

![]()
![]()
A rica mitologia Celta engloba seres fantásticos, bravos heróis em batalhas sangrentas, magos com alto grau de poder mágico, preparados para a realização dos mais diversos feitiços, deuses convivendo em harmonia e às vezes lutando com humanos. Um mundo de incríveis lendas onde a espada na maioria da vezes predominava. Os Celtas sempre buscaram na mitologia uma explicação para toda existência, porém, na realidade pouco sabemos sobre a mitologia céltica primitiva, devido aos poucos registros da época, pois os Druidas (sacerdotes celtas) transmitiam seus conhecimentos por meio oral e não utilizavam a escrita.
Acredita-se que os Celtas sejam descendentes de indo-europeus, originários da região do rio Danúbio na Alemanha. Os primórdios deste povo são vistos na cultura de Hallstatt da Europa Central no século 9° A.C., tendo como principal característica o uso do ferro.
A cultura tida como Celta é a de La Tène, do século 5° A.C até cerca do século 1° D.C., que se caracteriza como guerreira e aristocrática. Foi neste período de La Tène que os Celtas viveram o auge de sua existência e começaram uma grande migração, espalhando-se por várias regiões da Europa Central e Ocidental, principalmente na direção da Grã Bretanha e Irlanda.
Devido a sua grande presença em toda a Europa, o povo Celta teve fundamental importância na formação cultural de várias regiões.
No início do século 1º A.C, os romanos começaram a escrever sobre os mitos célticos continentais, porém, muita coisa já havia sido alterada como na mitologia dos celtas das Ilhas Britânicas, que só começou a ser escrita no século 4º D.C e infelizmente por mãos de monges cristãos. Desta forma é fácil concluir que esses monges bastardos distorceram muitas coisas
cristianizando a rica mitologia celta, pois, de forma alguma esses vermes cristãos fariam escritos com a intenção de preservar as antigas tradições celtas,
considerando que a igreja católica perseguiu incansavelmente a ordem dos Druidas com a estúpida intenção de convertê-los ao cristianismo.
Também vale ressaltar que um escrito dos mitos Celtas com sentido mais próximo do real seria talvez algo
inalcançável, levando em consideração que tais registros começaram a ser escritos quando muito já havia se transformado dentro da cultura Celta. O ponto
culminante é que tais obras não foram escritas por mãos Celtas, e sim por povos de culturas totalmente diferentes e sem fonte material suficiente, permitindo a estes inserirem seus costumes e suas crenças em tais obras, pois como citado
anteriormente os conhecimentos passados pelos sacerdotes celtas eram feitos por meio oral e não de forma escrita, talvez com a intenção de manter suas ideologias obscuras, voltadas apenas para seu povo.
O MITO DE CONQUISTA DA IRLANDA
A mitologia dos Celtas Irlandeses que trata da história do povoamento é considerada hoje a menos abalada, já que por seu isolamento, não foi tão distorcida com a dominação romana e com o cristianismo...
De acordo com ela, as invasões começaram com a de Partholon, homem que criou as tradições sociais e deu início à atividade agrícola, sendo o líder um ser do outro mundo. Eles entraram em combate contra os fomoris ou fomorianos, que segundo as lendas eram gigantes. Após esses conflitos os parthoniamos forma dizimados devido a uma peste.
Segundo o mito irlandês, os próximos invasores foram a de Nemed e suas quatro mulheres. Os nemedianos também entraram em conflito com os fomorianos, que os derrotaram e obrigaram o povo de Nemed a emigrar para outras terras.
Os Tuathas De Dannan, povo da Deusa Dana, foram os próximos a tentar conquistar a Irlanda. Descendentes dos nemedianos que se refugiaram em ilhas gregas, os Tuathas descobriram os mistérios da criação, tornando-se deuses e levaram consigo todo o conhecimento de magia que possuiam. Ao chegarem à Irlanda, travaram a grande batalha de Mag Tuired contra os firbolgs, que eram dez tribos que ocupavam a Irlanda dividindo-a em 5 províncias (algumas lendas dizem que os Firbolgs foram na verdade nemedianos refugiados que voltaram à Irlanda e foram chamados de Firbolg). Os Tuathas saíram vitoriosos e nesta ocasião, seu rei Nuada teve o braço decepado e abdicou ao trono, mesmo com um novo braço criado por Miach, filho do Deus Dian Cecht.
Logo após a batalha contra os Firbolgs, eis que os temíveis Fomorianos retornam e entram em guerra contra os Tuathas. Então, um jovem de nome Bres, filho de um Fomoriano com uma mãe Tuatha foi escolhido como rei. O jovem se mostrou fraco para o posto e foi substituído por Nuada, o antigo rei que voltou a ocupar o posto outrora abdicado, porém, Nuada cedeu o poder a Lugh, Deus do Sol. Lugh enfrentou o temível mostro fomoniano Balar, capaz de destruir exércitos com o poder que saia de seu único olho. Lugh atirou uma pedra no olho de Balar, fazendo com que seu poder se voltasse contra os fomorianos aniquilando-os para sempre.
