Histórico:

Construída pela iniciativa e às expensas do Licenciado Timóteo Corrêa de Toledo, ao custo total de 592 mil réis, em terreno de sua propriedade, localizado à Rua dos Gil (atual Rua Bispo Rodovalho), esquina com a Rua Direita (atual Rua Visconde do Rio Branco), a Capela do Pilar teve sua construção acertada mediante escritura de Conserto, Promessa e Obrigação com o mestre de obras Francisco Veloso de Aguiar, a 5 de junho de 1748, tendo as obras sido iniciadas logo em seguida. O original desse documento, bem como de um atestado de antecedentes de Timóteo Corrêa de Toledo,, encontram-se no Arquivo Histórico "Dr. Félix Guisard Filho" na Divisão de Museus, Patrimônio e Arquivo Histórico de Taubaté.

A Capela do Pilar foi a segunda edificação religiosa a ser construída no perímetro urbano da Vila de S. Francisco das Chagas de Taubaté. A primeira igreja dessa vila, foi a Matriz de São Francisco das Chagas, mandada construir pelo próprio fundador, Jacques Félix, por volta de 1640 e dedicada ao orago (padroeiro) local.

À época do início de sua construção (1748) já existiam em Taubaté, além da própria igreja Matriz, outros dois templos: o Convento de Santa Clara, da Ordem Franciscana (1674) e a Capela de N. Srª. dos Homens Pretos (1700) ambos, entretanto, localizados fora do perímetro urbano da vila colonial. Sua importância histórica, deve-se ao fato de ser uma das poucas construções remanescentes do período colonial, ainda existentes em Taubaté, sem ter sofrido alterações em sua originalidade arquitetônica. Quanto ao seu estilo arquitetônico e decorativo, trata-se de uma raridade, como exemplar que é, da arquitetura barroca, de influência mineira, situada, portanto, fora de sua ambientação natural, assemelhando-se bastante a outras duas capelas mineiras - a de N. Srª. do Ó (em Sabará) e a de S. Francisco (em Caeté) ambas, suas contemporâneas, posto que também foram edificadas no decorrer do século XVIII. A evocação de N. Sª. do Pilar, no Brasil, também constitui uma raridade, uma vêz que a devoção à Virgem do Pilar, sempre foi uma tradição popular na Espanha - onde é considerada a padroeira nacional - mas não em Portugal. No Brasil, são poucos os templos a ela consagrados; em Minas Gerais, nas cidades históricas de Ouro Preto, Sabará e São João Del Rei, existem igrejas de N. Srª. do Pilar, bem como em Aracaju (SE), em Recife, Olinda e Itamaracá (PE) e na cidade paulista de Ribeirão Pires. Abrigando as irmandades de N. Srª. do Pilar e de N. Srª. da Boa Morte, enquanto existiram (até o final do século XIX) a Capela do Pilar esteve subordinada à Igreja Matriz de S. Francisco das Chagas (atual Catedral Diocesana) funcionando com regularidade até o início da década de 1940, perfeitamente integrada às atividades religiosas constantes do calendário litúrgico, estabelecido pela Catedral de Taubaté, como as demais igrejas e capelas da mesma Diocese. Seu tombamento histórico ocorreu no ano de 1944, pelo Processo Nº. 343-T-44 do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) assinado pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas, em 26 de outubro de 1944. Logo no ano seguinte ao de seu tombamento como patrimônio histórico nacional, o então Bispo Diocesano de Taubaté, Dom Francisco Borja do Amaral, manifestava publicamente, sua intenção em criar um Museu de Arte Sacra nesta Diocese, a ser oportunamente instalado na Capela do Pilar, conforme se pode verificar na edição do jornal local "O Correio do Vale do Paraíba" de 26 de junho de 1945, disponível para consulta na Hemeroteca "Antonio Mello Júnior" da Divisão de Museus, Patrimônio e Arquivo Histórico de Taubaté, onde se lê:

O Bispo de Taubaté, D. Francisco Borja do Amaral, expediu a seguinte ordem: "Não vender objeto algum das Igrejas, a quem quer que seja. A Capela do Pilar será, futuramente, o Museu de Arte Sacra da Diocese, para onde os senhores párocos deverão mandar objetos raros, ou dignos de aí figurar."

Decorridos quarenta anos desde aquela notificação, finalmente instalou-se o Museu de Arte Sacra de Taubaté, através de acordo firmado entre a Prefeitura Municipal e a Mitra Diocesana, sendo o Museu instalado em prédio da Mitra, com acervo de sua propriedade, administrado pela Prefeitura. O museu foi solenemente inaugurado pelo então Prefeito Municipal de Taubaté, Dr. José Bernardo Ortiz, em cerimônia ocorrida a 23 de dezembro de 1985, na presença de Sua Excelência Reverendíssima, Som Antonio Afonso de Miranda, na época, Bispo Diocesano de Taubaté. Naquele momento apresentava-se ao público taubateano a exposição "Irmandades e Capelas" organizada pelo saudoso Professor Paulo Camilher Florençano, na época, Diretor da Divisão de Museus, Patrimônio e Arquivo Histórico de Taubaté e idealizador do Museu de Arte Sacra local. Transcorridos vários anos desde a sua inauguração, o Museu de Arte Sacra de Taubaté, mantém-se em plena atividade, realizando anualmente, diversas exposições de caráter temporário, procurando sempre destacar seu variado acervo; além disso, busca a aquisição de novas peças, através de empréstimo ou doação, para ser identificado pelo público visitante como um museu dinâmico. Ao longo de toda a sua existência, o Museu de Arte Sacra de Taubaté vem contando com um movimento de público bastante expressivo, considerando-se sua excelente localização, bem no centro comercial de Taubaté. Representativo da memória histórica da Diocese de Taubaté, a primeira Diocese criada no Vale do Paraíba (em l908) o Museu de Arte Sacra de Taubaté é o único museu sacro existente em toda a região valeparaibana, razão de sua importância, não só para Taubaté, mas para toda esta região.

Prof. Antonio Carlos de Argôllo Andrade - coordenador -

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