O Ninho
Para onde vai
Para onde vai o dia que antes clareava o mundo que de repente se vê mergulhado na escuridão.
Essa pergunta foi feita durante milhares de anos pelos seres humanos.
A ciência deu uma resposta satisfatória explicando com isso também, para onde vai a noite que escurecia tudo a nosso redor e que em pouco tempo some e se vê iluminada fazendo desaparecer nossos medos.
Para onde vai nossa juventude que nem percebemos seu desaparecimento.
E mais uma vez a ciência explica, só não explica como não percebemos sua ida.
Para onde vai a vida que se esvai aos poucos ou rapidamente?
E nossos amigos e nossa fé.
Para onde vai tudo isso talvez expliquemos, mas há uma coisa que ninguém, nem pela fé e nem pela ciência conseguimos saber.
Para onde vai o amor
Esse que jurávamos ontem ser eterno e hoje nem sabemos como era seu gosto esse que entre beijos e suspiros sussurrávamos loucos para a pessoa que achávamos ser a definitiva, que os religiosos dizem até que a morte nos separe.
O amor leva com ele a paixão, o desejo e a esperança
O amor , o amor paixão que se vai, que é só o que existe, deixa com ele a desilusão antecipada do próximo amor, que também sabemos que se vai mas nunca para onde e por isso já sofremos por antecipação.
Parece coisa de uma tia bastante prevenida que na roça chorava muito, sempre que via uma foice pendurada na parede.
Perguntada porque chorava ela dizia: porque fico pensando o dia que me casar e tiver filhos e ele pequenino engatinhar por aqui e essa foice cair em cima dele. E continuava a chorar copiosamente.
Não chego ao ponto dessa super preocupação, mas imaginar que vou perder um amor que nem conquistei é de certa forma angustiante.
Essa certeza existe por um simples fator: nada no mundo é eterno e em sendo assim é só esperar o fim de algo que nem entendemos como começou, mas que foi bom enquanto durou.
Meu amado pai dizia algo que enquadra com perfeição esse tipo de acontecimento.
O velho falava: a vida é comelé e não como a gente quequelé ( a vida é como ela é e não como queremos que ela seja).
Sábio homem esse meu pai.
Mas por isso tudo fica uma pergunta no ar que nem eu, nem você, nem a fé e nem a ciência conseguem responder.
Para onde vai esse algo que juramos eterno?
Que nos motivava.
Que nos fazia sorrir de felicidade mesmo nos momentos tristes e chorar de emoção mesmo nos momentos de alegria.
Fica a pergunta irrespondível.Para onde vai o amor?
Quem souber, envie um e-mail para mim, vou á sua busca, porque eu vivo sem quase tudo, menos sem o amor.
Anderson Alencar – STORM – Amor bandido