Igreja Universal elege 14 deputados e Edir Macedo aumenta o seu poder de barganha com o governo FHC
GILBERTO NASCIMENTO
Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo, aumentou o seu cacife político para negociar com o presidente Fernando Henrique Cardoso. A bancada da igreja cresceu 133%, pulando de seis para 14 deputados na Câmara Federal. Um trabalho bem-feito pelos fiéis que, segundo orientação dos pastores, eram obrigados a conseguir votos de dez parentes ou amigos. O coordenador político da igreja, o bispo Carlos Rodrigues (PFL), fundador da Universal ao lado de Macedo, foi um dos eleitos no Rio de Janeiro. Agora, a bancada vai querer de FHC o fim do que julga ser uma perseguição: a devassa iniciada pela Receita Federal nas contas da igreja e de empresas do grupo. Um outro processo que pede a cassação da Rede Record, pertencente à Universal, também tem irritado o líder da igreja. Ao lado de parlamentares ligados a igrejas como a Assembléia de Deus e Batista, os deputados da Universal vão defender também os interesses dos evangélicos.
A Universal elegeu quatro federais no Rio de Janeiro, em São Paulo três e na Bahia, Espírito Santo, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Pará, um em cada Estado. Elegeram seis deputados estaduais no Rio e quatro em São Paulo. Para os inimigos do Bispo Macedo a estratégia está clara: essa bancada ganha imunidade parlamentar e se livra dos processos na Justiça. O próprio bispo Rodrigues foi acusado pela Receita de aumentar o seu patrimônio em 15.000% num período de apenas quatro anos e de receber empréstimos duvidosos de duas empresas sediadas no paraíso fiscal de Ilhas Cayman. Outros deputados abençoados por Macedo também receberam, segundo a Receita, empréstimos irregulares de Cayman, como os estaduais eleitos Laprovita Vieira (PPB), do Rio, e Márcio Araújo (PFL). Já o campeão de votos para a Assembléia Legislativa paulista, Faria Júnior (PMDB), com 176 mil votos, é o diretor da empresa responsável pelos sorteios de prêmio 0900 da Rede Record, suspenso pela Justiça Federal por causa de irregularidades. Além de eleger seus representantes, a Universal estaria por trás de um movimento para impedir o êxito de adversários, como o pastor Ronaldo Didini, dissidente da igreja, que disputou uma vaga de deputado estadual pelo PPB de São Paulo, mas não foi eleito. Panfletos distribuídos em igrejas por um grupo denonimado Vigilantes do Voto Evangélico, criticaram o candidato a governador Paulo Maluf, aliado de Didini, e vincularam o nome e a foto do pastor à imagem de Nossa Senhora Aparecida, a santa venerada pelos católicos.
Revista Isto É, 14 de outubro de 1998
Comentário:
A presença da bancada de bispos da IURD é importante para que eles façam barganha contra as acusações que pesam sobre seus ombros. Por isso é fundamental que eles estejam lá no poder para fazer suas negociatas.