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Entrevista com a banda Distraught - a fúria thrash do sul

Batemos um papo com os integrantes do Distraught, banda consagrada do cenário underground sul-americano que está em pleno processo de divulgação de seu mais novo trabalho, intitulado "Infinity abyssal". a formação atual conta com André Meyer (vocal), Ricardo S. Silveira (guitarra), Marcos Pinto (guitarra), Gustavo Stuepp (baixo) e Éverson Krentz (bateria). Confira!

Mundo do Rock: Para começo de conversa, eu quero que vocês descrevam um pouco a trajetória do grupo durante todos esses anos de existência:
André: Na época, final de 89, eu cantava numa banda chamada "Desintegrate". Quando ela acabou eu já sabia que haviam três amigos meus que estavam formando uma outra banda e precisavam de vocal. Foi quando a banda realmente se tornou "Distraught". Começamos com o propósito de fazer um som mais crossover. Na época escutávamos muito metal e bandas hardcore, sem esquecer que estávamos aprendendo a tocar. De lá pra cá houveram muitas mudanças na formação e amadurecimento. Os integrantes atuais estão na estrada quase ao mesmo tempo que a banda existe. O Marcos (ex-From Hell) e o Ricardo (ex-The Wise) entraram juntos logo após o término da gravação de "Nervous System", 97. O Gustavo (ex-Sarcástica) entrou durante a ravação de "Infinite Abyssal" e o Éverson (ex-Sacrário) entrou logo após o término da gravação.

Mundo do Rock: O que mudou no Distraught, desde o split-CD "Ultimate Encore" (dividido com Zero Vision e Scars), eu quero dizer musicalmente mesmo, desde a parte instrumental passando pelos vocais e letras?
André: Musicalmente a cada CD houve mais evolução. O "Ultimate Encore" mostra a fase inicial "crossover"; o "Nervous System" o som da banda assume de vez o Thrash Metal com influências de Death Metal e no "Infinite Abyssal" aliamos mais técnica e agressividade no estilo Trash/Death e, os arranjos foram trabalhados até ficarem bons, assim como a melodia, de maneira que atingisse a todos que gostem de metal, seja qual for o estilo. As letras amadureceram muito de lá pra cá e fizemos em "Infinite Abyssal" um álbum quase conceitual que se baseia na idéia de um mundo onde as almas são depositadas, sendo o pior lugar, de onde não tem volta. Os vocais também ficaram mais agressivos e melhores do que no início, pois a amplitude que desenvolvi ajudou a enriquecer as linhas vocais do álbum "Infinite Abyssal".

Mundo do Rock: Curioso é o fato da banda anteriormente estar com base em POA, e hoje em Guaíba, ou seja, geralmente ocorre o inverso, as bandas migram para as capitais, como ocorreu isso?
Marcos: Há um equívoco nesta informação. O André era o único integrante que morava em Guaíba, mas devido a grande divulgação do endereço de correspondência, resolvemos mantê-lo. Hoje todos moram em Porto Alegre, inclusive o André, mas como ele trabalha em Guaíba lá ficou o endereço, que às vezes causa esta confusão na cabeça das pessoas.

Mundo do Rock: Lá vai aquela tradicional pergunta: Quais as influências da banda? Vocês ouvem outro tipo de som?
Gustavo: Judas Priest, Slayer, Carcass, Soilwork, Nevermore, Arch Enemy, Death, etc.
Ricardo: Tentamos ouvir coisas diferentes para tentar buscar originalidade, jazz, música clássica, progressivo, pois o fato tocarmos um som mais agressivo não significa que só escutemos som pesado. Escuto atualmente mais instrumentistas do que bandas, então queria citar os bateristas Neil Peart (Rush), Dennis Chambers (Niacin e CAB), Terry Bozzio (Frank Zappa, Steve Vai); tecladistas Jordan Rudess (Liquid Tension, Dixie Dregs, Dream Theater), John Novello (Niacin), Michael Pinnella (Symphony X) e os guitarristas John Petrucci (Dream Theater), Steve Morse (Depp Purple), David Guilmour (Pink Floyd), Joe Satriani, Steve Vai, Frank Solari, entre outros.

Mundo do Rock: Por falar em ouvir, que bandas da cena nacional vocês têm ouvido ultimamente? Sabe, aquelas que você ouve e diz: Ei, esses caras vão longe...
Everson: Podemos citar: Hibria, Burning Hell, Hangar, Dominus Praelii, etc..

