Sei que é covardia

Samba de Ataulfo Alves e Claudionor Cruz (Carnaval de 1939)

Sei que é covardia com Carlos Galhardo (1938)

Sei que é covardia

Um homem chorar

Por quem

Não lhe quer

Não descanso um só momento

Não me sai do pensamento

Essa mulher

Que eu quero tanto bem

E ela não me quer

 

Outro amor

Não resolve a minha dor

Só porque

O meu coração

Já não quer outra mulher

Pois é

 

    Gravada originalmente em 1938 na RCA Victor por Carlos Galhardo e lançada em discos 78 rpm.

    Outras gravações conhecidas são as de Ataulfo Alves & suas Pastoras (1957), Gilberto Alves, Jair Rodrigues (1969), Coral do JOAB (1972), Noite Ilustrada, Pedrinho Rodrigues e Som Sete (1974), Zuzuca (1974), Grupo Chapéu de Palha (1979), Bloco Pierrôs e Colombinas (1981), Adeílton Alves (1969), Grupo Chapéu de Palha (1979), Claudionor Cruz (1984), Roberto Paiva (1989), Itamar Assunpção (1995), Paulinho da Viola (1997), entre outras.

    Mais uma vez o tema do amor não correspondido é revisitado, trazendo à tona a dor de um homem abandonado.

    A história da composição é curiosa pois envolve o parceiro constante de Claudionor Cruz, Pedro Caetano, também compositor. Em seu livro 54 anos de Música Popular Brasileira - o que fiz, o que vi1, Pedro nos conta uma bela passagem sobre a música e sobre a malandragem de Ataulfo Alves:

    "Brigamos muito também, porque houve uma fase em que ele andou insistentemente procurando o meu parceiro Claudionor Cruz, e como ele era muito malandro, às vezes o Claudionor dava uma pala de melodia que já estava comigo para fazer a letra e o cara, mais que lampeiro, na moita fazia uma letra, encaixava na música e quando eu dava fé já tinha sido passado pra trás; a minha melodia já estava na boca de um cantor para gravar a parceria Ataulfo-Claudionor. Isso aconteceu com a melodia do samba Sei que é covardia, quando eu já estava trabalhando uma letra para ela. Mas eu jurei mesmo que ia à forra e ele quebrou a cara quando ia fazendo outra malandragem comigo. Um dia ele já estava com a letra prontinha para botar na melodia de um samba que eu trabalhava por dentro, e quando foi procurar o cantor, a música já estava até ensaiada para gravar, mas com letra aqui do amigo de vocês. Dessa vez foi quando eu fiz o Quem fala dela não pode ser meu amigo.

    A gente brigava, é certo, mas sempre voltávamos às boas, com uma cervejinha no ‘Nice’, ‘Taberna da Glória’ ou no ‘Capela’, da Lapa."

 

1. Caetano, Pedro. 54 anos de Música Popular Brasileira - O que fiz, o que vi. Rio de Janeiro, Pallas, 1988, p.p. 53/54.

 

Letra com cifras

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