Lá fora a chuva gelada persiste em cair encharcando o  chão e eu da janela, vago distante pensando em você. Penso não como normalmente faço, imoralmente,  indecentemente e sim com carinho, embora é impossível  pensar em você com muita pureza, porque você é  deliciosamente libidinosa e a sua sensualidade é involuntária ou perfeitamente disfarçada, não me dando chances de pensamentos apenas pudicos.
Semi- desperto lembrei-me de quando ouvi sua voz  pela primeira vez.  Não era uma voz comum. Era a expressão da sensualidade, da sexualidade,  do oferecimento.  Você fala com a alma, mas sua voz passa pelo corpo.
Alguns místicos afirmam que a energia é gerada na  boca do estômago, mas em você ela é gerada no sexo.
Cada palavra um desejo, cada frase um oferta,  cada período uma sedução e cada conversa uma entrega.  Seu diálogo, um orgasmo.
A natureza parece chorar de emoção quando estamos juntos. 
Sempre chove.
Chover em São Paulo é contumácia mas no Rio de Janeiro  é raro, mas mesmo assim, chove. Uma chuva deliciosa que  se fosse religioso diria de água benta como a abençoar nossa relação.
Às vezes penso que essa chuva é meu gozo, o meu prazer ou o nosso.  Até o Cristo chorou quando nos viu..chorava e sorria e seus  braços pareceram fechar a nos estreitar num abraço  carinhoso como se dissesse...nossa que bom que vocês  estão aqui, juntos e se amando. Obrigado por terem vindo ,  sempre os esperei mesmo antes de vocês existirem. Só aqui  cabe um amor do tamanho do de vocês.  Recordo teu "oi" ao telefone. Imagino tuas palavras  entrecortadas pela ansiedade de saber Como estou se  ainda tenho por você o sentimento de ontem.
Não tenho, hoje ele é muito maior do que ontem.  Cada dia mais forte, mais profundo.
Lembro de uma frase de alguém que me leu e disse:  Anderson você mesmo abrindo sua alma é um poço de profundo mistério. Eu sorrio e estendo esse pensamento tão simples e tão  verdadeiro para o momento e digo... mesmo sendo tão  declarada, a minha paixão por você, é um poço de  mistério profundo e indecifrável que nem mesmo eu compreendo.
Ainda olhando pela janela, olhando para lugar  nenhum sinto teu corpo me enlaçando. Um "frisson" me percorre e rapidamente viro meu rosto e...estou só.
Não só, mas não é você que me abraça e não sendo  você, estou absolutamente sozinho, perdido num imenso nada.
A voz que me sussurra não é a tua e parece uma lixa.
O que brota de sua boca é nada.
Meu nome nessa boca é uma pornografia.
Eu me sinto como um estranho no ninho.  Um ninho que não é o meu ninho, não é o teu ninho,  não é o nosso ninho. Ele está invadido por predadores,  por seres estranhos a minha paixão, porque a minha  paixão pertence a uma só pessoa, a você. Um dia depois de uma briga, dessas mil que tivemos  porque o que faz a paixão ser verdadeira é quando brigamos por ela.
Uma relação sem brigas, sem contundência, sem  ciúme é um a relação fria ou no máximo morna e não é paixão.
Paixão tem que ter a paz e a alegria do céu com a temperatura e o horror do inferno. Tem que ter a confiança de Penélope e a desconfiança  dos césares. Tem que ter o amor de Julieta e o ódio de Átila,  ter a serenidade de Francisco de Assis e a intranqüilidade de Judas.
Tem que ter os olhar de Jesus e os olhos de medusa,  tem que ter a longanimidade de Ghandi e a vingança  de Deus. Tem que ter a isenção de Pilatos e o rigor da  acusação de Cromwell. Paixão é extremo, é ir além dos  limites, além do aceitável, além da loucura, muito além  do equilíbrio. Tem que ser Carmina Burana mas é  também a Ave Maria. Ter o canto do pássaro mas a explosão do vulcão.  Se tiver isso tudo então é paixão.
Bem a minha paixão ainda é maior do que isso, eu diria  que é tão grande, tão grande como grande é a minha paixão.
Um dia como eu disse, depois de uma briga nossa,  escrevi e agora torno público:
 
..e sem perceber
perdi seu amor
perdi seu desejo
perdi seu sabor
 
menina macia
gosto de loucura
do cheiro de fêmea
que me causa tontura
 
que pena, que pena
é tão difícil entender
só uma coisa eu queria
era a teu lado morrer
 
Alguns dizem que sou o senhor das palavras, outros  que sou um idiota, alguns até me taxam de insano,  perturbado, impotente, velho, acabado.
Todos tem razão.. todos estão absolutamente certos.
Que bom que me lêem e me fazem entender o que sou realmente Sou a paixão que explode, o desejo que incendeia,  o amor que alivia, o prazer que alucina o insano que  não entende o idiota da emoção, impotente por não  te resistir, o velho de teu amor, acabado sem você.
Eu sou o pecatus do amor, o Vlad que te suga, o  Harun Al Rachid dessa escravidão, o STORM que  arrebata, o Amor bandido que fere.
Eu sou um homem apaixonado e adoro essa paixão
 
Que bom a paixão
Que sinto por ti
Mora no meu coração
Desde que te conheci
 
Mas o bom é saber
Que isso tudo eu posso
Porque não é meu e nem seu
É algo que é nosso
 
Teu prazer na minha cama
Teu gozo, tua loucura
Tua voz quando me chama
Com suavidade e doçura
 
Faz-me ir ao Shan-gri-lá
De onde não quero voltar
Nossa paixão mora lá
É lá que vamos morar.
 
é bom você existir,
com suas manhas e vícios
com sua mania de ser
é assim nosso ir e vir
esse é nosso suplício
Porque meu vício é você.
 
Agora vou indo menina. Já disse o que sou e o  que você será, porque não tenha dúvidas que  minha paixão é o meu cinzel e você será o que digo. 

É bom te ter novamente
de volta no meu caminho
Mesmo não sendo para sempre
Ouvir de desejo teu choro
Bom te ver no meu ninho
Com mil anjos em coro
De novo você aqui estar
mais uma vez ter você
Sentir de novo seu gozar
para meu eterno prazer
 
Se sou o mestre das palavras
palavras soltas ao vento
que moram na minha alma
Esses versos que invento
que a minha existência acalma
sou artista da paixão
e você queira ou não
é minha obra de arte
é a minha criação.

 

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