Motivação e Prática
da Educação Física
* Prof. Ms. Fernando César Gouvêa
Na relação ensino-aprendizagem, em
qualquer ambiente, conteúdo ou momento, a motivação para esta tarefa
constitui-se um dos elementos centrais para sua execução bem sucedida.
Constantemente, indaga-se o que uma pessoa pretende, o que influencia sua decisão,
o que será importante para ela naquele momento, naquela circunstância.
Vários fatores motivam o ser humano, em seu dia-a-dia, tanto de forma interna
como de forma externa. A força de cada motivo e seus padrões ocorrem,
influenciam e são inferenciados pela maneira de perceber o mundo que cada indivíduo
possui.
Um dos principais fatores que interferem no comportamento de uma pessoa é,
indubitavelmente, a motivação, que influi, com muita propriedade, em todos os
tipos de comportamentos, permitindo um maior envolvimento ou uma simples
participação em atividades que se relacionem com: aprendizagem, desempenho e
atenção.
No tocante à Educação Física, a situação parece semelhante, pois pode-se
dizer que depende muito das aspirações dos alunos para que um determinado
elemento motivacional tenha uma função positiva, ou seja, um aluno pode se
sentir mais motivado ao praticar basquetebol, e outro pode sentir o mesmo com
relação ao voleibol.
Cabe também, uma observação ao educador, em qualquer que seja sua feição (técnico,
professor, instrutor, dirigente, familiar, ...) sua personalidade, sua aparência,
naturalidade, dinamismo, entusiasmo pelo trabalho, bom humor, cordialidade,
disposição são importantes fatores motivacionais observados por quem os
cerca.
MACHADO (1995) cita que muitos são os motivos responsáveis pelo bom
desenvolvimento e desempenho na aquisição e manutenção de habilidades.
Existem vários tipos de atividades e nem todas envolvem o movimento muscular
(ouvir uma aula teórica é uma atividade diferente de participar de um debate,
jogar futebol ou dramatizar um texto).
Geralmente as atividades que requerem maior participação, com mais movimentos,
concentram maior número de motivos dos participantes, despertando maior
interesse e desafio, o que por si só é estimulante e motivador.
Uma preparação psicológica bem programada e bem administrada em atividades de
rotina, conseguirá trabalhar o nível motivacional, a aquisição de maior
confiança, o equilíbrio emocional e, o indivíduo munido dessas qualidades
poderá transpor as demais barreiras de desempenho, como os problemas com:
adversários, ambiente, arbitragem, integração com o grupo, personalidade e
preparo físico.
Para MAGGIL (1984) a motivação é importante para a compreensão da
aprendizagem e do desempenho de habilidades motoras, pois tem um papel
importante na iniciação, manutenção e intensidade do comportamento. Sem a
presença da motivação, os alunos em aulas de Educação Física, não exercerão
as atividades ou então, farão mal o que for proposto.
O professor de educação Física deseja "motivar" seus alunos para o
esporte, e quando leva isto a sério, procura direcionar seus alunos para a prática
de maneira que venham a praticá-la também fora das aulas obrigatórias. Também
é preciso considerar que entre os objetivos relevantes do ensino moderno desta
disciplina, está o preceito da Educação Física Permanente, isto é, como
promoção e motivação da prática dos esportes para o resto da vida. Segundo
COSTA (1989) o interesse na atividade esportiva não deve acabar com término do
período escolar, com acontece, ainda hoje, com muitos adolescentes. Ao contrário,
o esporte deve constituir um campo de ação e de vivência interessante e
atraente para o homem. A isto se pode acrescentar que o esporte não deve ser
uma prática por mera obrigação, mas sim que tenha características
prazerosas.
É função do professor de Educação Física, quando deseja motivar seus
alunos para a prática permanente dos esportes, observar os seus objetivos,
fazer o possível para criar valores de estímulos positivos e atraentes ao
maior número de participantes ou até para todos os alunos.
A motivação no esporte depende da estrutura da personalidade do atleta,
sobretudo de como e em que medida se convertem algumas necessidades esportivas
relevantes em alguma característica da estrutura deste indivíduo. O
desenvolvimento intelectual é um forte aliado do desportista que busca o
sucesso; nesta dimensão a visão da necessidade e utilidade da prática
esportiva, relacionando o envolvimento do treinamento físico com questões de
ordem geral, as funções socializadoras, as funções compensadoras no esporte.
Considerando que o reforço intelectual da motivação no esporte requer um
determinado nível intelectual, é compreensível que este esforço possua uma
maior importância entre pesquisadores da Psicologia do Esporte do que
propriamente entre os esportistas ou dirigentes.
DE MARCO & JUNQUEIRA (1993) consideram que cabe observar que a motivação
nos esportes é determinada, por um lado, pelas possibilidades específicas do
esporte como campo de ação e de vivência, e por outro lado, pela influência
dos aspectos motivacionais específicos da personalidade. Esse últimos
ultrapassam de longe os limites do esporte.
Continuam dizendo que "as motivações dos atletas tem sido classificadas
de diversas maneiras, incluindo desde as necessidades fisiológicas ou psicológicas
básicas até a influência de fatores decorrentes da vida em sociedade. Além
do mais, as motivações podem ser resultado da natureza intrínseca da tarefa
ou do prêmio, tanto social como material.
Muitas correntes novas na pesquisa da motivação trazem informações úteis
para técnicos e atletas, tais como as tentativas de analisar a motivação no
esporte e o estudo dos processos cognitivos que formam as "estruturas"
motivacionais nos indivíduos quando desempenham alguma atividade em situações
que visam sucesso" (p. 89-90).
O papel mais importante desempenhado pelo técnico é o de motivador. Fazendo
com que um treinador sensível esteja consciente das necessidades de seus
atletas, este mesmo treinador deve conhecer uma grande variedade de técnicas
motivacionais e achar a combinação ideal para resultados produtivos. As
atitudes do treinador devem se ajustar a cada pessoa, pois os conceitos de
incentivo e desempenho ótimo são subjetivos e particulares.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COSTA, L. P. 1989). Questões da Educação Física Permanente. Rio de Janeiro: EDUSRJ.
DE MARCO, A. & JUNQUEIRA, F. C. (1993). Diferentes tipos de influências sobre a motivação de crianças numa iniciação esportiva. IN PICCOLO, V. L. N. (org.), Educação Física Escolar: ser ou não ter? Campinas, SP: Editora da UNICAMP.
MACHADO, A. A. (1995). Importância da Motivação para o Movimento Humano. In Perspectivas Interdisciplinares em Educação Física. S.B.D.E.F..
MAGGIL, R. A. (1984). Aprendizagem motora. Conceitos e Aplicações. São Paulo: Editora Bles Cher.
* Professor Fernando César Gouvêa é Professor de Educação Física e Mestre em Psicologia do Esporte.