Nós, O Povo


Estudo. Uma dádiva. Uma esperança.


Brasil. Um país com esperança, sempre voltada aos jovens de hoje, que serão o futuro do nosso país. Agora... o que é futuro? Futuro é olhar para as crianças e ver que serão o destino do Brasil? Ou será "futuro" o que nós estamos fazendo hoje? Já fomos a esperança desse país no passado, quando jovens. Nossos pais foram o futuro do país, quando nossos avós eram os regentes. No entanto, sem pena, sem trégua, lutamos por um país que não é nosso. Dizemos que não existe preconceito. Alguns dizem, mas no fundo, existe sim. As pessoas dizem que não são preconceituosas, mas lá dentro esperam a oportunidade de judiar aquele que é diferente do seu modelo de pensamento, uma coisa de sociedade. Mas isso é outra questão... será? E apesar desse esforço todo, do nosso futuro que já passou, ao futuro que está por vir, é que estamos chegando lá, devagarinho, de mansinho...

Porquê criamos esse mundo perverso, quase sem escrúpulos? Não criamos. Não tivemos escolha. Gerações foram passadas para trás perante a minoria que manda no país. Sempre foi a minoria. Até hoje, quando parece que erramos ao votar nesse ou naquele. Na verdade, erramos na hora que escolhemos o regente. Aquele que manda nunca será a escolha certa porque temos apenas alguns para escolher. A escolha daquele que vai mandar no país, nos estados, nas cidades sempre será limitada aos que tiverem coragem de governar esse país, e sempre existirá a ganância e a preguiça daqueles que mandam em nós. Até hoje, dos muitos que subiram ao palanque, poucos, muito poucos demonstraram que tinham palavra e fizeram o possível para melhorar um pouco a vida dos que estão embaixo.

Uma pessoa de palavra, de coragem, pode tentar... mas será que conseguirá atravessar a tormenta dos preguiçosos que o rondam? É uma luta sem fim. Nossa luta. E se quer saber, o erro continua. Esse país grande e cheio de esperanças que o mantém em pé à séculos, só pode vencer se, com muito esforço, mais por parte daqueles que escolhemos do que o nosso próprio, arregaçar as mangas e pensar não em resolver pequenos problemas hoje, e sim em solucionar os grandes de amanhã.

Solucionar os problemas de hoje é uma ajuda paliativa aos habitantes desse país. Existe uma coisa que pode ser feita, um coisa que pode solucionar muitos problemas que hoje nos afeta. Estou falando de estudo. Um governante impera só há séculos. Somos um povo de muitas opiniões, mas de poucos recursos para implementar boas idéias. Temos um país rico, mas boa parte dele nem é nossa. Vendemos parte de nós mesmos para pagar as nossas dívidas, até que não seremos de nós mesmos. Seremos de outros, se é que já não somos. Estou falando de dedicação, de esforço, que pode levar uma ou duas gerações para completar seu ciclo. E quando esse ciclo estiver completo, teremos para nós uma escolha que nunca tivemos... teremos liberdade. Não sei se percebeu, mas estamos presos há muito tempo, limitados ao que não sabemos, confinados à nossa esperança que, arduamente, mantemos conosco. Só podemos vencer se tivermos escolha. Não a escolha se esse ou aquele vai gerenciar nosso país... mas a escolha de poder dizer: "Isso eu sei fazer. Isso eu posso fazer."

Nós, bem, temos uma razão para viver, uma razão para sonhar. E passamos nossas vidas pensando o que fazer dela. E quando falo de nós, todos estão incluídos, todos os que vivem aqui, os beneficiados pelo destino, os menos abonados e os que pouco sabem o que acontece de verdade. Eu só quero, não, nós só queremos uma coisa, liberdade. E nós inclui também aqueles que ainda estão por vir, queremos que a vida valha a pena ser vivida. E para isso, somente existe uma coisa a ser feita... NÓS TEMOS QUE PODER ESTUDAR, CONHECER E SABER TUDO O QUE ELES A SABEM. Isso não pode acontecer de uma hora para outra... é preciso uma vida de esforço para que isso seja verdade. E o esforço que estou falando é o de permitir que nossos filhos e netos possam estudar e, quando necessário, trabalhar, e conhecer aquilo que temos de melhor. Garra. Um incentivo pode ser muito pouco para aquele garoto que começa a trabalhar jovem para ajudar a família e, na maioria das vezes, trabalhar demais para continuar os estudos que, se fossem delegados a todos, esse país poderia ser totalmente remodelado em duas gerações. É muito tempo, mas também são muitas vidas que aí estão, sem falar nas que irão chegar.

Na prática haverá muitas desculpas, muitos poréns e até um esforço contrário à isso. Depende apenas daqueles que escolhemos para comandar, mas deve ser um esforço conjunto, uma guerra contra as limitações de dinheiro do país, mas que pode gerar benefícios incalculáveis à nossa economia, ao nosso futuro... ou seria o presente dos nosso netos? Uma corrida de uma geração para permitir que nós estudemos, que nós possamos aprender mais coisas além das dificuldades que a vida nos impõe. É um projeto grande? E é mesmo. Permitir que todos possam estudar requer um investimento muito alto por parte do país. É um projeto que vai demandar anos para ser organizado, isso sem falar na infra-estrutura necessária para investir em famílias que precisam do dinheiro do trabalho dos seus primogênitos. Para completar, nossa dívida externa é incalculável, sem precedentes. O senado nunca vai aprovar, é muito dinheiro que vai ser investido. É muita dor de cabeça. Pensando bem, porque se preocupar, se seu filho está cursando medicina?

Lawrence Lagerlöf, brasileiro.


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