Venho me perguntando quando começamos a morrer.
Evidentemente que começamos a morrer, quando nascemos.
Cada dia que passa desde que entramos nesse mundo, mais nos aproximamos da morte porque ela é cronológica.
Para uns mais tempo e para outros menos tempo, mas quem define essa existência é sempre o tempo.
Entretanto, podemos dizer que há duas mortes.
A morte física e a morte emocional.
Meu pai um dia lendo o jornal disse: meu filho estou perto de morrer. Cada dia vejo mais o nome de meus amigos nos obituários do que nas colunas sociais.
Meu sogro também comentou um dia quando sangrou pelo nariz. È, meu amigos mortos começaram assim, acho que agora é a minha vez.
O que quero dizer é que parece que sentimos a morte.
Ela tem presença, tem consistência. Tem corpo, mas principalmente energia.
Uma energia drenante, que absorve toda nossa força de vontade, porém uma energia palpável, destrutiva, mas perceptível.
Como eu disse, há duas mortes a morte física e a morte emocional.
A física é como um tsunami. Vem e resolve rapidamente, Não dá margens a dúvidas com um raro sofrer por doenças ou sobrevivência pela nossa teimosia, mas já sabemos que não tem jeito. È o fim
A emocional essa é a pior de toda as mortes, pois nos mata em vida.
E nos mata da maneira mais cruel porque não ceifa a nossa existência, mas apenas a razão de existir.
Parece que estou me perdendo em conceitos, mas não estou. Estou lúcido no que digo, mas o que escrevo é de uma profundidade tão grande e de certa forma, muito pessoal.
O entendimento disso está na razão direta da emoção de cada um. Na sua capacidade de ter paixão. E eu adoro a paixão
Não a paixão por uma fêmea. Não a paixão pelo meu trabalho. Não a paixão por uma obra de arte, um animal, uma planta, uma música, um cenário, um simples prazer. A paixão que falo é a paixão pela paixão.
Eu adoro estar apaixonado.
Sofrer por uma paixão mesmo parecendo masoquismo é pura arte de saber viver.
Depois de ser apaixonado pela paixão eu sou apaixonado por mim. Como disse um compositor eu me amo não posso mais viver sem mim. Mas amo mais a paixão e não sei viver sem ela.
Hoje estou me sentindo profundamente triste e de certa forma deprimido.
Por que?
Porque comecei a perceber que não estou apaixonado.
Não que não goste de alguém, porque gosto e gosto muito, mas para um ser que explode de paixão, isso é pouco. Muito pouco
Um homem que como eu, ama a paixão, vive pela paixão, entrega-se a uma paixão e a todas elas e sente que nesse momento ela está faltando, entende que a vida está perdendo o sentido.
Toda minha busca nesse momento é voltar a ter paixão, pois ela norteia meu desnorteamento por mais paradoxal que seja. Adoro me perder nela e por ela.
 
Onde estás paixão?
Que não te vejo no horizonte
Volte para meu coração
Onde estavas até ontem
 
Não abandone meu ser
 Retorne para meu corpo
Eu só vivo por você
Sem você já estou morto.

A paixão é minha bússola nesse universo de desencontro.
Seja pela minha fêmea, pelos meus objetos de desejo ou por mim.
Preciso da paixão como o crente de deus.
Preciso da paixão como o beduíno da água.
Preciso da paixão como o egoísta de si.
Ela é o meu caminho. Meu único caminho
Se não a encontrar é porque chegou o momento de começar a morrer.

 

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