| ESTAÇÕES DO ANO E DO SENTIR | ||||||||||||||
| AS PAISAGENS Sim, também sinto o desejo de paisagens oceânicas, atlânticas, índicas e pacíficas. Peixes de cores fluorescentes que, de serenidade plenos, nadam e voam com suas barbatanas asas, por azuis verdes, turquesas esmeraldas, quentes, muito quentes mares... Poentes incandescentes espelhados em ondas que se espraiam na areia brilhante e lisa de praias desertas que nos fazem desejar intensamente aquilo que nem conhecemos... Qualquer que seja a paisagem no entanto, pirâmides milenárias ou riachos recém-surgidos, sete maravilhas do mundo ou a flor do quintal ao nosso lado, jardim do eden ou as luzes da cidade nocturna, qualquer que seja a paisagem... o exotismo nasce de uma chama que brota da nossa pele quando encontra a pele do outro, que surge de uma faísca quando dois certos olhares se encontram, que nos invade o corpo, quando outra respiração se funde com a nossa… Sim, se não estivermos sós, e nos proteger a sorte dos amantes, apenas um gesto nos fará sentir o calor tropical despontando por entre a neve. _____________________________ UM MOMENTO NA NOITE Parei. Os sacos de compras Pesavam-me nas mãos, Puxavam-me para o chão. Mas, parei Por causa do céu. A lua resplandecia, Cheia e envolta em nuvens. As árvores desenhavam-se Sem folhas, Contra uma desmedida brancura. A lua prometia Toda a magia da noite… E eu, parada no meio da rua pejada de automóveis e Rodeada de sacos de compras, Pesados de alimentos para a realidade, Pedi a Deus, Para nunca perder tais imagens. Imagens do céu e das cores das nuvens que por vezes atravessam o horizonte. Imagens do mar, dos seus brilhos e distâncias. imagens da lua e da sua inesperada e resplandecente brancura que faz com que a noite cresça dentro de nós afinal como uma promessa, uma antecipação do amor… Não quero nunca perder de vista O espelho de tudo aquilo que nos transcende… Essas imagens que nos atingem por dentro da pele Que são a essência da poesia E a confirmação de Deus. _____________________________ A MINHA PLANTAÇÂO DE GIRASSÓIS Da janela aberta para a cidade Vejo a chuva. Penso nestas pesadas nuvens Viajando pelo céu Acinzentando e ameaçando A minha plantação de girassóis. Como terão reagido Às águas em torrente E aos trovões, Essas flores que, como eu, Têm a mania da felicidade ? Espero que se tenham soltado da terra, Raízes em suspenso, Pétalas como asas, E tenham encontrado abrigo. Espero que se tenham protegido entre si, Caules entrelaçados, Pétalas em abraços. Espero que nem uma flor Tenha ficado caída na lama, E que a esperança tenha unido Todos os meus luminosos girassóis. Espero que, face ao vendaval, e, mesmo sem a luz de qualquer estrela, nem uma só das minhas flores tenha desistido de viver. _____________________________ UMA CERTA LEVEZA Sim, eu sei que estás cansado. Pretendo apenas que as palavras de mim saiam leves voando e adejando suas asas de exóticas e impossíveis cores, borboletas que apenas acariciem a tua pele sem que te movas. |
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