Estava pensando na vida e o que ela é em verdade e sabe a que conclusão cheguei?
A vida é um trem.
Pode parecer tolice, mas é realmente um trem em que somos passageiros.
Nossos pais, condutores até certo trecho, mas em verdade somos nós que decidimos ir em frente ou ficar em alguma estação e como nos comportarmos nelas.
Nosso caminho se inicia no nascimento e a morte é a estação final de desembarque.
Há uma expressão que gosto muito: acidente de percurso.
Acidente de percurso é o diferencial de uma vida da outra.
O grande problema não ocorre no caminho e sim nas paradas.
Nessas estações podemos encontrar a felicidade ou a tristeza, o sucesso ou o fracasso, a riqueza ou a pobreza, a paixão ou a decepção.
Eu, particularmente, encontrei de tudo nesse caminho tão estranho e imprevisível.
O ruim é que as coisas boas deixam poucas marcas e as más, terríveis seqüelas. Cicatrizes profundas, marcas indeléveis.
Já passei da metade do caminho e desembarquei em várias estações, errei muito, mas sempre voltei para o trem e agora faço isso novamente e o faço com muito orgulho.
Há uma coisa que me move e carrego sempre comigo nesse “iter vitae” ; a minha vontade.
A minha vontade é a única coisa que irá comigo ao fim da linha.
Nada nesse trilho me fará mudar, nada mesmo e essa é a minha bagagem de mão e com ela desembarcarei na estação final.
Carrego nas malas a decepção, a tristeza, a saudade, a dor, o sofrimento.
Vão me perguntar: não trazes nada bom?
Eu respondo: não, se tivesse encontrado algo bom definitivo teria permanecido nessa estação, se voltei ao trem é porque não era lá que estava minha felicidade e vou á sua busca.
Só um insano vai em frente deixando para trás a felicidade, a paz, a paixão e a alegria.
Muitas vezes cremos que nossa busca cessou, mas repentinamente percebemos que estávamos enganados, não era o que queríamos e vamos em frente, sempre, sempre até o fim da linha.
Pela janela olhamos para trás e vemos parados na estação aquilo que achávamos ser o fim da busca sem ser o fim da linha.
Á medida que o trem segue essa figura fica cada vez mais distante e mais longe de nossa emoção, até que um dia se torne não esquecida mas não tão importante, não tão insubstituível.
Já vivi isso , mas a mais interessante experiência é ver um dia depois de termos escolhido outra estação para nova busca, ver desembarcar arrependida de nos deixar partir, essa velha lembrança muitas vezes já esquecida.
Nessa linha não existem reencontros nem recomeço, apenas começo e fim.
Em cada estação uma emoção, mas em cada estação um enterro. Enterro apenas do bom, pois o sofrimento esse é eterno e nos mata um pouco em vida.
Impossível deixar de lembrar que nossa vida é uma manta feita de retalhos que agasalharão nosso frio ao apagar das luzes.
No meu caminho, vivi e fiz viver comigo toda intensidade da paixão.
A vida é uma farsa e a morte o fim dela.
Sigo com minha bagagem nesse trem da esperança, ansiando que na próxima estação, eu encontre a felicidade que ora perdi.
Ao encerrar o faço com um pensamento de Chaplin que para levar a felicidade a todos e a si próprio inventou Carlitos o adorável vagabundo que por coincidência viva errante nos trens da emoção, como eu mesmo.
Ele como eu sabia que a vida é um teatro e deixou-nos esse legado que ora reproduzo.

"A VIDA É UMA PEÇA DE TEATRO QUE NÃO PERMITE ENSAIOS. POR ISSO, CANTE, CHORE, DANCE, RIA E VIVA INTENSAMENTE ANTES QUE A CORTINA SE FECHE E A PEÇA TERMINE SEM APLAUSOS."

Obrigado pela emoção que me proporcionaram e em breve encerro minha participação nesse teatro maravilhoso.

Aplausos por favor.

 

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