O Ninho
 
 

Que terror

Era uma tarde noite comum na cidade do Rio de Janeiro pelos idos de 1920, a data é imprecisa.
O bairro era o de Catumbi zona considerada á época de classe média alta com seus casarões estilo imperiais.
Um desses párias da vida que buscam no álcool a solução de todos os problemas tomava umas e outras e mal se sustentava de pé.
Sendo velho conhecido da turma do bar e ao perceber o estado de avançada embriaguês de que estava possuído, imaginando que ainda teria que limpar o vômito do cidadão, o sr Manuel, dono da birosca e padaria do bairro, homem de valor, trabalhador e que tinha em Francisco, um jovem colaborador que dava tudo de si pelo patrão resolveu mandar o incômodo mas bom cliente beberrão para casa.
Francisco era o entregador de pão e ás 4:30 da manhã, diariamente e sem uma falta quer chovesse ou fizesse sol, estava lá fiel ao seu trabalho levando o pão quentinho ás casas da redondeza.
Havia uma coisa, entretanto que o angustiava.
Para distribuir o pão, era obrigado a passar diante do cemitério do Catumbi cujas estórias que se contavam eram á época de assustar.
Fantasmas, gemidos, gritos terrificantes eram escutados na calada da madrugada.
Era um ambiente assustador.
Bem voltando ao alcoólatra que era conhecido como "Sargento".
Segundo se dizia ele havia trabalhado num farol da Marinha brasileira e lá para fugir da solidão tivera no álcool seu companheiro e nunca mais se separaram.
Manuel resolveu encaminhar Sargento para casa e assim o fez, porque para chegar á morada do infeliz bastava seguir o muro do cemitério e logo ao término desse estava o humilde cortiço desse bravo que além do álcool , continuara mais solitário do que no tempo de faroleiro.
Depois de se livrar do desgraçado, Manuel voltou á sua lide.
Sargento não chegou em casa, não naquela noite.
Completamente embriagado e ao passar pelo muro baixo do cemitério, tentando se apoiar nele e só encontrando o vazio, desabou dentro de uma sepultura recém aberta e além da pancada associado ao efeito do álcool pos-se a dormir num estado semelhante a um coma.
Madrugada, Francisco se prepara para cumprir seu dever: pão quentinho para o café do vizinho, esse era seu lema.
Cesta cheia, bicicleta em movimento e lá vai o Chico como era conhecido.
Bem sempre com medo pedala em frente ao muro do cemitério e nesse exato momento Sargento sem nem saber onde estava mas num dos raros momentos de consciência, momentos que quanto mais álcool ingerido mais raros eram, desperta e se ergue da sepultura onde caíra.
Esfregando os olhos ouve o ruído da bicicleta de Chico e ao vislumbrá-lo, contudo sem identificá-lo e nem saber de onde se levantara, pergunta: moço, o senhor pode me dizer que horas são?
Bem a turma que contava isso dava desfechos diversos, mas eu gosto de um que fala que finalmente a solidão do sargento encontrou outro companheiro. Outro irmão do álcool.
Sim, o Sargento para esquecer a solidão do farol e o Chico, o Francisco da padaria que mal falava, e cujo corpo tinha espasmos parecendo estar vendo assombração, para esquecer aquela madrugada maldita onde ele vira levantar da sepultura um espectro terrível, assustador e enlouquecedor e que ainda por cima não lograra encontrar seu caminho para o além, porque provavelmente perdera a hora.

Anderson Alencar, que desde que depois que se casou e passou a conviver com sua sogra, nunca mais teve medo de assombração, até porque quando ele imagina que há algo de sobrenatural por perto grita: vá embora ou chamo minha sogra e nada resiste a essa ameaça.

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