O Ninho
Finalmente encontrei o amor
Há anos busco a resposta para uma pergunta que uma mulher fez-me uma vez e que vem se repetindo sempre com algumas que pretendem levar além de um mero momento de prazer a nossa relação, depois de nos possuirmos.
Sim porque entre os seres só há a possessão, depois não sei o que existe.
A pergunta vem após o prazer, durante o repouso.
_Anderson e agora? O que vamos fazer com isso.
Sempre o mesmo e a minha resposta é sempre a mesma, ou seja, nenhuma.
Sobre isso o meu conhecimento vai do nada ao lugar nenhum.
Só uma coisa vem a minha mente e em tom de brincadeira eu digo:bem, vamos fazer mais eu espero.
Minha vida desde então se resume a esse momento de prazer na alcova.
Mas a vida não é só isso. E disso até eu sei.
Há mais coisas, só que essas coisas fogem a meu controle e não sei conviver com elas.
Assim sendo só me restou optar pelo momento, optar pelo prazer meramente material.
Ao devolver meu objeto ao mundo, eu o perco, eu o divido com todos e não sei dividir nada.
Em um momento meu filosófico eu digo que prefiro viver na escuridão que a luz que me ilumina, iluminar a outros.
Não imagino sequer que a boca que sussurre algo a meu ouvido diga seja o que for para mais ninguém e imagine sussurrar outras palavras de carinho para com quem quer que seja.
E não me acho egoísta, nem possessivo pelo contrario, mas não temo dizer o que sinto quando perco as rédeas só as perco fora da cama.
Um sorriso para outra pessoa eu entendo como um oferta.
Uma palavra considero uma entrega.
Um abraço ou um beijo é um adultério.
Bem, o fato é que não sei ter uma vida fora da cama com isso a cada dia meu mundo mais se estreita, mais se aperta e eu mais me confino no meu mutismo e no meu isolacionismo.
Uma festa onde eu não esteja é a meu ver uma orgia bacante.
Toda festa é bacante mesmo eu estando nela mas pelo menos minha fêmea não será de todos e fora de mim será apenas mais uma puta como tantas outras porque na vida, ninguém é de ninguém longe de alguém, difícil essa. Ninguém tem integridade ou dignidade para não agir com orgia porque o ser humano é orgíago e só o medo e a vigilância o impede de ser mundano.
Um copo de bebida que seja que eu não partilhe para mim é envolvimento com drogas.
Se tenho muita paixão para dar tenho muito mais a cobrar a exigir e a impor.
Quem me amar tem como condição "sine qua non" a entrega total a mim e a renuncia a sua vida pessoal, seu pensar, a seu livre arbítrio e nisso sou pior do que deus, passando a ser parte de mim e por isso reagindo a minha vontade.
Estará condenada a solidão ou a mentira, a submissão ou ao fingimento.
Eu me sinto ás vezes como alguns ditadores cuja única imagem permitida no país era a sua em diversos modelos e tamanhos.
É loucura?
Pode ser.
É paranóia?
Quem sabe
Isso responde ao que uma leitora disse-me uma madrugada dessas numa sala de bate-papo da internet.
Ela falou: Anderson se você se entregasse ao amor seria o homem mais feliz do mundo e veria que sentimento delicioso é esse.
Jamais imaginei, prosseguiu ela, que um homem com a sua coragem, o seu discernimento, que já passou na vida por tantas coisas e com a sua alma de poeta tivesse medo do amor.
Eu pensei e entendi uma verdade.
Não tenho medo do amor, pelo contrario eu o busco desesperadamente, mas o que sei com consciê ncia é que esse sentimento é utópico, não que ele não possa existir, mas apenas porque não tem espaço para ele no mundo moderno.
No mundo da pseudo igualdade entre os sexos, onde a mulher prefere a liberdade infeliz do que ser escrava do amor, não sobra lugar para esse sentimento.
Sim, porque o amor é uma escravidão, o amor é mais do que uma renúncia unilateral, porque toda renuncia é unilateral sem exceção. O amor é a negação de sí próprio pleonasticamente falando
Dois seres jamais renunciam bilateralmente, só um renuncia, só um se sacrifica.
Por exemplo algumas religiões são muito piores.
No cristianismo que criou o pecado, até para você ser escravo de deus, veja bem , até para ser escravo, tem que renunciar aos prazeres da vida.
Ter prazer é pecado, quase crime e nem por isso essa renúncia te liberta pois em verdade ela te escraviza a um senhor que tudo pode e tudo faz e mesmo assim ele quer a tua renuncia.
Não aceito essa tolice que o que tem que ser bom para um tem que ser bom para ambos.
Mentira, numa relação a dois, um sempre se beneficia mais do que o outro.
Um renuncia pelo prazer do outro.
Um se anula para que o outro viva.
.Um se apaga para que outro brilhe.
Uma dama que um dia foi minha, me contestou dizendo: você está enganado Anderson, ninguém me tocou depois de você.
Tenho saído sim , ido festas a cinemas e não foi por falta de convites que eu não tive alguém.
Eu ri e pensei : nossa já é mais uma prostituta, não serve para mais nada salvo para farras (surubas)
Mais uma puta no mercado, pois chegou ao ponto de permitir que a convidassem para um bacanal mesmo a dois é um bacanal.
Lamentavelmente compreendi que a minha vida entre um orgasmo e outro só existe durante o repouso "in loco" desses orgasmos.
Longe da cama, longe de mim tudo é pecado e quase crime.
Assim como deus, exijo que até para me amar, servir-me e me obedecer, a renúncia absoluta desse objeto mulher, total, ampla geral e irrestrita.
Se um dia aparecer na minha vida alguém assim e que me desperte o desejo e a paixão saberei que encontrei o amor.Anderson Alencar – STORM – Amor bandido que para ele a mulher trai com um olhar, um sorriso, um comentário infeliz e ás vezes até se calando e que tem que renunciar a tudo e a todos se sonhar em querer ser algo importante na minha vida.