Mundo do Rock: Agora vamos falar sobre o novo álbum, "Infinite Abyssal", como tem sido a receptividade por parte de público, imprensa, etc?
Ricardo: No Brasil sentimos sempre uma boa receptividade por parte do público, também um aumento gradativo no número de pessoas que nos conhecem e apreciam a nossa música. No geral o público sempre agita bastante. A imprensa também aprovou o novo álbum, por sinal, aumentou muito os meios de comunicação. Hoje temos diversos sites especializados e as revistas estão com uma qualidade impressionante, gerando uma competição que só enriquece a cena nacional. Para todos que mandamos só ouvimos bons comentários o que nos trás uma sensação de dever cumprido. A recompensa que toda a banda quer é ouvir um bom comentário a respeito do seu trabalho.

Mundo do Rock: Está havendo algum esquema de distribuição no exterior?
Marcos: Ainda não, mas já iniciamos as tratativas com algumas distribuidoras. Agora teve uma resenha muito positiva feita pelo site "Behind The Veil", da Grécia, que vale a pena conferir. Quem quiser olhar é só entrar em nosso site e ir na parte de Links. (www.distraught.cjb.net)

Mundo do Rock: Como é trabalhar com a Encore Records? O próximo álbum, também sairá pelo selo?
Marcos: Na verdade já havíamos lançado o Split CD "Ultimate Encore" em 94 com 4 músicas nossas juntamente com duas bandas de SP (Scars e Zero Vision) pela Encore Records, que tinha uma estrutura menor, mas foi com base nesta experiência que resolvemos procurar novamente a gravadora. O trabalho feito com o Nervous System foi muito bom, mas acreditamos poder alcançar um número bem maior de pessoas através da Encore Records. Estamos apostando muito neste trabalho, tanto pela gravadora que tem potencial e tradição no mercado, como pelo resultado obtido no CD, pois as músicas estão em um nível mais técnico, mas mantendo agressividade característica do Distraught. Estamos trabalhando muito para que as coisas fiquem melhores para a banda e a Encore também está fazendo a sua parte. Quanto ao próximo álbum não há nada acertado, pois ainda estamos na fase inicial de composição com vários riffs que ainda não viraram música.

Mundo do Rock: Pode-se observar nas letras um forte conteúdo social, abordando também política, religião,etc. Falem um pouco sobre isso e eu quero que comentem a respeito da letra de "Dusty Land" (Terra Seca) que é simplesmente demais, realidade nua e crua.
André: Pois é, o site da Grécia fez uma entrevista conosco também e eles estavam um pouco espantados pela maneira que colocávamos as coisas para o público, mas vou dizer o que dissemos a eles: É difícil assistir a este filme de terror tipo "C" que passa todos os dias na TV brasileira, tanta miséria, roubo, corrupção, manipulação, etc..e simplesmente falar só de coisas boas e ficção. Por isso o álbum tem um pouco de ficção e de realidade. As coisas saem naturalmente e não dá pra ficar calado diante disso. O Brasil é ótimo, mas é um país que tem muita desigualdade, muito Coronel dono de TV, Jornal, sabe como é.

Mundo do Rock: E a capa hein, qual o conceito e quem é o autor?
Marcos: O autor é o Rodrigo Cruz, que também fez a capa do Hangar.
André: Quisemos representar três mundos. A letra foi baseada no Espiritismo, onde há representações do bem e do mal e, uma terceira parte que foi imaginada por mim. O Umbral seria o pior lugar onde as almas vão, segundo o espiritismo. O Infinite Abyssal seria um depósito de almas, onde não há mais regresso, bem pior que o Umbral e a capa representa a porta para o mundo "Infinite Abyssal" .

Mundo do Rock: E a "Infinite Abyssal Tour", está rolando? Por onde têm tocado?
Everson: Está rolando e nós rolando de cidade em cidade. Já tocamos em Montevidéo/Uruguai, São Leopoldo/RS, Charqueadas/RS, Porto Alegre/RS, Londrina/PR, Maringá/PR, etc..

Mundo do Rock: Obrigado pela entrevista e a palavra final é de vocês.
Distraught: Gostaríamos de dizer aos leitores do MundoRock.net que se estamos aqui mantendo o nome da banda é graças ao público que curte e respeita o Metal. E o que mantém o Metal no Brasil é o público e não a mídia, pois sem o público não tem metal. Os espaços em zines, webzines, rádios alternativas e revistas são muito importantes para o fortalecimento do Underground. Agradecemos muito o espaço concedido para esta entrevista, em especial ao Jaisson que tem se esforçado para que as coisas aconteçam de verdade.

Site oficial da banda Distraught

Entrevista concedida à:
Jaisson Teixeira Lino
jtlino@yahoo.com.br

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