Os Celtas, dentro do contexto mitológico irlandês representados pelos milesianos, ou "Filhos de Mil", invadiram a ilha sob o comando do poeta Amairgen, que usou seu poder mágico para dispersar as nuvens defensivas que os Tuathas colocaram ao redor da ilha. Em Tara, centro da Irlanda, os milesianos encontraram três reis que pediram uma trégua, mas Amairgen não deu ouvidos e prosseguiu com a invasão.
Os Tuathas conseguiram impedir a nova invasão por meio de um vento mágico que, logo foi dissipado pela feitiçaria lançada pelo poeta. No fim,
acabaram selando um acordo que daria por encerrada as batalhas: Os Celtas controlariam o mundo terrestre e os Tuathas ficariam com as regiões subterrâneas.
A DOMINAÇÃO
Após a conquista da Irlanda pelos Celtas, mais uma fantástica epopéia se desenrolou, descrita no Táin Bó
Cuailnge, que faz parte dos contos mitológicos do Ciclo de Ulster. Tudo começa quando a rainha
Medb, de Connaught percebe que as posses de seu marido valiam mais do que as delas, devido ao fato dele possuir o Touro de Chifre Branco. Ela decidiu então tomar para si o grande Touro Castanho e
Cuailnge, capaz de abrigar cem soldados com seu corpo. O problema é que o Touro pertencia a
Daire, rei de Ulster. A rainha pediu o touro emprestado, foi atendida, porém, revelou que se o empréstimo não fosse concedido, ela o tomaria a força.
O rei Daire indignado, cancelou o empréstimo, fato que culminou com o início da guerra. Medb
acreditou que a vitória seria fácil, mas não contava com a coragem e força do guerreiro adversário
Cuchulainn, que sozinho derrotava inúmeros soldados.
A deusa guerreira Morrigan voltou sua atenção a coragem do poderoso guerreiro
Cuchulainn, que tentou seduzi-lo de todas as formas, porém, sem sucesso.
Medb envia o guerreiro Loch para lutar contra Cuchulainn que, mesmo sendo ajudado pela maléfica deusa Morrigan é derrotado.
A insistente rainha manda o guerreiro Fergus, que era como um pai para
Cuchulainn. Os dois, para evitar o combate, combinaram que Cuchulainn fingiria fugir, o que de fato aconteceu. As batalhas prosseguiram até que Fergus e Cuchulainn encontraram-se novamente e desta vez foi Fergus quem fingiu fugir, amedrontando o exército da rainha Medb que naquele momento perdeu a guerra.
Após a batalha, o Touro Castanho resolveu lutar contra o Touro do Chifre Branco, pertencente ao marido da rainha
Medb. O vitorioso no combate foi o Touro Castanho que ao retornar para sua terra acabou morrendo do coração. Tempos depois, o herói Cuchulainn foi covardemente assassinado após ter caído em uma
cilada da deusa Morrigan e dois reis de Munster e Leinster.
PRINCIPAIS
FESTAS CELTAS

Imbolic - Em 1º de Fevereiro celebra-se a deusa Brigit, que é ligada a fertilidade.
Beltene - Comemorada em 1º de Maio, era uma festa para celebrar o deus Belenus, o deus da luz, em que se acendiam várias fogueiras.
Lughnasadh - 1º de agosto é homenageado o deus do sol, Lugh e começava-se a colheita nos campos.
Samhain - Celebrada de dia 31 de Outubro ao 1º dia de novembro, esta festa marca a passagem para o inverno e nesse dia a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos desaparece. Deu origem ao
Helloween.
OS DRUIDAS - A MAIS MÍSTICA ORDEM CELTA
Ao despertar da noite, envoltos em túnicas brancas, os Druidas, sacerdotes celtas perseguidos e condenados a fogueira pela maldita igreja católica acusados de bruxaria, reuniam-se em campos e florestas repletas de carvalhos. Dessa forma eram realizados os rituais em que a Deusa-Mãe era adorada e celebrava-se a chegada das estações.
Os sacerdotes celtas adoravam o aspecto feminino da divindade, chamada de Deusa e por não terem o costume de registrar sua história através da escrita, muito do que se sabe sobre os druidas provém de lendas como a do Rei Arthur, na qual Merlin e a meia-irmã de Arthur,
Morgana, eram dessa ordem sacerdotal.
Atualmente, o Santuário de Stonehenge, em Wiltshire, Inglaterra é o grande legado histórico dos celtas e um dos grandes enigmas dessa sociedade que existe até os dias atuais.
