Dooyeweerd em Quatro Parágrafos
Por Andrew Basden
Dooyeweerd principiou sua obra "Uma Nova Crítica do Pensamento Teórico" verificando (ou definindo) cuidadosamente as ferramentas pelas quais ele procederia à sua crítica. Partindo do contexto da experiência comum, do dia a dia, ele começou perguntando "O que há para conhecer, pensar, analisar e teorizar?" e em particular, "Qual é o papel da filosofia?" Ele viu que a teorização era só um modo humano de funcionar, sem qualquer reivindicação de um direito especial de nos conduzir à verdade (conseqüentemente para ele toda teoria é falível, em marcado contraste com as suposições positivistas). Enquanto a ciência seria o pensamento teórico centrado em aspectos individuais da vida e existência humanas, a filosofia seria o pensamento teórico que envolve todos os aspectos. Com tais ferramentas conceituais prontas, Dooyeweerd passou à análise de 2,500 anos de desenvolvimento no pensamento filosófico, destacando vários problemas, especialmente os reducionismos, antinomias e dicotomias profundas. Segundo ele, todo pensamento teórico é baseado em pressuposições profundas, algumas das quais tomam a forma de motivos-base dualísticos. Esses motivos-base tem conduzido o pensamento teórico durante os últimos 2,500 anos: o motivo forma-matéria dos antigos gregos, o motivo natureza-graça da Europa medieval, e o motivo natureza-liberdade do Renascimento. Isso é o que encontramos em sua "crítica do pensamento teórico", Volume I.
Entretanto, não contente com a mera crítica e demolição, Dooyeweerd embarcou em uma corajosa e arriscada aventura de tentar construir uma filosofia diferente, que não exibisse os problemas daqueles outros sistemas. Para isto, ele começou com o motivo-base não dualístico que pode ser encontrado no pensamento hebreu: o motivo criação-queda-redenção, que Dooyeweerd tratou de uma forma filosófica em lugar de teológica. Isto o levou à conclusão de que o Significado, em lugar da Existência, é a propriedade fundamental, e aquela Lei em lugar de Entidade é a estrutra dentro da qual nós vivemos e existimos - o que, incidentalmente, o capacitou a escapar tanto do realismo filosófico como do nominalismo. Tendo este ponto de partida, Dooyeweerd desenvolveu sua Teoria Geral das Esferas Modais, o tópico principal de Volume II. Aí ele explica a diversidade presente na realidade sem recorrer ao dualismo e unidade sem recorrer ao monismo. Refletindo sobre a história e a experiência humana, ele propôs um conjunto de quinze aspectos que, atualmente, estão se provando úteis como base para uma compreensiva e funcional interdisciplinaridade, para assuntos relacionados a sustentabilidade e sucesso, e normatividade complexa.
No Volume III, com base em sua Teoria das Esferas Modais, Dooyeweerd desenvolveu uma Teoria das Entidades, ou do "Ser", incluindo seres inanimados, vivos, sensíveis, conceituais, artificiais, sociais e outros tipos de entidades. O "Ser" é definido em termos de Significado em lugar do outro modo qualquer, e esta definição nos ajuda muito a entender a natureza múlti-aspectual de muitas entidades, as relações entre as entidades, e o processo de mudança das entidades.
Essas constitem os argumentos principais da magnum opus de Dooyeweerd, "Uma Nova Crítica de Pensamento Teórico." Juntamente com estes argumentos em sua obra principal, e também em outros escritos, temas importantes foram desenvolvidos mais detalhadamente por Dooyeweerd, alguns deles trabalhados à luz do contexto histórico em que ele viveu (uma Europa dominou por Nazismo e Comunismo na metade do século vinte). Estes trabalhos incluem uma teoria de instituições sociais, uma teoria da história e do progresso, uma teoria da teoria, uma teoria putativa das corporações, e assim por diante, cada trabalho focalizando um diferente aspecto modal. Porém, em última instância, segundo ele acreditava, não eram os filósofos que deviam desenvolver cada aspecto, mas aqueles engajados nas ciências especiais relacionadas a cada aspecto. Perpassando todo o seu pensamento estava a noção que toda a vida é inerentemente religiosa, isto é, um relacionamento com a nossa Origem e Destino Divinos, e ele desenvolveu uma teoria desta relação, que incluía a noção da supra-temporalidade humana. Ele buscou sempre para respeitar os pensamentos de outros, compreendendo, aplaudindo e criticando-os em seus próprios termos, e engajando-se com eles sobre uma base que permitia diálogo genuíno. A base era sua visão das pressuposições, visão essa desenvolvida no Volume I - a visão de que as pressuposições são, em última instância, de natureza religiosa.
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Copyright (c) 2002 Andrew Basden.
Traduzido com permissão por Guilherme Carvalho em 09/12/2002