ENTREVISTA
Como atua a Universal
Pastor relata alguns acordos eleitorais
RONALDO DIDINI saiu da igreja de Edir Macedo no ano passado
Época: A Universal faz política?
Ronaldo Didini: Fui articulador político da Universal por dez anos. Em 1994 Fernando Henrique recebeu o apoio da Igreja numa reunião em minha casa. Em 1996 eu dirigia a Associação Beneficente Cristã e recebi a ordem de apoiar o senador José Serra para prefeito. Era uma articulação do ministro Sérgio Motta. Soube pelos jornais, e a Universal não desmentiu, que o apoio foi trocado por 17 concessões de TV em sistema UHF.
Época: O que é ruim na Universal?
Didini: Alguns líderes que se acham donos da verdade.
Época: Edir Macedo?
Didini: Ele é um homem de Deus que perdeu a visão. É vítima do sistema que criou. Quer o poder temporal, econômico, empresarial e político. Macedo é um ingrato. O bispo Carlos Rodrigues, segundo da Universal, é o típico fariseu descrito no Novo Testamento. Para favorecer sua candidatura a deputado federal pelo PFL do Rio fez o deputado federal Laprovita Vieira ser rebaixado a candidato a deputado estadual.
Época: O bispo Rodrigues tem dado declarações simpáticas a Lula, do PT...
Didini: Isso é mais uma chantagem, que sempre acontece quando algum interesse empresarial da Igreja é contrariado pelo governo. Os parlamentares ligados à Universal são eleitos para defender os interesses da Igreja, principalmente empresariais e econômicos, e não dos evangélicos em geral.
Revista Época