualquer comentário, e Minerva continuou, engolindo em seco: — Creio que a maioria de vocês estão feliz pelo acontecido, devemos agradecer a várias pessoas que colaboraram para que hoje alguns de vocês trouxessem esse sorriso no rosto... — Minerva olhou para Harry e os amigos em pé ao lado da mesa da Grifinória e continuou: — Rony Weasley pela dedicação e bravura em sua missão.

Aplausos soaram de todas as mesas, até mesmo da Sonserina.

– Hermione Granger, por suas decisões rápidas, sua inteligência e pelo seu desempenho em trabalhar para o bem.

Os aplausos estavam cada vez mais fortes e nítidos.

– Draco Malfoy, por se tornar útil escolhendo o caminho certo...

Minerva continuou:

– Harry Potter, por tudo que tem feito e que ainda irá fazer em sua longa e glorificante vida, por sua coragem de enfrentar inimigos e desvendar os mistérios, pela sua força de vontade em ajudar ao próximo.

Dessa vez Slughorn, Hagrid e Lupin levantara das cadeiras dos professores e aplaudiram de pé.

– Gina Weasley, que não pode deixar de ser citada pela sua dedicação, pelo seu amor. Amor pelo qual entregou sua vida...

Choramingos foram ouvidos, principalmente de Harry e Hermione.

Muitos alunos com seus pais não tomaram rumo ao trem de volta para casa, como Nevile, Luna e Dino que ficaram para seguirem à Toca, junto com Harry.

– Vou sentir a falta de vocês, garotos — disse Nick saindo por dentro da porta do salão comunal da Grifinória.

– Voltaremos algumas vezes, Nick. — Agradeceu Hermione ao lado de vários colegas da Grifinória.

– Ah, Potter, você foi muito corajoso, não fique com essa cara, garanto que a menina Gina não gostaria de ver você assim! — Harry balançou a cabeça, acompanhando os alunos até o portão onde Minerva e todos os professores, mais alguns alunos da Corvinal e Lufa-Lufa, aguardavam.

Slughorn vestia um paletó azul petróleo que o destacava no meio dos demais. O gorro roxo de Sprout estava deslumbrante. Hagrid apenas colocara um manto negro sobre os ombros e Lupin trajava um simples sobretudo verde escuro.

– Vamos, Harry? — Perguntou Minerva enquanto ele se aproximava.

– Sim, mas tem alguns aqui que não podem aparatar...

– Não vamos aparatando, Harry... — Minerva olhou para alguns tapetes velhos e rasgados jogados ao Chão.

– Chave de Portal — disse Hermione.

– Isso mesmo, Hermione. Subam todos. Prontos? Um... dois... três!

Harry e os demais flutuaram e desapareceram em fração de segundos.



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