Os druidas foram membros de uma elevada estirpe dos celtas e exerciam as funções de juízes, doutores, sacerdotes, adivinhos, magos, médicos e astrônomos. Possuíam também um avançado sistema filosófico, semelhante aos neoplatônicos.
Um dos fundamentos da religião céltica era a crença na imortalidade da alma, que buscaria seu aperfeiçoamento através de vidas sucessivas. Acreditavam que o homem era responsável pelo seu destino de acordo com os atos que livremente praticasse.
A mulher exercia papel fundamental na sociedade celta. Gozava de mais liberdade e direitos se comparada á de outras culturas, podendo até participar de batalhas e solicitar divórcio. Nos rituais
druídicos, eram vistas como imagem da Deusa, detentora do poder de unir o céu (Deus no aspecto masculino) e a Terra, que seria a Deusa. Dessa forma, o mais alto posto da hierarquia sacerdotal pertencia exclusivamente às mulheres.
Os homens poderiam apenas chegar ao posto de conselheiro e mensageiro dos deuses e entre outras denominações, recebiam o nome de
Merlin.
A religião druídica era a expressão mais mística da religião céltica, e a Wicca é a mais conhecida. Repleta de sessões de
magia, também era a mais popular com rituais rústicos ligados a natureza e a Terra. Basicamente, a doutrina céltica enfatizava a
Terra e a Deusa Mãe, enquanto os druidas mencionavam diversos deuses ligados às formas de expressão da natureza. Eles celebravam suas principais
cerimônias nas mesmas datas dos festivais celtas, porém, com rituais diferentes em muitos detalhes. Um exemplo era o uso de túnicas brancas por parte dos druidas em alguns festivais, enquanto os celtas participavam nus.
OS DRUIDAS MODERNOS
Mesmo perseguidos pela igreja católica na Idade Média, na qual os praticantes do druidismo eram considerados bruxos e queimados vivos, a milenar filosofia celta
mantém seguidores até os dias atuais. Estima-se que no mundo existam cerca de quarenta ordens
druídicas. Algumas são totalmente fechadas, nas quais são aceitos somente homens, outras admitem pessoas de ambos os sexos. No Brasil existem membros de ordens internacionais, como a British Druid Order
(BDO) e a Order Of Bards, Ovates and Druids, todas provenientes da Inglaterra.
STONEHENGE

Diferentes de outras seitas e correntes religiosas, os celtas não
admitiam que a divindade pudesse ser cultuada em templos feitos por mãos humanas. Dessa forma, faziam dos campos e florestas, principalmente onde houvesse muitos carvalhos, palco de suas cerimônias. Em vez de templos fechados, reuniam-se em círculos de pedra como o
Stonehenge.
No sul da Inglarerra, mais precisamente na planície de Salisbury está o enigmático complexo monolítico chamado
Stonehenge. O monumento pré-histórico mais importante da Inglaterra foi construído há quase 5000 anos e suspeita-se que era usado em rituais célticos. Os saxões chamavam o grupo de pedras
eretas de "Stonehenges" ou "Hanging Stones" (pedras suspensas), enquanto os escritores medievais se referiam ao monumento como "Dança de Gigantes". No entanto, um grande mistério envolve a construção do complexo.
As enormes pedras utilizadas no Stonehenge foram trazidas de até 400 quilômetros de distância das montanhas de Gales, o que tornaria necessário transpor o mar que divide a região.
Algumas pesam 50 toneladas e têm 5 metros de altura. Analisando as pedras, constatou-se que foram cortadas para encaixar exatamente uma na outra. Detalhe: Na época não existiam ferramentas de construção com tamanha precisão.
Relatos históricos afirmam que os druidas que habitavam a região da Inglaterra durante o império romano realizavam cerimônias no local, herdando a tradição, costumes e rituais dos primeiros moradores do lugar. A datação do carbono 14 afirma que não foram os celtas os construtores do monumento, pois chegaram à região muito tempo depois, porém, não sei até que ponto se pode confiar em analises feitas pelo carbono 14, ou por qualquer outro recurso usado para descobrir a real datação de tais monumentos.
Arqueólogos e astrônomos através de analises, constataram que a função do Stonehenge era a de um grande observatório
luni-solar. O alinhamento de vários componente marcava os pontos de solstícios, de equinócios e as declinações máximas e as mínimas da lua.
Durante séculos o Stonehenge foi cenário de reuniões camponesas e nos últimos 90 anos, os druidas modernos celebravam no local o solstício de verão. Milhares de pessoas se reuniam para assistir ao festival, mas em 1985 foi proibida a vinda dos druidas e a realização da festa, tendo em vista a preservação do local. Atualmente o lugar é administrado pelo English Heritage e visitado por cerca de 700 mil pessoas por ano, o que motivou as autoridades a tomarem medidas rigorosas para preservá-lo.